As Amêndoas do Padrinho Pascoal
As Amêndoas do Padrinho Pascoal
Áudio
Ficha Técnica
Adaptação realizada por: –
Produção: Maria Madalena Patacho
Narração: –
Data de Transmissão: 20/04/1973
Tramistido por: Emissora Nacional
Programa: Meia Hora de Recreio
Registo de Som: Manuel Marques
Montagem: Horácio Gonzaga
Capa do Áudio: Bruno Leal
Link de Referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos
Manuela: Maria Antónia
Maria: Milucha
Xico: Armando Pinto
Luís: José Manuel
Pai: António Sarmento
Mãe: Maria Schultz
Padrinho Pascoal: Alexandre Vieira
Uma criada: Maria Brito Malta
Um homem: Fernando Cohen
Narrador: Meia hora de Recreio.
Narrador: Amiguinhos antes de começar o vosso programa de hoje, queremos desejar a todos os nossos pequenos e grandes ouvintes, uma Páscoa Santa e feliz a todas muito boas festas.
Narrador: Hoje vão escutar um conto de autoria de Maria Isabel de Mendonça Soares, as amêndoas do padrinho Pascoal.
Narrador: Personagens Manuela, Maria Antónia, Maria, Milucha, Chico, Armando Pinto, Luiz, José Manuel, o Pai, António Sarmento, a mãe, Maria Schultz, o padrinho Pascoal, Alexandre Vieira, uma criada, Maria de Brito Malta, um homem, Fernando Cohen, registe som de Manuel Marques, montagem de Horácio Gonzaga.
Narrador: Produção de Maria Madalena Patacho.
Mãe: Meninos não se demorem.
Mãe: Veste o casaco, Manuela, o dia está bonito, mas ainda não é verão.
Mãe: E tu aí os dois é tão, Chico e Maria.
Chico: Foi ela que.
Maria: Eu não fiz nada.
Maria: Ele é que.
Chico: Escusas falar mais comigo.
Mãe: Não impliquem mais um com outro, pronto.
Mãe: E vão arranjar se depressa Luisinho guarda os carros na gaveta. Estamos atrasadíssimos e o padrinho Pascoal não gosta de esperar.
Maria: Ó mãe, porque é que nós tem que por força ir à casa do padrinho Pascoal todos os anos pela Páscoa.
Luiz: Antes, queria ficar a brincar com os meus automóveis.
Mãe: Hoje não pode ser o padrinho Pascoal convidou-nos.
Mãe: Oiçam, é o pai já está com o carro.
Luiz: É tão especial padrinho Pascoal, não é? Mora naquela quinta zona, nunca sai e quando chega a Páscoa é que se lembra de escrever a mandar nos ir almoçar com ele.
Mãe: Ele não manda, convida.
Luiz: Ora A irrelevância é subjetiva Convida, mas nós não pode dizer que não, então isso é mandar.
Pai: O padrinho Pascoal é uma pessoa de idade.
Maria: É velhíssimo, com certeza, já era padrinho do avô tem mais de 100 anos.
Mãe: Dispara-lhe Maria. O Pedrinho Pascoal tem 80 anos.
Luiz: Eu cá tenho 8.
Maria: Para dizer a verdade, eu até gosto do Padrinho Pascoal.
Maria: Mas sinto assustada em frente dele.
Maria: Aquela sala tão grande, cheia de livros e retratos.
Chico: E depois a mania que ele tem.
Pai: Não se diz manias, Chico é falta de respeito.
Chico: Bom não será mania, mas como lhe hei de chamar? A ideia que ele tem, está bem assim?
Pai: Sim, pode ser.
Chico: E daí que eu tenho que dizer as coisas pão, queijo, nunca se sabe que fala, o que tem lá na cabeça.
Pai: Concordo que o padrinho Pascoal tenha as suas originalidades, mas é um verdadeiro sábio.
Luiz: Ele inventou algo?
Pai: Os sábios nem sempre são inventores, têm a sabedoria da vida, o que é igualmente importante.
Pai: O padrinho Pascoal, aprendeu muito a observar as pessoas e os acontecimentos.
Chico: Pudera durante 80 anos a olhar e a pensar.
Maria: Que ira ele inventar hoje para nos dar ao almoço.
Manuela: Seja lá o que for desde que se coma.
Manuela: Já vou cheia de fome.
Mãe: É do ar do campo respirem fundo que este ar puro da mais saúde do que 10 frascos de vitaminas.
Chico: Já se vê daqui à casa do padrinho Pascoal entre as árvores.
Pai: Pronto chegámos tocar sineta.
Padrinho Pascoal: Olha sendo muito bem vindos, meus afilhados.
Pai: Então como passou padrinho Pascoal.
Mãe: Muito as festas padrinho Pascoal.
Chico, Maria, Luiz, Manuela: Muito boas festas, padrinho Pascoal.
Padrinho Pascoal: Muito obrigado afilhados e boas festas igualmente para todos os boas e santas festas.
Mãe, Chico, Maria, Luiz, Manuel, Pai: Obrigado!
Padrinho Pascoal: Olha lá pequenos, naturalmente preferis, ficar pelo jardim a pular como cabritos novos á solta, enquanto o almoço não vai para a mesa, não é assim?
Padrinho Pascoal: Está bem, correrei por aí em liberdade que para gaiola já basta morar num sexto andar. Se eu tivesse a vossa idade e as vossas pernas fariam mesmo e infelizmente eu já não tenho por isso foi lá para dentro sentar-me à conversa com os vossos pais.
Chico: O melhor da visita ao padrinho Pascoal é este grande Jardim.
Chico: Eu do que mais gosto é do lago se tivesse trazido os meus calções de banho, até dava já um mergulho, que raiva não me ter lembrado.
Luiz: O que eu queria aqui era a minha bicicleta.
Maria: Talvez o padrinho Pascoal tenha uma.
Chico: O quê uma bicicleta sonhas, só se for um daqueles triciclos antigos.
Chico: Velocípedes ou lá como se chamam com uma roda muito grande na frente e duas muito pequenas atrás, nunca viste em desenho num livro?
Maria: Já sei como as de equilibristas do circo.
Chico: Pois o padrinho Pascoal é tão antigo como essas maquinetas.
Maria: Sabem o que me parecia há bocado, padrinho Pascoal, quando olhei para ele assim, muito alto e magro, careca e com o nariz comprido.
Chico: Diz lá.
Maria: Parecia mesmo uma cegonha.
Chico: Eu.
Chico: É mal feito nós rir-se do padrinho Pascoal, ele é bom e gosta muito de nós.
Chico: Bem a gente da teu rir devido ao que a Maria disse, mas não era para fazer troça, acho eu.
Maria: Eu também não pensei naquilo por mal.
Maria: Vem má ideia sem querer.
Mãe: Meninos, meninos venham almoçar o senhor Doutor Pascoal já está à espera.
Chico: Vamos agora não comesse a rir Maria nem fazer rir também com as suas macaquices do costume.
Maria: Não olhe para mim.
Chico: Os senhores não riem como dois malucos, estão à bulha.
Luiz: Ó Manuela, tu pensas que o padrinho Pascoal nos vai dar amêndoas a sobremesa?
Chico: Então não havia dar porquê?
Chico: Onde é que já se viu, almoço de Páscoa sem amêndoas?
Luiz: Eu cá gosto de amêndoas.
Chico: Também bem eu.
Luiz: Ó Chico onde estão as amêndoas?
Chico: Sei lá. Em cima da mesa é que eu não vejo nenhuma.
Chico: Se calhar ainda estou na loja.
Maria: Cala-lhe Maria, daqui a pouco padrinho Pascoal ouve-lhe.
Chico: Talvez seja um bocadinho surdo.
Chico: Parece que não vai haver amêndoas.
Maria: Como o padrinho Pascoal nunca se sabe, tem sempre surpreendidas na manga do casaco, como os ilusionistas do circo.
Padrinho Pascoal: Então vozes aí meninos, vocês não querem repetir o assado?
Maria: Não, obrigada padrinho Pascoal.
Chico: Já repeti padrinho Pascoal. Muito obrigado.
Luiz: Não quero mais obrigado.
Chico: Eu também não.
Padrinho Pascoal: Já vos entendo, guardas os para a sobremesa, pois aí a tendes. É um dos deliciosos, uma velha receita, muitos anos na posse da família leva açúcar, ovos canela.
Luiz: E amêndoas?
Padrinho Pascoal: Não, não. Amêndoas não leva, as amêndoas, são comidas no fim, esperar aí tudo a seu tempo.
Padrinho Pascoal: Primeiro o doce, depois uma gota de vinho fino para fazer as saúdes.
Luiz: E a seguir é as amêndoas, é?
Padrinho Pascoal: Para quem as merecer, para quem as souber ganhar?
Padrinho Pascoal: Saboreei o doce e depois direis-me se não é famoso.
Padrinho Pascoal: E agora.
Chico, Pai, Maria, Luiz, Manuela:
As amêndoas.
Padrinho Pascoal: Não ainda não, agora é a vez de beber á a vossa saúde e vós á a minha. Este é um vinho precioso. Tem 40 anos.
Chico, Pai, Maria, Luiz, Manuela: Aí tão velho. Se calhar não presta.
Padrinho Pascoal: Á vossa saúde por muitos anos e bons, Páscoa feliz, meus afilhados.
Chico, Pai, Maria, Luiz, Manuela: Páscoa feliz. Pascoal.
Padrinho Pascoal: E finalmente.
Maria: Agora que é certo agora é que vamos comer as amêndoas.
Padrinho Pascoal: É gulosa e impaciente Maria, terá muito que aprender ainda.
Maria: Aprender o quê?
Chico: O que maçador é. Não percebe que estamos todos à espera do que o padrinho Pascoal vai dizer.
Padrinho Pascoal: Bom, bom, bom.Então escutei lá?
Padrinho Pascoal: Ô ô, ou melhor.
Padrinho Pascoal: Deixei que eu tire aqui da minha carteira.
Padrinho Pascoal: Ora, aqui estão.
Padrinho Pascoal: 1234
Luiz: Oh, são 4 cartas,
Maria: 4 subscrito.
Chico: É dinheiro para comprar amendoins, adivinhei, não adivinhei?
Padrinho Pascoal: Não, não, não, Senhor. Não adivinhaste, vá pegai lá meninos um subscrito para cada um de vós para si Chico, para a Maria, este é para Manuela e agora por fim, este para o Luís.
Padrinho Pascoal: Não, não, não podeis abri-lo.
Padrinho Pascoal: Aí não, não, por enquanto,
Chico: Então para que servem?
Chico: Quando é que se abrem?
Maria: Mas o que é padrinho Pascoal?
Luiz: Mas aqui dentro não cabem as amêndoas.
Padrinho Pascoal: Pois, não, pois não? As amêndoas tereis vós das encontrar, das descobri.
Maria: Mas onde?
Padrinho Pascoal: Sabe-se lá, ora bem.
Padrinho Pascoal: Ouvi com atenção, cada um levará consigo o seu subscrito.
Maria: Fechado?
Padrinho Pascoal: Sim, sim, sim, sim. Fechado
Padrinho Pascoal: Saireis para o jardim e só então podereis abrir, dentro encontrareis.
Maria: O que eu quê, o quê?
Padrinho Pascoal: Logo sabereis. A ida e da procura.
Chico: Até parece um romance policial. O mistério das amêndoas desaparecidas.
Maria: Deixa de conversa e levanta-te que o padrinho Pascoal já deu licença.
Chico, Maria, Manuela: Vamos.
Chico: E esta
Chico: Eu não dizia que o padrinho Pascoal tinha ideias especiais.
Chico: Oiçam lá o que está escrito aqui neste papel.
Chico: Segue o caminho do Sol e traz a luz que é seu farol. Mas que esquisito, não se percebe nada.
Chico: No meu também é um papel, diz assim, o que foi lá vai sempre em frente procurai que quererá dizer isto? Como é o teu Maria?
Maria: Diz o vento norte só para forte, será o seu passaporte.
Chico: Não adianta nada, fico na mesma.
Manuela: Se fica na mesma é porque é estúpido, eu cá, percebi muito bem.
Chico: Não me chame estúpida malcriada.
Manuela: Mas não és estúpido, é burro que vai dar no mesmo.
Chico: Nunca mais te falo.
Chico: Vá-lá calem-se, vocês não se podem aturar. Ó Luís, foste capaz de ler o teu papel. O queres que te ajude?
Luiz: Eu sei.
Luiz: O carro está a cantar.
Luiz: É perto.
Luiz: Não tens que errar.
Maria: Bem, não podemos perder mais tempo a olhar para as letras sem fazer nada. Eu cá vou à procura das minhas amêndoas.
Padrinho Pascoal: Um momento meus pequenos.
Chico: O que foi padrinho Pascoal?
Padrinho Pascoal: Eu esqueci-me de vos fazer uma recomendação.
Padrinho Pascoal: Quando encontrares as amêndoas, voltai aqui trazendo o que mais perto estiver delas compreendeste.
Chico, Manuela, Luiz, Maria: Está bem.
Padrinho Pascoal: Podeis ir. Podeis ir.
Padrinho Pascoal: Não todos para o mesmo lado, não? Cada qual recebeu uma mensagem. Diferentes são os caminhos.
Maria: Segue o caminho do Sol. Traz a luz que é teu farol.
Maria: Mas como é que eu vou fazer?
Maria: O caminho do sol.
Maria: Será ir por esta rua fora.
Maria: Naturalmente é. O sol dá nesta parede.
Homeno: Boas tardes menina.
Maria: Olá muito boa tarde, o senhor sabe me dizer faz favor. Qual é o caminho do Sol?
Homeno: O caminho do sol?
Maria: Sim, o meu padrinho Pascoal foi assim que disse.
Homeno: Ah a menina é afilhada do sr. doutor Pascoal, então eu disse que isso é brincar com certeza.
Maria: Pois é, é uma espécie de jogo. Os meus irmãos e eu temos de procurar as amêndoas da Páscoa.
Maria: E a mim calhou-me seguir o caminho do sol e trazer de volta uma luz, mas deus candeeiros estão apagados a luz do sol não se agarra.
Maria: À por aqui perto alguma luz que não seja a do sol?
Homeno: Bem a dizer a verdade, luz, só se for é do nicho da santinha acolá ao virar da esquina.
Maria: Será essa?
Homeno: A menina experimente e já ali adiante.
Maria: Aí obrigada.
Maria: Lá está uma lamparininha acesa é aqui. E um cartucho atado com laço azul a, mas são as amêndoas são.
Maria: Então e o farol.
Maria: E a luz que eu hei de levar ao padrinho?
Maria: Aí uma vela escondida atrás do cartucho deve ser isso que o padrinho Pascoal quer, acendo na luz da lamparina e vou levá-la devagarinho sem a deixar apagar.
Luiz: O cão está a cantar
Luiz: É assim que diz o meu papel?
Luiz: É muito fácil. O cão canta na capoeira, é lá que estão as amêndoas, viva já descobri.
Luiz: Ó galinhas, onde é que guardas as amêndoas, diz lá.
Luiz: Se calhar escondes–te as na palha.
Luiz: Olha, olha foi, cá está cartucho cheio de amêndoas mesmo ao pé de um ovo. Ganhei, ganhei, viva Manuela, Manuela, estão aqui, as minhas amêndoas já encontraste as tuas?
Maria: Cuidado Luizinho olha que apagas a vela e tenho que levar a acesa ao padrinho Pascoal.
Luiz: Aí que me esqueci.
Maria: De quê?
Luiz: Do que disse o padrinho Pascoal, trazendo uma coisa que estivesse ao pé das amêndoas.
Luiz: Mas o que é que estava ao pé das amêndoas?
Luiz: Era um ovo.
Maria: Aí, então devias tê-lo trazido.
Luiz: Vou buscá-lo. Espera aqui por mim que eu não demoro nadinha.
Maria: Mas ó Luizinho não venhas a correr.
Maria: Se não faz ovo em gemada.
Chico: O que foi lá vai lá vai sempre em frente procurai, de toda esta charada só por ser uma coisa.
Chico: Que é preciso procurar em frente, vamos a isto e veremos o que encontra em frente do nariz.
Chico: Afinal, parece-me, estou cheio de sorte, pus-me a mandar a direito pela rua que leva à horta e dei logo o meu cartucho de amêndoas na borda do poço.
Chico: Bem bom, apetece-me trincar já uma, se calhar o padrinho Pascoal não gosta que se abra cartuchos por enquanto.
Chico: Temos que levar, não sei o que é ao mesmo tempo, sei lá o que há de ser, aquilo que estiver mais perto das amêndoas, disse ele. Ora, o que está mais perto é o parapeito do poço no meio de arrancar um bocado cimento.
Chico: Levar o que?
Chico: Poço, muro.
Chico: Água é isso mesmo, descobri, água, levo lhe água.
Chico: Mas dentro do quê?
Chico: Só se for na concha da mão, deito a correr e na lei de chegar com uma pinguinha, pelo menos.
Chico: E esta agora.
Chico: Só para forte vento norte, este é o teu passaporte, que giro o vento norte até se parece comigo. A mãe diz que eu armo cada pé de vento a discutir.
Chico: Por isso é que o Chico ficou zangado.
Chico: Vento Norte.
Chico: Que já dizer que devo seguir em direção ao norte, se calhar é, eu sei lá para onde fica o norte.
Chico: A estrela polar indica o Norte.
Chico: Mas de dia não se vê estrelas.
Chico: A bússola aponta para o norte, que é dela. Não tenho que a bússola nenhuma.
Chico: Espera lá.
Chico: O catavento do telhado da casa lá está ele pronto, o norte fica para aquele lado.
Chico: Livra que já não sinto os pés farinha de andar e nada que se pareça com cartucho de amêndoas ou menos.
Chico: Oliveiras, Oliveiras.
Chico: Olha, olha finalmente penduradas no ramo que giro é caso para vir nos jornais como um fenómeno, uma oliveira que dá amêndoas em vez de azeitonas.
Chico: Mas o pior é chegar-lhes.
Chico: O ramo é alto.
Chico: Com ei de apanhar o cartucho.
Chico: Só se só se puxar.
Chico: O ramo com um pau.
Chico: Assim.
Chico: Ótimo deu resultado, caiu cartucho no chão.
Chico: Aí lá vão os meus irmãos, Manuela.
Maria: Chico. Luiz. Esperem por mim.
Chico: Ó Maria sempre és uma cabeça no ar, então só trouxeste o cartucho das amêndoas.
Chico: Então é quanto basta.
Maria: Mas não é o padrinho Pascoal disse trouxéssemos aquilo que estivesse mais perto das amêndoas, não foi?
Chico: Oh pois foi. Lembrei-me agora aí que parvoíce.
Chico: Mas o que estaria perto das minhas amêndoas. Elas estavam penduradas num ramo. Aí está era isso um ramo de Oliveira.
Chico: Aí! Meu Deus, não chego lá.
Chico: O ramo estava tão alto, o embrulho ainda o fiz cair atirando lhe com um pau, mas cortar um ramo de Oliveira tão alto não é coisa assim tão fácil.
Luiz: A gente ajuda.
Chico: Tu és um ninguém de gente. Como é que podias lá chegar?
Maria: Eu sou mais alta do que tu.
Chico: Mesmo assim não chegavas, não tens força.
Maria: Pede ao chico, ele zangou-se comigo
Maria: Disse que nunca mais me falava.
Chico: A culpa foi tua, não foi?
Chico: Queres que te ajude a cortar o ramo?
Chico: Eu queria, mas…
Chico: Talvez todos juntos lá cheguemos. Qual é Oliveira?
Chico: É aquela.
Chico: Vamos lá ao pé Luiz trepa as minhas costas vocês duas seguram no.
Chico: E ele apanhou um raminho.
Maria: Tiveste uma ótima ideia Chico, anda Luís monta às cavalitas.
Maria: Não tenhas medo que não cais.
Luiz: Eu medo, não tenho medo nenhum.
Luiz: Viste Maria julgavas que eu era pequeno, não chegava lá, toma o teu ramo de oliveira para dares ao padrinho Pascoal
Chico: Obrigada, Luisinho, obrigada Manuela, ó Chico muito obrigada tu és muito melhor que eu desculpa.
Chico: Deixa lá não se pensa mais nisso.
Luiz: vamos depressa mostrar as amêndoas ao padrinho Pascoal.
Chico: Vamos. Vamos.
Chico, Manuela, Maria, Luiz: Ganhei, ganhamos!
Padrinho Pascoal: Quero ver se as mereceis.
Padrinho Pascoal: Hora mostrai-me as vossas descobertas.
Luiz: Eu encontrei um ovo.
Padrinho Pascoal: Muito bem, Luizinho, encontraste o que era preciso.
Maria: E eu trouxe uma vela acesa era isso?
Padrinho Pascoal: Hã está certo, está certo, e vocês os dois tu aí, Chico.
Chico: Eu, eu trazia água na concha da mão.
Chico: Até vinha a correr muito depressa para não a perder, mas afinal.
Padrinho Pascoal: Chegaste de mãos vazia?
Chico: Ele não teve a culpa padrinho Pascoal foi ajudar-me a apanhar o ramo e
Chico: Esqueci-me de água que trazia com tanto cuidado e lá se foi toda.
Padrinho Pascoal: O que foi lá vai lá vai.
Padrinho Pascoal: E era mesmo assim que devia ser.
Padrinho Pascoal: E tu Maria.
Padrinho Pascoal: Apanhaste o teu ramo de Oliveira pelo que vejo
Chico: Eu não sozinha, não fui capaz se não fosse a ajuda deles todos.
Padrinho Pascoal: Louvado seja Deus é esta a Páscoa verdadeira.
Luiz: Já podemos comer as amêndoas padrinho Pascoal.
Padrinho Pascoal: Podes sim, Luís, mas escuta uma coisa muito importe.
Padrinho Pascoal: A Páscoa é muito mais do que amêndoas cobertas de açúcar muito mais o ovo que encontraste, representa a vida. A Páscoa é vida porque Jesus ressuscitou e vive connosco para sempre.
Padrinho Pascoal: É Páscoa é luz, por isso trouxe-te a vela acesa Manuela?
Padrinho Pascoal: A Páscoa é o perdão, água que todo lava e tudo leva.
Padrinho Pascoal: Tu Chico esqueceste a zanga com a Maria, perdoaste o que foi lá vai lá vai, dizia, a tua mensagem não era?
Padrinho Pascoal: E com a vida, a luz e o perdão alcançaram a paz representada pelo ramo de Oliveira trazido pela Maria.
Padrinho Pascoal: Lembrai-vos filhos, a paz só é possível se todos se ajudarem uns aos outros, como vós.
Padrinho Pascoal: Boas Festas pequenos, Santa Páscoa na paz de Cristo.
Chico, Maria, Manuela, Luiz: Páscoa feliz, padrinho Pascoal.
Narrador: A Emissora nacional acaba de transmitir para os seus pequenos ouvintes um conto de Maria Isabel de Mendonça Soares. As amêndoas do padrinho Pascoal, produção de Maria Madalena Patacho.
Outros Contos
Histórias para ler e ouvir
O Cavalo Mágico
Era uma vez um menino que foi parar em um reino mágico. Assim que, lá, chegou, identificou seres mágicos. Enquanto seguia seu caminho, viu um cavalo que voava.
As Três Cidras do Amor
As três cidras do amor é uma bela história onde o bem triunfa sobre o mal. Fala sobre um Rei que procura, incessantemente, uma noiva para o seu único filho.
História da Carochinha
Foi a carochinha comprar muitas fitas, rendas, flores, braceletes d’ouro e brincos; enfeitou-se muito enfeitada e foi-se pôr à janela, dizendo:
«Quem quer casar com a carochinha
Que é bonita e perfeitinha?»


