Carochinha
História
Sinopse da história
O famoso conta da Carochinha é conhecido por tudo o mundo, conta a história de uma carochinha que depois de se tornar muito rica decide irá à busca de um parceiro perfeito para casar.
Imagem criada por: David Pinto
Era uma vez uma carochinha que andava a varrer a casa e achou cinco reis e foi logo ter com uma vizinha e perguntou-lhe:
«Compra doces.» — «Nada, nada, que é lambarice.»
Foi ter com outra vizinha e ela disse-lhe o mesmo; depois foi ainda ter com outra que lhe disse:
«Compra fitas, flores, braceletes e brincos e vai-te pôr à janela e diz:
Quem quer casar com a carochinha.
Que é bonita e perfeitinha?»
Foi a carochinha comprar muitas fitas, rendas, flores, braceletes d’ouro e brincos; enfeitou-se muito enfeitada e foi-se pôr à janela, dizendo:
«Quem quer casar com a carochinha
Que é bonita e perfeitinha?»
Passou um boi e disse:
«Quero eu.»
«Como é a tua fala?»
«Ú, ú…»
«Nada, nada não me serves que me acordas os meninos de noite.»
Depois tornou outra vez a dizer:
«Quem quer casar com a carochinha
Que é bonita e perfeitinha?»
Passou um burro e disse:
«Quero eu.»
«Como é a tua fala?»
«Eu ó… eu ó…»
«Nada, nada não me serves, que me acordas os meninos de noite.»
Depois passou um porco e a carochinha disse-lhe:
«Deixa-me ouvir a tua fala.»
«On, on, on.»
«Nada, nada não me serves, que me acordas os meninos de noite.»
Passou um cão e a carochinha disse-lhe:
«Deixa-me ouvir a tua fala.»
«Béu, béu.»
«Nada, nada não me serves, que me acordas os meninos de noite.»
Passou um gato.
«Como é a tua fala?»
«Miau, miau.»
Nada, nada, não me serves, que me acordas os meninos de noite.»
Passou um ratinho e disse:
«Quero eu.»
«Como é a tua fala?»
«Chi, chi, chi.»
«Tu sim, tu sim; quero casar contigo.» disse a carochinha.
Então o ratinho casou com a carochinha e ficou a chamar-se João Ratão.
Viveram alguns dias muito felizes, mas tendo chegado o domingo, a carochinha disse ao João Ratão que ficasse ele a tomar conta na panela que estava ao lume a cozer uns feijões para o jantar.
O João Ratão foi para junto do lume e para ver se os feijões já estavam cozidos meteu a mão na panela e a mão ficou-lhe lá; meteu a outra; também lá ficou; meteu-lhe um pé; sucedeu-lhe o mesmo, e assim em seguida foi caindo todo na panela e cozeu-se com os feijões.
Voltou a carochinha da missa e como não visse o João Ratão, procurou-o por todos os buracos e não o encontrou e disse para consigo.
«Ele virá quando quiser e deixa-me ir comer os meus feijões.»
Mas ao deitar os feijões no prato encontrou o João Ratão morto e cozido com eles.
Então a carochinha começou a chorar em altos gritos e uma tripeça que ela tinha em casa perguntou-lhe:
«Que tens, carochinha, Que estás aí a chorar?»
«Morreu o João Ratão, e por isso estou a chorar»
«E eu que sou tripeça, ponho-me a dançar.»
Diz d’ali uma porta:
«Que tens tu, tripeça, Que estás a dançar?»
«Morreu o João Ratão, Carochinha está a chorar, e eu que sou tripeça, pus-me a dançar.»
«E eu que sou porta, ponho-me a abrir e a fechar.»
Diz d’ali uma trave:
«Que tens tu, porta, Que estás a abrir e a fechar?»
«Morreu o João Ratão, Carochinha está a chorar, a tripeça está a dançar, e eu que sou porta pus-me a abrir e a fechar.»
«E eu que sou travo quebro-me.»
Diz d’ali um pinheiro:
«Que tens, trave, Que te quebraste?»
«Morreu o João Ratão, Carochinha está a chorar, a tripeça está a dançar, a porta a abrir e a fechar, e eu quebrei-me.»
«E eu que sou pinheiro, arranco-me.»
Vieram os passarinhos para descançar no pinheiro e viram-no arrancado e disseram:
«Que tens, pinheiro, que estás no chão?»
«Morreu o João Ratão, Carochinha está a chorar, a tripeça está a dançar, a porta a abrir e a fechar, a trave quebrou-se, e eu arranquei-me.»
«E nós que somos passarinhos vamos tirar os nossos olhinhos.»
Os passarinhos tiraram os olhinhos, e depois foram á fonte beber água.
E diz-lhe a fonte:
«Porque foi passarinhos, que tirastes os olhinhos?»
«Morreu o João Ratão, a Carochinha está a chorar, a tripeça está a dançar, a porta a abrir e a fechar, a trave quebrou-se, o pinheiro arrancou-se, e nós, passarinhos, tirámos os olhinhos»
«E eu que sou fonte, seco-me.»
Vieram os meninos do rei com os seus cantarinhos para levarem água da fonte e acharam-na seca e disseram:
«Que tens, fonte, que secaste?»
«Morreu o João Ratão, a carochinha está a chorar, a tripeça a dançar, a porta a abrir e a fechar, a trave quebrou-se, o pinheiro arrancou-se, os passarinhos tiraram os olhinhos, e eu sequei-me.»
«E nós quebramos os cantarinhos.»
Foram os meninos para palácio e a rainha perguntou-lhe:
«Que tendes, meninos, que quebrastes os cantarinhos?»
«Morreu o João Ratão, a carochinha está a chorar, a tripeça a dançar, a porta a abrir e a fechar, a trave quebrou-se, o pinheiro arrancou-se, os passarinhos tiraram os olhinhos, a fonte secou-se, e nós quebrámos os cantarinhos.»
«Pois eu que sou rainha, andarei em fralda pela cozinha.»
Diz d’ali o rei:
«E eu vou arrastar o c… Pelas brasas.»
——
Daniel Sabino
Carochinha
Áudio
Ficha Técnica
Adaptação realizada por: Odette de Saint-Maurice
Data de Transmissão: –
Transmitido por: Emissora Nacional
Data de Gravação: 1958
Gravação realizada por: Jaime Filipe, Matos Ferreira e Alberto Nunes
Local da Gravação: Estúdio A da Rua do Quelhas, e no Estúdio de São Marçal
Música de fundo: Maestros Jorge Machado ou Tavares Belo
Canções de: Jaime Filipe
Capa do Áudio: Mariana Saraiva
João Ratão: João Perry
Carochinha: Maria Armanda
boi, burro, porco, cão, gato: Rui Luís
Narrador: Certo dia aconteceu.
Aconteceu que uma linda carochinha pobre, mas trabalhadora como ninguém e que vivia feliz, sem desejar mais do que tinha.
Ao varrer a casa numa Bela manhã?
Reparou que, em um canto da sala de jantar no chão, brilhava qualquer coisa.
Carochinha: Aí, parece uma moeda.
Carochinha: Uma moeda de ouro.
Narrador: Era uma moeda de oiro, então radiante, com o achado a Formosa carochinha decidiu imediatamente Mudar de Vida.
Carochinha: Aí que bom, que bom, que bom.
Carochinha: Agora chama caixinha rica e confortável para ceder. Vou comprar vestidos, casacos, chapéus, sapatos, luvas, carteiras, meias, joias, mobília.
Carochinha: E depois casa me com pretendente que seja bem a meu gosto.
Narrador: E não pensou 2 vezes dona carochinha ajanotou-se alindou-se até foi ao cabeleireiro das carochinhas elegantes. Empurrou se e toda enfeitada pôs-se à janela.
Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha.
Boi: Quero eu.
Boi: Quero eu.
Boi: Quero eu.
Carochinha: Sim quer? E que nome tem o meu pretendente.
Boi: Eu? Chamo-me boi.
Carochinha: E qual é a sua ocupação?
Boi: Trabalho nos Campos e puxo Carroça.
Carochinha: E nas horas vagas, é capaz de cantar para me distrair.
Boi: Sou sim.
Carochinha: Então canta um pouco para eu saber se gosto da sua voz.
Boi: (Barulhos de boi)
Boi: Aí que voz tão feia.
Carochinha: Não me serve, não me serve.
Boi: Então adeus Carochinha, boa sorte.
Carochinha: Deus passe bem o livra. Espero arranjar um novo, com melhor apresentação.
Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha.
Cão: Quero eu, quero eu.
Carochinha: E qual é o seu nome?
Cão: O meu nome é cão.
Carochinha: E em que se ocupa?
Cão: Largo tudo o que me mandam.
Carochinha: Será capaz de cantar para me distrair?
Cão: Então não vai de ser, quero ouvir?
(barulhos de cão)
Carochinha: Aí que maneira de cantar tão desagradável não me serve, não me serve bem, é um bom.
Cão: Então adeus Carochinha e boa sorte.
Carochinha: Adeus adeus passe bem.
Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha.
Gato: Quero eu quero eu.
Carochinha: Sim, e o seu nome qual é?
Gato: Gato, sou gato
Carochinha: E a sua ocupação se faz favor?
Gato: Caço pardais quando não durmo
Carochinha: E é capaz de cantar para me distrair?
Gato: Já se sabe que sim.
Carochinha: Então cante para apreciar a apreciar a sua voz?
Gato: (Brulhos de gato)
Carochinha: Aí não, não é muito irritante essa maneira de cantar. Não me serve, não me serve.
Gato: Então adeus Carochinha e boa sorte.
Carochinha: Não se preocupe, que não me faltam pretendentes.
Carochinha: Ei de arranjar um a meu gosto.
Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha.
Galo: Quero eu, quero eu, quero eu.
Carochinha: Então diga como é que se chama.
Galo: Chamo-me galo.
Carochinha: É a sua ocupação?
Galo: Que cantar à meia-noite para dizer que chegou o dia seguinte.
Carochinha: Aí que bom, então, deve saber cantar para me distrair.
Galo: Claro que sei e tenho boa voz ora oiça.
Galo: (barulhos de galo)
Carochinha: Quero um marido que saiba cantar para mim e não para entreter toda a vizinhança.
Galo: Então adues Carochinha e boa sorte.
Carochinha: Adeus, adeus siga o seu caminho.
Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha.
João Ratão: Quero se tu quiseres linda Carochinha.
Carochinha: E quem és tu?
João Ratão: Eu sou João Ratão da família dos ratinhos que nunca chegam a ratazanas.
Carochinha: E que fazes?
Carochinha: E que te ocupas?
João Ratão: Coisas que não tem importância.
Porque se me queres dar contigo, só me preocuparei com o que for do teu agrado.
Juro-te que havemos de ser felizes.
Carochinha: E serás tu capaz de cantar para me distrair?
João Ratão: A minha voz é fraquinha, mas posso tentar.
João Ratão: Sou um rato pequenino que bem dirá o destino se puder migar a vida à Carochinha querida.
Carochinha: Que bem que tu cantas João Ratão.
Carochinha: Contigo vou casar mais nenhum quero escutar.
Narrador: E casaram a carochinha e o João Ratão foi linda a festa da boda e o casal viveu sempre felicíssimo.
Narrador: O boi o cão, o gato e o Galo despeitado arranjaram uma intriga. Fizeram constar que o João Ratão era um guloso e que um dia às escondidas da carochinha, tinha ido à panela da sopa a fim de comer um pedaço de toucinho e que tombara dentro dela, estando quase a morrer cozido e assado no caldeirão coisas que se inventam. A verdade é só esta.
Quem quer casar com a carochinha.
Que é bonita e perfeitinha?»
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