A Menina Sem Nome
A Menina Sem Nome
Áudio 1
Ficha Técnica
Adaptação realizada por: Maria Isabel Mendonça Soares
Produção: Maria Madalena Patacho
Narração: Maria Madalena Patacho
Data de Transmissão: 20/10/1972
Transmitido por: Emissora Nacional
Programa: Meia Hora de Recreio
Registo de Som: Manuel Sanches
Montagem: João Silvestre
Capa do Áudio: Bruno Leal
Link de referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos
Yuki: Francisca Maria
Mãe: Maria de Brito Malta
1 Irmão: Mário Manuel
2 Irmão: Manuel Inácio
3 Irmão: Armando Pinto
4 Irmão: Carlos Fernando
Senhor Jackson: Rui Ferrão
Senhora Jackson: Maria Schultz
Suzaninha: José Manuel
Narrador: Meia hora de recreio, um programa que a emissora nacional oferece todas as semanas aos seus pequenos ouvintes.
Narrador:Hoje vou escutar o primeiro episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome.
Narrador: Personagens e o quê? Francisca Maria, a Mãe, Maria de Brito Malta, o primeiro irmão, Mário Manoel, o segundo irmão, Manoel Inácio, o Terceiro Irmão Armando Pinto, o Quarto Irmão Carlos Fern.
Narrador: O senhor Jackson Rui Ferrão, a Senhora Jackson Maria Schultz, Suzaninha, José Manuel registe, som de Manuel Sanches, montagem de João Silvestre, produção, Maria Madalena Patacho.
Narrador: Esta é uma história passada no Japão, quando não era costume as meninas andarem na escola.
Narrador: Explico-lhes isto para vocês não ficarem a pensar que hoje ainda acontece a mesma coisa.
Narrador: Exatamente como na nossa Terra e em todos os países civilizados, as meninas hoje aprendem a ler, a escrever e a contar vão à escola, ao liceu e à universidade.
Narrador: As meninas hoje aprendem a ler a escrever e a contar vão à escola, ao liceu e a universidade.
Narrador: Mas certas festas e certos usos no Japão continuam iguais ao que eram antigamente. Como vão ouvir nesta história que principia assim?
Mãe: Yuki?
Yuki: Chamou por mim, minha mãe?
Mãe: Chamei, vem cá, sabes a quantos estamos? Que dia é amanhã?
Yuki: Sim mãe é o dia da festa dos rapazes. Mito meu irmão mais velho e os outros 3, há quanto tempo não falam noutra coisa?
Mãe: E com razão.
Mãe: Este dia foi escolhido desde há muitos séculos para festejar os jovens do nosso país.
Mãe: E por isso, todas as famílias japonesas onde há filhos quer sejam abastadas ou pobres, cumprem com a tradição. À entrada de cada Jardim ergue-se amanhã, o mastro e nele ficarão a flutuar ao vento tantas carpas recortadas em papel colorido. Quantos rapazes dessa família?
Yuki: No nosso mastro haverá 4 Carpas.
Mãe:4 belas carpas a anunciarem que nesta Casa moram 4 moços cheios de saúde e vigor.
Mãe: Tu Yuki essa menina de família?
Mãe: E nas mãos da mulher entregaram os deuses, a felicidade e a beleza da casa.
Mãe: Aqui tens tudo quanto precisas, 4 grandes folhas de papel de seda, cada qual da sua cor, uma tesoura e nível de fio.
Yuki:4 folhas de Papel de Seda.
Yuki: Azul, Pavão vermelho, dragão amarelo, Açafrão verde, melão.
Mãe: Um riso que se veja não que se oiça.
Mãe: Uma, menina para educada, deve ser silenciosa.
Yuki: Sim a mãe.
Mãe: Agora Yuki podes ficar a trabalhar em sossego.
Mãe: Deixo-te a porta aberta para o Jardim.
Yuki: Sim, mãe.
Mãe: Até logo.
Yuki: Por que viam ter posto a minha mãe? O nome dela Oshizo san, a Senhora tranquila e porque ela queria que eu me pareça com ela, que tem a voz Mansa como água do recato e leve com barragem de tardinha.
Yuki: Eu gostava de me chamar rouxinol ou gorrião e cantar de dia e noite como eles cantam.
Yuki: E o final é que estou a recortar peixes de papel e tão silenciosa como eles?
Irmão 1: Yuki! Onde estás, onde te escondeste?
Yuki: Que tontos são os rapazes, cuidado.
Yuki: Olhem que rasga o papel, eles ficam sem carpas.
Irmão 2: Sempre disse só a nossa irmãzinha Yuki seria capaz de fazer maravilhas destas?
Irmão 3: Não haverá na cidade, quatro capas estão magnificas, como as nossas.
Irmão 2: Yuki és a Pérola das irmãs.
Yuki: E os meus 4 irmãozinhos, os 4 rapazes mais tontos do Japão.
Irmão 2: Deixa-me escolher a minha carpa. Eu quero a vermelha.
Irmão 4: A minha é a azul.
Irmão 3: Não azul é para mim, tu ficas com amarelo.
Irmão 4: Não quero essa gosto da azul.
Irmão 4: Escolhe tua, verde.
Irmão 2: Pronto fico eu com a amarela.
Irmão 2: Onde está nossa mãe Yuki?
Yuki: Naturalmente, é combinar um jantar da manhã.
Irmão 3: Bem-bom jantar de festa, o que será Yuki tu sabes diz.
Yuki: Guloso, parece-me que eu vi a mãe falarem sopa de algas.
Irmão 3: Eu gosto e depois?
Yuki: Depois raízes tenras de lótus em geleia, lagostins grelhados.
Irmão 4: E que mais?
Yuki: Disse que os meus irmãos eram os 4 rapazes mais tantos do Japão agora, de que são os 4 maiores guloso, vão ficar gordos, gordos, gordos, como os lutadores que mais que mais que o mais, talvez por ser um dia grande festa.
Yuki: O nosso pai dê licença beber uma gota uma.
Yuki: Gotinha só de vinho de arroz?
Irmão 4: E porque é dia de festa.
Irmão 4: Não precisamos de ir à escola.
Yuki: Como pode estar contente a dizer uma coisa dessas?
Yuki: Aí se eu estivesse no teu lugar?
Irmão 3: Falas assim porque não vais lá. Fazes ideia do que seja aprender a desenhar mais de 3000 caracteres do alfabeto.
Irmão 4: E desenhamos a perfeito.
Irmão 2: Sem deixar que o pincel e tinta de mais, nem de menos.
Irmão 2: Um verdadeiro suplício irmãzinha.
Yuki: Mesmo assim, quem me dera andar na escola com vocês?
Irmão 4: As raparigas não precisam de aprender essas coisas.
Yuki: É porque não?
Irmão 4: Porque são raparigas está claro.
Yuki: Não é justo. Os rapazes têm todos os direitos, falar alto, correr e saltar, andar na escola e ainda por cima ter uma festa só para eles, como a de manhã.
Yuki: Fui eu quem recortou as carpas e afinal, nenhuma delas me pertence. Porquê?
Irmão 4: As carpas são o nosso modelo, porque são peixes muito corajosos, fortes e ágeis capazes de nadar contra a corrente do Rio e de vencer todos os obstáculos. É com elas que nós, os rapazes, nos devemos parecer.
Yuki: E eu também sei vencer dificuldades.
Irmão 4: Deixa disso, irmãzinha, as Meninas são bem mais bonitas do que as carpas.
Irmão 4: Contenta-te ser expressiva com um peixinho dourado como estes que nada na água do Lago.
Irmão 4: Além disso, há no Japão à muitas outras festas próprias para as raparigas?
Irmão 4: É festa das bonecas, por exemplo.
Irmão 4: E a das ameixoeiras em Flor.
Irmão 4: Em todas elas, pode estrear um quimono pintado ou bordado.
Irmão 4: Para mim a festa mais divertida é o meu memamaki, Sim aquela em que a gente atira como mãos cheias de ervilhas para casa e grita
Irmão 1,2,3,4: A riqueza que entre e o diabo que saia.
Yuki: Pois sim, mas eu acho.
Yuki: Que também devia ter direito a uma carpa.
Yuki: Uma linda carpa recortada em papel macio como cetim.
Yuki: E muito branco.
Yuki: Porque Yuki quer dizer neve.
Irmão 4: É assim, as nossas carpas nunca mais ficam prontas. R amanhã chega depressa.
Irmão 3: E amanhã chega depressa.
Yuki: Pois então vão-se todos já embora daqui e deixa-me trabalhar sozinha a minha vontade.
Narrador: No dia seguinte, ao entardecer ser e o que foi sentar-se no Jardim?
Yuki: Pronto acabou a festa, os meus irmãos brincaram, comeram coisas boas e fizeram subir ali no mastro as suas carpas de papel.
Yuki: Que baloiçam ao vento, como se nadasse no Rio.
Yuki: Uma, duas, três, quatro.
Yuki: Só não entendo o que que não pode haver outra, a minha carpa.
Yuki: A carpa de Yuki.
Yuki: Mas ninguém me sabe responder.
Yuki: O pai que é bom e amigo pensa aquilo mesmo que o meu irmão mais velho disse.
Yuki: Que as meninas devem ficar em casa enquanto os rapazes vão à escola, a mamãe, que é meiga e silenciosa, essa não diz nada, foi educada assim, acha que assim é que está certo que sempre assim foi sempre assim, será?
Yuki: Ninguém poderá responder às minhas perguntas, nem o vento.
Yuki: Quem sabe, talvez uu não desse a resposta.
Yuki: Vento, vento ligeiro que embalas as cerejeiras em flor e baloiças as carpas de papel, diz me tu se Yuki poderá ir algum dia mais longe do que este jardinzinho de bonecas.
Yuki: Estás zangado vento?
Yuki: Porque principiante de repente a superar com tanta força.
Yuki: Responde vento, mas porque sobras assim tão forte, não rasgues as carpas de papel que eu recortei para os meus irmãos.
Yuki: Arrancaste a carpa amarela, vento mau porque fizeste isso?
Yuki: Pois, não serás mais teimoso do que eu, não deixarei que leves contigo, ei de apanhá-la, ei de apanhar a carpa amarela.
Yuki:Ei de agarrá-la.
Senhora Jackson: Que dia terrível, pobre gente, como em poucos minutos o Tufão lhes devastou sementeiras, lhes destruiu as habitações.
Susaninha: Ai é horrível pensar quantas pessoas perderam tudo quanto possuíam.
Senhor Jackson: E até mesmo quantas perderam a vida.
Senhora Jackson: No hospital os feridos entravam às centenas.
Senhora Jackson: Mas dou graças a Deus pelo meu diploma de enfermeira.
Senhora Jackson: Pude assim ajudar um pouco os que sofrem.
Senhor Jackson: E louvado seja Deus também, porque não deixou apagar no coração dos homens o amor pelos seus irmãos?
Senhor Jackson: Visto como logo acudiram voluntários para socorrer as vítimas.
Senhor Jackson: E trazendo arroz e mantimentos.
Senhor Jackson: Os piores momentos estão passados assim.
Senhora Jackson: Para, Victor está ali uma pessoa caída na estrada.
Senhor Jackson: É uma criança japonesa.
Senhora Jackson: Estará viva?
Senhor Jackson: Sim, eu acho que sim, acho.
Senhor Jackson: Resta saber se terá ferimentos graves.
Senhora Jackson: O Tufão deve tê-la apanhado no caminho. Coitadinha foi atirada ao chão e perdeu os sentidos.
Senhor Jackson: Voltamos para o hospital?
Senhora Jackson: Não creio que seja necessário, de resto, feridos já lá de sobra e nós agora estamos mais perto da nossa casa do que da cidade. Levamo-la connosco.
Senhor Jackson: Chegamos, como está pequena?
Senhora Jackson: Sempre sem dar acordo de si, mas o pulso bate um pouquinho mais forte, enquanto eu vou deitá-la, por favor, arranja-me algumas botijas de água quente. Sim, é muito tarde para acordar. Saitou, o cozinheiro?
Senhor Jackson: Então como está ela?
Senhora Jackson: Dorme, mas deve ter febre?
Senhora Jackson: Vou colocar sobre a testa umas compressas frias.
Senhor Jackson: Estás Cansadíssima Sara devias ir deitar-te.
Senhor Jackson: Vá eu fico junto dela.
Senhora Jackson: Não, deixa-me ficar a mim quando penso que a nossa Suzaninha podia ter acontecido o mesmo.
Senhor Jackson: Felizmente, a nossa casa é sólida e não como tantas dessas casinhas japonesas feitas de bambu e de papel que um sopro arrasta.
Senhor Jackson: E a nossa filha dorme tranquilamente no quarto ao lado.
Senhor Jackson: Mas tens razão, Sara.
Senhor Jackson: Cuidemos desta criança como fosse ela.
Senhor Jackson: Quem sabe o que será feito dos pais a esta hora?
Senhora Jackson: Estás melhorzinha?
Senhor Jackson: Não a canses Sara.
Senhora Jackson: Naturalmente, nem sequer nos compreendes, só deve falar japonês.
Senhora Jackson: Língua que eu ainda não aprendi, felizmente que tu na tua qualidade de consumo do nosso país, sabe o suficiente para entenderes.
Senhor Jackson: É cedo ainda para isso?
Senhor Jackson: Quando ela se sentir um pouco mais forte, veremos então se é possível saber qualquer coisa a seu respeito.
Suzaninha: Minha mãe.
Senhora Jackson: Xiu, não faças barulho Suzaninha, a menina está a dormir.
Suzaninha: Está fazendo o o?
Senhora Jackson: Está, vamos lá para fora devagarinho nas pontinhas dos pés.
Senhora Jackson: Vítor, a pequena acordou e já fala, eu é que não percebo, vai na tua ao pé dela sim.
Senhor Jackson: Está bem, eu vou lá já.
Senhora Jackson: Então o que, disse ela?
Senhor Jackson: Pouca coisa.
Senhora Jackson: Não sabe como se chama, não se lembra onde mora, nem quem são os pais.
Senhor Jackson: Deve ter sofrido uma comoção muito forte ao bater com a cabeça.
Senhor Jackson: Esperemos que melhoram com o tempo eu, entretanto, procurar informações junto às autoridades, tentar saber se haverá notícia de qualquer criança desaparecida.
Senhor Jackson: Mas receio bem que não seja fácil.
Senhor Jackson: Boa noite de sono.
Senhora Jackson: Boa noite, já soubeste alguma coisa acerca da pequena?
Senhor Jackson: Nada, infelizmente, grande parte da cidade e muitas aldeias dos arredores ficaram destruídas.
Senhor Jackson: E os habitantes ou morreram na catástrofe ou partiram para outros pontos do país?
Senhora Jackson: Valha-nos Deus.
Senhor Jackson: Não me foi possível encontrar o rasto da família a quem a garota pertence.
Senhora Jackson: Nesse caso, ficaremos com ela, ensinamos a falar a nossa língua e seja o que Deus quiser.
Senhor Jackson: Saitou o nosso cozinheiro servirá de intérprete quando eu não estiver em casa.
Senhor Jackson: E a pouco e pouco, ela aprenderá os nossos costumes e será educada com uma Suzaninha.
Senhora Jackson: Nem sequer sabemos o seu nome.
Senhora Jackson: Olha chamemos lhe Rosa Chá ela é tão delicada como uma flor e tem um tom de pele que é semelhante à cor do chá.
Senhor Jackson: Pois fica então Rosa Chá.
Suzaninha: Rosa Chá, Rosa Chá.
Rosa Chá(Yuki): Que foi menina bonita.
Suzaninha: A Suzaninha gosta muito de rosa chá, é bonita, é amiga.
Rosa Chá(Yuki): É amiga, é assim.
Senhora Jackson: É um amor, esta pequena tão meiga, tão ajuizada, tão cuidadosa.
Senhor Jackson: E a nossa filha segue lhe os espaços por toda a casa.
Senhora Jackson: Podemos entregar-lhe com toda a confiança?
Senhora Jackson: Que pena nunca mais ter recuperado a memória.
Senhor Jackson: Apesar disso, é muito inteligente.
Senhor Jackson: Aprendeu com a melhor pessoa, irá na nossa língua e já fala melhor do que o cozinheiro que está a vários meses connosco.
Senhora Jackson: É muito novinha habituou se logo.
Senhora Jackson: Suzaninha vem lanchar, Rosa chá traz a Suzaninha sim.
Suzaninha: A Suzaninha quer papar, quer leitinho.
Senhora Jackson: Sim leitinho muito bom.
Senhora Jackson: Beba tudo até o fim e tu Rosa Chá queres um copo de leite gelado.
Senhor Jackson: Talvez ela prefira provar laranjada?
Senhor Jackson: Queres disto Rosa Chá?
Rosa Chá(Yuki): Sim Senhor me dá eu quero.
Rosa Chá(Yuki): É engraçado.
Rosa Chá(Yuki): Salta a Tampinha, cor prata e faz assim.
Rosa Chá(Yuki): E depois água cor de mel salta no copo como peixe vivo.
Senhor Jackson: Sim Senhor, Bela comparação.
Senhor Jackson: Bebe rosa chá é muito bom, sabe?
Senhora Jackson: Não gostaste?
Rosa Chá(Yuki): Sim, mas faz comichão na ponta da língua e dentro do nariz.
Senhora Jackson: É do gasoso vais ver que depereça costumas.
Suzaninha: Dá Rosa Chá a Suzaninha quer.
Rosa Chá(Yuki): Agora não é menina, cor-de-rosa, azul e dourada, tem de beber o seu leitinho todo.
Senhora Jackson: Como é que tu chamas a Suzaninha? A menina Cor-de-rosa, azul e dourada?
Rosa Chá(Yuki): Sim, porque ela é cor-de-rosa, como um pêssego maduro duro.
Rosa Chá(Yuki): Tem os olhos azuis.
Rosa Chá(Yuki): E os cabelos Dourados?
Senhora Jackson: Loiros menina Cor-de-rosa, azul e dourada ou Rosa Chá.
Senhora Jackson: Como tu foste capaz de descobrir um nome tão lindo para a minha filha? Muito obrigada, dá cá um beijo.
Senhora Jackson: Sabes Victor? Cada vez gosto mais da nossa Rosa Chá, estímulo tanto como se ela fosse a nossa filha mais velha.
Senhora Jackson: Mas, apesar de tudo bem, gostaria de ver outra vez junto da família.
Senhor Jackson: Que ainda existir.
Senhora Jackson: Dizes bem se ainda existir?
Senhora Jackson: Será possível recebê-lo alguma vez, voltará a própria pequena recuperar a, memoria que perdeu.
Senhor Jackson: Um médico que observou diz que tudo é possível, mas nada pode garantir.
Senhora Jackson: Visto que não podemos ter uma certeza tenhamos pelo menos uma esperança.
Narrador: O que irá acontecer a Yuki a menina que não sabe quem é?
Narrador: Se o querem saber oiçam na próxima semana, o segundo episódio desta história.
Narrador: Emissora nacional acaba transmitir para os seus pequenos ouvintes primeiro episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares é menina sem nome, produção de Maria Madalena Patacho.
A Menina Sem Nome 2
Áudio 2
Ficha Técnica
Adaptação realizada por: Maria Isabel Mendonça Soares
Produção: Maria Madalena Patacho
Narração: Maria Madalena Patacho
Data de Transmissão: 20/10/1972
Transmitido por: Emissora Nacional
Programa: Meia Hora de Recreio
Registo de Som: Manuel Marques
Montagem: João Silvestre
Capa do Áudio: Bruno Leal
Link de referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos
Yuki: Francisca Maria
Senhora Jackson: Maria Schultz
Senhor Jackson: Rui Ferrão
Suzaninha: José Manuel
Senhora: Maria de Brito Malta
Criança: Milusha
Primeira convidada: Maria Antónia
Segunda convidada: Maria Amélia
Saito (cozinheiro): Alexandre Vieira
Guarda do Parque: Mário Manuel
Narrador: Meia hora de Recreio para os pequenos ouvintes da emissora nacional. Hoje vão escutar o segundo episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome.
Narrador: Personagens: Yuki, Francisca Maria, a Senhora Jackson, Maria Schultz, o Senhor Jackson, Rui Ferrão, Suzaninha, José Manuel, uma Senhora, Maria de Brito Malta, uma criança, Milusha.
Narrador: A primeira convidada, Maria Antónia, a segunda convidada, Maria Amélia.
Narrador: Saito, o cozinheiro, Alexandre Vieira, o guarda do Parque, Mário Manuel.
Narrador: Registo de som de Manuel Marques, montagem de João Silvestre, produção de Maria Madalena Patacho.
Narrador: Vamos dar o resumo do episódio anterior.
Narrador: Yuki era uma menina japonesa que sonhava andar na escola com os seus 4 irmãos.
Narrador: Porém, naqueles tempos antigos isso não era costume.
Narrador: No dia da Festa dos rapazes, um Tufão destruiu grande parte da pequena cidade onde Yuki morava e a menina que fora correr atrás de uma carpa amarela recortada em papel que o vento levava foi surpreendida pelo temporal e caiu batendo com a cabeça.
Narrador: Um casal de estrangeiros encontrou-a e levou para a sua casa. Mas Yuki, em consequência da pancada perdeu a memória, esqueceu-se até mesmo do seu próprio.
Narrador: Deste modo, e apesar de todos os esforços, o senhor e a Senhora Jackson não conseguindo encontrar.
Narrador: A família da pequena, resolveram tomar conta dela e puseram-lhe o nome de Rosa Chá.
Senhora Jackson: Rosa Chá. Queres ajudar-me a apanhar flores?
Yuki: Quero, sim.
Senhora Jackson: Olha, então, por favor, pega me no cesto enquanto eu vou cortando, crisântemos para pôr nas jarras.
Senhora Jackson: Amanhã faz anos a Suzaninha e havemos de ter a casa muito linda para a festa.
Yuki: Senhora. Deixa-me sozinha enfeitar a casa. As flores trazem felicidade e eu quero dar muita felicidade a menina cor-de-rosa, azul e dourada.
Senhora Jackson: Está bem, Rosa Chá, dou-te licença para enfeitar ao teu gosto a jarrinha de seu quarto.
Senhora Jackson: Podes apanhar as flores que quiseres, olha, talvez destas que são miúdas e leves. A Suzaninha também é pequenina.
Senhora Jackson: A quanto tempo estava pequena armar flores. Então tão Rosa Chá, já acabaste?
Yuki: Quase. Sim, agora está enfeitada a jarra da menina, cor-de-rosa, azul e dourada.
Senhora Jackson: Oh que linda, que ficou Rosa Chá és uma fada. Quem te ensinou a fazer maravilhas destas?
Yuki: Não me lembro.
Yuki: Só sei dizer que aprendi todas as maneiras de arranjar as flores. são muitas, muitas.
Yuki: E todas elas diferentes, umas das outras.
Senhora Jackson: Meu deus, como estes japoneses e de quão bem as raparigas, escuta Rosa Chá queres enfeitar também as jarras da sala?
Yuki: Aí sim.
Yuki: Deste modo a felicidade, vai descer sobre toda casa.
Senhor Jackson: Mas o que faz a Rosa Chá ajoelhada no tapete da sala?
Senhora Jackson: Está a enfeitar as jarras para a festa de amanhã.
Senhora Jackson: A pequena é uma verdadeira artista, mas leva horas e horas até que tudo fique pronto.
Senhora Jackson: E Deus sabe se os primeiros convidados ao chegarem amanhã para o chá não irão encontrá-la ainda ajoelhada no chão a escolher flores.
Senhora Jackson: Olha, mas seja como for, valerá bem a pena.
Senhora: Muitos parabéns Suzaninha.
Senhora Jackson: Vamos Suzaninha, diga muito obrigada a esta Senhora.
Suzaninha: Obrigada.
Senhora: Toma, isto é para ti.
Suzaninha: Um presente?
Senhora: Sim desembrulho e vê se gostas.
Senhora Jackson: Ah, uma boneca Suzaninha que bonita.
Suzaninha: Olha tá dormir. Agora abre os olhos.
Criança: Parabéns, Suzaninha. Toma.
Suzaninha: Outro presente? Uma bola.
Senhora Jackson: Bem vai brincar com os teus amiguinhos.
Senhora Jackson: Suzana sim.
Senhora: Oh, mas que beleza estão as suas jarras, minha amiga, quem dera ter a sua habilidade para arranjar a flores.
Senhora Jackson: Eu não. Tudo visto, é obra da Rosa Chá possui mãos de fada, aquela pequena.
Senhora: Realmente é uma verdadeira artista.
Senhora Jackson: É um encanto de doçura e simplicidade.
Senhora: Nunca souberam nada acerca da família.
Senhora Jackson: Infelizmente nada e a pobre criança continua completamente esquecida do seu verdadeiro nome.
Senhora: Foi uma grande generosidade sua e do seu marido terem tomado conta dela.
Senhora: Qualquer outra pessoa telaria internado no orfanato.
Senhora Jackson: Oh não, de maneira nenhuma, só se todo em todo não pudéssemos fazer outra coisa, mas enquanto for possível Rosa Chá ficará connosco.
Senhor Jackson: Bravo Suzaninha e tantos presentes.
Suzaninha: Olha papá um carrinho para a boneca.
Senhor Jackson: Há muito bonito. Sim, senhor, é muito bonito. Já podes levar a boneca a passear ao jardim.
Suzaninha: E pratinhos para ela papar a sopa. Olha.
Senhor Jackson: Bem vejo, bem vejo e mais um arco maior do que tu.
Senhor Jackson: Ah, é um triciclo de ferro.
Senhora Jackson: Até parece uma aranha.
Suzaninha: E Livros. Muitos, mamã, lê aqui.
Senhora Jackson: Uma história, ah, mas já é muito tarde minha filha, agora são horas de dormir.
Senhor Jackson: Claro.
Suzaninha: A boneca está a dormir, mas a Suzaninha não quer.
Suzaninha: Uma história, mama sim?
Senhora Jackson: Bem, só uma, depois a Suzaninha vai para cama.
Suzaninha: Sim senta Rosa Chá a mamã lê a história num livro.
Senhora Jackson: Senta te aqui nesta almofada Rosa Chá, então vamos lá a história.
Senhora Jackson: Qual a de ser?
Senhora Jackson: Esta é dos 3 ursinhos.
Suzaninha: Sim esta.
Senhora Jackson: Era uma vez uma menina que andava a passear na floresta, mas perdeu-se e já não sabia o caminho.
Senhora Jackson: Quando encontrou uma casinha, empurrou a porta e entrou. Lá dentro havia uma mesa e 3 cadeiras, uma cadeira muito grande, uma cadeira assim, assim e uma cadeira muito pequenina.
Senhora Jackson: E o pai Urso perguntou com uma voz muito grossa, quem se deitou na minha cama? E a mãe Ursa perguntou com uma voz assim, assim.
Senhora Jackson: Quem se deitou na minha cama?
Senhora Jackson: E Ursinho porque nem no perguntou com a sua vozinha fininha, quem se deitou na minha cama e ainda lá está?
Senhora Jackson: Então a menina que estava a dormir na cama pequenina do Ursinho pequenino, acordou e deitou a fugir.
Senhora Jackson: Pronto acabou-se a história.
Suzaninha: E depois?
Senhora Jackson: Depois da menina, fugiu e os 3 ursinhos foram dormir.
Senhora Jackson: Como a Suzaninha, vai dormir também.
Suzaninha: Não, outra história mamã.
Senhora Jackson: Não senhor, vão todos dormir os 3 ursinhos, a Suzaninha e a Rosa CHá. Vens Rocha Chá?
Yuki: Senhora aqui no livro são letras?
Senhor Jackson: Pois são, as histórias escrevem se com letras.
Yuki: E a Senhora, sabe ler?
Senhora Jackson: Então não me ouviste?
Yuki: Na sua terra, as senhoras vão à escola?
Senhora Jackson: Claro que sim, isto é, foram quando eram meninas.
Yuki: Ah e a menina cor do rosa, azul e dourada também vai?
Senhor Jackson: Suzaninha é muito pequenina por enquanto, mas daqui a 3 ou 4 anos há de ir para a escola como toda a gente.
Yuki: Como toda a gente.
Suzaninha: Anda, anda Rosa Chá a mamã diz que vamos dormir também, como os ursinhos.
Yuki: Como toda a gente.
Senhor Jackson: Ah és tu Sara.
Senhor Jackson: Tão cedo e já andaste a fazer compras, vens carregada de embrulhos.
Senhora Jackson: Imagina onde fui, não adivinhas?
Senhor Jackson: Eu Não.
Senhora Jackson: Ao caminho das chaleiras.
Senhor Jackson: Onde?
Senhora Jackson: Aquela rua cheia de lojas onde se vendem as mais variadas peças de louça de cobre e de bronze destinadas à cerimônia do chá.
Senhora Jackson: Vê.
Senhora Jackson: O bule.
Senhora Jackson: A chaleira, uma espécie de fogueiro pequenino, chavezinhas sem asa de porcelana quase transparentes.
Senhor Jackson: Vais então brincar aos jantarinhos, não é?
Senhora Jackson: Não sejas trocista Vítor, comprei tudo isto para oferecer às minhas amigas um chá à moda do Japão.
Senhor Jackson: E quem faz esse chá especial.
Senhora Jackson: O Saito o nosso cozinheiro. Vou chamá-lo, Saito. Saito.
Saito: Senhora chamou Saito?
Senhora Jackson: Chamei. Vais fazer-me um chá à moda japonesa para oferecer às senhoras estrangeiras Chá no Yu.
Senhora Jackson: A cerimônia do chá não é como se diz?
Saito: Não, Senhora, não.
Senhora Jackson: Não?
Saito: Chá no Yu é a cerimónia muito delicada para as feias mãos de Saito. Não, não. Só mãos de flor, só mãos de ceda podem ser dignas de Chá no Yu.
Senhora Jackson: Saito com á de ser agora, os convites estão feitos, as senhoras vão chegar e final não haverá Chá no Yu.
Yuki: Senhora, senhora.
Senhora Jackson: O que é que é que tu queres Rocha Chá?
Yuki: Eu sei como é, Senhora.
Senhora Jackson: Tu? Sabes realmente?
Yuki: Sim, tenho as mãos pequeninas e leves.
Yuki: Parece-me que posso fazer bem o Chá no Yu.
Senhora Jackson: És um amor Rosa Chá. Se tu não existisses, seria preciso inventar-te, sabes tudo na perfeição.
Segunda Convidada: Como está minha querida Sara?
Senhora Jackson: Bem, muito obrigada. Faça favor de entrar.
Segunda Convidada: Oh, não me digam que sou a última a chegar, desculpem me.
Primeira Convidada: A Sara teve a ideia original de nos oferecer um verdadeiro chá japonês.
Segunda Convidada: Mas que interessante, mas como aprendeu a fazê-lo, dizem que é complicadíssimo.
Senhora Jackson: Parece que sim, mas ficaremos a sabê-lo dentro em pouco.
Senhora Jackson: A Rosa Chá vai prepará-lo para nós.
Senhora Jackson: Com todo o rigor.
Narrador1: A Rosa Chá? A vossa pequena protegida.
Senhora Jackson: A nossa amiga em Rosa Chá, ou melhor, a nossa filha japonesa queres principiar Rosa Chá?
Yuki: Sim Senhora.
Senhora Jackson: Parece que esta cerimónia exige muito silêncio, é curioso.
Senhora Jackson: Creio que é preciso escutar 75 gestos diferentes com a maior delicadeza e lentidão.
Senhora Jackson: As mãos da pequena.
Senhora Jackson: Movem-se com a suavidade entrançadora.
Primeira Convidada: Olhem, creio que terminou.
Primeira Convidada: Rosa Chá deite o chá numa das chávenas.
Primeira Convidada: E levanta-se para o vir oferecer?
Suzaninha: Mamã olha a minha bola, Rosa Chá, anda brincar, apanha a Bola.
Senhora Jackson: Tem cuidado minha filha.
Senhora Jackson: Ó meu Deus, meu Deus, Aí meu Deus.
Primeira Convidada: Se não é a pequena japonesa, a Suzaninha caia sobre o fogareiro que horror.
Senhora Jackson: Minha pobre Rosa Chá, salvaste a minha filha, mas em que estado ficaram as tuas mãos.
Segunda Convidada: Ora todas queimadas com chá a ferver
Senhora Jackson: Deixam me tratá-las.
Senhora Jackson: Doem te muito, com certeza.
Yuki: Um bocadinho.
Segunda Convidada: As tuas mãozinhas de flor as tuas, mãozinhas douradas tão inchadas, tão empoladas e vermelhas.
Senhor Jackson: Então filha, como estão as tuas mãos Rosa Chá?
Senhor Jackson: Tens ainda muitas dores?
Yuki: Agora já doem menos muito agradecido.
Senhora Jackson: Queridinha, nós não temos palavras para te agradecer o que fizeste pela nossa filha, o senhor Jackson e eu queremos dar-te uma prova da nossa gratidão. Diz nos aquilo que mais gostavas de ter e nós faremos de tudo para realizar o teu desejo.
Yuki: A primeira coisa. A maior. Aquela que eu mais gostava.
Yuki: Era encontrar a minha família, mas já sei que não é fácil. E por isso, não a peço.
Yuki: A segunda coisa era.
Senhora Jackson: O quê? Diz, filha diz
Yuki: Era aprender a ler o que dizem livro. Pode ser?
Senhora Jackson: Ó minha querida.
Senhor Jackson: Muito bem.
Senhor Jackson: Uma vez que assim o queres aprenderás a ler.
Senhor Jackson: Mas só há uma dificuldade.
Senhor Jackson: Só há uma dificuldade.
Senhor Jackson: Nas escolas japonesas não aceitam raparigas bem sabes.
Senhor Jackson: Mas como tu vives connosco e és nossa amiga, enfim, talvez não te importas de aprender a ler e a escrever a nossa língua, queres?
Yuki: Ah sim. Quero. Quero.
Senhora Jackson: Eu mesma te darei lições todos os dias.
Yuki: Pode ser agora, já?
Senhora Jackson: Mas não está cansada?
Yuki: Não. Eu agora já estou quase boa outra vez.
Senhora Jackson: Tá bem.
Senhora Jackson: Vou buscar um livro de histórias da Suzaninha.
Yuki: Ca-Sa. Me-Ni-Na. Bo-neca. Flor
Yuki: Viste Saito, eu já sei ler.
Saito: Nunca se viu. Nunca se viu.
Senhor Jackson: Bravo Rosa Chá.
Senhor Jackson: Aprendeste a ler muito depressa?
Yuki: A escrever é pior, leva mais tempo.
Senhora Jackson: Não hás de aprender tão bem como a leitura simplesmente não pudeste começar a aprender a escrever ao mesmo tempo, porque ainda tinhas as mãos doentes, agora que já tiraram as ligaduras, podes movê-las bem, verás como fazes progressos.
Senhor Jackson: Quem quer vir hoje dar um passeio de automóvel.
Suzaninha: Eu. Eu. A Rosa Chá também.
Senhora Jackson: Pois claro, queres vir, não queres?
Yuki: Eu quero sim. Muito obrigada.
Senhora Jackson:E onde eu passeio pode saber se ou é surpresa.
Senhor Jackson: Ora, vamos visitar o parque de Nara, que foi a mais antiga capital do Japão.
Senhor Jackson: É um lugar maravilhoso, como dizem.
Senhor Jackson: Possui árvores com muitos séculos de existência, belos templos majestosos e tu Suzaninha vais gostar muito de dar de comer aos veados e as corças manssinhas.
Suzaninha: Onde estão os veadinhos eu dou de comer aos veadinhos.
Senhora Jackson: Já vais vê-los mais logo agora espera, anda pôr o chapéu.
Senhor Jackson: Ainda uma outra surpresa?
Senhor Jackson: Mas esta é só para Rosa Chá.
Senhor Jackson: Vá. Aqui tens, desembrulha e diz me se gosta.
Yuki: Um lápis de prata, como do senhor Jackson.
Senhora Jackson: Não é exatamente um lápis, nem é prata, é uma lapiseira prateada.
Yuki: Muito linda, muito obrigada.
Senhor Jackson: Como agora já sabe escrever muito bem, pensei que devias precisar de uma lapiseira que fosse do mesmo tamanho.
Yuki: Aí que bom, para mim será sempre o meu lápis de prata.
Senhora Jackson: Nas histórias dos livros que já és capaz de ler aparecem fadas com uma varinha de prata na mão.
Senhora Jackson: Quem sabe lá se esta lapiseira não será a tua varinha mágica.
Senhor Jackson: Bom, nós estamos prontas. Vá, então vamos.
Senhor Jackson: Ora cá estamos.
Senhora Jackson: É maravilhoso que árvores tão altas e tão bonitas com o tronco forrado de musgo devem ser vítimas, com certeza.
Senhor Jackson: Chamam-se criptomérias e têm muitos séculos.
Suzaninha: Eu quero dar de comer aos veadinhos. Onde estão os veadinhos?
Senhor Jackson: Olha lá vamos espera. Espera.
Senhor Jackson: Diz me uma coisa Rosa Chá?
Senhor Jackson: Lembras te por acaso e que ter vindo passear alguma vez?
Yuki: Não. Tenho a certeza de que não nunca vi estas árvores, nem aqueles templos.
Yuki: Ao mesmo tempo, não sei, é esquisito, parece-me.
Yuki: Que vai acontecer, qualquer coisa muito boa.
Senhora Jackson: Não estejas agora a pensar mais nisso.
Senhora Jackson: Olha que coisa tão engraçada já viram aquele arbusto ali ao pé do templo? Tem os ramos cheios de laçarotes de papel. Muito gostava de saber o que quererá aquilo dizer?
Senhor Jackson: Bom, mas não fiques sem resposta, porque aí temos um guarda do parque. Podemos perguntar.
Senhor Jackson: Muita boa tarde.
Guarda do Parque: Boa tarde
Senhor Jackson: É, é muito bonito este parque.
Guarda do Parque: Com sim senhor, muito bonito e muito antigo.
Senhora Jackson: Olhe, mas digam-me, por favor, eu estou cheia de curiosidade de saber para que servem todos aqueles lacinhos de papel. Atados aos ramos daquela planta.
Guarda do Parque: É um costume antigo, tão antigo como parque, certo?
Guarda do Parque: As raparigas desta Terra para quem os pais não conseguiam encontrar um noivo, mandam escrever o seu nome a sua morada num papel dobram muitas vezes até ficar da largura de uma fita e enfeitam com ele, as árvores próximas do templo?
Guarda do Parque: Os deuses bons ao de fazê-las felizes.
Senhora Jackson: Muito interessante.
Senhor Jackson: Um costume bastante curioso.
Suzaninha: Olha pai, um veadinho.
Yuki: Tão manssinho.
Yuki: Está a lamber-me as mãos.
Senhora Jackson: Julga que trazes comida.
Suzaninha: Eu quero dar comida ao um veadinho.
Senhora Jackson: Podemos realmente ter trazido qualquer bolo.
Senhora Jackson: Ah, esquecemo-nos disso. Agora quem irá calar a Suzaninha.
Guarda do Parque: Além vendem-se bolachas, minha senhora, posso ir comprar se os senhores desejam.
Senhor Jackson: Muito obrigado, muito obrigado. Me ensinaram também nós próprios vamos até lá e serve de passeio sabe.
Guarda do Parque: É muito perto daqui.
Senhor Jackson: Obrigado.
Yuki: Não quer achar um noivo.
Yuki: Eu quero achar o meu pai e minha mãe.
Yuki: Eles mandam escrever o seu nome no papel, porque não sabem escrevê-lo.
Yuki: Mas eu sei.
Yuki: Eu tenho um lápis de prata.
Yuki: Só não tenho papel.
Yuki: Julguei que fosse uma folha trazida pelo vento, e que me bateu na cara.
Yuki: É um bocado de papel. Amarelo. O vento.
Yuki: O papel voar.
Yuki: Onde é que eu vi uma coisa assim parecida?
Yuki: Não sei, não tenho agora tempo para pensar.
Yuki: O mais importante escrever tu pressa depressa antes que você não senhor e a senhora Jackson voltem.
Yuki: Haviam de rir se de mim, diziam que era patetice acreditar em histórias destas.
Senhora Jackson: Ora aqui tens as bolachas de Suzaninha, contanto que o veadinho ficasse ainda a nossa espera.
Suzaninha: Ficou ficou.
Suzaninha: Convidaste a ocasião e não deixa fugir.
Senhor Jackson: Isso é verdade.
Senhor Jackson: Não tinha reparado que ela não veio connosco.
Senhora Jackson: Creio que a pequena se sente impressionada com qualquer coisa relacionada com este lugar.
Senhora Jackson: Recordar-lhe á o passado?
Senhor Jackson: Acho melhor, não insistimos mais no assunto.
Senhor Jackson: Demos Tempo Ao Tempo.
Senhor Jackson: Se sofreu qualquer choque à vista deste lugar já conhecido.
Senhor Jackson: As consequências ao de manifestar-se.
Senhor Jackson: Então Suzaninha, a Rosa Chá, soube tomar conta do teu veadinho.
Suzaninha: Soube muito bem, ele não fugiu. Vês papá.
Senhor Jackson: São quase 5 horas e daqui a pouco também nós temos de lanchar.
Senhora Jackson: Aí está tão agradável neste parque tão calmo, tão silencioso.
Senhora Jackson: Que te faz pena irmos embora ter dentro do teu barulhento automóvel.
Senhor Jackson: Mas olhe para chegarmos aqui, foi preciso utilizar o meu barulhento automóvel, não foi?
Suzaninha: Só mais tempo para o veadinho lanchar, sim?
Senhor Jackson: Está bem, está bem, filha, mas depois não peças outro bocadinho de tempo para o veadinho jantar.
Senhora Jackson: Que lindo passeio que demos esta tarde.
Senhora Jackson: Devíamos repeti-lo mais vezes, fazia tudo bem.
Senhor Jackson: Acredito. Assim pudéssemos fazê-lo sem preocupações, mas.
Senhora Jackson: Mas o quê? Sucedeu alguma coisa grave?
Senhor Jackson:Se não sucedeu já.
Senhor Jackson: O sucederá em breve, receio bem.
Senhor Jackson: Agora que as penas não estão aqui, o posso desabafar contigo.
Senhora Jackson: A fala pelo amor de Deus, Victor.
Senhor Jackson: Há nuvens negras a ameaçarem a vida serena do país do Sol nascente.
Senhora Jackson: Uma guerra.
Senhor Jackson: Sim infelizmente.
Senhor Jackson: E só Deus pode saber o que os dias do futuro trazem consigo.
Senhora Jackson: Ele nos valha a todos.
Narrador: Como irá acabar a história de Yuki, a Rosa Chá a menina que esqueceu do seu nome.
Narrador: Sabê-lo-ão na próxima semana, se ouvirem a Meia Hora de Recreio da emissora nacional, á hora habitual.
Narrador: Amiguinhos. Acabaram de escutar o segundo episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome. Produção de Maria Madalena Patar.
A Menina Sem Nome 3
Áudio 3
Ficha Técnica
Adaptação realizada por: Maria Isabel Mendonça Soares
Produção: Maria Madalena Patacho
Narração: Maria Madalena Patacho
Data de Transmissão: 27/10/1972
Transmitido por: Emissora Nacional
Programa: Meia Hora de Recreio
Registo de Som: Moreira de Carvalho
Montagem: João Silvestre
Capa do Áudio: Bruno Leal
Link de referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos
Carteiro: Fernando Cohen
Soldado: Carlos Fernando
Senhor Jackson: Rui Ferrão
Koraby: Manuel Inácio
Mãe: Maria Brito Malta
Suzaninha: José Manuel
Mito: Mário Manuel
Yuki: Francisca Maria
Oficial: António Sarmento
Senhora Jackson: Maria Schultz
Pai: Alexandre Vieira
Locutora: Meia hora de Recreio.
Locutora: Um programa que a emissora nacional oferece todas as semanas aos seus pequenos ouvintes, hoje vão escutar o terceiro e último episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome.
Locutora: Personagens: Yuki, Francisca Maria; o senhor Jakson, Rui Ferrão?
Locutora: A Senhora Jackson, Mariah Schultz; Suzaninha, José Manuel; um oficial, António Sarmento; um soldado, Carlos Fernando; Mito, Mário Manuel; o carteiro, Fernando Cohen; o Pai, Alexandre Vieira; a Mãe, Maria de Brito Malta; Koraby, Manuel Inácio; Registo de Som de Moreira de Carvalho; montagem de João Silvestre; produção, Maria Madalena Patáz.
Locutora: Resumo dos episódios anteriores.
Locutora: Lembram-se da Rosa chá, quer dizer da Yuki?
Locutora: Era aquela menina japonesa que tanto gostava de poder ir à escola com os seus 4 irmãos.
Locutora: Mas nesse tempo, só os rapazes é que aprendiam a ler e estudavam.
Locutora: Yuki tinha muita pena de que os costumes da sua Terra não autorizassem a aprender como eles.
Locutora: Num dia de festa a festa dos rapazes para a qual e o que desenhara e recortar a 4 carpas de papel, emblemas da força e da coragem. O vento arrancou do mastro a carpa amarelo.
Locutora: A menina correu para apanhar, mas o vento transformou-se em Tufão que destruiu a cidade e matou muitas pessoas.
Locutora: Yuki não morreu, mas caiu, bateu com a cabeça e desmaiou.
Locutora: Quando foi encontrada por um casal estrangeiro, tinha perdido a Memória e já não se lembrava do seu nome.
Locutora: Foi então que os senhores estrangeiros lhe puseram o nome de Rosa Chá.
Locutora: Um dia Yuki, Rosa Chá, livrou-se os a minha filha dos seus novos amigos de cair em cima de um fogareiro aceso e quando a Senhora Jackson, muito agradecida e o marido lhe quiseram oferecer a prenda de que ela mais gostasse, a menina pediu que lhe ensinassem a ler e a escrever e aprendeu. Mas na língua estrangeira da Suzaninha dos pais.
Locutora: Até que certa vez foram dar um passeio ao parque de Nara, a antiga capital do Japão e Yuki, às escondidas, escreveu algumas palavras num pedacinho de papel e…
Oficial: Alto! Soldados, vamos entrar no parque sagrado de Nara.
Oficial: Deixemos junto do pártico as armas da morte e vamos suplicar aos deuses que nos deem a vida em termos.
Soldado: Repara Mito, aquela árvore dos laços de casamento.
Mito: Bem vejo.
Mito: E se estivéssemos em tempo de paz, talvez colhesse um deles.
Mito: Mas agora quem pode pensar em Felicidade?
Soldado: Olha os deuses estão do teu lado Mito.
Soldado: Não vês?
Mito: O quê!?
Soldado: Esse não será o amarelo em que o teu braço tocou sem querer e que se desprendeu do ramo.
Soldado: Apanha-o!
Mito: Pois seja, já agora, tenho curiosidade em saber o que dirá.
Mito: Ó, está escrito na língua dos estrangeiros
Soldado: Então ficamos sem saber.
Mito: Conheço alguma coisa o suficiente para compreender, talvez.
Mito: Não sei o meu nome verdadeiro.
Mito: Não sei onde está a minha família.
Mito: Chamo-me Rosa Chá.
Mito: E moro em casa do senhor Jackson.
Mito: É ela! É eu tenho a certeza!
Soldado: Ela quem?
Mito: Yuki a minha irmãzinha Yuki?
Mito: Em todo o Japão, é ela a única rapariga capaz de ter escrito estas palavras.
Soldado: Como sabes que é a tua irmã?
Soldado: Uma rapariga a escrever? E ainda por cima em língua dos estrangeiros?
Mito: O maior desejo dela era aprender a ler e a escrever como nós.
Mito: Ela desapareceu misteriosamente no dia do grande tufão, que destruiu a cidade onde vivíamos.
Mito: Por algum estranho motivo?
Mito: Terá esquecido o seu nome e o nosso.
Mito: Mas pode ter aprendido com os estrangeiros em casa de quem mora.
Soldado: Mas não diz onde está.
Mito: Não.
Mito: Quem sabe se escreveu à pressa e não teve tempo para acabar?
Soldado: Que vais fazer mito?
Mito: Não sei.
Mito: Ainda se, ao menos pudesse procurar esse tal estrangeiro em casa de quem se encontra a menina Rosa Chá.
Mito: Mas o nosso Regimento vai partir dentro de poucas horas.
Soldado: Podes escrever ao teu pai?
Soldado: E pedir-lhe que procure em teu lugar?
Mito: Tens razão, é isso mesmo que eu vou fazer antes de partir.
Mãe: Bom dia.
Carteiro: Bom dia, uma carta para o senhor a cudo mora aqui.
Mãe: Sim, Senhor.
Carteiro: Então aqui está a Carta.
Mãe: Muito obrigada. Bom dia.
Carteiro: Bom dia.
Pai: Quem bateu?
Mãe: O carteiro trouxe esta Carta para ti.
Pai: Os que têm as tuas mãos?
Pai: Estão a tremer como 2 borboletas ou 2 passarinhos assustados.
Mãe: Não sei.
Mãe: Não sei.
Mãe: Diz-me o Coração que nesta Carta se fala da nossa Yuki.
Pai: Não alimentes mais esperanças.
Pai: Bem, sabes que procurámos até onde pudemos e a única coisa que foi possível saber.
Pai: Foi que não deram entrada em nenhum hospital.
Mãe: Sim, mas fomos obrigados a vir morar para Longe da nossa cidade.
Mãe: E se Yuki foi encontrada?
Mãe: Mas abre a carta por favor, sim?
Pai: O Teu Nome Oxizo San quer dizer a Senhora tranquila, mas não parece.
Pai: A carta é do nosso filho, Mito.
Pai: Escuta Oxizo San.
Pai: Mito diz que a nossa filhinha pode estar viva.
Mãe: Como sabe ele?
Pai: Não sabe ainda, é tudo muito confuso.
Pai: Uma Mensagem escrita na língua dos estrangeiros no parque sagrado de Nara.
Pai: Vou procurar Yuki.
Mãe: Onde?
Pai: Em casa de um senhor chamado Jackson.
Mãe: Á, mas quem é?
Pai: Ei de descobri!
Mãe: Havemos de descobrir. Eu vou contigo.
Senhor Jackson: Sara, preciso de falar contigo, é muito importante.
Senhora Jackson: Assustas-me Victor. O que aconteceu?
Senhora Jackson: Aí, Sara acaba de ser chamado ao nosso país.
Senhor Jackson: O navio parte depois de amanhã.
Senhora Jackson: E nós?
Senhor Jackson: Vireis comigo, evidentemente.
Senhor Jackson: Não sei o lugar que me destino, nem sequer se terei de voltar aqui.
Senhor Jackson: Esse de qualquer forma, a situação é grave.
Senhor Jackson: E não será prudente que tu e a nossa filha fiquem sozinhas neste país.
Senhora Jackson: E a Rosa chá. O que fazemos dela?
Senhor Jackson: Há um problema.
Senhor Jackson: A pequena japonesa, não tem família, que reconheça pelo menos.
Senhor Jackson: Eu creio que terá de ser recebida em qualquer instituição de assistência. Eu vou tratar da casa.
Senhora Jackson: Aí pobrezinha, como lhe havemos de dizer, é tão afeiçoada a Susana.
Senhor Jackson: Não consegui arranjar lugar para a pequena em parte alguma.
Senhor Jackson: Nenhuma obra de assistência pode aceitar neste momento, a única solução será levá-la connosco.
Senhora Jackson: Deus seja louvado, custava-me tanto deixá-la. Ainda bem que as coisas se combinaram de forma a não nos depararmos dela.
Yuki: Posso entrar, Senhora?
Senhora Jackson: A estavas aí Rosa Chá entre a minha filha, entra. O senhor Jackson acaba de me dar uma notícia.
Yuki: Uma notícia boa.
Senhora Jackson: Sim, quer dizer, boa e má ao mesmo tempo, é uma notícia má, porque vai estalar uma guerra.
Senhora Jackson: E, por isso, teremos de deixar o teu país.
Senhora Jackson: Mas é uma notícia boa, porque tu irás connosco Rosa Chá.
Yuki: Vão levar-me? Para sempre?
Senhora Jackson: Vamos, não gosta de ficar connosco e com a Suzaninha, ela é muito tua amiga Rosa Chá e nós também serás a nossa filha mais crescida.
Senhora Jackson: Mas… estás a chorar Rosa Chá, não queres ir?
Yuki: Quero senhora. Estou a chorar, só porque sou pateta.
Senhora Jackson: És patetinha. Dá cá um beijo e vem ajudar-me a fazer as malas. O navio parte depois da manhã.
Yuki: Depois de amanhã.
Yuki: Tão depressa.
Senhor Jackson: Então, Sara, estás pronta? E as pequenas também?
Senhora Jackson: Sim, estamos as malas grandes já seguiram, só levamos estes sacos e maletas pequenas.
Senhor Jackson: Então vamos.
Senhor Jackson: Agora podemos partir caminho. De caminho passamos pelo consulado, para entregar as Chaves.
Senhora Jackson: E atrás de nós fica a nossa casa vazia, silenciosa, com as persianas corridas.
Yuki: O meu livro.
Senhora Jackson: O que foi Rosa Chá?
Yuki: Ficou ao pé do Lago, no Jardim.
Yuki: Deixa-me ir buscá-lo, deixa.
Senhor Jackson: Tem paciência, mas não nos podemos demorar quando chegarmos eu compro-te outro livro Rosa Chá.
Senhora Jackson: Bem vês, minha querida, agora não podemos voltar para trás.
Yuki: Eu ia a correr.
Senhora Jackson: Achas que não haverá realmente tempo? Victor, creio que esse livro representa muito para ela Foi o primeiro que leu.
Senhor Jackson: Bom… se fores num pé e vieres noutro.
Yuki: Posso?
Senhor Jackson: Sim, mas olha depressa, muito depressa. Nós esperamos por ti aqui á esquina da rua.
Yuki: Cá está o meu livro.
Yuki: Eu bem se via que houve de encontrar.
Yuki: Mas também sabia.
Yuki: Também julgava que minha mãe e meu pai iam aparecer.
Yuki: Como apareceu o livro e afinal.
Yuki: Tocaram á porta?
Yuki: É o senhor Jackson a chamar por mim, naturalmente.
Yuki: Demorei-me, vou já a correr.
Yuki: Os senhores querem alguma coisa?
Mãe: Yuki.
Pai: És realmente tu Yuki. A nossa filhinha desaparecida.
Mãe: Filha, minha Yuki.
Yuki: São, são os meus pais.
Pai: Sim minha pequenina.
Pai: Somos nós finalmente.
Yuki: O meu pai, a minha mãe.
Senhor Jackson: Então Rosa Chá? Então estamos à tua espera.
Senhor Jackson: Ah! Os senhores, são.
Senhor Jackson: Eu creio que compreendo.
Pai: Os pais daí Yuki.
Pai: É o senhor Jackson calculou eu.
Senhor Jackson: Exatamente. Minha mulher e eu encontrámo-nos Rosa Chá, perdão Yuki, não é?
Senhor Jackson: Há 6 meses, no dia do grande Tufão.
Senhor Jackson: Estava desmaiada caída no caminho.
Senhora Jackson Graças a Deus, melhorou do grande choque sofreu, mas…
Senhora Jackson Estava um pouco confusa e não se lembrava do que tinha acontecido. Felizmente, agora tudo acabou em bem a nossa Rosa Chá chamamos-lhe assim á, á vossa Yuki.
Senhora Jackson Encontrou-os e…
Senhor Jackson: Não imagina.
Senhor Jackson: Como nos sentimos felizes com a vossa felicidade e com a felicidade de Yuki, mas acontece que estamos de regresso ao nosso país. O navio parte dentro de poucas horas.
Senhor Jackson: Entregamos confiadamente a vossa filha.
Senhor Jackson: Embora já estimásse-mos muito e estivéssemos dispostos a levá-la connosco.
Senhor Jackson: Adeus Senhor.
Pai: Hakudo.
Pai: É o meu nome.
Senhor Jackson: Um grande beijo, minha pequena.
Senhora Jackson: Havemos de nos tornar a ver, se Deus quiser.
Senhora Jackson: Os teus pais vão dar-me a vossa direção.
Senhora Jackson: Enquanto não voltarmos ei de descrever muitas vezes muitas cartas, sim, porque tu já sabes ler e escrever e vais responder-me, pois não vais?
Susaninha: Rosa Chá, porque é que estás a chorar? Já não queres vir no barco?
Senhora Jackson: A Rosa Chá está muito contente. Suzaninha, sabes? Ela encontrou o Papá e a Mamã.
Senhor Jackson: Adeus, adeus Yuki!
Senhora Jackson: Adeus Yuki!
Yuki: Adeus senhor Jackson adeus?
Pai: Boa viagem, senhor Jackson.
Pai: Obrigado, fico vos eternamente agradecido por tudo que fizeram a nossa Yuki.
Yuki: Boa viagem.
Mãe: Yuki em que estás a pensar, filha?
Yuki: Em nada minha mãe.
Mãe: Vejo-te sempre tão triste.
Mãe: Parece que não gostas de estar outra vez ao pé de nós.
Yuki: Oh não, mãe, que ideia a sua?
Yuki: Eu gosto muito de os ter encontrado.
Koraby: Yuki podes deitar-me o chá?
Yuki: Sim Mazuda.
Koraby: Mas eu não sou Mazuda. Sou Koraby.
Koraby: Que distraída és irmãzinha.
Yuki: Desculpa.
Mãe: Não sei o que acho, a nossa filha, sempre silenciosa, sempre triste.
Mãe: Confunde até os nomes dos irmãos.
Pai: Terá saudades da família Jackson e é natural.
Pai: Foram tão amigos dela.
Mãe: Será isso apenas?
Mãe: Diz-me o coração que Yuki não está completamente curada.
Mãe: Receio que não nos tenha reconhecido.
Pai: Não é possível.
Mãe: Sim, sim, infelizmente.
Mãe: Podes crer a nossa filha, a nossa Yuki, aceitou-nos como seus pais, mas continua a ver em nós uns estranhos.
Pai: Isso há de passar.
Pai: Com O Tempo e se habituando à sua nova família.
Mãe: A sua verdadeira família, queres tu dizer?
Mãe: E habituar-se-á ela.
Pai: Aí vem.
Pai: Então Yuki foste ao Jardim, traz um lindo ramo de flores.
Yuki: Trago sim meu pai.
Pai: Anda cá.
Pai: Eu gostava de ver de sorrir como dantes sorrias minha filha.
Pai: Com 2 covinhas na face. O que tens?
Yuki: Eu não tenho nada meu pai.
Pai: Tens sim, mas não o queres dizer?
Yuki: Gostava de ter livros.
Pai: Livros? Para quê?
Yuki: Sim, meu pai em casa do senhor Jackson, como lhes disse já, aprendi a ler na língua estrangeira, mas a história do meu livro já li tantas vezes que sei dizê-la toda com os olhos fechados.
Yuki: E aqui, não há livros com as letras estrangeiras que eu sei ler.
Yuki: Ó pai.
Yuki: Deixe-me ir à escola com os meus irmãos à escola.
Pai: Á escola!? Não Yuki!
Pai: Perde de uma vez para sempre essas ideias disparatadas, que te meterão na cabeça.
Pai: O lugar de uma menina como tu é em sua casa.
Yuki: Mas foi exatamente por eu saber ler e escrever que Mito recebeu a minha mensagem e foi ainda por causa de um livro que os meus pais me encontram no Jardim do senhor Gerson.
Yuki: Se eu não gostasse tanto de ler, não tinha voltado atrás à procura dele e esta hora estava já muito longe daqui e nunca mais me veriam.
Mãe: Acalma-te minha filha.
Mãe: O teu pai vai pensar no que dizes?
Pai: Eu?
Mãe: Sim, eu própria pensei, já que talvez os costumes antigos não estejam tão certos como nos pareciam.
Mãe: Afinal, a ciência é nova, não fez perder aí Yuki nenhuma das boas virtudes antigas, continua a saber, enfeitar as jarras na perfeição, a fazer o chá com o maior cuidado e delicadeza.
Mãe: A cantar e a tocar as melodiosas canções que lhe ensinei e que minha mãe me ensinou a mim.
Mãe: Tal como a minha avó, lhe ensinara a ela também.
Mãe: Em tudo, um modelo da menina japonesa bem-educada.
Mãe: Porque não poderás ensinar a escrever e a ler como ela deseje.
Pai: Ouvi tocar à porta.
Koraby: Yuki! Irmãzinha, o carteiro veio trazer este embrulho para ti.
Koraby: Um grande embrulho de papel grosso e castanho.
Koraby: Lê o que diz por fora.
Koraby: Não está escrito na nossa língua.
Yuki: Para miss Yuki Hakudo e agora deste lado, diz?
Yuki: Contém livros.
Pai: Podes abrir minha filha
Yuki: Posso? São livros ,3 livros e tão bonito.
Mãe: Mostra Yuki! Ah! Que lindos desenhos.
Mãe: Repara, caiu um bilhete de dentro de um dos livros é dos teus amigos, com certeza.
Yuki: É do senhor, Jackson diz assim.
Senhora Jackson: Minha querida Yuki, Rosa Chá.
Senhora Jackson: Em nome da Suzaninha que ainda não aprendeu a escrever, mando-te estes livros, dos quais certamente gostarás.
Senhora Jackson: Num deles conta-se a história muito engraçada de uma menina que se chamava Alice outro e a cerca de 4 irmãos, muito amigos e simpáticos.
Senhora Jackson: O terceiro fala de bichos pássaros por boletas, animais, ferozes, peixes.
Senhora Jackson: Um beijo da Suzaninha e do senhor Jackson e outro meu, Sara
Yuki: Ah livros, estou tão contente.
Koraby: Hás de ensinar-nos o que dizem os teus livros.
Koraby: Não a história dessa tal Alicia e das outras raparigas.
Koraby: Mas este sim que tem desenhos tão bonitos de animais.
Koraby: Olha borboletas mostra.
Koraby: E nesta folha os peixes?
Koraby: Este grande.
Koraby: Quem me dera pescar um assim?
Yuki: Um peixe.
Yuki: Um peixe pintado de amarelo.
Mãe: Yuki que tens tu, minha filha? O que foi? Parece que ela vai desmaiar.
Yuki: Senti a cabeça, andar à roda.
Yuki: Uma impressão muito esquisita.
Yuki: Lembro-me. Lembro-me! Lembro-me agora de tudo!
Yuki: A carpa, a tua carpa amarela, Koraby, com o ventou soltou-se do mastro no dia da vossa festa, levou pelo ar e eu corri atrás dela, corri muito, muito depois caí no chão e não sabia dizer mais nada, nem explicar como tudo tinha sido, mas agora sim, agora lembro-me de tudo, da nossa casinha que não era esta.
Koraby: Da outra caida.
Yuki: Do meu pai da minha mãe, do mito.
Yuki: Do Mazuda, do Korabi, do Chezo.
Yuki: Dos meus 4 irmãos! Agora já me lembro dos vossos olhos e dos vossos sorrisos.
Yuki: Estou muito feliz.
Mãe: Foi mais uma vez um livro que nos trouxe agora a nossa verdadeira Yuki.
Pai: Tem razão.
Pai: Escuta minha filha.
Pai: A partir de amanhã
Pai: Eu próprio começarei as tuas lições.
Yuki: Ó pai, agora não pode haver no mundo uma menina tão feliz como eu!
Mãe: O riso que se veja.
Mãe: Não que se oiça Yuki.
Pai: Oh, mãezinha, hoje a alegria não pode guardar-se em silêncio, pois não?
Locutora: Tão bom, bom?
Locutora: E a História acaba exatamente como principiou.
Locutora: Esta é uma história passada no Japão, no tempo em que ainda não era costume as meninas andarem na escola.
Locutora: Mas hoje, tal como na nossa Terra e em todos os países civilizados, as meninas japonesas sabem ler e escrever tanto na sua língua como noutras línguas estrangeiras.
Locutora: Vão para a escola, para o liceu e para a universidade.
Locutora: Mas nem por isso perderam os seus bonitos modos, nem a delicadeza das suas mãos de seda e de flor como a Yuki, Rosa Chá.
Locutora: A emissora nacional acaba de transmitir para os seus pequenos ouvintes.
Locutora: Uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome, produção de Maria Madalena Patacho.
Outros Contos
Histórias para ler e ouvir
O Cavalo Mágico
Era uma vez um menino que foi parar em um reino mágico. Assim que, lá, chegou, identificou seres mágicos. Enquanto seguia seu caminho, viu um cavalo que voava.
As Três Cidras do Amor
As três cidras do amor é uma bela história onde o bem triunfa sobre o mal. Fala sobre um Rei que procura, incessantemente, uma noiva para o seu único filho.
História da Carochinha
Foi a carochinha comprar muitas fitas, rendas, flores, braceletes d’ouro e brincos; enfeitou-se muito enfeitada e foi-se pôr à janela, dizendo:
«Quem quer casar com a carochinha
Que é bonita e perfeitinha?»


