A Cigarra Tonta
A Cigarra Tonta
Áudio
Ficha Técnica
Adaptação realizada por: Maria Isabel Mendonça Soares
Produção: Maria Madalena Patacho
Narração: –
Data de Transmissão: 16/02/1973
Transmitido por: Emissora Nacional
Programa: Meia Hora de Recreio
Locução: Francisca Maria
Registo de Som: Manuel Marques
Montagem: João Silvestre
Capa Áudio: Bruno Leal
Link de Referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos
Mãe: Maria Schultz
Maria Rosa: Milucha
Garoto: José Manuel
Vizinha Teresa: Maria Brito Malta
Pai: Alexandre Vieira
Tio Isidrio da Mata: Rui Ferrão
Mãe: Maria Rosa. Ó Maria Rosa, onde estás tu metida rapariga!
Maria: Estou aqui, minha mãe.
Mãe: Anda cá.
Maria: Pronto aqui estou que me quer.
Mãe: pega neste jarro vai lá baixa adega e traz vinho, mas não te demores.
Maria: Esteja descansada mãe, vou tirar.
Maria: Quando eu era pequena, não gostava de vir cá abaixo a adega porque tinha medo.
Maria: A adega é escura quanto é dos baixos arcos de pedra que servem de paredes e separam as divisões umas das outras. Muitas sombras pelos cantos.
Maria: Mas agora já não me importo nada quanto às patetices, acho até que é divulgar misterioso. Que eu gosto de mistérios é uma espécie de lugar encantado, como só há NOS livros de histórias.
Maria: Bom, mas a mãe está à espera do vinho, tem que encher o jarro.
Maria: É engraçado ver o vinho a correr, fazendo bolhas cor-de-rosa quando cai.
Maria: Muito mais efetivo imaginar coisas do que trabalhar, pelo menos é assim que eu Penso agora, por exemplo, porque de eu ficar parado olhar para o jarro quando posso aproveitar O Tempo e dar uma volta pela adega a imaginar, imaginar.
Maria: Já sei!
Maria: Que estou no castelo, no subterrâneo de um castelo.
Maria: Se esta casa fosse um castelo, eu era uma Princesa Encantada neste subterrâneo.
Maria: Mas para eu ser uma Princesa Encantada, era preciso haver uma bruxa que me tivesse encantado. Com certeza pode haver encantamentos sem bruxas.
Maria: Olha, ali está naquele canto uma vassoura faz de conta que é a vassoura da bruxa. Arrume óleo o canto como se costuma arrumar os automóveis à beira dos passeios.
Maria: A Vassoura-De-Bruxa é o seu automóvel.
Maria: Mas Como Seria que ela me encantou?
Maria: Ah espera já sei.
Maria: Espalhou um pó no ar e o cheiro foi tão forte que me fez andar a cabeça roda e certamente como eu sim, todas as vezes que desço à adega.
Maria: Transformou um em uma aranha. Como aquela.
Maria: Mas um dia passava diante do Castelo, um príncipe muito Valente, como ouviu cantar assim sou A Princesa Encantada numa aranha, muito feia e 1000 anos, condenada a tecer a minha teia e milanos condenados a tecer a minha teia, acho que um príncipe viesse tirar-me desta prisão, talvez o meu pai lhe desse como prémio a minha mão.
Maria: Talvez o meu pai lhe desse como prémio a minha mão.
Maria: Vem depressa, vem depressa, cavaleiro, não de.
Maria: Aí, valha-me Deus, o vinho todo entornado pelo chão, olha minha vida.
Mãe: Ó Maria Rosa, quando acabará estudo encher o jarro.
Maria: Ó mãe, deixe-me cá e entornou-se tudo.
Mãe: Sempre quero ver o que fizeste.
Mãe: Sempre quero ver o que fizeste aí o que para aqui vai desastrada, não tomas tento em coisa nenhuma. Deixa ver uns pregam que ISTO tem de ser limpo.
Mãe: Ó meu Deus que rapariga é esta, sempre distraída 20 vezes no dia acontecem desastres por causa da tua falta de atenção.
Mãe: Nem os anos te dão juízo a minha cabeça de vento. Olha que já estás crescida com 13 anos.
Maria: Ainda não os fiz, mãe, só daqui a 8 dias.
Mãe: Ora a grande diferença uma semana a menos.
Maria: Hoje, hoje é que é o dia dos meus anos, que bom.
Maria: Ó minha mãe A gente então pode comer doces ao jantar?
Mãe: Pode, o que é que tu Queres falar? Anda tente.
Maria: Fosse coscorões sim, gosto tanto de cuscuz muito Ourinhos embrulhados em canela.
Mãe: Está bem, pronto, faça tua vontade, eu vou tender a massa.
Mãe: Ora, muito bem, os coscorões estão prontos.
Mãe: Vai fritá-los enquanto eu vou a loja, fazer umas compras usando está ao lume. Agora está uma atenção. Maria Rosa não queime se não faças nenhum disparate.
Maria: Ó mãe, eu tenho juízo, faz 13 anos, não sou nenhuma menina pequena.
Mãe: Já não é sem tempo até logo.
Maria: até logo minha mãe.
Maria: Vou fritar os coscorões.
Maria: Que engraçados São os pecadinhos, tão delgadinho de massa e daqui a minutos é chão como balões.
Maria: Aí aquele e o outro ali A nadar e no aceite, parecem barquinhos exatamente barquinhos, com as velas enfunadas pelo vento E o azeite tão Dourado, tão brilhante e um Lago durante os barquinhos navegam. Vou deitar uns poucos de coscorões para dentro da frigideira ao mesmo tempo ela é tão grande E assim eu vejo muitos barquinhos a nadar no Lago douro.
Maria: Querido os Barquinhos, eu vejo focar neste Lago d’Ouro quilos faz brilhar. Eu sei que existam Rio entre os rios de Portugal é que todos saem mundo e é feito da água. Afinal, é por isso que eu afirmo se é muito mais acertado chamar Douro, ei, esta site que ao menos sempre é Dourado
Maria: À! Parece que está alguém a bater á porta.
Maria: Quem é?
Mãe: Até que enfim estou aqui, vai tirar a porta um ror de tempo.
Maria: No ouvi minha mãe.
Maria: Estava a fritar os croissants e com o barulho do Azeite.
Mãe: Diz antes com o barulho que tu fazias a cantar.
Maria: Oh!
Mãe: O que foi?
Maria: O coscorão, veja mãe, que pena, mal-empregados.
Mãe: É esta rapariga e os meus pecados deixar queimar coscorões todos. Eu logo vi a cantiga alguma asneira havia de dar dinheiro estragado, tempo perdido. Olhem para ISTO, parecem-me bocados de carvão.
Mãe: Aí, mas que pouca sorte a minha me valha Deus, tenho uma filha que não me ajuda em coisa alguma e que em vez de trabalhar canta és mesmo uma cigarra tonta.
Maria: Hihihi Cigarra tonta.
Mãe: Ainda por cima ainda te ris, rapariga.
Menino: adeus, cigarra tonta, adeus.
Maria: Adeus, se julgam que eu me ralo com alcunhas, estão muito enganados, até gosto que me chamem assim.
Maria: As cigarras são os bichinhos tão simpáticos, tão alegres.
Maria: Cantam sempre contente que haja sol não me importo nada que me comparem uma cigarra.
Vizinha: Nenhum te importas tu, mas importa se a tua mãe.
Maria: Foi a primeira que me chamou assim, está bem, chamou de cigarra toda naquele dia.
Vizinha: Mas esperava que tu mudasses, afinal continuas na mesma. Não há meio de ser como as outras raparigas da tua idade.
Vizinha: Ainda ontem na fonte, a tua mãe esteve a falar comigo, bem desconsolada.
Vizinha: Adeus ó Rita, em que é que tu estás a pensar que nem dás pela gente mulher
Mãe: Aí é você vizinha passou bem, estava tão distraída que não tinha visto.
Vizinha: olha lá que a distração pega, se calhar daqui a pouco estás com uma tudo cigarra tonta, aí desculpa a gente acostumou ser chamar assim a tua Maria Rosa aí.
Mãe: Não tem mal, deixe, afinal fui eu a primeira que lhe pôs o nome de cigarra tonta.
Mãe: A moça não faz coisa que jeito tenha. Já desesperei de a ver diferente.
Vizinha: Sabes do que ela precisava? Rita não de trabalhar a sério por obrigação, mas só porque não apoiem vocês em qualquer emprego
Mãe: Emprego vizinha, ela ainda não acabou a escola e sabe Deus se consegue passar sempre a pensar em coisas tão diferentes daquilo que está a fazer.
Vizinha: Arranjava lhe trabalho durante as férias?
Mãe: Não sei, custa-me, nem sei o que me parece pôr a filha a trabalhar para contar.
Vizinha: Era para bem dela, toda a Gente sabe que vocês vivem desafogados. E que não é por serem gananciosos que vão me ter apequenam caseiras, mas é assim como se dessem um remédio Tomar a amarga, mas faz bem, tenha certeza.
Mãe: Talvez tenha razão vizinha.
Mãe: É de falar nisto ao meu homem, fala, fala ao menos por um tempo, já chegava para ela Tomar sentido no que tem para fazer.
Mãe: Adeus, vizinha e obrigada. Obrigada pelos seus conselhos. Tens que agradecer. Boa tarde, Rita e queira Deus que o remédio dê resultado.
Maria: Estava um bom jantar, não?
Pai: Tem gosto.
Pai: Por que me perguntas isso? Não me digas que foste tu quem fez?
Mãe: Já tinha boa idade para isso já, mas Deus me livre de confiar alguma vez, havia de ser bom e bonito ficávamos em jejum e a comida ia parar ao caldeirão dos porcos.
Maria: Ó mãe.
Maria: Disse alguma mentira? Estou a exagerar, não és capaz de fazer coisa que preste já era juiz.
Pai: Se não ajuda tua mãe em casa, nem aproveitas no estúdio o que há de ser de ti um dia.
Maria: Não é por mal pai mas …
Mãe: Olha, vai, mas é estudar, anda vai, vai, vai.
Maria: Não quer que Lava-loiça.
Mãe: Para quê? Para fazer estudo em cacos, vai estudar para o teu quarto anda vai estudar vai anda.
Maria: Então boas noites, boa noite.
Mãe e Pai: Boas noites.
Pai: Escusavas de a tratar assim?
Mãe: Desculpa, é que eu queria falar contigo sem ela aqui estar, não percebeste?
Pai: Então o que é?
Mãe: É, estive a conversar, vizinha teresa e sabe o que ela me disse, que devíamos pôr a Maria Rosa trabalhar num emprego.
Pai: E o estudo?
Mãe: O emprego é durante as férias para aprender a sua custa a governar-se um parece-me que a vizinha teresa a tem certa razão, É Ela é uma pessoa com muita experiência da vida.
Mãe: O que é que dizes?
Pai: Realmente é capaz de ser bom para a moça, pois é.
Pai: Eu lembrei agora de uma coisa a as férias estão aí não tarde EEO tio Isidro da mata ainda no outro dia me disse que precisava de uma rapariga, para guardar as vacas e as cabras com ele e a mulher vindo para velhos, mas são boas criaturas, tá? Talvez queiram a nossa Maria Rosa por uns tempos, é o pior é se ela começa por lá fazer disparates
Mãe: Talvez ela se acostuma a ter mais cuidado, uma vez que está com pessoas de fora isso é útil.
Pai: E se o Isidro, não a quiser por saber que ela é uma cigarra tonta.
Mãe: Não saberá. Eles moram arredados daqui vêm poucas vezes à aldeia.
Pai: É de falar com ele e vermos.
Pai: Ora, então como passou você, tio Isidro?
Isidro: Vai-se indo obrigado vai-se indo, antes assim pior ou aí antes melhor que assim é.
Isidro: Bem, eu já não tenho 20 anos já muito tempo.
Isidro: E quando se vai para velho trabalho, custa mais sério, precisava.
Pai: De quem o ajudasse que o Isidro?
Isidro: Aí é isso, é isso, é o isso, é isso é verdade, disse bem. Mas desde que falei no assunto, lembra de trazer?
Isidro: Ainda não descobri nenhum cachorro com viesse ajudar a guardar o gado.
Isidro: Isso, queria eu.
Pai: Um cachopo ou uma cachopita.
Pai: Era, até é por isso que aqui estou
Isidro: sabes de alguém aí?
Pai: Eu lembrei da minha Maria Rosa, tá?
Pai: Talvez ela desse conta do recado.
Isidro: Ela não está acostumada?
Pai: Lá, isso não está, mas acostuma-se a entra nas férias daqui a pouco e até acha Graça variar.
Pai: Ela gosta da vida ao ar livre tem boa saúde.
Isidro: Bom se tu achas que a tua filha é capaz de tomar conta do banana que venha.
Pai: Anda cá Maria Rosa.
Pai: Senta-te aqui ao pé de mim, temos que conversar.
Maria: Diga lá pai, que é?
Pai: Olha lá, tu gostavas de ter dinheiro teu para gastar naquilo que quisesse?
Maria: Isso, não é? Se pergunta Se Eu ganhasse haveria de comprar tanta coisa, já tenho pensado muitas vezes em que eu gostava de comprar com meu Dinheiro.
Pai: Pois talvez Seja Agora a ocasião de veres acontecer uma dessas coisas que tu gostas de imaginar.
Pai: Queres ir tomar conta das ovelhas e das cabras do tio Isidro da mata?
Pai: Nas férias, ele precisa de uma pastora e paga bem.
Maria: Eu, A guardar cabras não julgava que fosse dessa maneira que eu podia ganhar dinheiro, ah isso dá muito trabalho.
Pai: Pois como querias tu ganhar dinheiro sem trabalho. Há vais ver que até gostas. todos os dias a sair para o campo é Bom, e então com os dias bonitos, é muito melhor do que estão entre 4 paredes de uma casa.
Pai: Sentas-te à sombra, enquanto as ovelhas pastam e pronto á tardinha voltas com elas para a quinta da mata,
Maria: Se é só isso, não me importo, não é difícil.
Pai: Para mais, não é trabalho Para Sempre, só durante uns meses, naturalmente olha que vale a pena.
Maria: Pois está bem, meu pai, parece-me que gostar desse trabalho, diga o teu isidro que sim.
Maria: Que eu vou.
Pai: Espera, espera, mas é que ainda uma coisa que me parece o mais difícil para ti, é que tu sabes quando se toma conta daquilo que não nos pertence, é preciso muito cuidado, muita atenção e eu tenho medo de que tu não sejas capaz
Maria: Sou então não sou?
Maria: Acredito pai em Tomar conta de tudo muito bem, tal qual como se fosse a dona.
Pai: Não sei, parece-me que tu nem daquilo que é teu sabes tomar conta.
Maria: Ter confiança em mim, pai?
Pai: Vê lá bem, e isso perdes alguma cabeça de gado.
Pai: É que é coisa muito séria.
Maria: Não hei de perder, com certeza, prometo que vou ter muito cuidado.
Pai: Estás pronta, Maria Rosa?
Maria: Sim Senhor meu pai.
Pai: Oh, então, vamos. Vá, espera pela tua mãe.
Maria: adeus, minha mãe.
Mãe: Dá cá um beijo, minha filha.
Mãe: E vê lá o que é que fazes
Maria: Tudo há de correr bem, não se aflija minha mãe.
Pai: Ora, cá estamos nós senhor Isidro.
Isidro: Olha lá, então tu é que és a Maria Rosa.
Maria: Sim Senhor Isidro.
Isidro: Olha, ficas a experiência, mas se não viste.
Isidro: Ao fim desse tempo se verá, ou quase.
Isidro: Amanhã de manhãzinha, levas o rebanho ao pasto, está bem?
Maria: Sim Senhor.
Maria: Tão cedo
Maria: O que vale é que não sou das mais preguiçosas.
Maria: O dia nasceu limpo. Vamos a ver que tal me dou eu com o trabalho de pastora.
Isidro: Maria Rosa, Ó Maria Rosa.
Isidro: Toma bem cuidado, rebanho.
Maria: Fique descansado.
Maria: Comam á vontade ovelhinhas latem e pulem com liberdade, cabras e cabritos, o sol brilha e as cigarras cantam como eu.
Maria: Sou pastor e guardo cado, mas não é o meu ofício, é um tempo bem passado e não faço sacrifício.
Maria: Ó cão vê lá aquela ficas de Sentinela, o cão vi lá e que tu ficas de sentinela é do meu gosto, é de minha opinião cantar como uma cigarra à luz do Sol, no verão.
Maria: É no meu gosto, é da minha simpatia cantar como uma cigarra.
Isidro: Sempre quero ver, sempre quero ver como é que ela vai dando conta do serviço.
Isidro: Esta, olha, parece satisfeita.
Isidro: As ovelhas estão a pastar sossegadas.
Isidro: E as cabras?
Isidro: Não estou a ver nenhuma.
Isidro: Nem a sombra delas.
Isidro: Mau, mau, mau, mau, mau, Deus queira.
Isidro: Onde é que estão as cabras do rebanho? Eu só vejo aqui as ovelhas, o credo rapariga parece que estavas a dormir e acordaste de repente.
Isidro: A ficaste a olhar para mim com um ar de espantado.
Isidro: Pergunto onde é que estão as cabras que não as vejo?
Maria: Não sei se calhar andam ali pelo monte, eu vi as á bocado a saltarem por introdutores, mas agora eu não sei onde se meteram.
Isidro: É, é, é.
Isidro: Boa guardadora me saíste, não haja dúvida, então deixa-me fugir as cabras ainda, mesmo quando elas foram.
Isidro: Ficaram as ovelhas porque se não mais mansas.
Isidro: No largo de estava, não querem ouvir?
Maria: O Patrão, desculpe, eu vou à procura deles.
Maria: Má sorte a minha. Estou cansada de andar por Montes e vales e as velhacas não aparecem
Maria: É lá? Acolá vai uma aos saltos.
Maria: Espera, espera aí.
Maria: Sinto-me moída, que nem uma salada, nem sei onde pôr os pés que tanto me doem?
Isidro: Então encontraste e?
Maria: Encontrei sim Senhor.
Isidro: Olha que ISTO não torna a acontecer nunca mais, ouviste?
Maria: Não, Senhor, juro que não volto a distrair-me teu exigido juro por tudo quanto lá.
Isidro: Quer e nem são catar. Preciso ajudas nem para nada.
Isidro: Bem vai jantar e deita cedo.
Isidro: Parece que nem te aguentas de pé rapariga.
Maria: Muito obrigada, tio Isidro e faça o favor de desculpar
Isidro: Está bem, está bem, está bem, está bem, amanhã mais cuidadinho.
Maria: Está bem.
Maria: Há. Hoje é que tenho sido uma pastora como deve ser.
Maria: Ainda não tirei os olhos de cima do rebanho.
Maria: É o que o Isidro desta vez, não há de ter razão de queixa.
Maria: Aí que borboleta mais linda tem asas azuis naturalmente subiu muito alto, muito alto e pegou se calhar estavas um bocadinho de céu. Eu gostava de ser como as borboletas. É muito melhor ser borboleta do que ser pastora de rebanho. As borboletas não guardam rebanhos.
Maria: Bom e daí talvez guarda, talvez as nuvens de mosquitos sejam os rebentos das borboletas.
Maria: Talvez a borboleta azul ande a procura de seu rebanho de mosquitos.
Maria: Aí, o que terá acontecido?
Maria: O meu cão está a ladrar furiosamente.
Maria: Aí Deus queira que não seja nada com o rebanho.
Maria: Ora, não Há de Ser, com certeza, o gato estava tão sossegado a pastar e o cão é tão Valente que não deixa ninguém lhes fazer mal.
Maria: Aí outra vez capaz de ser coisa séria, vou correr.
Maria: Ali uma raposa a correr levando um cordeirinho na boca, leão corre atrás dela não fugir.
Maria: Aí meu Deus por aqueles bloqueios e um cão não conseguiu agarrá-la e gora vou poder utilizar vidro a minha má cabeça.
Maria: Quem me mandou ir atrás da borboleta azul?
Maria: Aí tio Isidro, não sei como lhe dizer. Olha, aconteceu uma desgraça.
Isidro: Ora rapariga fala que foi?
Maria: Uma Raposa leva, levou um cordeirinho nos dentes.
Isidro: E tu deixaste minha parva, não pode é que tu Estavas a olhar, não ouviste?
Maria: Eu, eu estava um bocadinho mais longe, tinha ido atrás de uma borboleta.
Isidro: Uma borboleta? então eu dei-te o meu serviço para guardar urbana para caçar borboletas
Maria: Eu Não ia caçar.
Isidro: A Cala-te Cala-te, não pode ser perder a cabeça.
Isidro: Para chau, ainda só estás aqui há 2 dias a fizeste 2 disparates a fazer uma põe minha. A culpa foi minha.
Isidro: Quem mandou Tomar para pastora uma cigarra? Conta, sim, porque eu já sabia que se chamava assim, mas pensei que não fosse tanto tu como se dizia lá, afinal, mesmo quando tenho outro remédio, senão mandar para casa do teu pai, vai.
Maria: Acredito que eu tenho muita pena do que sucedeu, tio.
Maria: Pois é, Eu Não sei, não sei como é que, por mais que queira, olhe começo a pensar em tanta coisa, apetece-me cantar e pronto. Esqueço-me de tudo o resto.
Isidro: És muito boa rapariga é desculpa, é boa rapariga, mas não tem juízo, todo é o quê?
Isidro: E enquanto não aprenderes a tua custa com alguma coisa que te pertença, não tens emenda e financiamento que lhe pagam que tinha combinado com o teu pai.
Isidro: Estiveste cá só 2 dias, mas fizeste tanto estrago que não merece o dinheiro.
Isidro: Olha toma lá este já rodei, te levam, é o teu ganho.
Isidro: Para que não se diga que um velho avarento.
Isidro: Leva lá o leite.
Maria: ó tio Isidro muito agradecida a Deus e faça o favor de desculpar.
Isidro: Adeus, adeus e toma juízo a rapariga.
Maria: Não faz mal que me tivesse dado sobre este jarro de leite e de vender o leite.
Isidro: Disseste alguma coisa?
Maria: Ia falar comigo mesmo o teu Isidro e acaba pensar alto sabe vou daqui de caminho pela Feira e vendo o leite.
Isidro: Aí era.
Maria: Já regulei para vender a com certeza encontro quem me combo a encontro. Posso bem vender o jarro mais o leite aí por uns 20 escudos.
Maria: Não me parece grande negócio, mas vai ver que no fim da rende muito.
Isidro: A rende como?
Isidro: Mas tu não tens cabeça rapariga.
Maria: Vez então este 25 escute, posso comprar 2 dúzias de ovos, daí depois nascem 2 dúzias de pintainhos muito lindos, já estou a vê-los, alguns a ser pretos outros todos amarelinhos e alguns brancos também e os pintos crescem num instante, fazem isso uns lindos frangos, os frangos vendem-se muito bem agora como sabe?
Maria: Olha 24 francos para aí 50 escudos. Cada um não são, é mais de um conto, com esse dinheiro já posso comprar tanta coisa, posso comprar uma blusa às flores, posso comprar uma saia de moda, posso comprar uns sapatos e depois peço ao meu pai que ainda cheira o baile e vou deixar, sempre lá.
Maria: Olha o meu recuo leite.
Maria: Partiu do jarro e entornou leite no chão.
Isidro: Olha, agora é que eu digo e não podiam ter para já dura alcunha, tu és uma verdadeira, ficava tonta.
Isidro: O que tu és rapariga?
Isidro: Posto desses no bar que ainda se não fez com a blusa a saia e os sapatos que ainda se comprar com os meus frangos que ainda não mexeram dos ovos que nem sequer fosse comprar, porque no final de contas não chegaste a vender o leite.
Isidro: A rapariga, rapariga.
Isidro: Talvez aprendas agora de vez a Tomar teto no que estás a fazer.
Isidro: Mas, então eu hei de deixar de cantar tio Isidro.
Isidro: Canta, canta, canta a tua vontade, canta pequena, canta que lá saber disso maneiras cantigas que está o mar, não é nas cantigas cantar até ajuda a trabalhar, mas ao menos pra atenção no que estás a fazer com as mãos e com a decanta rapariga, não deixa a cabeça sozinha a imaginar.
Maria: Eu nunca mais posso imaginar coisas nem inventar histórias que me vem a ideia eu gostava tanto.
Isidro: Bem ISTO lá dessa coisa das histórias, não entendeu que não tive sorte de andar na escola como vocês.
Isidro: Mas quem para seca inventar histórias também não é proibida ninguém acho eu tu se calhar até terás jeito para as escrever, olha experimenta.
Isidro: Mas com papel e tinta, em vez de ser só aqui no pensamento aqui estás a compreender.
Isidro: Bom, vai te lá embora a cigarra tonta.
Isidro: Se demoras aqui mais tempo arruína mesmo e fica a pedir esmola. Estás a ouvir?
Isidro: Adeus, ó cigarra tontinha aí!
Maria: Adeus, tio Isidro, mas por favor, não me chame cigarra tonta, todos chame-me cigarra, é assim que eu gosto de me.
Maria: Continuarem a chamar toda a vida até velha, uma cigarra alegre e feliz.
Maria: Tonta e que nunca mais.
Outros Contos
Histórias para ler e ouvir
O Cavalo Mágico
Era uma vez um menino que foi parar em um reino mágico. Assim que, lá, chegou, identificou seres mágicos. Enquanto seguia seu caminho, viu um cavalo que voava.
As Três Cidras do Amor
As três cidras do amor é uma bela história onde o bem triunfa sobre o mal. Fala sobre um Rei que procura, incessantemente, uma noiva para o seu único filho.
História da Carochinha
Foi a carochinha comprar muitas fitas, rendas, flores, braceletes d’ouro e brincos; enfeitou-se muito enfeitada e foi-se pôr à janela, dizendo:
«Quem quer casar com a carochinha
Que é bonita e perfeitinha?»


