A Princesa que guardava patos
História
Sinopse da história
A história acompanha a jovem Rosabela, uma princesa que foi expulsa do palácio pelo seu pai e decidiu fazer um trabalho nunca antes feito por uma verdadeira princesa.
Imagem criada por: David Pinto
Era uma vez um velho rei, pai de 3 filhas, certo dia resolveu saber qual das princesas o estimava mais, para saber assim qual a herdeira do trono convocou-as a todas.
“Diz-me filha primeira como tu gostas de mim” – disse o rei
“Senhor rei, pai, amigo juro-lhe em nome de Deus que lhe quero como quero ao olhar dos olhos meus” – cantou a primeira
“Muito bem às de querer-me nesse caso e do coração te agradeço e tu filha segunda diz-me como é que tu gostas de mim” – respondeu o rei
“Senhor rei, pai, amigo a fim de a quem sou-lhe jus que lhe quero como quero ao tempo do meu futuro” – cantou a segunda
“Muito bem às de querer-me nesse caso e do coração te digo obrigado e agora filha terceira diz-me como tu gostas de mim” – disse o rei
“Senhor rei, pai, amigo meu amor não tem igual eu lhe quero como quero às pedras brancas do sal” – cantou a terceira filha
Foram grandes o pasmo e a ira do velho rei que achou de péssimo gosto a resposta da mais nova das princesinhas e sem aceitar qualquer das explicações declarou:
“Esta filha ingrata e má nunca mais a quero ver, o meu reino dividido por suas irmãs vai ser, ponham a princesa fora sem ordem de voltar que me queira como o sal não lhe posso perdoar”
“Não chores Rosabela, não chores”
“Mas ó fada madrinha o meu pai não me entendeu “
“Não faz mal um dia o teu pai vai compreender como é grande a tua amizade Rosabela”
“E agora que ei de fazer?”
“Tens de obedecer às suas ordens como filha respeitadora que és sem te importares que o reino seja das tuas irmãs.”
“Não lamento de não ser eu a herdeira do trono.”
“Bem eu sei Rosabela, custa-te sim ter perdido a afeição do teu pai, seja como for nada fica por aqui. Ouve Rosabela, abandona os teus vestidos ricos cobre-te de farrapos despenteia-te e suja os teus cabelos dourados e farrusca o teu lindo rosto de forma a te tornares irreconhecível e vai-te daqui para muito longe e só paras quando te oferecerem uma ocupação que nenhuma princesa tenha tido nunca. Aí ficarás a trabalhar.”
“Está bem, fada madrinha, eu vou.”
“Agora toma este anel”
“Ai… tão lindo e tão pequenino.”
“Guarda-o bem guardado dentro de uma bolsinha junto ao peito, não o uses a não ser quando precisares de realizar um desejo muito grande e tal suceder enfia-o no dedo mindinho e chama por mim.”
Pôs se a princesinha Rosabela a caminho, atravessou terras e terras e de muitos sítios pessoas condoídas uma pobrezinha miserável as pessoas ofereceram-lhe trabalho, mas nenhum que não pudera ser feito por qualquer princesa, mas um dia numa cidade uma velhota que lhe dera almoço, perguntou se queria que guardasse os patos do palácio real.
“Guardar pato foi coisa que nenhuma princesa fez com certeza, os símbolos mulher aceito com muito gosto.”
E assim ficou a princesa disfarçada de mendiga a guardar patos e muitas vezes admirada com o seu próprio destino, ela repetia a si própria.
“Pata aqui, pata ali, filha de rei a guardar patos, foi coisa que eu nunca vi foi coisa que nunca vi”
E os patinhos de tanto a ouvirem já sabiam aquela cançoneta.
“Pata aqui, pata ali, filha de rei a guardar patos, foi coisa que eu nunca vi foi coisa que nunca vi”
Tantas vezes isto sucedeu a princesa Rosabela a cantar e os patinhos a dançarem de roda dela que um dia o príncipe herdeiro ao voltar para cas se surpreendeu com estranha cena, ficou intrigadíssimo.
“Pata aqui, pata ali, filha de rei a guardar patos, foi coisa que eu nunca vi foi coisa que nunca vi, tenho de saber se isto encobre algum mistério ou se não que dizer nada” – disse o príncipe intrigado.
Hora acontecia todas as noites quando se fechava no quartinho onde dormia, Rosabela se arranjava de certo modo que ficava tão bonita como sempre fora e quando naquela madrugada o príncipe espreitava naquela fechadura à espera de descobrir quem era a guardadora dos patos avistou a dormir a mais linda rapariga que os seus olhos tinham visto tão maravilhado ficou que foi logo a correr ao palácio.
“Senhora minha mãe rainha quero me casar com a guardadora de patos que é com certeza uma princesa disfarçada!”
“Não estás em ti meu filho príncipe, mesmo que assim seja tens de te casar com uma princesa rica e não com uma princesa pobre, sabes que vamos dar um grande baile para escolher a tua noiva”
“Nada disso me importa senhora minha mãe rainha é com a guardadora de patos que eu desejo casar”
Andava a Rosabela no seu entretimento favorito no dia seguinte quando foram buscá-la para levá-la á rainha.
“Quero saber a verdade entendes. És ou não uma princesa disfarçada. Vamos fala, responde-me aqui diante o meu filho príncipe”
“Mas majestade não compreendo como me faz tão estranha pergunta”
“Meu filho viu-te a dormir, diz que és uma linda princesa e que quer casar contigo”
“Mas majestade isso deve ter sido um sonho que o príncipe teve”
“Confessas por tanto que não és linda nem princesa”
“Vossa majestade bem vê que não passo de uma feia e humilde guardadora de patos”
Ficou o príncipe desolado e assustado com o ar feio da rainha sabendo que não podia provar de forma nenhuma a sua verdadeira identidade, voltou a pobre princesinha guardar os seus patos, agora triste como nunca.
Chegou por fim a noite do baile durante o qual o príncipe deveria escolher a sua noiva. Fechada no seu quarto suspirava Rosabela quanto se lembrou do anel que a fada madrinha lhe dera, logo enfiou no dedo.
“Que deseja Rosabela?”
“Gostava tanto, tanto de ir ao baile do príncipe”
“Pois Rosabela irás, mas quem és a ninguém o dirás.”
No mesmo instante a princesinha viu ao lado um vestido feito de ouro recoberto com pedras preciosas e tinha sapatos e luvas e carteira e joias, tudo a condizer era maravilhoso e ficou tão bela que não havia no mundo princesa que se comparasse.
No palácio, no meio da esplendorosa festa o príncipe notou a sua recém-chegada reconhecendo imediatamente esse cujo rosto ele estava certo de o ter visto sem ser em sonhos, nunca mais dançou com outro par nem soube pedir-lhe.
“Por favor, por favor não me digas não! Te dou o meu amor não me digas não. Por tudo te imploro diz-me quem tu és, sabes que te adoro tens meu reino aos pés, às de ser rainha deste meu país, doce princesinha torna-me feliz” – cantou o príncipe.
Rosabela, porém, lembrava-se da recomendação da sua fada madrinha e quando compreendeu que acabaria de ser descoberta, embora o seu desejo fosse ficar, decidiu fugir ao príncipe o quanto antes e escapou-se dos braços tão rapidamente embora lhe segurar as mãos não lhe pôde reter e já a princesinha ia longe quando desolado percebeu que ficara um pequeno objeto um anel minúsculo.
“E digo-lhe minha mãe rainha que só me casarei com a dona deste anel.”
Por ordem da rainha não houve princesa nem fidalga que não tentasse enfiar em qualquer dos dedos o anelzinho, este, porém não servia a nenhuma e depois das princesas e fidalgas vieram experimentar o anel todas as raparigas do reino e entre as mais por ordem do príncipe a guardadora de patos, que enfiou sem nenhuma dificuldade num dos dedos mindinhos assim descoberta, Rosabela não tinha outro remédio senão contar o que consigo lhe acontecera.
No meio do entusiasmo geral decretou o príncipe grandes festejos, para no dia do casamento a assistir ao banquete foram convidados o pai e as irmãs de Rosabela que de nada sabiam claro, quando estavam todos à mesa o príncipe sorrindo dirigiu-se ao rei seu sogro que repelia todos os acepipes que lhe punham na frente.
“Majestade não comeis”
“Não tenho apetite alteza”
“Não tendes apetite ou não vos sabe a nada o que lhe é servido”
“A verdade majestade é foi cozinhado todos os vossos alimentos sem sal”
“Sem sal? Mas porquê alteza?”
“A princesa minha mulher que vos vou apresentar agora vos explicará a razão majestade”
“Rosabela vem”
“Senhor rei, pai, amigo, meu amor não tem igual eu lhe quero como quero às pedras brancas do sal” – cantou-lhe ela.
Assim compreendeu o rei o muito amor que a sua filha mais nova lhe dedicava, logo abraçou Rosabela a pedir-lhe desculpa da injustiça que lhe praticara e a princesinha no meio da alegria geral garantiu ao soberano que não lhe guardava nenhum ressentimento pois na verdade quando lhe sucedera permitira descobrir a sua própria felicidade.
E tudo acabou em bem e nas horas de descanso o príncipe e a princesa divertiam-se imenso no meio dos patinhos recordando tempos antigos, cantando:
“Pata aqui, pata ali, filha de rei a guardar patos, foi coisa que eu nunca vi foi coisa que nunca vi”
——
Daniel Sabino
A Princesa que guardava patos
Áudio
Ficha Técnica
Adaptação realizada por: Odette de Saint-Maurice
Data de Transmissão: –
Tramistido por: Emissora Nacional
Data de Gravação: Março de 1960
Gravação realizada por: Jaime Filipe, Matos Ferreira e Alberto Nunes
Local da Gravação: Estúdio A da Rua do Quelhas, e no Estúdio de São Marçal
Música de fundo: Maestros Jorge Machado ou Tavares Belo
Canções de: Jaime Filipe
Capa do Áudio: Bruno Leal
Rosabela: Maria Armanda
Patos: Rui Luís
Rei: Joaquim Rosa
Fada Madrinha: Maria Lalande
Principe: Osvaldo André
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