O Macaco do Rabo Cortado

O Macaco do Rabo Cortado

O Macaco do Rabo Cortado

 

História

Sinopse da história

Era uma vez, um macaco que nunca pensava duas vezes a mesma coisa, ao longo da história foi contradizendo-se até o dia em que realizou uma boa ação.

Imagem criada por: David Pinto

Era uma vez um macaco que nunca pensava duas vezes a mesma coisa que vivia em frente à loja do barbeiro, e passava o dia a zombar os clientes, indignado com a situação, o barbeiro decidiu vingar-se.

“Macaco, macaquinho. Andas-me lindo, está boa a saúde?”

“Que amável está, hoje o meu vizinho barbeiro. E o mestre barbeiro como vai?”

“Agradecido, sem mal que me chegue e bem-disposto ainda por cima”

“Sim”- diz o macaco

“É que me agrada tê-lo como vizinho tão gracioso tão elegante”

“Sim? Eu sou elegante e gracioso?”

“Ah muito, muito até lhe digo mais se não fosse o seu rabo tão comprido como o seu que o desfeia até parecia tão homem quanto eu”

“Asserio?”

“Seríssimo quer experimentar?”

“Como?”

“Corto-lhe o rabo quer exprimentar?”

“Quero pois!”

E mestre barbeiro cortou o rabo ao macaco, este, porém ao ver que toda a gente o troçava na rua percebeu que fizera grossa asneira arrependeu-se e voltou ao barbeiro.

“Amigo barbeiro. Não me agrada nada ter ficado sem o meu rabinho de macaco, faça favor de o pô-lo no seu lugar”

“Impossível”

“Anh? Impossível? Pois levo-lhe daqui uma navalha”

E levou mesmo. E para não continuar a suportar a troça da vizinhança decidiu correr mundo, não ia ainda muito distante, quando topou com um padeiro que estava sentado no chão junto do cesto cheio, a comer um enorme pão que ia partindo com os dedos o macaco parou a olhá-lo.

“Ei! Homenzinho! Não se sabe que não se corta a comida com os dedos, isso é muito feio”

“Eu sei que é feio, mas eu esqueci-me de trazer como cortar o pão”

“Pegue lá a minha navalha, que está muito bem afiada”

Poucos passos andados, logo se arrependeu o macaco de ter dado a navalha.

“É padeiro dê lá a navalha que eu ainda posso precisar dela”

“Ah tenho muita pena senhor macaco, mas é que eu a entreguei ao meu filho mais novo, não fosse eu perdê-la”

“Ah, pois, vais pagá-la bem paga, levo-te daqui um pão”

Logo depois viu uma peixeira a assar as sardinhas na brasa comendo-as logo a seguir

“Sardinhas sem pão é comida do glutão”

“Ah eu sei, mas hoje a venda foi má e eu não tive dinheiro para comprar pão”

“Toma lá o meu pão”

E o macaco seguiu avante, mas pouco depois…

“Peixeira! Oh! Peixeira! Afinal pensei melhor e quero o meu pão”

“Mas agora é impossível já o comi”

“Pois levo-te daqui uma sardinha”

E fugiu com a sardinha, e foi ter a um riacho, onde estava uma lavadeira a lavar roupa e a lastimar-se

“Pobrezinha de mim pobrezinha de mim que vou ficar sem almoço, esqueci-me do farnel em casa”

“Ah e se eu te desse uma sardinha para comer, ficavas satisfeita?”

“Muito senhor macaco muito”

“Então pega-a lá”

Mal, porém, a lavadeira acabara de engolir a sardinha

“Entrega-me a sardinha, não ouves, quero a minha sardinha”

“Senhor macaco. Comia-a logo que me a deu”

“Quero a sardinha e se não me a dás levo-te da roupa uma camisa”

Distante do riacho havia um moinho e aí foi parar o mestre macaco. O moleiro lastimava-se à moleira porque não tinha uma camisa para vestir e precisava de ir à cidade vender farinha. Logo o macaco interveio.

“Toma lá uma camisa”

Amigo o macaco claro não tardou a arrepender-se e voltou para trás.

“Faça favor de entregar a camisa, fiz uma grande tolice em tê-la dado”

“Mas senhor macaco eu não posso restituir-lha porque o meu marido foi à cidade vender farinha e só volta à noite”

“Então levo-lhe um saco de farinha”

Assim foi ter a um colégio de meninas onde se afligia, pois tinha uma festa e não havia farinha para os bolos.

“Não se apoquente senhora mestra tome este saco de farinha que eu lhe dou”

Horas depois o macaco amigo voltou ao colégio a reclamar.

“Quero a farinha! Quero a farinha! Quero a farinha!”

“Mas eu já fiz os bolos”

“Pois então pago-o bem pago e levo-lhe daqui uma menina”

Logo nisto o macaco viu um ceguinho a tocar viola e a cantar:

“Ai pobrezinho de mim, que não vejo o meu caminho que tristeza ser assim que amargura ser ceguinho”

Logo o mestre macaco não hesitou e deu-lhe a menina para o acompanhar então pediu a menina ao pobre muito baixinho:

“Se me levares ao meu colégio muito depressa peço aos meus pais por ti e nunca mais tens de pedir esmola”

“Macaquinho aceito a menina, mas em troca às de levar a minha viola”

Amigo macaco e o ceguinho fizeram a troca e enquanto a menina e o pobre faziam a troca o macaco trepou para um telhado e pôs se a tocar e a cantar.

“Eu do rabo fiz navalha e da navalha fiz pão do pão depois fiz sardinha e da sardinha fiz camisa, da camisa fiz menina e depois fiz boa ação. Da boa ação fiz viola e vou agora para Angola”

E dando um salto desapareceu para nunca mais ser visto.

 

 

——

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Odette de Saint-Maurice

Data de Transmissão: 12 de Março de 1960

Tramistido por: Emissora Nacional

Data de Gravação:  6 de Março de 1960

Gravação realizada por: Jaime Filipe, Matos Ferreira e Alberto Nunes

Local da Gravação: Estúdio A da Rua do Quelhas, e no Estúdio de São Marçal

Música de fundo: Maestro Jorge Machado

Canções de: Jaime Filipe

Capa do Áudio: Bruno Leal

Macaco: João Perry

Menina: Maria Armanda Estêves

Lavadeira: Odette André

Moleira: Odette André

Mestra: Odette André

Barbeiro: Rui Luís

Padeiro: Rui Luís

Mendigo: Rui Luís

Narrador: Houve uma vez um macaco que nunca pensava 2 vezes a mesma coisa. Amigo macaco vivia defronta da loja do barbeiro e passava O Tempo a troçar dos fregueses que lá iam o Barbeiro arreliado, jurou vingar-se.  

Barbeiro: Macaco! Macaquinho adeus meu lindo, estás de boa saúde?  

Macaco: Que lindo está hoje o meu vizinho era bem esta barbeiro como vai?  

Barbeiro: Agradecido sem mal que me chegue e bem-disposto ainda por cima. O sabe é que me agrada tê-lo por vizinho assim, amigo macaco tão elegante, tão gracioso era…  

Macaco: Há sim.  

Macaco: Sim eu sou elegante e gracioso? 

Barbeiro: Há muito, muito até lhe digo mais, se não fosse o rabo comprido que tanto os feia parecia tão homem como eu!  

Macaco: Eu? sério?  

Barbeiro: Seríssimo  

Barbeiro: Quer experimentar?  

Macaco: Como?  

Barbeiro: Corto-lhe o rabo, quer?  

Macaco: Quero pois.  

Narrador: I mestre barbeiro cortou o rabo ao macaco. Este, porém, ao ver que toda a gente o troçava na rua, percebeu que fizera grossa asneira arrependeu-se e voltou ao barbeiro.  

Macaco: Amigo barbeiro, não me está a agradar nada que lhe ficassem meu rabinho de macaco, faça favor de tornar a pô-lo no seu lugar.  

Barbeiro: impossível  

Macaco: Impossível? Aí é, pois levo daqui uma navalha.  

Narrador: E Levou mesmo e para não continuar a suportar a troça da vizinhança, decidiu correr, não ia ainda muito distante quando topou com um padeiro que estava sentado no chão junto do cesto cheio a comer um enorme pão que ia partindo com os dedos, o macaco parou a olhá-lo.  

Macaco: É homenzinho não sabe que não se corta a comida com os dedos e isso é muito feio.  

Padeiro: Sim, eu sei que é feio, eu esqueci me trazer como cortar o pão.  

Macaco: Pegue lá na minha navalha então está muito bem afiada  

Padeiro: Obrigado.  

Narrador: Poucos passos andados logo se arrependeu o macaco de ter dado a navalha.  

Macaco: Eh Pá, dá-me cá navalha, afinal, ainda posso precisar dela.  

Padeiro: Tenho muita pena, senhor macaco, mas entreguei o meu filho mais novo para guardar em casa, não fosse eu perdê-la.  

Macaco: Sim pois então vais pagar-ma bem paga.  

Macaco: Levo-te daqui um pão.  

Narrador: Pouco depois viu uma peixeira que estava a passar umas sardinhas na brasa comendo as a seguir.  

Macaco: Sardinhas tem pão e comida de glutão.  

Peixeira: Eu sei, mas a venda hoje foi má e não tive dinheiro para comprar pão.  

Macaco: Toma lá o meu pão.  

Narrador: E o macaco seguiu avante, mas pouco depois.  

Macaco: Peixeira ó peixeira, afinal, e pensei melhor e quero o meu pão?  

Peixeira: Oh, mas agora é impossível, já o comi.  

Macaco: Pois, levo-te daqui uma Sardinha?  

Narrador: E fugiu com a sardinha e foi ter a um riacho onde estava uma lavadeira, lavar roupa e a lastimar-se pobrezinha de mim.  

Lavadeira: Pobrezinha de mim que Vou Ficar sem almoço esqueci-me do farnel em casa.  

Macaco: E eu te desse uma sardinha para comer ficavas satisfeita?  

Lavadeira: Muito, senhor macaco.  

Macaco: É e diz, então pega lá ó?  

Narrador: Mal, porém, a lavadeira acabava de engolir a sardinha.  

Macaco: Quero a minha sardinha, não ouves? Quero a minha sardinha.  

Lavadeira: Senhor macaco comi-a logo que me a deu.  

Narrador: não importa, não importa quero a sardinha e se não me dás, levo-te da roupa uma camisa.  

Narrador: Distante do riacho, havia um moinho e aí foi parar O Mestre macaco no moinho, o moleiro lastimava se a moleira, porque não tinha uma camisa para vestir e precisava de ir à cidade vender farinha. Logo o macaco interveio.  

Macaco: Toma lá uma camisa.  

Narrador: Amigo macaco, claro, não tardou a arrepender-se e voltou para trás.  

Macaco: Faça favor de me entregar a camisa?  

Macaco: É porque me parece que fiz uma grande tolice em tê-la dado.  

Moleira: Mas ao senhor macaco, Eu Não posso restituir-lhe porque o meu marido foi para a cidade vender a farinha só volta à noite.  

Macaco: Pois então levo-te um saco de farinha.  

Narrador: Assim foi ter um colégio de meninas onde a diretora se afligia porque tinha uma festa e não havia farinha para os bolos.  

Macaco: Não se preocupe, Senhora, Mestre, tome este saco de farinha que eu lhe dou.  

Narrador: Horas depois, eis amigo macaco de volta ao colégio a reclamar.  

Macaco: Quero a farinha, quero a farinha e quero a farinha já disse.  

Diretora: mas eu já fiz os bolos.  

Macaco: Sim, pois então pago me bem pago e levo lhe daqui uma menina.  

Narrador: Nisto um macaco viu um ceguinho a tocar viola e a cantar.  

Cego: Aí, pobrezinho de mim que não vejo o meu caminho, que tristeza ser assim, que amargura ser o ceguinho.  

Narrador: Mestre macaco não hesitou e logo ofereceu ao Ceguinho a menina para o acompanhar, então, pediu a pequenita ao pobre muito baixinho.  

Menina: Se me levares ao meu colégio depressa peço aos meus pais por ti, nunca mais precisas de pedir esmola.  

Cego: Macaquinho aceito a menina, mas em troca hás de levar a minha viola.  

Narrador: Amigo macaco e o ceguinho fizeram a troca e enquanto a menina e o pobre se foram embora, o macaco trepou para um telhado e pôs-se tocar e a cantar.  

Macaco: Eu o do rabo fiz navalha e da navalha fiz pão. Do pão depois fiz sardinhas, da sardinha fiz camisa, da camisa fiz menina, depois uma boa ação, da boa ação fiz viola e agora turutumtum Vou-me embora para Angola, turutumtum vou-me embora pra Angola.  

Narrador: E dando um salto desapareceu para nunca mais ser visto. 

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João Espertalhão

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História

Sinopse da história

A história de um rapaz com uma coragem louvável que com uma inteligência e perspicácia gigante consegue trazer felicidade e riqueza há sua familia.

Imagem criada por: David Pinto

Em tempos que já lá vão, vivia em certa localidade à beira-mar, um casal de pescadores a quem tudo corria sempre mal até o seu único filho, que devia ser o seu amparo, era um rapaz franzino que não tinha forças nem sequer para deitar umas redes ao mar. Em contrapartida, João, assim se chamava o moço, dispunha de espírito de iniciativa e de uma coragem louvável.

Certo dia, compreendendo a triste situação dos pais, João, decidiu correr o mundo com a promessa de não voltar sem meios para os acudir!

Juraram os pescadores, receosos por tudo o que pudesse acontecer-lhe, mas nada houve que demovesse o rapazinho.

João partiu e durante largo tempo por toda a parte, ia pedindo trabalho, para que ninguém lhe pudesse confiar vendo-o tão fraco, tão magro, cansado, mas sem desanimar, chegou João por fim a um castelo que ficava no topo de uma rocha à beira-mar. O conjunto da rocha e do castelo todo metia medo.

João porém não se impressionou e apressou-se a escalar os penhascos até à porta de ferro com  o jaldrabo deixou cair pesadamente:

joao chegou ao castelo

 

« Quem está aí? – perguntaram»

João respondeu:

«Um rapaz que procura trabalho.»

« O rapaz que procura trabalho és tu? – perguntou o gigante»

« Sou sim senhor. – respondeu João»

« Não passas de uma amostra de gente. – respondeu o gigante»

« Isso mesmo! Como pouco e não faço questão de ordenado. – respondeu João»

« Para o trabalho que é talvez sirvas preciso de um rapaz que me guarde os carneiros – disse o gigante.»

« De um pastor, então eu dou conta! – disse João»

«Mas não julgues que ocupação é muito fácil aqui na região há muitos lobos – disse o gigante.»

« E o que é que eu tenho com isso.»

« Pois se deixares algum lobo comer os meus carneiros pagá-lo-ás com a vida. Entendes?  – disse o gigante»

« Descanse que não pago nada – respondeu João.»

« Pois sabeis que alguns mais fortes do que tu, tiveram que pagar as consequências do seu desleixo.»

«Pois sim, mas comigo não há perigo – disse João.»

« Não há perigo? – questionou o gigante.»

« Não sabe é que os lobos têm muito medo de mim tanto medo, que não se chegam a onde eu estiver – respondeu João.»

Ficou o gigante pasmado, mas admitiu o rapazinho, logo na manhã seguinte João foi tomar conta dos carneiros e o dia correu sem novidade. À noite, porém, quando recolhia, os lobos saltaram-lhe ao caminho e devoraram-lhe 3 animais.

« 3 carneiros, faltam-me 3 carneiros no rebanho deixaste que os lobos me comessem 3 carneiros, ao que me respondes com a tua vida! – afirmou o gigante.»

« Alto aí senhor gigante, alto aí para que me está a ralhar sem razão, os carneiros pediram-me licença para sair e só regressam ao domingo – falou o rapaz.»

«Dizes-me tu que os carneiros não foram comidos pelos lobos – disse então o gigante.»

« Então eu já lhe disse que os lobos não se atrevem a se aproximar de mim – disse João.»

O terrível gigante foi contar à mulher que era uma gigantona do tamanho dele o atrevimento do rapaz.

« Sabes o que te digo mulher não me sinto seguro ao pé deste novo criado, por das duas ou uma é um grande espertalhão ou um grande valentão.»

joao e o gigante

 

Na manhã seguinte o gigante e a gigantona foram para o areal com uma bola de ouro como era o seu hábito e divertiam-se muito os dois. Nisto…

« Ouve lá! Ó maroto! De que estás a rir-te – falou o gigante»

« Da força que o gigante e a gigantona têm de fazer para atirar uma bola tão perto – respondeu João.»

« Por acaso tu és capaz de lançar mais longe do que nós – falou assim o gigante.»

« Claro que sou! – respondeu-lhe João»

« Então vais experimentar, quero ver essa tua habilidade ahah – disse o gigante rindo.»

« Olha dê cá a bola dê cá – respondeu-lhe o rapaz.»

«Por que está aí a gritar e a fazer sinais de que nem um maluquinho? – perguntou o gigante»

« Estou a gritar e a fazer sinais para aqueles barcos que estão ali no mar para que se afastem não vá eu lhes acertar – respondeu João.»

« Mas tu vais atirar a minha bola para o mar? – perguntou o gigante»

« Claro que vou! – respondeu João»

«Então, mas tu vais atirar a bola para o mar? Não quero que atires a minha bola de ouro para o mar! – disse o gigante.»

Os gigantes ficaram tão assustados com a força do criadito que nem discutiram quando ele lhes explicou que os carneiros com saudades dos que andam perdidos se tinham recusado a ir para o campo. Na manhã seguinte muito cedo João saiu e foi ao pombal buscar uma pombinha que escondeu na algibeira do casaco os gigantes como de costume ficaram a jogar à bola apareceu-lhes como na véspera.

« Estás a fazer troça com te escusas a presumir-te mais forte e hoje vamos medir forças – disse o gigante»

« Porquê? Já não se importa de ficar sem a bola de ouro.»

« Não, não, não, vamos experimentar com uma pedra – sugeriu o gigante.»

 

bola de ouro

 

«Aceito! Atirem vocês primeiro que eu atiro depois e lembrem-se que são mais altos do que eu e isso dá-lhes vantagens.»

O gigante pegou num pedragulho e atirou muito longe e a gigantona imitou-o. Enquanto isso o rapaz pegou na pomba encheu-a de areia e gritou para os anos

« Olhem, olhem bem lá para cima olhem lá! – gritou João.»

Os gigantes obedeceram a pomba levantou voo e mesmo por cima da cabeça deles deixou cair sobre os olhos toda a areia de que estava coberta.

« Aí o quê a pedra levantou-se com tanta força que até levantou areia e é que já nem a vejo – falou o gigante.»

« E eu tenho terra nos olhos não consigo ver nada – disse a gigantona.»

« Aí que rapaz, onde caiu a pedra? – perguntou o gigante indignado.»

« Está tão longe que nem sou capaz de saber. – disse o João.»

« Vai te embora daqui vai, vai, não quero mais jogos contigo põe-te a andar. – falou o gigante.»

« Não se aborreçam, os carneiros estão quase a chegar do passeio e eu quero perguntar em casa se se divertiram.»

« Precisamos de nos desfazer do nosso criado. – disse o gigante para a gigantona.»

« Mas como ele tem mais força do que nós mesmo sendo tão magro – respondeu-lhe ela»

« Não faz mal, queres saber qual é o meu plano? – falou o gigante»

« Quero sim! – disse-lhe a gigantona»

 

gigantes com a pomba

 

« O nosso criado dorme debaixo do alçapão. Mesmo quando ele tiver a dormir abro o alçapão e deixo-lhe cair em cima dois pedregulhos, eu garanto que ficamos livres dele sem correr perigo nenhum. – respondeu o gigante.»

« Sem dúvida e o pior é que eles se esquecem que eu cabo em toda a parte e como não sou surdo ouvi tudo aquilo que me disseram, muito eu me ei de rir da cara deles. – disse o João se rindo.»

«Olá, bom dia patrão! – disse João»

«Bom dia? Tu aqui? Mas então não te aconteceu nada? – disse o gigante atrapalhado»

«Nada de quê? – disse o João»

« Ah, eu esta noite julguei ouvir uns estrondos no teu quarto. – falou o gigante»

« Ah um engraçado qualquer lembrou-se de deixar cair duas pedrinhas em cima da minha cama, apanhei-as no ar e fiz uma espécie de cabana agora já não cai em cima o pó do teto que se está a desfazer de podre.»

«Aí julga tu de que o rapaz fez dos pedragulhos um abrigo para se defender do pó no teto. -disse o gigante»

« Tu que dizes? – respondeu-lhe a gigantona»

« Digo-te que o rapaz deve ser algum mágico. Já não sei o que ei de fazer para me livrar dele tou com medo mulher – respondeu o gigante ofegante.»

« O melhor é despedi-lo experimenta pagar-lhe bem, talvez com dinheiro ele nos deixe em paz. – sugeriu a gigantona»

alcapao

 

O gigante encheu-se de coragem e despediu o criado perguntando quanto queria ele pelo seu trabalho de dias, como condição o João pediu um cavalo carregado com três sacos de ouro. Para se ver livre dele o gigante aceitou a exigência quando o viu a desparecer ao longo de caminho arrependeu-se da sua fraqueza.

«Aí mulher como eu confiei três sacos de ouro, um chegava-lhe muito bem. – disse o gigante»

« Pois chegava, contudo, se ele te pedisse 6 em vez de 3 tu davas-lhes. – disse-lhe a gigantona»

« Vou atrás dele e obrigo-o a restituir 2 sacos – falou o gigante»

«Ai marido, marido vê no que tu te metes lembra-te dos pedregulhos que ele fez uma cabana? – lembrou-lhe a gigantona.»

« Não quero que se ria de mim vou apanhá-lo! – disse o gigante certo do que dizia.»

joao_os_sacos de ouro

E a correr com umas passadas enormes foi atrás do João e o rapaz ainda foi a tempo daquela perseguição por sorte ia mesmo a passar por um bosque muito espesso, então parou e escondeu o cavalo e os sacos de ouro entre as árvores mais densas, depois pôs se no meio da estrada de braços cruzados a olhar para o céu. O gigante ao vê-lo naquela posição deteve-se intimidado e disse:

« Que estás tu aí parado a olhar para o céu rapaz?»

« Estou à espera do cavalo que o senhor me deu, o animal não andava nada e eu zangado dei-lhe um pontapé e ele foi parar lá acima e não arranjei forma de o ver. Olhe, olhe, ali parece que vem mesmo ali além não vê é aquele potinho negro lá muito no alto, ora veja.»

O gigante tratou de voltar atrás com toda a pressa, fechou-se no castelo e durante muitos dias nem a gigantona pôde convencê-lo a sair de casa e desde que conheceu esse criado o gigante a partir desse dia nunca mais voltou a fazer mal a ninguém.

Quanto ao João espertalhão, provou que o seu corpo abrigava uma grande inteligência e uma coragem verdadeira, regressou são e salvo com todo o ouro a casa dos seus pais onde de aí em diante só houve felicidade e riqueza.

 

——

Daniel Sabino

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Odette de Saint-Maurice

Data de Transmissão: 

Tramistido por: Emissora Nacional

 

Data de Gravação: Março de 1960

Gravação realizada por: Jaime Filipe, Matos Ferreira e Alberto Nunes

Local da Gravação: Estúdio A da Rua do Quelhas, e no Estúdio de São Marçal

 

Música de fundo: Maestros Jorge Machado ou Tavares Belo

Canções de: Jaime Filipe

Capa do Áudio: 

João espertalhão: João Perry

Gigantona: Odette André

Mãe do João: Maria Olguim

Gigante: Tomás de Macedo


 Narrador –  Em tempos que já lá vão, vivia em certa localizada à beira-mar, um casal de pescadores a quem tudo corria sempre mal até o seu único filho, que devia ser o seu amparo, era um rapaz franzino que não tinha forças nem sequer para deitar umas redes ao mar.

Em contrapartida, João, assim se chamava um moço, dispunha de espírito de iniciativa e de uma coragem, louvável.

Certo dia, compreendendo a triste situação dos Pais, João, antes de correr o mundo com a promessa de não voltar sem meios para ele os acudir!

Juraram os pescadores receosos por tudo quanto pudesse acontecer.

Mas nada. Houve que demovesse o rapazinho, João partiu e durante largo tempo por toda a parte, ia pedindo trabalho sem que ninguém quisesse confiar-lhe ao vê-lo tão fraco, tão magro, cansado, mas sem desanimar, chegou João, por fim, um castelo que ficava no topo de uma Rocha à beira do mar.

O conjunto da Rocha e do castelo, todo negro metia medo. João, porém, não se impressionou.

E apressou-se em escalar os pinheiros até a porta de ferro cuja aldraba deixou cair pesadamente.

 

Gigante – Quem está aí

João – Um rapaz que procura trabalho.

Gigante – Gosto procura trabalho és tu?

João – Sou assim, Senhor.

Gigante –  Não passas de uma amostra de gente.

João – Isso mesmo, como pouco é não faço questão de pedir ordenado.

Gigante –  Bom para o trabalho que é talvez sirva preciso de um rapaz se me guarde os Carneiro.

João – De um pastor então estou na conta.

Gigante –  Mas não julgues que a ocupação é muito fácil aqui na região há muitos lobos.

João –  E o que é que eu tenho com isso?

Gigante – Pois que se deixares lobos comer algum dos meus carneiros. Paga-lo com a vida, entendes?

João – Descanse que não pago nada.

Gigante – Pois fica sabendo que outros mais fortes do que tu, tiveram de suportar as consequências do seu desleixo.

João – Ora, pois sim, mas, mas comigo não há perigo.

Gigante – Não o perigo?

João – É que os lobos têm muito medo de mim.

Muito medo que nunca se chega onde eu estiver.

Gigante – Ficou gigante, pasmado, mas admitiu o rapazinho.

Logo na manhã seguinte, João foi Tomar conta dos carneiros e o dia correu sem novidade.

À noite, porém, quando recolhia os lobos, saltaram lhe ao caminho e devoraram lhe 3 animais.

Gigante – 3 carneiros.

Faltam-me 3 carneiros no rebanho.

Deixaste que os lobos comecem 3 carneiros, mas respondes com a tua vida.

João – A tua e senhor gigante alta.

E, para que é que me está a ralhar sem razão sem razão.

Claro, os carneiros foram dar um passeio com minha licença e voltam no domingo.

Gigante – Que diz estou então, não, não, não foram comidos pelos lobos?

João –  Ai Patrão, Patrão que maçador que é, pois eu já lhe disse que os lobos não se atrevem a aproximar-se de mim.

 

 Narrador –  O terrível gigante foi contar à mulher que era uma gigantona do tamanho dele, o atrevimento do rapaz.

 

Gigante – E só restou o que te digo, mulher.

Nome sinto muito seguro ao pé deste nosso criado.

Porque das 2 1, Ou é um grande espertalhão ou um grande valentão.

 

 Narrador –  Na manhã seguinte, o gigante e a gigantona foram para arial jogar com uma bola de ouro. Como era seu hábito e divertiam se muito os 2 nisto.

 

João –  Ai olha olha olha.

Gigante – Maluco, do que te estás a rir?

João –  a força que os senhores gigante, e gigantona têm de fazer para atirar uma bola tão Perto

Gigantona –  Perto? Até parece que tu és capaz de atirar mais Longe do que nós.

João –  claro que sou.

Gigante – Sim? Pois então vais experimentar sempre quero ver essa tua habilidade.

João –  É lá, lá é já lá

Gigantona – Para que estás tu aí a fazer sinais e a gritar como um Maluquinho.

João – Ora essa, estou a fazer sinais e gritará aqueles barcos no mar se afastem, não vá eu acertar lhes.

Gigante – Mas tu vais atirar A Bola para o mar?

João – pois vou, o areal não me chega

Gigante – não, não, não, isso não.

Gigantona – Não, não, não quero a minha linda bola douro, perdida no mar, nunca.

 

Narrador – Os gigantes ficaram tão assustados com espantosa força do criadito que, nem discutiram quando ele se explicou que os carneiros com saudades dos que andavam a passear se tinham recusado a ir para o campo. na manhã seguinte.

Muito cedo, João saiu e fui ao Pombal buscar uma Pombinha que escondeu numa algibeira do casaco.

Quando os gigantes como de costume Principiaram ao jogar A Bola, aparecer-lhes como na véspera.

 

Gigante –  Estás a fazer troça pois escusas de presumir te mais forte. E Hoje vamos medir força.

João – O quê? Já não se importa de ficar sem a bola de ouro?

Gigante –  Não, não, não, não, não.

Não, não, hoje vamos experimentar com uma pedra.

João -Pois aceito, atirem vocês primeiro que eu atiro depois.

E lembrem se de que são mais altos do que eu e isso dá-lhes vantagens.

Gigante – Vamos ao desafio.

 

Narrador – O gigante agarrou num enorme pedregulho e atirou muito longe.

A Gigantona imitou.

Enquanto isto, o rapaz pegou na pomba, cobriu a da areia e gritou, depois gritou:

 

João -Olhem, olhem, olhem bem lá pra cima, olhem lá.

 

Narrador – O gigante sob serão a pomba levantou voo mesmo por cima das.

Cabeças deles e ao ajeitar as asas deixou descair sobre os olhos, toda a areia em que estava coberta.

 

Gigante –  A pedra foi com tanta força que até levantou areia.

E é que já nem a vejo.

Gigantona –Nem eu tenho Terra nos olhos, não consigo ver nada nada.

Gigante – Ei, rapaz, onde caiu a pedra

João – tão longe que eu já nem sou capaz de saber.

Gigante –  Vai-te embora daqui, vai-te embora daqui, vai.

Gigante – Vai-te embora daqui, vai, vai, vai.

Não quero mais jogar Jogos contigo.

João – pois está bem, está bem.

Não se aborreça eu vou, eu tenho que fazer.

Os meus carneiros devem estar quase a chegar do passeio e eu quero estar em casa para lhe perguntar se divertiram muito hora.

Gigante – Temos que nos defazer do nosso criado

Gigantona – Criado, mas como ele tem mais força do que nós, apesar de ser assim tão mau.

Gigante – Vamos faz mal, eu tenho um plano.

Queres saber qual é o meu plano?

Gigantona – Quero sim.

Gigante –  O nosso criado dorme na cá por baixo do alçapão da cozinha.

Gigantona – Não é, é?

Gigante –  Pois logo a noite, quando eu estiver a dormir levanto-lhe o alçapão e deixe que em cima os pedregulhos.

Garantimos que ficamos livres dele sem corrermos perigo nenhum.

João – E pronto, bastante simples, não haja dúvida.

O pior é que se esquecem de que o cabo em toda a parte e como não sou surdo, ouvi perfeitamente e ouvi tudo o que disseram.

Olá, bom dia Patrão.

Gigante –  Tu aqui? mas então não te aconteceu nada?

Gigante –  Nada, é que esta noite pareceu me ouvir uns estrondos do teu quadro.

João – Pá sim um engraçado qualquer lembrou-se de deixar cair 2 Pedrinhas em cima da Minha Cama.

Apanhei-as no ar e fiz com elas uma espécie de cabana, um ótimo abrigo, sabe? Agora já não me cai em cima o pó do teto que está te fazendo podre.

Gigante – Aí mulher, uma mulher, mulher.

Gigantona – Que é marido

Gigante –  Que o rapaz fez das pedras, um abrigo para se proteger do Pó no teto.

Gigantona – Tu que dizes?

Gigante –  Digo-te que o rapaz deve de ser algum mágico

Já Não Sei o que fazer para me livrar dele.

O eu tenho medo dele mulher.

Gigantona – Sabes, o melhor é despedi-lo.

Gigante –  Mas e se ele não quiser ir embora um.

Gigantona – Mas experimenta, talvez se lhe pagasse bem com dinheiro, pode ser que ele nos deixa em paz.

 

Narrador – O gigante encheu-se de coragem e despediu o criado perguntando, quando cria ele pelo seu trabalho de dias.

O João pôs como condição receber um cavalo carregado com 3 sacos de moedas de ouro.

Para se ver livre dele, o gigante aceitou a exigência.

Quando, porém, o viu desaparecer à luz numa volta do caminho, arrependeu-se da sua fraqueza.

 

Gigante –  Ó mulher.

 Gigantona – que é.

Gigante –  Juro que fiz mal em dar um tamanho tesouro àquele maroto.

um saco só chegava muito bem, não, não me parece.

Gigantona –Não chegava, contudo, se ele pedisse 6 em vez de 3 tu, davas-lhe.

Gigante – Pois, olha sabes, vou atrás dele pedir-lhe que devolva 2 sacos.

Gigantona – Marido, marido vê lá no que te metes, lembra-te dos pedregulhos do que ele fez uma cabana.

Gigante – Não quero que se ria de mim ou apanhá-lo.

 

Narrador – E a correr com umas passadas enormes foi atrás do João. O rapaz dera fé a tempo daquela perseguição.

Por sorte estava a passar mesmo ao lado de um bosque muito espesso.

A então parou escondeu o cavalo e os sacos de ouro entre as arvores mais densas, depois pôs-se no meio da estrada de braços cruzados, a olhar para o céu. O gigante ao avistá-lo naquela posição de ter se intimidado.

 

Gigante – Olha ó rapaz.

João -Diga senhor gigante.

Gigante –  Que estás a fazer aí parado a olhar para o céu.

João – Estou à espera do cavalo que o senhor me deu. O animal não andava nada, é buscemi e vai de Sangalo. Tem um pontapé, olha foi lá parar tão acima que Eu Estou Aqui há tempos e não há forma de nem sequer o ver.

Olha, olha agora repare só.

Aquele pontinho negro lá muito no alto. Olha veja.

 

Narrador – o pobre do gigante, claro, nem levantou a cabeça, tratou de voltar para trás a toda a presa, fechou-se no castelo e durante muitos dias, nem a gigantona pode convencê-lo a sair de casa. E é verdade que sempre contratou criado o gigante a partir desse dia não voltou a fazer mal a ninguém.

Quanto ao João, depois de provar que o seu pequeno corpo abrigava uma grande inteligência e uma coragem verdadeira, regressou são e salvo com todos. Eu ia casa dos pais, onde daí em diante só houve Felicidade e riqueza.

Outros Contos

Histórias para ler e ouvir

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Vocês não passam de umas grandes figuronas, só trazem para casa uns mil linhos de pão nem sequer chegam para encher a minha barriguinha.

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É tão especial padrinho Pascoal, não é? Mora naquela quinta zona, nunca sai e quando chega a Páscoa é que se lembra de escrever a mandar nos ir almoçar com ele.

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Mesmo aqueles que como tu no ano passado, por uma ou por outra razão, não se aproximaram da eucaristia, o que, é claro, é um verdadeiro gesto de amor, mas mesmo assim prestam a sua homenagem.

A Menina Sem Nome

A Menina Sem Nome

A Menina Sem Nome

 

Áudio 1

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Maria Isabel Mendonça Soares

Produção: Maria Madalena Patacho

Narração: Maria Madalena Patacho

 

Data de Transmissão: 20/10/1972

Transmitido por: Emissora Nacional

Programa: Meia Hora de Recreio

 

Registo de Som: Manuel Sanches

Montagem: João Silvestre

Capa do Áudio: Bruno Leal

 

Link de referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos

Yuki: Francisca Maria

Mãe: Maria de Brito Malta

1 Irmão: Mário Manuel

2 Irmão: Manuel Inácio

3 Irmão: Armando Pinto

4 Irmão: Carlos Fernando

Senhor Jackson: Rui Ferrão

Senhora Jackson: Maria Schultz

Suzaninha: José Manuel

Narrador: Meia hora de recreio, um programa que a emissora nacional oferece todas as semanas aos seus pequenos ouvintes. 

Narrador:Hoje vou escutar o primeiro episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome. 

Narrador: Personagens e o quê? Francisca Maria, a Mãe, Maria de Brito Malta, o primeiro irmão, Mário Manoel, o segundo irmão, Manoel Inácio, o Terceiro Irmão Armando Pinto, o Quarto Irmão Carlos Fern. 

Narrador: O senhor Jackson Rui Ferrão, a Senhora Jackson Maria Schultz, Suzaninha, José Manuel registe, som de Manuel Sanches, montagem de João Silvestre, produção, Maria Madalena Patacho. 

Narrador: Esta é uma história passada no Japão, quando não era costume as meninas andarem na escola. 

Narrador: Explico-lhes isto para vocês não ficarem a pensar que hoje ainda acontece a mesma coisa. 

Narrador: Exatamente como na nossa Terra e em todos os países civilizados, as meninas hoje aprendem a ler, a escrever e a contar vão à escola, ao liceu e à universidade. 

Narrador: As meninas hoje aprendem a ler a escrever e a contar vão à escola, ao liceu e a universidade. 

Narrador: Mas certas festas e certos usos no Japão continuam iguais ao que eram antigamente. Como vão ouvir nesta história que principia assim? 

Mãe: Yuki? 

Yuki: Chamou por mim, minha mãe? 

Mãe: Chamei, vem cá, sabes a quantos estamos? Que dia é amanhã? 

Yuki: Sim mãe é o dia da festa dos rapazes. Mito meu irmão mais velho e os outros 3, há quanto tempo não falam noutra coisa? 

Mãe: E com razão. 

Mãe: Este dia foi escolhido desde há muitos séculos para festejar os jovens do nosso país. 

Mãe: E por isso, todas as famílias japonesas onde há filhos quer sejam abastadas ou pobres, cumprem com a tradição. À entrada de cada Jardim ergue-se amanhã, o mastro e nele ficarão a flutuar ao vento tantas carpas recortadas em papel colorido. Quantos rapazes dessa família? 

Yuki: No nosso mastro haverá 4 Carpas. 

Mãe:4 belas carpas a anunciarem que nesta Casa moram 4 moços cheios de saúde e vigor. 

Mãe: Tu Yuki essa menina de família? 

Mãe: E nas mãos da mulher entregaram os deuses, a felicidade e a beleza da casa. 

Mãe: Aqui tens tudo quanto precisas, 4 grandes folhas de papel de seda, cada qual da sua cor, uma tesoura e nível de fio. 

Yuki:4 folhas de Papel de Seda. 

Yuki: Azul, Pavão vermelho, dragão amarelo, Açafrão verde, melão. 

Mãe: Um riso que se veja não que se oiça. 

Mãe: Uma, menina para educada, deve ser silenciosa. 

Yuki: Sim a mãe. 

Mãe: Agora Yuki podes ficar a trabalhar em sossego. 

Mãe: Deixo-te a porta aberta para o Jardim. 

Yuki: Sim, mãe. 

Mãe: Até logo. 

Yuki: Por que viam ter posto a minha mãe? O nome dela Oshizo san, a Senhora tranquila e porque ela queria que eu me pareça com ela, que tem a voz Mansa como água do recato e leve com barragem de tardinha. 

Yuki: Eu gostava de me chamar rouxinol ou gorrião e cantar de dia e noite como eles cantam. 

Yuki: E o final é que estou a recortar peixes de papel e tão silenciosa como eles? 

Irmão 1: Yuki! Onde estás, onde te escondeste? 

Yuki: Que tontos são os rapazes, cuidado. 

Yuki: Olhem que rasga o papel, eles ficam sem carpas. 

Irmão 2: Sempre disse só a nossa irmãzinha Yuki seria capaz de fazer maravilhas destas? 

Irmão 3: Não haverá na cidade, quatro capas estão magnificas, como as nossas. 

Irmão 2: Yuki és a Pérola das irmãs. 

Yuki: E os meus 4 irmãozinhos, os 4 rapazes mais tontos do Japão. 

Irmão 2: Deixa-me escolher a minha carpa. Eu quero a vermelha. 

Irmão 4: A minha é a azul. 

Irmão 3: Não azul é para mim, tu ficas com amarelo. 

Irmão 4: Não quero essa gosto da azul. 

Irmão 4: Escolhe tua, verde. 

Irmão 2: Pronto fico eu com a amarela. 

Irmão 2: Onde está nossa mãe Yuki? 

Yuki: Naturalmente, é combinar um jantar da manhã. 

Irmão 3: Bem-bom jantar de festa, o que será Yuki tu sabes diz. 

Yuki: Guloso, parece-me que eu vi a mãe falarem sopa de algas. 

Irmão 3: Eu gosto e depois? 

Yuki: Depois raízes tenras de lótus em geleia, lagostins grelhados. 

Irmão 4: E que mais? 

Yuki: Disse que os meus irmãos eram os 4 rapazes mais tantos do Japão agora, de que são os 4 maiores guloso, vão ficar gordos, gordos, gordos, como os lutadores que mais que mais que o mais, talvez por ser um dia grande festa. 

Yuki: O nosso pai dê licença beber uma gota uma. 

Yuki: Gotinha só de vinho de arroz? 

Irmão 4: E porque é dia de festa. 

Irmão 4: Não precisamos de ir à escola. 

Yuki: Como pode estar contente a dizer uma coisa dessas? 

Yuki: Aí se eu estivesse no teu lugar? 

Irmão 3: Falas assim porque não vais lá. Fazes ideia do que seja aprender a desenhar mais de 3000 caracteres do alfabeto. 

Irmão 4: E desenhamos a perfeito. 

Irmão 2: Sem deixar que o pincel e tinta de mais, nem de menos. 

Irmão 2: Um verdadeiro suplício irmãzinha. 

Yuki: Mesmo assim, quem me dera andar na escola com vocês? 

Irmão 4: As raparigas não precisam de aprender essas coisas. 

Yuki: É porque não? 

Irmão 4: Porque são raparigas está claro. 

Yuki: Não é justo. Os rapazes têm todos os direitos, falar alto, correr e saltar, andar na escola e ainda por cima ter uma festa só para eles, como a de manhã. 

Yuki: Fui eu quem recortou as carpas e afinal, nenhuma delas me pertence. Porquê? 

Irmão 4: As carpas são o nosso modelo, porque são peixes muito corajosos, fortes e ágeis capazes de nadar contra a corrente do Rio e de vencer todos os obstáculos. É com elas que nós, os rapazes, nos devemos parecer. 

Yuki: E eu também sei vencer dificuldades. 

Irmão 4: Deixa disso, irmãzinha, as Meninas são bem mais bonitas do que as carpas. 

Irmão 4: Contenta-te ser expressiva com um peixinho dourado como estes que nada na água do Lago. 

Irmão 4: Além disso, há no Japão à muitas outras festas próprias para as raparigas? 

Irmão 4: É festa das bonecas, por exemplo. 

Irmão 4: E a das ameixoeiras em Flor. 

Irmão 4: Em todas elas, pode estrear um quimono pintado ou bordado.  

Irmão 4: Para mim a festa mais divertida é o meu memamaki, Sim aquela em que a gente atira como mãos cheias de ervilhas para casa e grita 

Irmão 1,2,3,4:  A riqueza que entre e o diabo que saia. 

Yuki: Pois sim, mas eu acho. 

Yuki: Que também devia ter direito a uma carpa. 

Yuki: Uma linda carpa recortada em papel macio como cetim. 

Yuki: E muito branco. 

Yuki: Porque Yuki quer dizer neve. 

Irmão 4: É assim, as nossas carpas nunca mais ficam prontas. R amanhã chega depressa. 

Irmão 3: amanhã chega depressa. 

Yuki: Pois então vão-se todos já embora daqui e deixa-me trabalhar sozinha a minha vontade. 

Narrador: No dia seguinte, ao entardecer ser e o que foi sentar-se no Jardim? 

Yuki: Pronto acabou a festa, os meus irmãos brincaram, comeram coisas boas e fizeram subir ali no mastro as suas carpas de papel. 

Yuki: Que baloiçam ao vento, como se nadasse no Rio. 

Yuki: Uma, duas, três, quatro. 

Yuki: Só não entendo o que que não pode haver outra, a minha carpa. 

Yuki: A carpa de Yuki. 

Yuki: Mas ninguém me sabe responder. 

Yuki: O pai que é bom e amigo pensa aquilo mesmo que o meu irmão mais velho disse. 

Yuki: Que as meninas devem ficar em casa enquanto os rapazes vão à escola, a mamãe, que é meiga e silenciosa, essa não diz nada, foi educada assim, acha que assim é que está certo que sempre assim foi sempre assim, será? 

Yuki: Ninguém poderá responder às minhas perguntas, nem o vento. 

Yuki: Quem sabe, talvez uu não desse a resposta. 

Yuki: Vento, vento ligeiro que embalas as cerejeiras em flor e baloiças as carpas de papel, diz me tu se Yuki poderá ir algum dia mais longe do que este jardinzinho de bonecas. 

Yuki: Estás zangado vento? 

Yuki: Porque principiante de repente a superar com tanta força. 

Yuki: Responde vento, mas porque sobras assim tão forte, não rasgues as carpas de papel que eu recortei para os meus irmãos. 

Yuki: Arrancaste a carpa amarela, vento mau porque fizeste isso? 

Yuki: Pois, não serás mais teimoso do que eu, não deixarei que leves contigo, ei de apanhá-la, ei de apanhar a carpa amarela. 

Yuki:Ei de agarrá-la. 

Senhora Jackson: Que dia terrível, pobre gente, como em poucos minutos o Tufão lhes devastou sementeiras, lhes destruiu as habitações. 

Susaninha: Ai é horrível pensar quantas pessoas perderam tudo quanto possuíam. 

Senhor Jackson: E até mesmo quantas perderam a vida. 

Senhora Jackson: No hospital os feridos entravam às centenas. 

Senhora Jackson: Mas dou graças a Deus pelo meu diploma de enfermeira. 

Senhora Jackson: Pude assim ajudar um pouco os que sofrem. 

Senhor Jackson: E louvado seja Deus também, porque não deixou apagar no coração dos homens o amor pelos seus irmãos? 

Senhor Jackson: Visto como logo acudiram voluntários para socorrer as vítimas. 

Senhor Jackson: E trazendo arroz e mantimentos. 

Senhor Jackson: Os piores momentos estão passados assim. 

Senhora Jackson: Para, Victor está ali uma pessoa caída na estrada. 

Senhor Jackson: É uma criança japonesa. 

Senhora Jackson: Estará viva? 

Senhor Jackson: Sim, eu acho que sim, acho. 

Senhor Jackson: Resta saber se terá ferimentos graves. 

Senhora Jackson: O Tufão deve tê-la apanhado no caminho. Coitadinha foi atirada ao chão e perdeu os sentidos. 

Senhor Jackson: Voltamos para o hospital? 

Senhora Jackson: Não creio que seja necessário, de resto, feridos já lá de sobra e nós agora estamos mais perto da nossa casa do que da cidade. Levamo-la connosco. 

Senhor Jackson: Chegamos, como está pequena? 

Senhora Jackson: Sempre sem dar acordo de si, mas o pulso bate um pouquinho mais forte, enquanto eu vou deitá-la, por favor, arranja-me algumas botijas de água quente. Sim, é muito tarde para acordar. Saitou, o cozinheiro? 

Senhor Jackson: Então como está ela? 

Senhora Jackson: Dorme, mas deve ter febre? 

Senhora Jackson: Vou colocar sobre a testa umas compressas frias. 

Senhor Jackson: Estás Cansadíssima Sara devias ir deitar-te. 

Senhor Jackson: Vá eu fico junto dela. 

Senhora Jackson: Não, deixa-me ficar a mim quando penso que a nossa Suzaninha podia ter acontecido o mesmo. 

Senhor Jackson: Felizmente, a nossa casa é sólida e não como tantas dessas casinhas japonesas feitas de bambu e de papel que um sopro arrasta. 

Senhor Jackson: E a nossa filha dorme tranquilamente no quarto ao lado. 

Senhor Jackson: Mas tens razão, Sara. 

Senhor Jackson: Cuidemos desta criança como fosse ela. 

Senhor Jackson: Quem sabe o que será feito dos pais a esta hora? 

Senhora Jackson: Estás melhorzinha? 

Senhor Jackson: Não a canses Sara. 

Senhora Jackson: Naturalmente, nem sequer nos compreendes, só deve falar japonês. 

Senhora Jackson: Língua que eu ainda não aprendi, felizmente que tu na tua qualidade de consumo do nosso país, sabe o suficiente para entenderes. 

Senhor Jackson: É cedo ainda para isso? 

Senhor Jackson: Quando ela se sentir um pouco mais forte, veremos então se é possível saber qualquer coisa a seu respeito. 

Suzaninha: Minha mãe. 

Senhora Jackson: Xiu, não faças barulho Suzaninha, a menina está a dormir. 

Suzaninha: Está fazendo o o? 

Senhora Jackson: Está, vamos lá para fora devagarinho nas pontinhas dos pés. 

Senhora Jackson: Vítor, a pequena acordou e já fala, eu é que não percebo, vai na tua ao pé dela sim. 

Senhor Jackson: Está bem, eu vou lá já. 

Senhora Jackson: Então o que, disse ela? 

Senhor Jackson: Pouca coisa. 

Senhora Jackson: Não sabe como se chama, não se lembra onde mora, nem quem são os pais. 

Senhor Jackson: Deve ter sofrido uma comoção muito forte ao bater com a cabeça. 

Senhor Jackson: Esperemos que melhoram com o tempo eu, entretanto, procurar informações junto às autoridades, tentar saber se haverá notícia de qualquer criança desaparecida. 

Senhor Jackson: Mas receio bem que não seja fácil. 

Senhor Jackson: Boa noite de sono. 

Senhora Jackson: Boa noite, já soubeste alguma coisa acerca da pequena? 

Senhor Jackson: Nada, infelizmente, grande parte da cidade e muitas aldeias dos arredores ficaram destruídas. 

Senhor Jackson: E os habitantes ou morreram na catástrofe ou partiram para outros pontos do país? 

Senhora Jackson: Valha-nos Deus. 

Senhor Jackson: Não me foi possível encontrar o rasto da família a quem a garota pertence. 

Senhora Jackson: Nesse caso, ficaremos com ela, ensinamos a falar a nossa língua e seja o que Deus quiser. 

Senhor Jackson: Saitou o nosso cozinheiro servirá de intérprete quando eu não estiver em casa. 

Senhor Jackson: E a pouco e pouco, ela aprenderá os nossos costumes e será educada com uma Suzaninha. 

Senhora Jackson: Nem sequer sabemos o seu nome. 

Senhora Jackson: Olha chamemos lhe Rosa Chá ela é tão delicada como uma flor e tem um tom de pele que é semelhante à cor do chá. 

Senhor Jackson: Pois fica então Rosa Chá. 

Suzaninha: Rosa Chá, Rosa Chá. 

Rosa Chá(Yuki): Que foi menina bonita. 

Suzaninha: A Suzaninha gosta muito de rosa chá, é bonita, é amiga. 

Rosa Chá(Yuki): É amiga, é assim. 

Senhora Jackson: É um amor, esta pequena tão meiga, tão ajuizada, tão cuidadosa. 

Senhor Jackson: E a nossa filha segue lhe os espaços por toda a casa. 

Senhora Jackson: Podemos entregar-lhe com toda a confiança? 

Senhora Jackson: Que pena nunca mais ter recuperado a memória. 

Senhor Jackson: Apesar disso, é muito inteligente. 

Senhor Jackson: Aprendeu com a melhor pessoa, irá na nossa língua e já fala melhor do que o cozinheiro que está a vários meses connosco. 

Senhora Jackson: É muito novinha habituou se logo. 

Senhora Jackson: Suzaninha vem lanchar, Rosa chá traz a Suzaninha sim. 

Suzaninha: A Suzaninha quer papar, quer leitinho. 

Senhora Jackson: Sim leitinho muito bom. 

Senhora Jackson: Beba tudo até o fim e tu Rosa Chá queres um copo de leite gelado. 

Senhor Jackson: Talvez ela prefira provar laranjada? 

Senhor Jackson: Queres disto Rosa Chá? 

Rosa Chá(Yuki): Sim Senhor me dá eu quero. 

Rosa Chá(Yuki): É engraçado. 

Rosa Chá(Yuki): Salta a Tampinha, cor prata e faz assim. 

Rosa Chá(Yuki): E depois água cor de mel salta no copo como peixe vivo. 

Senhor Jackson: Sim Senhor, Bela comparação. 

Senhor Jackson: Bebe rosa chá é muito bom, sabe? 

Senhora Jackson: Não gostaste?  

Rosa Chá(Yuki): Sim, mas faz comichão na ponta da língua e dentro do nariz. 

Senhora Jackson: É do gasoso vais ver que depereça costumas. 

Suzaninha: Dá Rosa Chá a Suzaninha quer. 

Rosa Chá(Yuki): Agora não é menina, cor-de-rosa, azul e dourada, tem de beber o seu leitinho todo. 

Senhora Jackson: Como é que tu chamas a Suzaninha? A menina Cor-de-rosa, azul e dourada? 

Rosa Chá(Yuki): Sim, porque ela é cor-de-rosa, como um pêssego maduro duro. 

Rosa Chá(Yuki): Tem os olhos azuis. 

Rosa Chá(Yuki): E os cabelos Dourados? 

Senhora Jackson: Loiros menina Cor-de-rosa, azul e dourada ou Rosa Chá. 

Senhora Jackson: Como tu foste capaz de descobrir um nome tão lindo para a minha filha? Muito obrigada, dá cá um beijo. 

Senhora Jackson: Sabes Victor? Cada vez gosto mais da nossa Rosa Chá, estímulo tanto como se ela fosse a nossa filha mais velha. 

Senhora Jackson: Mas, apesar de tudo bem, gostaria de ver outra vez junto da família. 

Senhor Jackson: Que ainda existir. 

Senhora Jackson: Dizes bem se ainda existir? 

Senhora Jackson: Será possível recebê-lo alguma vez, voltará a própria pequena recuperar a, memoria que perdeu. 

Senhor Jackson: Um médico que observou diz que tudo é possível, mas nada pode garantir. 

Senhora Jackson: Visto que não podemos ter uma certeza tenhamos pelo menos uma esperança. 

Narrador: O que irá acontecer a Yuki a menina que não sabe quem é? 

Narrador: Se o querem saber oiçam na próxima semana, o segundo episódio desta história. 

Narrador: Emissora nacional acaba transmitir para os seus pequenos ouvintes primeiro episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares é menina sem nome, produção de Maria Madalena Patacho. 

Áudio 2

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Maria Isabel Mendonça Soares

Produção: Maria Madalena Patacho

Narração: Maria Madalena Patacho

 

Data de Transmissão: 20/10/1972

Transmitido por: Emissora Nacional

Programa: Meia Hora de Recreio

 

Registo de Som: Manuel Marques

Montagem: João Silvestre

Capa do Áudio: Bruno Leal

 

Link de referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos

Yuki: Francisca Maria

Senhora Jackson: Maria Schultz

Senhor Jackson: Rui Ferrão

Suzaninha: José Manuel

Senhora: Maria de Brito Malta

Criança: Milusha

Primeira convidada: Maria Antónia

Segunda convidada: Maria Amélia

Saito (cozinheiro): Alexandre Vieira

Guarda do Parque: Mário Manuel

Narrador: Meia hora de Recreio para os pequenos ouvintes da emissora nacional. Hoje vão escutar o segundo episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome. 

Narrador: Personagens: Yuki, Francisca Maria, a Senhora Jackson, Maria Schultz, o Senhor Jackson, Rui Ferrão, Suzaninha, José Manuel, uma Senhora, Maria de Brito Malta, uma criança, Milusha. 

Narrador: A primeira convidada, Maria Antónia, a segunda convidada, Maria Amélia. 

Narrador: Saito, o cozinheiro, Alexandre Vieira, o guarda do Parque, Mário Manuel. 

Narrador: Registo de som de Manuel Marques, montagem de João Silvestre, produção de Maria Madalena Patacho. 

Narrador: Vamos dar o resumo do episódio anterior. 

Narrador: Yuki era uma menina japonesa que sonhava andar na escola com os seus 4 irmãos. 

Narrador: Porém, naqueles tempos antigos isso não era costume. 

Narrador: No dia da Festa dos rapazes, um Tufão destruiu grande parte da pequena cidade onde Yuki morava e a menina que fora correr atrás de uma carpa amarela recortada em papel que o vento levava foi surpreendida pelo temporal e caiu batendo com a cabeça. 

Narrador: Um casal de estrangeiros encontrou-a e levou para a sua casa. Mas Yuki, em consequência da pancada perdeu a memória, esqueceu-se até mesmo do seu próprio. 

Narrador: Deste modo, e apesar de todos os esforços, o senhor e a Senhora Jackson não conseguindo encontrar. 

Narrador: A família da pequena, resolveram tomar conta dela e puseram-lhe o nome de Rosa Chá. 

Senhora Jackson: Rosa Chá. Queres ajudar-me a apanhar flores?   

Yuki: Quero, sim. 

Senhora Jackson: Olha, então, por favor, pega me no cesto enquanto eu vou cortando, crisântemos para pôr nas jarras. 

Senhora Jackson: Amanhã faz anos a Suzaninha e havemos de ter a casa muito linda para a festa. 

Yuki: Senhora. Deixa-me sozinha enfeitar a casa. As flores trazem felicidade e eu quero dar muita felicidade a menina cor-de-rosa, azul e dourada. 

Senhora Jackson: Está bem, Rosa Chá, dou-te licença para enfeitar ao teu gosto a jarrinha de seu quarto. 

Senhora Jackson: Podes apanhar as flores que quiseres, olha, talvez destas que são miúdas e leves. A Suzaninha também é pequenina. 

Senhora Jackson: A quanto tempo estava pequena armar flores. Então tão Rosa Chá, já acabaste? 

Yuki: Quase. Sim, agora está enfeitada a jarra da menina, cor-de-rosa, azul e dourada. 

Senhora Jackson: Oh que linda, que ficou Rosa Chá és uma fada. Quem te ensinou a fazer maravilhas destas? 

Yuki: Não me lembro. 

Yuki: Só sei dizer que aprendi todas as maneiras de arranjar as flores. são muitas, muitas. 

Yuki: E todas elas diferentes, umas das outras. 

Senhora Jackson: Meu deus, como estes japoneses e de quão bem as raparigas, escuta Rosa Chá queres enfeitar também as jarras da sala? 

Yuki: Aí sim. 

Yuki: Deste modo a felicidade, vai descer sobre toda casa. 

Senhor Jackson: Mas o que faz a Rosa Chá ajoelhada no tapete da sala? 

Senhora Jackson: Está a enfeitar as jarras para a festa de amanhã. 

Senhora Jackson: A pequena é uma verdadeira artista, mas leva horas e horas até que tudo fique pronto. 

Senhora Jackson: E Deus sabe se os primeiros convidados ao chegarem amanhã para o chá não irão encontrá-la ainda ajoelhada no chão a escolher flores. 

Senhora Jackson: Olha, mas seja como for, valerá bem a pena. 

Senhora: Muitos parabéns Suzaninha. 

Senhora Jackson: Vamos Suzaninha, diga muito obrigada a esta Senhora. 

Suzaninha: Obrigada. 

Senhora: Toma, isto é para ti. 

Suzaninha: Um presente? 

Senhora: Sim desembrulho e vê se gostas. 

Senhora Jackson: Ah, uma boneca Suzaninha que bonita. 

Suzaninha: Olha tá dormir. Agora abre os olhos. 

Criança: Parabéns, Suzaninha. Toma. 

Suzaninha: Outro presente? Uma bola. 

Senhora Jackson: Bem vai brincar com os teus amiguinhos. 

Senhora Jackson: Suzana sim. 

Senhora: Oh, mas que beleza estão as suas jarras, minha amiga, quem dera ter a sua habilidade para arranjar a flores. 

Senhora Jackson: Eu não. Tudo visto, é obra da Rosa Chá possui mãos de fada, aquela pequena. 

Senhora: Realmente é uma verdadeira artista. 

Senhora Jackson: É um encanto de doçura e simplicidade. 

Senhora: Nunca souberam nada acerca da família. 

Senhora Jackson: Infelizmente nada e a pobre criança continua completamente esquecida do seu verdadeiro nome. 

Senhora: Foi uma grande generosidade sua e do seu marido terem tomado conta dela. 

Senhora: Qualquer outra pessoa telaria internado no orfanato. 

Senhora Jackson: Oh não, de maneira nenhuma, só se todo em todo não pudéssemos fazer outra coisa, mas enquanto for possível Rosa Chá ficará connosco. 

Senhor Jackson: Bravo Suzaninha e tantos presentes. 

Suzaninha: Olha papá um carrinho para a boneca. 

Senhor Jackson: Há muito bonito. Sim, senhor, é muito bonito. Já podes levar a boneca a passear ao jardim. 

Suzaninha: E pratinhos para ela papar a sopa. Olha. 

Senhor Jackson: Bem vejo, bem vejo e mais um arco maior do que tu. 

Senhor Jackson: Ah, é um triciclo de ferro. 

Senhora Jackson: Até parece uma aranha. 

Suzaninha: E Livros. Muitos, mamã, lê aqui. 

Senhora Jackson: Uma história, ah, mas já é muito tarde minha filha, agora são horas de dormir. 

Senhor Jackson: Claro. 

Suzaninha: A boneca está a dormir, mas a Suzaninha não quer. 

Suzaninha: Uma história, mama sim? 

Senhora Jackson: Bem, só uma, depois a Suzaninha vai para cama. 

Suzaninha: Sim senta Rosa Chá a mamã lê a história num livro. 

Senhora Jackson: Senta te aqui nesta almofada Rosa Chá, então vamos lá a história. 

Senhora Jackson: Qual a de ser? 

Senhora Jackson: Esta é dos 3 ursinhos.  

Suzaninha: Sim esta. 

Senhora Jackson: Era uma vez uma menina que andava a passear na floresta, mas perdeu-se e já não sabia o caminho. 

Senhora Jackson: Quando encontrou uma casinha, empurrou a porta e entrou. Lá dentro havia uma mesa e 3 cadeiras, uma cadeira muito grande, uma cadeira assim, assim e uma cadeira muito pequenina. 

Senhora Jackson: E o pai Urso perguntou com uma voz muito grossa, quem se deitou na minha cama? E a mãe Ursa perguntou com uma voz assim, assim. 

Senhora Jackson: Quem se deitou na minha cama? 

Senhora Jackson: E Ursinho porque nem no perguntou com a sua vozinha fininha, quem se deitou na minha cama e ainda lá está? 

Senhora Jackson: Então a menina que estava a dormir na cama pequenina do Ursinho pequenino, acordou e deitou a fugir. 

Senhora Jackson: Pronto acabou-se a história. 

Suzaninha: E depois? 

Senhora Jackson: Depois da menina, fugiu e os 3 ursinhos foram dormir. 

Senhora Jackson: Como a Suzaninha, vai dormir também. 

Suzaninha: Não, outra história mamã. 

Senhora Jackson: Não senhor, vão todos dormir os 3 ursinhos, a Suzaninha e a Rosa CHá. Vens Rocha Chá? 

Yuki: Senhora aqui no livro são letras? 

Senhor Jackson: Pois são, as histórias escrevem se com letras. 

Yuki: E a Senhora, sabe ler? 

Senhora Jackson: Então não me ouviste? 

Yuki: Na sua terra, as senhoras vão à escola? 

Senhora Jackson: Claro que sim, isto é, foram quando eram meninas. 

Yuki: Ah e a menina cor do rosa, azul e dourada também vai? 

Senhor Jackson: Suzaninha é muito pequenina por enquanto, mas daqui a 3 ou 4 anos há de ir para a escola como toda a gente. 

Yuki: Como toda a gente. 

Suzaninha: Anda, anda Rosa Chá a mamã diz que vamos dormir também, como os ursinhos. 

Yuki: Como toda a gente. 

Senhor Jackson: Ah és tu Sara. 

Senhor Jackson: Tão cedo e já andaste a fazer compras, vens carregada de embrulhos. 

Senhora Jackson: Imagina onde fui, não adivinhas? 

Senhor Jackson: Eu Não. 

Senhora Jackson: Ao caminho das chaleiras. 

Senhor Jackson: Onde? 

Senhora Jackson: Aquela rua cheia de lojas onde se vendem as mais variadas peças de louça de cobre e de bronze destinadas à cerimônia do chá. 

Senhora Jackson: Vê. 

Senhora Jackson: O bule. 

Senhora Jackson: A chaleira, uma espécie de fogueiro pequenino, chavezinhas sem asa de porcelana quase transparentes. 

Senhor Jackson: Vais então brincar aos jantarinhos, não é? 

Senhora Jackson: Não sejas trocista Vítor, comprei tudo isto para oferecer às minhas amigas um chá à moda do Japão. 

Senhor Jackson: E quem faz esse chá especial. 

Senhora Jackson: O Saito o nosso cozinheiro. Vou chamá-lo, Saito. Saito. 

Saito: Senhora chamou Saito? 

Senhora Jackson: Chamei. Vais fazer-me um chá à moda japonesa para oferecer às senhoras estrangeiras Chá no Yu. 

Senhora Jackson: A cerimônia do chá não é como se diz? 

Saito: Não, Senhora, não. 

Senhora Jackson: Não? 

Saito: Chá no Yu é a cerimónia muito delicada para as feias mãos de Saito. Não, não. Só mãos de flor, só mãos de ceda podem ser dignas de Chá no Yu. 

Senhora Jackson: Saito com á de ser agora, os convites estão feitos, as senhoras vão chegar e final não haverá Chá no Yu. 

Yuki: Senhora, senhora. 

Senhora Jackson: O que é que é que tu queres Rocha Chá? 

Yuki: Eu sei como é, Senhora. 

Senhora Jackson: Tu? Sabes realmente? 

Yuki: Sim, tenho as mãos pequeninas e leves. 

Yuki: Parece-me que posso fazer bem o Chá no Yu. 

Senhora Jackson: És um amor Rosa Chá. Se tu não existisses, seria preciso inventar-te, sabes tudo na perfeição. 

Segunda Convidada: Como está minha querida Sara? 

Senhora Jackson: Bem, muito obrigada. Faça favor de entrar. 

Segunda Convidada: Oh, não me digam que sou a última a chegar, desculpem me. 

Primeira Convidada: A Sara teve a ideia original de nos oferecer um verdadeiro chá japonês. 

Segunda Convidada: Mas que interessante, mas como aprendeu a fazê-lo, dizem que é complicadíssimo. 

Senhora Jackson: Parece que sim, mas ficaremos a sabê-lo dentro em pouco. 

Senhora Jackson: A Rosa Chá vai prepará-lo para nós. 

Senhora Jackson: Com todo o rigor. 

Narrador1: A Rosa Chá? A vossa pequena protegida. 

Senhora Jackson: A nossa amiga em Rosa Chá, ou melhor, a nossa filha japonesa queres principiar Rosa Chá? 

Yuki: Sim Senhora. 

Senhora Jackson: Parece que esta cerimónia exige muito silêncio, é curioso. 

Senhora Jackson: Creio que é preciso escutar 75 gestos diferentes com a maior delicadeza e lentidão. 

Senhora Jackson: As mãos da pequena. 

Senhora Jackson: Movem-se com a suavidade entrançadora. 

Primeira Convidada: Olhem, creio que terminou. 

Primeira Convidada: Rosa Chá deite o chá numa das chávenas. 

Primeira Convidada: E levanta-se para o vir oferecer? 

Suzaninha: Mamã olha a minha bola, Rosa Chá, anda brincar, apanha a Bola. 

Senhora Jackson: Tem cuidado minha filha. 

Senhora Jackson: Ó meu Deus, meu Deus, Aí meu Deus.  

Primeira Convidada: Se não é a pequena japonesa, a Suzaninha caia sobre o fogareiro que horror. 

Senhora Jackson: Minha pobre Rosa Chá, salvaste a minha filha, mas em que estado ficaram as tuas mãos. 

Segunda Convidada: Ora todas queimadas com chá a ferver  

Senhora Jackson: Deixam me tratá-las. 

Senhora Jackson: Doem te muito, com certeza. 

Yuki: Um bocadinho. 

Segunda Convidada: As tuas mãozinhas de flor as tuas, mãozinhas douradas tão inchadas, tão empoladas e vermelhas. 

Senhor Jackson: Então filha, como estão as tuas mãos Rosa Chá? 

Senhor Jackson: Tens ainda muitas dores? 

Yuki: Agora já doem menos muito agradecido. 

Senhora Jackson: Queridinha, nós não temos palavras para te agradecer o que fizeste pela nossa filha, o senhor Jackson e eu queremos dar-te uma prova da nossa gratidão. Diz nos aquilo que mais gostavas de ter e nós faremos de tudo para realizar o teu desejo. 

Yuki: A primeira coisa. A maior. Aquela que eu mais gostava. 

Yuki: Era encontrar a minha família, mas já sei que não é fácil. E por isso, não a peço. 

Yuki: A segunda coisa era. 

Senhora Jackson: O quê? Diz, filha diz 

Yuki: Era aprender a ler o que dizem livro. Pode ser? 

Senhora Jackson: Ó minha querida. 

Senhor Jackson: Muito bem. 

Senhor Jackson: Uma vez que assim o queres aprenderás a ler. 

Senhor Jackson: Mas só há uma dificuldade. 

Senhor Jackson: Só há uma dificuldade. 

Senhor Jackson: Nas escolas japonesas não aceitam raparigas bem sabes. 

Senhor Jackson: Mas como tu vives connosco e és nossa amiga, enfim, talvez não te importas de aprender a ler e a escrever a nossa língua, queres? 

Yuki: Ah sim. Quero. Quero. 

Senhora Jackson: Eu mesma te darei lições todos os dias. 

Yuki: Pode ser agora, já? 

Senhora Jackson: Mas não está cansada? 

Yuki: Não. Eu agora já estou quase boa outra vez. 

Senhora Jackson: Tá bem. 

Senhora Jackson: Vou buscar um livro de histórias da Suzaninha. 

Yuki: Ca-Sa. Me-Ni-Na. Bo-neca. Flor 

 Yuki: Viste Saito, eu já sei ler. 

Saito: Nunca se viu. Nunca se viu. 

Senhor Jackson: Bravo Rosa Chá. 

Senhor Jackson: Aprendeste a ler muito depressa? 

Yuki: A escrever é pior, leva mais tempo. 

Senhora Jackson: Não hás de aprender tão bem como a leitura simplesmente não pudeste começar a aprender a escrever ao mesmo tempo, porque ainda tinhas as mãos doentes, agora que já tiraram as ligaduras, podes movê-las bem, verás como fazes progressos. 

Senhor Jackson: Quem quer vir hoje dar um passeio de automóvel. 

Suzaninha: Eu. Eu. A Rosa Chá também. 

Senhora Jackson: Pois claro, queres vir, não queres? 

Yuki: Eu quero sim. Muito obrigada. 

Senhora Jackson:E onde eu passeio pode saber se ou é surpresa. 

Senhor Jackson: Ora, vamos visitar o parque de Nara, que foi a mais antiga capital do Japão. 

Senhor Jackson: É um lugar maravilhoso, como dizem. 

Senhor Jackson: Possui árvores com muitos séculos de existência, belos templos majestosos e tu Suzaninha vais gostar muito de dar de comer aos veados e as corças manssinhas. 

Suzaninha: Onde estão os veadinhos eu dou de comer aos veadinhos. 

Senhora Jackson: Já vais vê-los mais logo agora espera, anda pôr o chapéu. 

Senhor Jackson: Ainda uma outra surpresa? 

Senhor Jackson: Mas esta é só para Rosa Chá. 

Senhor Jackson: Vá. Aqui tens, desembrulha e diz me se gosta. 

Yuki: Um lápis de prata, como do senhor Jackson. 

Senhora Jackson: Não é exatamente um lápis, nem é prata, é uma lapiseira prateada. 

Yuki: Muito linda, muito obrigada. 

Senhor Jackson: Como agora já sabe escrever muito bem, pensei que devias precisar de uma lapiseira que fosse do mesmo tamanho. 

Yuki: Aí que bom, para mim será sempre o meu lápis de prata. 

Senhora Jackson: Nas histórias dos livros que já és capaz de ler aparecem fadas com uma varinha de prata na mão. 

Senhora Jackson: Quem sabe lá se esta lapiseira não será a tua varinha mágica. 

Senhor Jackson: Bom, nós estamos prontas. Vá, então vamos. 

Senhor Jackson: Ora cá estamos. 

Senhora Jackson: É maravilhoso que árvores tão altas e tão bonitas com o tronco forrado de musgo devem ser vítimas, com certeza. 

Senhor Jackson: Chamam-se criptomérias e têm muitos séculos. 

Suzaninha: Eu quero dar de comer aos veadinhos. Onde estão os veadinhos? 

Senhor Jackson: Olha lá vamos espera. Espera. 

Senhor Jackson: Diz me uma coisa Rosa Chá? 

Senhor Jackson: Lembras te por acaso e que ter vindo passear alguma vez? 

Yuki: Não. Tenho a certeza de que não nunca vi estas árvores, nem aqueles templos. 

Yuki: Ao mesmo tempo, não sei, é esquisito, parece-me. 

Yuki: Que vai acontecer, qualquer coisa muito boa. 

Senhora Jackson: Não estejas agora a pensar mais nisso. 

Senhora Jackson: Olha que coisa tão engraçada já viram aquele arbusto ali ao pé do templo? Tem os ramos cheios de laçarotes de papel. Muito gostava de saber o que quererá aquilo dizer? 

Senhor Jackson: Bom, mas não fiques sem resposta, porque aí temos um guarda do parque. Podemos perguntar. 

Senhor Jackson: Muita boa tarde. 

Guarda do Parque: Boa tarde 

Senhor Jackson: É, é muito bonito este parque. 

Guarda do Parque: Com sim senhor, muito bonito e muito antigo. 

Senhora Jackson: Olhe, mas digam-me, por favor, eu estou cheia de curiosidade de saber para que servem todos aqueles lacinhos de papel. Atados aos ramos daquela planta. 

Guarda do Parque: É um costume antigo, tão antigo como parque, certo? 

Guarda do Parque: As raparigas desta Terra para quem os pais não conseguiam encontrar um noivo, mandam escrever o seu nome a sua morada num papel dobram muitas vezes até ficar da largura de uma fita e enfeitam com ele, as árvores próximas do templo? 

Guarda do Parque: Os deuses bons ao de fazê-las felizes. 

Senhora Jackson: Muito interessante. 

Senhor Jackson: Um costume bastante curioso. 

Suzaninha: Olha pai, um veadinho. 

Yuki: Tão manssinho. 

Yuki: Está a lamber-me as mãos. 

Senhora Jackson: Julga que trazes comida. 

Suzaninha: Eu quero dar comida ao um veadinho. 

Senhora Jackson: Podemos realmente ter trazido qualquer bolo. 

Senhora Jackson: Ah, esquecemo-nos disso. Agora quem irá calar a Suzaninha. 

Guarda do Parque: Além vendem-se bolachas, minha senhora, posso ir comprar se os senhores desejam. 

Senhor Jackson: Muito obrigado, muito obrigado. Me ensinaram também nós próprios vamos até lá e serve de passeio sabe. 

Guarda do Parque: É muito perto daqui.  

Senhor Jackson: Obrigado. 

Yuki: Não quer achar um noivo. 

Yuki: Eu quero achar o meu pai e minha mãe. 

Yuki: Eles mandam escrever o seu nome no papel, porque não sabem escrevê-lo. 

Yuki: Mas eu sei. 

Yuki: Eu tenho um lápis de prata. 

Yuki: Só não tenho papel. 

Yuki: Julguei que fosse uma folha trazida pelo vento, e que me bateu na cara. 

Yuki: É um bocado de papel. Amarelo. O vento. 

Yuki: O papel voar. 

Yuki: Onde é que eu vi uma coisa assim parecida? 

Yuki: Não sei, não tenho agora tempo para pensar. 

Yuki: O mais importante escrever tu pressa depressa antes que você não senhor e a senhora Jackson voltem. 

Yuki: Haviam de rir se de mim, diziam que era patetice acreditar em histórias destas. 

Senhora Jackson: Ora aqui tens as bolachas de Suzaninha, contanto que o veadinho ficasse ainda a nossa espera. 

Suzaninha: Ficou ficou. 

Suzaninha: Convidaste a ocasião e não deixa fugir. 

Senhor Jackson: Isso é verdade. 

Senhor Jackson: Não tinha reparado que ela não veio connosco. 

Senhora Jackson: Creio que a pequena se sente impressionada com qualquer coisa relacionada com este lugar. 

Senhora Jackson: Recordar-lhe á o passado? 

Senhor Jackson: Acho melhor, não insistimos mais no assunto. 

Senhor Jackson: Demos Tempo Ao Tempo. 

Senhor Jackson: Se sofreu qualquer choque à vista deste lugar já conhecido. 

Senhor Jackson: As consequências ao de manifestar-se. 

Senhor Jackson: Então Suzaninha, a Rosa Chá, soube tomar conta do teu veadinho. 

Suzaninha: Soube muito bem, ele não fugiu. Vês papá. 

Senhor Jackson: São quase 5 horas e daqui a pouco também nós temos de lanchar. 

Senhora Jackson: Aí está tão agradável neste parque tão calmo, tão silencioso. 

Senhora Jackson: Que te faz pena irmos embora ter dentro do teu barulhento automóvel. 

Senhor Jackson: Mas olhe para chegarmos aqui, foi preciso utilizar o meu barulhento automóvel, não foi? 

Suzaninha: Só mais tempo para o veadinho lanchar, sim? 

Senhor Jackson: Está bem, está bem, filha, mas depois não peças outro bocadinho de tempo para o veadinho jantar. 

Senhora Jackson: Que lindo passeio que demos esta tarde. 

Senhora Jackson: Devíamos repeti-lo mais vezes, fazia tudo bem. 

Senhor Jackson: Acredito. Assim pudéssemos fazê-lo sem preocupações, mas. 

Senhora Jackson: Mas o quê? Sucedeu alguma coisa grave? 

Senhor Jackson:Se não sucedeu já. 

Senhor Jackson: O sucederá em breve, receio bem. 

Senhor Jackson: Agora que as penas não estão aqui, o posso desabafar contigo. 

Senhora Jackson: A fala pelo amor de Deus, Victor. 

Senhor Jackson: Há nuvens negras a ameaçarem a vida serena do país do Sol nascente. 

Senhora Jackson: Uma guerra. 

Senhor Jackson: Sim infelizmente. 

Senhor Jackson: E só Deus pode saber o que os dias do futuro trazem consigo. 

Senhora Jackson: Ele nos valha a todos. 

Narrador: Como irá acabar a história de Yuki, a Rosa Chá a menina que esqueceu do seu nome. 

Narrador: Sabê-lo-ão na próxima semana, se ouvirem a Meia Hora de Recreio da emissora nacional, á hora habitual. 

Narrador: Amiguinhos. Acabaram de escutar o segundo episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome. Produção de Maria Madalena Patar. 

Áudio 3

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Maria Isabel Mendonça Soares

Produção: Maria Madalena Patacho

Narração: Maria Madalena Patacho

 

Data de Transmissão: 27/10/1972

Transmitido por: Emissora Nacional

Programa: Meia Hora de Recreio

 

Registo de Som: Moreira de Carvalho

Montagem: João Silvestre

Capa do Áudio: Bruno Leal

 

Link de referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos

Carteiro: Fernando Cohen

Soldado: Carlos Fernando

Senhor Jackson: Rui Ferrão

Koraby: Manuel Inácio

Mãe: Maria Brito Malta

Suzaninha: José Manuel

Mito: Mário Manuel

Yuki: Francisca Maria

Oficial: António Sarmento

Senhora Jackson: Maria Schultz

Pai: Alexandre Vieira

Locutora: Meia hora de Recreio. 

Locutora:  Um programa que a emissora nacional oferece todas as semanas aos seus pequenos ouvintes, hoje vão escutar o terceiro e último episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome. 

Locutora: Personagens: Yuki, Francisca Maria; o senhor Jakson, Rui Ferrão? 

Locutora: A Senhora Jackson, Mariah Schultz; Suzaninha, José Manuel; um oficial, António Sarmento; um soldado, Carlos Fernando; Mito, Mário Manuel; o carteiro, Fernando Cohen; o Pai, Alexandre Vieira; a Mãe, Maria de Brito Malta; Koraby, Manuel Inácio; Registo de Som de Moreira de Carvalho; montagem de João Silvestre; produção, Maria Madalena Patáz. 

Locutora: Resumo dos episódios anteriores. 

Locutora: Lembram-se da Rosa chá, quer dizer da Yuki? 

Locutora: Era aquela menina japonesa que tanto gostava de poder ir à escola com os seus 4 irmãos. 

Locutora: Mas nesse tempo, só os rapazes é que aprendiam a ler e estudavam. 

Locutora: Yuki tinha muita pena de que os costumes da sua Terra não autorizassem a aprender como eles. 

Locutora: Num dia de festa a festa dos rapazes para a qual e o que desenhara e recortar a 4 carpas de papel, emblemas da força e da coragem. O vento arrancou do mastro a carpa amarelo. 

Locutora: A menina correu para apanhar, mas o vento transformou-se em Tufão que destruiu a cidade e matou muitas pessoas. 

Locutora: Yuki não morreu, mas caiu, bateu com a cabeça e desmaiou. 

Locutora: Quando foi encontrada por um casal estrangeiro, tinha perdido a Memória e já não se lembrava do seu nome. 

Locutora: Foi então que os senhores estrangeiros lhe puseram o nome de Rosa Chá. 

Locutora:  Um dia Yuki, Rosa Chá, livrou-se os a minha filha dos seus novos amigos de cair em cima de um fogareiro aceso e quando a Senhora Jackson, muito agradecida e o marido lhe quiseram oferecer a prenda de que ela mais gostasse, a menina pediu que lhe ensinassem a ler e a escrever e aprendeu. Mas na língua estrangeira da Suzaninha dos pais. 

Locutora: Até que certa vez foram dar um passeio ao parque de Nara, a antiga capital do Japão e Yuki, às escondidas, escreveu algumas palavras num pedacinho de papel e… 

 Oficial: Alto! Soldados, vamos entrar no parque sagrado de Nara. 

Oficial: Deixemos junto do pártico as armas da morte e vamos suplicar aos deuses que nos deem a vida em termos. 

Soldado: Repara Mito, aquela árvore dos laços de casamento. 

Mito: Bem vejo. 

Mito: E se estivéssemos em tempo de paz, talvez colhesse um deles. 

Mito: Mas agora quem pode pensar em Felicidade? 

Soldado: Olha os deuses estão do teu lado Mito. 

Soldado: Não vês? 

Mito: O quê!? 

Soldado: Esse não será o amarelo em que o teu braço tocou sem querer e que se desprendeu do ramo. 

Soldado: Apanha-o! 

Mito: Pois seja, já agora, tenho curiosidade em saber o que dirá. 

Mito: Ó, está escrito na língua dos estrangeiros 

Soldado: Então ficamos sem saber. 

Mito: Conheço alguma coisa o suficiente para compreender, talvez. 

Mito: Não sei o meu nome verdadeiro. 

Mito: Não sei onde está a minha família. 

Mito: Chamo-me Rosa Chá. 

Mito: E moro em casa do senhor Jackson. 

Mito:  É ela! É eu tenho a certeza! 

Soldado: Ela quem? 

Mito: Yuki a minha irmãzinha Yuki? 

Mito: Em todo o Japão, é ela a única rapariga capaz de ter escrito estas palavras. 

Soldado:  Como sabes que é a tua irmã? 

Soldado: Uma rapariga a escrever? E ainda por cima em língua dos estrangeiros?  

Mito: O maior desejo dela era aprender a ler e a escrever como nós. 

Mito: Ela desapareceu misteriosamente no dia do grande tufão, que destruiu a cidade onde vivíamos. 

Mito: Por algum estranho motivo? 

Mito: Terá esquecido o seu nome e o nosso. 

Mito: Mas pode ter aprendido com os estrangeiros em casa de quem mora.  

Soldado: Mas não diz onde está. 

Mito: Não. 

Mito: Quem sabe se escreveu à pressa e não teve tempo para acabar? 

Soldado: Que vais fazer mito?  

Mito: Não sei. 

Mito: Ainda se, ao menos pudesse procurar esse tal estrangeiro em casa de quem se encontra a menina Rosa Chá. 

Mito: Mas o nosso Regimento vai partir dentro de poucas horas. 

Soldado: Podes escrever ao teu pai? 

Soldado: E pedir-lhe que procure em teu lugar? 

Mito: Tens razão, é isso mesmo que eu vou fazer antes de partir. 

Mãe: Bom dia. 

Carteiro: Bom dia, uma carta para o senhor a cudo mora aqui.  

Mãe: Sim, Senhor.  

Carteiro: Então aqui está a Carta. 

Mãe: Muito obrigada. Bom dia. 

Carteiro: Bom dia. 

Pai: Quem bateu? 

Mãe: O carteiro trouxe esta Carta para ti. 

Pai: Os que têm as tuas mãos? 

Pai: Estão a tremer como 2 borboletas ou 2 passarinhos assustados. 

Mãe: Não sei. 

Mãe: Não sei. 

Mãe: Diz-me o Coração que nesta Carta se fala da nossa Yuki. 

Pai: Não alimentes mais esperanças. 

Pai: Bem, sabes que procurámos até onde pudemos e a única coisa que foi possível saber. 

Pai: Foi que não deram entrada em nenhum hospital. 

Mãe: Sim, mas fomos obrigados a vir morar para Longe da nossa cidade. 

Mãe: E se Yuki foi encontrada? 

Mãe: Mas abre a carta por favor, sim? 

Pai: O Teu Nome Oxizo San quer dizer a Senhora tranquila, mas não parece. 

Pai: A carta é do nosso filho, Mito. 

Pai: Escuta Oxizo San. 

Pai: Mito diz que a nossa filhinha pode estar viva. 

Mãe: Como sabe ele?  

Pai: Não sabe ainda, é tudo muito confuso. 

Pai: Uma Mensagem escrita na língua dos estrangeiros no parque sagrado de Nara. 

Pai: Vou procurar Yuki. 

Mãe: Onde? 

Pai: Em casa de um senhor chamado Jackson. 

Mãe: Á, mas quem é? 

Pai: Ei de descobri! 

Mãe: Havemos de descobrir. Eu vou contigo. 

Senhor Jackson: Sara, preciso de falar contigo, é muito importante. 

Senhora Jackson: Assustas-me Victor. O que aconteceu? 

Senhora Jackson: Aí, Sara acaba de ser chamado ao nosso país. 

Senhor Jackson: O navio parte depois de amanhã. 

Senhora Jackson: E nós? 

Senhor Jackson: Vireis comigo, evidentemente. 

Senhor Jackson: Não sei o lugar que me destino, nem sequer se terei de voltar aqui. 

Senhor Jackson: Esse de qualquer forma, a situação é grave. 

Senhor Jackson: E não será prudente que tu e a nossa filha fiquem sozinhas neste país. 

Senhora Jackson:  E a Rosa chá. O que fazemos dela? 

Senhor Jackson: Há um problema. 

Senhor Jackson: A pequena japonesa, não tem família, que reconheça pelo menos. 

Senhor Jackson: Eu creio que terá de ser recebida em qualquer instituição de assistência. Eu vou tratar da casa. 

Senhora Jackson: Aí pobrezinha, como lhe havemos de dizer, é tão afeiçoada a Susana. 

Senhor Jackson: Não consegui arranjar lugar para a pequena em parte alguma. 

Senhor Jackson: Nenhuma obra de assistência pode aceitar neste momento, a única solução será levá-la connosco. 

Senhora Jackson: Deus seja louvado, custava-me tanto deixá-la. Ainda bem que as coisas se combinaram de forma a não nos depararmos dela. 

Yuki: Posso entrar, Senhora? 

Senhora Jackson: A estavas aí Rosa Chá entre a minha filha, entra. O senhor Jackson acaba de me dar uma notícia. 

Yuki: Uma notícia boa. 

Senhora Jackson: Sim, quer dizer, boa e má ao mesmo tempo, é uma notícia má, porque vai estalar uma guerra. 

Senhora Jackson: E, por isso, teremos de deixar o teu país. 

Senhora Jackson: Mas é uma notícia boa, porque tu irás connosco Rosa Chá. 

Yuki: Vão levar-me? Para sempre?  

Senhora Jackson: Vamos, não gosta de ficar connosco e com a Suzaninha, ela é muito tua amiga Rosa Chá e nós também serás a nossa filha mais crescida. 

Senhora Jackson: Mas… estás a chorar Rosa Chá, não queres ir? 

Yuki: Quero senhora. Estou a chorar, só porque sou pateta. 

Senhora Jackson: És patetinha. Dá cá um beijo e vem ajudar-me a fazer as malas. O navio parte depois da manhã. 

Yuki: Depois de amanhã. 

Yuki: Tão depressa. 

Senhor Jackson: Então, Sara, estás pronta? E as pequenas também? 

Senhora Jackson: Sim, estamos as malas grandes já seguiram, só levamos estes sacos e maletas pequenas. 

Senhor Jackson: Então vamos. 

Senhor Jackson: Agora podemos partir caminho. De caminho passamos pelo consulado, para entregar as Chaves. 

Senhora Jackson: E atrás de nós fica a nossa casa vazia, silenciosa, com as persianas corridas. 

Yuki: O meu livro. 

Senhora Jackson: O que foi Rosa Chá? 

Yuki: Ficou ao pé do Lago, no Jardim. 

Yuki: Deixa-me ir buscá-lo, deixa. 

Senhor Jackson: Tem paciência, mas não nos podemos demorar quando chegarmos eu compro-te outro livro Rosa Chá. 

Senhora Jackson: Bem vês, minha querida, agora não podemos voltar para trás. 

Yuki: Eu ia a correr. 

Senhora Jackson: Achas que não haverá realmente tempo? Victor, creio que esse livro representa muito para ela Foi o primeiro que leu. 

Senhor Jackson: Bom… se fores num pé e vieres noutro. 

Yuki: Posso? 

Senhor Jackson: Sim, mas olha depressa, muito depressa. Nós esperamos por ti aqui á esquina da rua. 

Yuki: Cá está o meu livro. 

Yuki: Eu bem se via que houve de encontrar. 

Yuki: Mas também sabia. 

Yuki: Também julgava que minha mãe e meu pai iam aparecer. 

Yuki: Como apareceu o livro e afinal. 

Yuki: Tocaram á porta? 

Yuki: É o senhor Jackson a chamar por mim, naturalmente. 

Yuki: Demorei-me, vou já a correr. 

Yuki: Os senhores querem alguma coisa? 

Mãe: Yuki. 

Pai: És realmente tu Yuki. A nossa filhinha desaparecida. 

Mãe: Filha, minha Yuki. 

Yuki: São, são os meus pais. 

Pai: Sim minha pequenina. 

Pai: Somos nós finalmente. 

Yuki: O meu pai, a minha mãe. 

Senhor Jackson: Então Rosa Chá? Então estamos à tua espera. 

Senhor Jackson: Ah! Os senhores, são. 

Senhor Jackson: Eu creio que compreendo. 

Pai: Os pais daí Yuki. 

Pai: É o senhor Jackson calculou eu. 

Senhor Jackson: Exatamente. Minha mulher e eu encontrámo-nos Rosa Chá, perdão Yuki, não é? 

Senhor Jackson: Há 6 meses, no dia do grande Tufão. 

Senhor Jackson: Estava desmaiada caída no caminho. 

Senhora Jackson Graças a Deus, melhorou do grande choque sofreu, mas… 

Senhora Jackson Estava um pouco confusa e não se lembrava do que tinha acontecido. Felizmente, agora tudo acabou em bem a nossa Rosa Chá chamamos-lhe assim á, á vossa Yuki. 

Senhora Jackson Encontrou-os e… 

Senhor Jackson: Não imagina. 

Senhor Jackson: Como nos sentimos felizes com a vossa felicidade e com a felicidade de Yuki, mas acontece que estamos de regresso ao nosso país. O navio parte dentro de poucas horas. 

Senhor Jackson: Entregamos confiadamente a vossa filha. 

Senhor Jackson: Embora já estimásse-mos muito e estivéssemos dispostos a levá-la connosco. 

Senhor Jackson: Adeus Senhor. 

Pai: Hakudo. 

Pai: É o meu nome. 

Senhor Jackson: Um grande beijo, minha pequena. 

Senhora Jackson: Havemos de nos tornar a ver, se Deus quiser. 

Senhora Jackson: Os teus pais vão dar-me a vossa direção. 

Senhora Jackson: Enquanto não voltarmos ei de descrever muitas vezes muitas cartas, sim, porque tu já sabes ler e escrever e vais responder-me, pois não vais? 

Susaninha: Rosa Chá, porque é que estás a chorar? Já não queres vir no barco? 

Senhora Jackson: A Rosa Chá está muito contente. Suzaninha, sabes? Ela encontrou o Papá e a Mamã. 

Senhor Jackson: Adeus, adeus Yuki! 

Senhora Jackson: Adeus Yuki! 

Yuki: Adeus senhor Jackson adeus? 

Pai: Boa viagem, senhor Jackson. 

Pai: Obrigado, fico vos eternamente agradecido por tudo que fizeram a nossa Yuki. 

Yuki: Boa viagem. 

Mãe: Yuki em que estás a pensar, filha? 

Yuki: Em nada minha mãe. 

Mãe: Vejo-te sempre tão triste. 

Mãe: Parece que não gostas de estar outra vez ao pé de nós. 

Yuki: Oh não, mãe, que ideia a sua? 

Yuki: Eu gosto muito de os ter encontrado.  

Koraby: Yuki podes deitar-me o chá? 

Yuki: Sim Mazuda. 

Koraby: Mas eu não sou Mazuda. Sou Koraby. 

Koraby: Que distraída és irmãzinha. 

Yuki: Desculpa. 

Mãe: Não sei o que acho, a nossa filha, sempre silenciosa, sempre triste. 

Mãe: Confunde até os nomes dos irmãos. 

Pai: Terá saudades da família Jackson e é natural. 

Pai: Foram tão amigos dela. 

Mãe: Será isso apenas? 

Mãe: Diz-me o coração que Yuki não está completamente curada. 

Mãe: Receio que não nos tenha reconhecido. 

Pai: Não é possível.  

Mãe: Sim, sim, infelizmente. 

Mãe: Podes crer a nossa filha, a nossa Yuki, aceitou-nos como seus pais, mas continua a ver em nós uns estranhos. 

Pai: Isso há de passar. 

Pai: Com O Tempo e se habituando à sua nova família. 

Mãe: A sua verdadeira família, queres tu dizer? 

Mãe: E habituar-se-á ela. 

Pai: Aí vem. 

Pai: Então Yuki foste ao Jardim, traz um lindo ramo de flores. 

Yuki: Trago sim meu pai. 

Pai: Anda cá. 

Pai: Eu gostava de ver de sorrir como dantes sorrias minha filha. 

Pai: Com 2 covinhas na face. O que tens? 

Yuki: Eu não tenho nada meu pai. 

Pai: Tens sim, mas não o queres dizer? 

Yuki: Gostava de ter livros. 

Pai: Livros? Para quê?  

Yuki: Sim, meu pai em casa do senhor Jackson, como lhes disse já, aprendi a ler na língua estrangeira, mas a história do meu livro já li tantas vezes que sei dizê-la toda com os olhos fechados. 

Yuki: E aqui, não há livros com as letras estrangeiras que eu sei ler. 

Yuki: Ó pai. 

Yuki: Deixe-me ir à escola com os meus irmãos à escola. 

Pai: Á escola!? Não Yuki! 

Pai: Perde de uma vez para sempre essas ideias disparatadas, que te meterão na cabeça. 

Pai: O lugar de uma menina como tu é em sua casa. 

Yuki: Mas foi exatamente por eu saber ler e escrever que Mito recebeu a minha mensagem e foi ainda por causa de um livro que os meus pais me encontram no Jardim do senhor Gerson. 

Yuki: Se eu não gostasse tanto de ler, não tinha voltado atrás à procura dele e esta hora estava já muito longe daqui e nunca mais me veriam. 

Mãe: Acalma-te minha filha. 

Mãe: O teu pai vai pensar no que dizes? 

Pai: Eu? 

Mãe: Sim, eu própria pensei, já que talvez os costumes antigos não estejam tão certos como nos pareciam. 

Mãe: Afinal, a ciência é nova, não fez perder aí Yuki nenhuma das boas virtudes antigas, continua a saber, enfeitar as jarras na perfeição, a fazer o chá com o maior cuidado e delicadeza. 

Mãe: A cantar e a tocar as melodiosas canções que lhe ensinei e que minha mãe me ensinou a mim. 

Mãe: Tal como a minha avó, lhe ensinara a ela também. 

Mãe: Em tudo, um modelo da menina japonesa bem-educada. 

Mãe: Porque não poderás ensinar a escrever e a ler como ela deseje. 

Pai: Ouvi tocar à porta. 

Koraby: Yuki! Irmãzinha, o carteiro veio trazer este embrulho para ti. 

Koraby: Um grande embrulho de papel grosso e castanho. 

Koraby: Lê o que diz por fora. 

Koraby: Não está escrito na nossa língua. 

Yuki: Para miss Yuki Hakudo e agora deste lado, diz? 

Yuki: Contém livros. 

Pai: Podes abrir minha filha 

Yuki: Posso? São livros ,3 livros e tão bonito. 

Mãe: Mostra Yuki! Ah! Que lindos desenhos. 

Mãe: Repara, caiu um bilhete de dentro de um dos livros é dos teus amigos, com certeza. 

Yuki: É do senhor, Jackson diz assim. 

Senhora Jackson: Minha querida Yuki, Rosa Chá. 

Senhora Jackson: Em nome da Suzaninha que ainda não aprendeu a escrever, mando-te estes livros, dos quais certamente gostarás. 

Senhora Jackson: Num deles conta-se a história muito engraçada de uma menina que se chamava Alice outro e a cerca de 4 irmãos, muito amigos e simpáticos. 

Senhora Jackson: O terceiro fala de bichos pássaros por boletas, animais, ferozes, peixes. 

Senhora Jackson: Um beijo da Suzaninha e do senhor Jackson e outro meu, Sara 

Yuki: Ah livros, estou tão contente. 

Koraby: Hás de ensinar-nos o que dizem os teus livros. 

Koraby: Não a história dessa tal Alicia e das outras raparigas. 

Koraby: Mas este sim que tem desenhos tão bonitos de animais. 

Koraby: Olha borboletas mostra. 

Koraby: E nesta folha os peixes? 

Koraby: Este grande. 

Koraby: Quem me dera pescar um assim? 

Yuki: Um peixe. 

Yuki: Um peixe pintado de amarelo. 

Mãe: Yuki que tens tu, minha filha? O que foi? Parece que ela vai desmaiar. 

Yuki: Senti a cabeça, andar à roda. 

Yuki: Uma impressão muito esquisita. 

Yuki: Lembro-me. Lembro-me! Lembro-me agora de tudo! 

Yuki: A carpa, a tua carpa amarela, Koraby, com o ventou soltou-se do mastro no dia da vossa festa, levou pelo ar e eu corri atrás dela, corri muito, muito depois caí no chão e não sabia dizer mais nada, nem explicar como tudo tinha sido, mas agora sim, agora lembro-me de tudo, da nossa casinha que não era esta. 

Koraby: Da outra caida. 

Yuki: Do meu pai da minha mãe, do mito. 

Yuki: Do Mazuda, do Korabi, do Chezo. 

Yuki: Dos meus 4 irmãos! Agora já me lembro dos vossos olhos e dos vossos sorrisos. 

Yuki: Estou muito feliz. 

Mãe: Foi mais uma vez um livro que nos trouxe agora a nossa verdadeira Yuki. 

Pai: Tem razão. 

Pai: Escuta minha filha. 

Pai: A partir de amanhã 

Pai: Eu próprio começarei as tuas lições. 

Yuki: Ó pai, agora não pode haver no mundo uma menina tão feliz como eu! 

Mãe: O riso que se veja. 

Mãe: Não que se oiça Yuki. 

Pai: Oh, mãezinha, hoje a alegria não pode guardar-se em silêncio, pois não? 

Locutora: Tão bom, bom? 

Locutora: E a História acaba exatamente como principiou. 

Locutora: Esta é uma história passada no Japão, no tempo em que ainda não era costume as meninas andarem na escola. 

Locutora: Mas hoje, tal como na nossa Terra e em todos os países civilizados, as meninas japonesas sabem ler e escrever tanto na sua língua como noutras línguas estrangeiras. 

Locutora: Vão para a escola, para o liceu e para a universidade. 

Locutora: Mas nem por isso perderam os seus bonitos modos, nem a delicadeza das suas mãos de seda e de flor como a Yuki, Rosa Chá. 

Locutora: A emissora nacional acaba de transmitir para os seus pequenos ouvintes. 

Locutora: Uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome, produção de Maria Madalena Patacho. 

Outros Contos

Histórias para ler e ouvir

A Formiga Ambiciosa

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Vocês não passam de umas grandes figuronas, só trazem para casa uns mil linhos de pão nem sequer chegam para encher a minha barriguinha.

As Amêndoas do Padrinho Pascoal

As Amêndoas do Padrinho Pascoal

É tão especial padrinho Pascoal, não é? Mora naquela quinta zona, nunca sai e quando chega a Páscoa é que se lembra de escrever a mandar nos ir almoçar com ele.

A Missa da Meia-Noite

A Missa da Meia-Noite

Mesmo aqueles que como tu no ano passado, por uma ou por outra razão, não se aproximaram da eucaristia, o que, é claro, é um verdadeiro gesto de amor, mas mesmo assim prestam a sua homenagem.

Os Quatro Músicos de Bremen

Os Quatro Músicos de Bremen

Os Quatro Músicos de Bremen

 

História

Sinopse da história

Uma história de quatro animais domésticos que, depois de uma vida inteira de trabalho decidem fugir para a cidade de Bremen e lá se tornarem músicos.

Imagem criada por: David Pinto

Houve, uma vez, um homem que possuía um burro, o qual, durante longos anos, tinha carregado assiduamente os sacos de farinha ao moinho, mas, por fim, as forças o abandonaram e, de dia para dia, tornava-se menos apto para o trabalho.

O patrão, então, resolveu tirar-lhe a ração para que morresse; mas o burro percebeu em tempo as más intenções do dono e decidiu fugir, tomando a estrada de Bremen. Lá, pensava ele, teria possibilidade de entrar como músico na banda municipal.

Assim, pois, tendo caminhado um bom trecho, encontrou um cão de caça deitado na estrada, ofegando como se tivesse corrido muito.

– Porquê estás tão ofegante, Mastim? – perguntou-lhe o burro.

– Ah – respondeu tristemente o cão, – como já estou velho e cada dia mais fraco, custando-me ir à caça, o meu patrão decidiu matar-me. Então fugi, mas agora que farei para ganhar o pão de cada dia?

– Queres saber uma coisa? – disse o burro; – eu vou a Bremen, onde terei a profissão de músico. Vem tu também, e arranja-te para entrar na banda. Eu toco alaúde e tu bates os tímpanos.

A proposta agradou ao cão, então continuaram o caminho juntos.

Depois de andar um bom trecho, encontraram, à margem da estrada, um gato com a cara anuviada como em dia de chuva.

– Que é isso, algo te foi atravessado, velho Limpa-Barbas? – perguntou-lhe o burro.

– Como é possível estar alegre quando se está pelos colarinhos? – rosnou o gato – Como já estou velho e os meus dentes não estão mais afiados como antes, preferindo, além disso, ficar tranquilamente roncando junto do fogo em vez de correr atrás dos ratos, a minha patroa tentou afogar-me. Consegui escapulir-me, é verdade, mas agora surge a complicação: aonde irei?

– Vem connosco para Bremen; como és entendido em serenatas, poderás entrar na banda municipal!

O gato achou a ideia excelente e foi com eles. Pouco depois, os três fugitivos passaram diante de um terreiro e viram um galo, empoleirado no portão, a cantar desbragadamente.

– Gritas a ponto de fazer quebrar os tímpanos da gente, que te sucede? – perguntou-lhe o burro.

– Pois é – disse o galo – eu anunciei bom tempo, porque é dia de Nossa Senhora, lavar as camisinhas do Menino Jesus e precisa que enxuguem. Mas, como amanhã é domingo e teremos hóspedes, minha patroa, impiedosamente, disse à cozinheira que deseja fazer uma canja comigo. assim, hoje à noite, terei de deixar-me cortar o pescoço. Então berro até não poder mais,

– Deixa disso, Crista-Vermelha – disse o burro – fazes melhor vindo connosco, que vamos a Bremen. Qualquer coisa, melhor do que a morte, sempre hás de encontrar. Tens uma bela voz e, juntando-nos todos para fazer música, tudo irá maravilhosamente.

O galo interessou-se pela proposta e aceitou. Os quatro, então, puseram-se a caminho.

Mas não podiam chegar a Bremen num dia, portanto, quando já estava a escurecer, chegaram a uma floresta e aí resolveram pernoitar.

O burro e o cão deitaram-se debaixo de uma árvore muito alta, o gato e o galo treparam nos galhos. O galo voou até ao galho mais alto por lhe parecer mais seguro. Antes de adormecer, porém, correu os olhos em todas as direções e pareceu-lhe distinguir ao longe uma luzinha brilhando. Então gritou aos companheiros que, não muito longe, dali, devia encontrar-se alguma casa, pois estava vendo uma luz a brilhar.

– Então levantemo-nos e vamos até lá – disse o burro – porque o alojamento aqui é bastante mau.O cão, por seu lado, pensava que um osso com alguma carne presa, viria a calhar. Por conseguinte, tomaram o rumo em direção à luzinha, não demorou muito, viram-na brilhar mais claramente e cada vez mais perto, até que descobriram uma casa fartamente iluminada, mas que não passava de um covil de ladrões. O burro, que era o mais alto, aproximou-se da janela e espiou dentro.

– Que vês, Rabicâo? – perguntou o galo.

Que estou vendo? – respondeu o burro – uma
mesa posta, cheia das melhores iguarias e, sentados em volta dela, um bando de ladrões regalando-se!

– Ah! viria a calhar para nós – disse o galo.

– Ah, se estivéssemos lá dentro! – tornou o burro.

Então os quatro animais reuniram-se em conselho para estudar a maneira de enxotar os ladrões, finalmente, chegaram a uma conclusão. O burro teve de apoiar as patas dianteiras na berma da janela, o cão saltou em cima das costas do burro, o gato trepou no cão, e o galo, com um largo voo, foi pousar na cabeça do gato. Em seguida, dado o sinal, prorromperam todos juntos em concerto: o burro zurrava com toda a força de seus pulmões, o cão latia furiosamente, o gato miava de causar medo e o galo cocoricava sonoramente. Com essa algazarra toda, pularam para dentro da janela e foram cair em cheio no centro da sala, fazendo tinir os vidros.

Ante esse barulho ensurdecedor, os ladrões pularam das cadeiras; julgando que um fantasma vinha entrando e, cegos pelo terror, fugiram em carreira desabalada para a floresta. Os quatro companheiros, então refestelaram- se em volta da mesa e avançaram no que tinha sobrado, comendo tanto como se não tivessem comido há quatro semanas.

Quando terminaram de comer, os quatro músicos apagaram as luzes e procuraram um lugar confortável para dormir, cada qual de acordo com a própria natureza. O burro deitou-se na estrumeira, o cão deitou-se atrás da porta, o gato enrolou-se na cinza ainda quente do fogão e o galo empoleirou-se na trave-mestra. Sentindo- se muito cansados pela longa caminhada, adormeceram logo.

Passada a meia-noite, os ladrões viram de longe que na casa não brilhava mais luz alguma e tudo parecia mergulhado na calma e no silêncio. Então, o chefe da quadrilha disse:

– Fomos tolos, não deveríamos ter-nos deixado espantar.

Resolveu mandar um de seus homens explorar a casa.

O homem foi, encontrando tudo calmo, dirigiu-se à cozinha para acender uma luz, aí viu no fogão os olhos brilhantes do gato e, confundindo-se com brasas, pegou um pedaço de cavaco e enfiou-o neles para acender. Mas o gato não gostou da brincadeira e pulou-lhe na cara, cuspindo e arranhando-o todo. Assustadíssimo, o homem tratou de fugir pela porta do fundo, mas o cão, deitado na soleira, deu um salto e mordeu-lhe a perna, quis fugir pelo terreiro mas, ao passar correndo perto da estrumeira, o burro atirou-lhe uma séria pancada com a pata traseira, e o galo, que tinha acordado com todo esse tumulto, pôs-se a berrar freneticamente do alto da trave: Qui qui ri qui qui!

O ladrão, meio morto de susto, saiu a correr até perder o fôlego e foi contar ao chefe o que lhe acontecera.

– Lá na casa está uma bruxa medonha, que me soprou cinza em cima e me arranhou todo o rosto com as garras aduncas. Na soleira da porta está sentado um homem, que me feriu a perna com sua faca. No terreiro, então, há um monstro negro que me agrediu com uma tora de madeira, enquanto, em cima do telhado, estava o juiz a gritar: “Tragam-me esse bandido aqui!” Então tratei de me salvar e nem sei como consegui chegar até aqui!

Desde esse dia, os ladrões nunca mais se arriscaram a entrar na casa, o que foi ótimo para os quatro músicos de Bremen, que nela se instalaram, vivendo tão regaladamente que nunca mais quiseram sair.

E quem por último a contou, ainda a boca não lhe desanimou.

Maria de Melo

Os Quatros Músicos de Bremen

by Meia Hora de Recreio | Emissora Nacional

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Maria Melo

Produção: Maria Madalena Patacho

Narração: Maria Brito Malta

Data de Transmissão: 18/04/1973

Transmitido por: Emissora Nacional

Programa: Meia Hora de Recreio

 

Registo de Som: Manuel Sanches

Montagem: João Silvestre

Capa do Áudio: Bruno Leal

 

Link de Referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos

Narrador(a): Maria de Brito Malta

Burro: Alexandre Vieira

Cão: António Sarmento

Gato: Mário Manuel

Galo: João Manuel Mota Rodrigues

Dono do Burro: Fernando Collen

Dona do Burro: Maria Schultz

1ºLadrão: João Manuel Mota Rodrigues

Outro ladrões: Fernando Collen, Rui Ferrão, José Batista

Narrador: Meia hora de Recreio. 

Narrador: Para os pequenos ouvintes da emissora nacional. 

Narrador: Hoje vão escutar uma história de Maria de Melo, adaptada do conto tradicional de Braman, os 4 músicos. 

Narrador: Personagens narrador ,a Maria de Brito Malta, o Burro, Alexandre Vieira, o cão António Sarmento, o gato, Mário Manuel, o Galo, João Mota, o dono do burro, Fernando Collen, a dona do burro, Maria Schultz, o primeiro ladrão, João Mota, os outros ladrões, Fernando Collen, Rui Ferrão e José Batista. 

Narrador: Registo são de Manuel Sanches, montagem de João Silvestre, produção de Maria Madalena Patacho. 

Narrador: Coitado daquele burro, ele bem gostaria de continuar a trabalhar forçadamente e abnegadamente como dantes. 

Narrador: Como quando era novo, forte e ágil. 

Narrador: Mas os anos passam para todos e agora, em vez de novo, forte e ágil, sentia-se velho, fraco e tropo cada vez mais velho, mais fraco e mais tropo. 

Narrador: Bem fazia o possível por continuar a subir a colina com um saco de cereais ou um molho de feno às costas, mas tinha de parar por mais de uma vez derreado ofegante e com as articulações a doer. 

Narrador: Quando dantes saltitava alegremente que alguém me possa ajudar água, pedregulhos, agora arrastava se pesadamente, chapinhando nas posses e tropeçando nos pedregulhos. 

Burro: Ai, Ai que dores ai ai. 

Burro: Positivamente isto não vai, não aguento mais, não aguento, esta vida É o fim, a mocidade perdida. 

Burro: Só queria ficar ao sol deitado, não ter que trabalhar e ficar descansado. 

Burro: Piscar os olhos ver as moscas voar tasquinhar umas ervas dormitar. 

Burro: Mas os donos, que pena não pensam assim, espera oiço, estão a falar de mim. 

Dono do Burro: Sabidamente, já não presta para nada, já não vale o que come. 

Dono do Burro: O que dantes fazia em 10 minutos, faz agora 1 hora ou mais. 

Dono do Burro: Pá preciso arranjar outro burro. 

Dono do Burro: Estou de acordo com o que dizes homem, este coitado está velho já deu o que tinha a dar. 

Dono do Burro: Precisamos de um burro novo 

Dono do Burro: Mas como é que havemos de alimentar 2 burros? É uma despesa, um prejuízo. 

Dono do Burro: Dois burros que ideia, nem por sombras. 

Dono do Burro: Quando arranjar um burro novo e não há de tardar muito, não tenho outro remédio. Desfaço-me logo deste, não há 2 grupos em casa, não quero de maneira nenhuma. 

Dono do Burro: Isso não? 

Dono do Burro: Sim, mas o que é que tu vais fazer deste, nem que o leves a feira 20 vezes ninguém lhe pega. Vê-se logo que está velho e que não pode dar rendimento nenhum de trabalho. 

Dono do Burro: Mas claro, burro é ele, não são os outros. Não, não, não. 

Dono do Burro: Já não é possível vendê-lo nem trocá-lo. 

Dono do Burro: Tardei demais para isso, porque vez tu mulher ele foi um burro bom, um burro trabalhador e eu, é claro, o queria-lhe certa amizade. 

Dono do Burro: Fazia-me penas desfazer-me dele, mas agora no ar remédio, olha, tem que ser, vou levá-lo ao matadouro para abaterem. Sim, sim, até pode ser que me diga alguma coisa pela carne. 

Dona do Burro: Oh homem, quem é que come carne de burro? 

Dona do Burro:  Este homem está tonto. 

Dono do Burro: Bem as pessoas, não as pessoas não comem, mas comem as feras do Jardim zoológico da cidade. olha os leões, os tigres, as panteras gostam imenso de carne de burro. 

Narrador: A ouvir o que os donos diziam. O pobre burrinho até sentiu ou pelo seu pobre pelo grisalho, por se em pé, seria possível que fosse tal o seu fim lançado às feras. 

Narrador: Nem refletiu que depois de morto era indiferente o destino que dessem aos seus resto sentiu apenas um pavor, um pavor intenso, como se já estivesse de repente assim vivo rodeado por um bando de animais, ferozes de dentes arreganhados e a lamberem os beiços desejosos de devorar e saborear a sua carne. 

Burro: Não, não, não quero esse fim, não me conformem acabar assim. Apesar deste corpo estar velho e cansado. Ainda há de ser capaz de andar um bocado. 

Burro: E fujo, vou fugir. 

Burro: E a já, já ,vou-me embora. 

Burro: Vou me pôr a trotar por essa estrada fora. 

Burro: Ei de encontrar comida pelo caminho, para beber, sempre hei de achar um ribeirinho, para dormir qualquer bosque pode servir de abrigo 

Burro: Escondo-me e com certeza ninguém vai dar comigo. 

Narrador: Sem demora o burro passou das palavras à ação. 

Narrador: Como não queria dizer adeus a ninguém e não tinha bagagem a preparar, foi posto só a caminho. No mesmo instante, foi andando estrada fora, como a tarde caía e o sol já não queimava. Como sabia que ninguém o perseguia. Ia devagar não custava a caminhada, apesar do peso dos anos. 

Narrador: Foi andando, andando apenas um, cada um sido para estar sozinho e não ter com quem trocar impressões e dar 2 dedos de conversa. 

Narrador: Mas, a certa altura, pareceu lhe ver um vulto na berma da estrada, aproximou-se e viu que era um cão, um pobre velho cão deitado com a cabeça entre as patas e a língua de fora, e falou-lhe. 

Burro: Olá amigo. 

Burro: Que fazes por aqui, andaste passeio, por pouco não te vi. 

Cão: De passeio? não está mal o passeio, afinal, deixei minha casa fugir do meu quintal. 

Burro: Mas por que quiseste tornar-te um cão vadio? Não receias ter fome, não receias ter frio. 

Cão: Perfil fome e o frio a ser posto de lado a sentir-me, de resto, é sentir-me fechado. 

Burro: Não faça cerimonia, se queres desabafar, eu serei teu amigo e posso te escutar. 

Narrador: E o cão, o pobre cão, então desabafou, contou ao burro todas as suas mágoas, contou-lhe como depois de muitos anos de dedicação e de bom trabalho de guarda aos ladrões e vigilância às crianças. 

Narrador: Agora que estava velho e surdo, o seu ouvido duro não permitia que continuasse a prestar os mesmos serviços, se vira substituído ali debaixo do focinho por outro cão, para quem iam agora todos os afagos. 

Narrador: E todas as atenções. 

Burro: Um cão novo e bonito de pelo lustroso e olhar brilhante, de latidos vibrantes, cuja comparação o fazia parecer mais velho, mais feio, o pelo mais russo, olhar mais baço, a voz mais rouca. 

Cão: Era um vexame de cada momento nem fases ideia, amigo, jumento, o outro a correr, outro a saltar e eu quase sem forças para me arrastar o outro fano e vaidoso que julgas. 

Cão: E eu sem forças para caçar as pulgas ou trapacear, é ir sair com o dono e eu sem forças para ali como um mono. 

Burro: Oi, tá do coitado? É triste, bem sei. 

Burro: Ela é lei da vida, mas uma dura lei. Vem dai comigo, faz me companhia. 

Burro: Se queres que te diga nem sei para onde ia, minha história é a tua afinal estou velho tu estás velho. 

Burro: E temos sorte igual. 

Narrador:O burro e o cão continuaram, pois o caminho juntos e foram trocando as suas confidências, não tinham ainda andado muito tempo quando um roçar ligeiro nos arbustos que ladeavam o atalho por onde seguiam, lhe chamou a atenção, olharam melhor e viram um gato, um pobre gato pelado, escancelado, que os fitava com ar assustado nos olhos verdes e brilhante. Era natural esse receio porque via o cão e toda a vida pensou com razão ou sem ela, que o cão e o gato eram inimigos. 

Narrador: Mas os 2 animais viajantes estavam animados das melhores intenções e falaram-lhe. 

Burro: O que estás tu a fazer? Não te queremos mal, escusas te esconder. 

Cão: Pareces ter medo que eu te vá morder, escusas, ter receio já não posso correr. 

Gato: Silêncio está calado. 

Gato: Não digas que me viste ao meu dono malvado. Se ele dá comigo, dá-me cabo da vida, nem sei como pode pregar esta partida, esgravatar no saco, rompeu e então fugir. 

Gato: E ele lá se foi a falar e rir sem parar que o saco estava menos pesado e que já lá não ia o próprio condenado. 

Cão: Condenado, tu estavas condenado? Então conta-nos lá qual foi o teu pecado. 

Narrador: E o gato contou. 

Narrador: Eu conto contrapôs de uma vida de grande atividade em que tinha passado dezenas centenas de ratos e a até ratazanas, começara com a idade a perder agudeza de vista e a rapidez dos movimentos. 

Narrador: Ele que dantes avistava um ratinho à distância por muito pequenino que fosse, agora só dava por eles quando quase lhe estavam mesmo debaixo do nariz. E é claro que não havia rato tão estúpido que se lhe fosse meter debaixo do nariz. 

Narrador: Ele que dantes saltava e corria e trocava as voltas e brincava com os ratos antes dos apanhar, deixava-os agora distanciar facilmente e os seus movimentos pesadões davam tempo a que eles se escondessem nas suas tocas e até mesmo que se virassem para trás e lhe deitassem língua de fora, mal criada mente num desafio. 

Narrador: Por isso, como já não servia para o seu ofício de caçar ratos, o dono, um homem mau que dizia que não estava para sustentar bocas inúteis, decidira desfazer-se dele e vá de o meter num saco e abalar a caminho do rio. 

Burro: Mais um com uma história parecida. 

Burro: Vítima da ingratidão também no fim da vida. 

Cão: Vem connosco amigo, nós vamos procurar um sítio, um que sirva para nos abrigar. 

Burro: Para podermos envelhecer comodamente. 

Cão: E acabar os dias sem ter medo da gente. 

Gato: Obrigado por me crerem, vou, está bem, onde vocês ficarem, ficarei eu também. 

Narrador: E agora já eram 3,3 amigos, 3 companheiros a caminhar pela estrada fora, prontos a ajudarem se e a ampararem se uns aos outros. 

Narrador: Ao passarem pela cancela de uma herdade, viram empoleirado um galo, mas era um galo que já não tinha aquele aspecto altivo triunfante que, em geral, têm todos os galos. 

Narrador: Parecia o contrário, muito triste e abatido, sempre movido pelo seu bom coração. O burro dirigiu-se. 

Burro: Há boas tardes meu amigo. 

Burro: Precisas de alguma coisa? Podes contar comigo. 

Cão: Estás com cara que até faz pena à gente? O que tinha aconteceu. Sentes-te doente? 

Gato: Que tens, não queiras disfarçar, nós somos teus amigos e queremos te ajudar. 

Galo: Cocoroco obrigado amigos, obrigado é verdade, estou triste, estou desanimado. 

Burro: Todos temos problemas e alguns sem solução. 

Burro: Que esse caso seja o teu ,irmão. 

Narrador: Encorajado pela afabilidade dos 3 viajantes, o galo acedeu à tentação de fazer as suas confidências. 

Narrador:Estava velho, ele que dantes era o rei da capoeira que tinha todos à sua volta, desejosos de lhe agradar, visse agora se plantado por um franganote a quem mal começava a crescer a crista, mas que se pavoneava todo o senhor de si dos seus encantos, arrebatando por completo o entusiasmo do elemento feminino da capoeira. 

Narrador: E ele não aguentava aquela afronta, preferia voltar as costas e ir-se embora. 

Burro: Anda daí connosco segue o nosso caminho. 

Cão: Serás mais um pro grupo anda. 

Gato: Miau miau faremos companhia uns aos outros deixá-lo. 

Galo: Eu vou belo grupo burro, cão gato, igual o cocoroco. 

Burro: Cantas bem galo tens uma bela voz és tu que cantas melhor de todos nós. 

Burro: A não não está mal, não está mal. 

Burro: O efeito não é feio. 

Burro: Sabem que ideia foi que me feio? 

Cão: Como ei de adivinhar? 

Burro: Se nós ganhássemos a nossa vida a cantar. 

Gato: A cantar. 

Galo: Um coral. Formando um orfeio. 

Burro: Tudo Galo que és cantora que davas o tolo querem experimentar, vamos lá ensaiar vá Galo dá o tom. 

Galo: Coco, talvez fique melhor sustenido ou bemol 123. 

Galo: Mais baixo, cantar, não é gritar a final, mas vá lá, vá lá para a primeira vez. Não foi assim tão mau. 

Narrador: E os 4 amigos, o burro, o cão, o gato e o Galo foram continuando o seu caminho. Muito animados com a ideia de chegarem à cidade vizinha, cujos habitantes tinham a fama de serem grandes amadores de música e onde, por isso contavam que o concerto que projetavam teria muito sucesso. 

Narrador: Por isso, não deixavam de ir ensaiando pelo caminho. 

Narrador: Mas como já sabemos, nenhum deles era já muito novo, de maneira que a certa altura começaram a sentir-se cansados. 

Narrador: Além disso, tinham fome e perguntavam a si próprios, sem quererem confessar uns aos outros, se teriam forças de alcançar a cidade, tanto mais que já era noite e de Inverno, as noites são frias. No entanto, a sorte parecia querer ajudá-los. 

Burro: Olhem ali na curva da estrada. 

Cão: Uma luz. 

Gato: É uma casa iluminada. 

Galo: Vamos ver. 

Burro:Vamos lá. 

Cão: É perto é bem pertinho. 

Galo: A casa fica a mesma beira do caminho, vamos espreitar a ver quem está lá. 

Galo: Será gente boa ou será gente má? 

Cão: Ou, ela está janela, não se pode ver nada. 

Gato: Que é preciso trepar nem sequer está fechada. 

Burro: Não há nenhuma pedra. 

Galo: Também não é precisa. Tive uma ideia, uma ideia colossal, uma ideia que nem parece de animal.

Narrador: Era na realidade uma boa ideia do galo, já que não havia num sítio onde trepar eles próprios trepariam uns sobre os outros até chegar à janela. 

Narrador: E o que ficasse por cima contaria aos outros visse, assim o cão trepou para cima do burro com a ajuda dos outros, o gato que sempre era gato e que por isso, apesar de velho, conservava uma certa agilidade, tipo para cima do cão e o Galo ser vindos das asas. 

Narrador: Que sempre eram asas, embora pesadonas empoleirou-se em cima do gato e pude descrever o que viu. 

Narrador: E o que viu era bom e era mau. Era bom o que estava sobre a mesa um farto, jantar com travessas, cheias de comida fina e abundante. 

Narrador: Vimos rubros e dourados e mil gulodices que fizeram que ser água na boca  aos esfomeados companheiros. 

Narrador: Era mau que viu aí redor da mesa 4 homens de mau aspeto armados de facas e de pistolas com todo o aspeto daquele que eram realmente e que conversa que os animais ouviram, denunciou. 

Narrador: Temíveis ladrões. 

1ºLadrão: Viva a vila de ladrão. 

1ºLadrão: Vem com tudo vem á mão, sem termos de trabalhar. 

1ºLadrão: É só fazer um assalto,  atacar alguém de um salto e ser rico até fartar. 

1ºLadrão: Meter medo a toda a gente em vós e fazer –se de valente , com a fama que já temos. 

1ºLadrão: É uma fita engraçada, sem nada de complicada. 

1ºLadrão: É só isto, mais ou menos? 

Narrador: Os 4 amigos não podiam deixar de perceber de que gente se tratava, mas não se atemorizaram as coisas boas que havia sobre a mesa, davam-lhes coragem e despertavam lhe as faculdades imaginativas. 

Burro: Mas que jantar para comer até estoirar. 

Burro: Se déssemos um concerto? 

Cão: Para burro tu és esperto, sabes que a desafinação assusta até um ladrão. 

Cão: Toca a surrar e a ladrar. 

Cão:Cantar de Galo e miar . 

Gato: Um de cada vez. 

Burro: Todos juntos.  

Narrador: O estratagema dos 4 amigos de um resultado brilhante, os ladrões espavoridos fugiam um para cada lado para o mais longe que puderam, deixando a mesa posta à disposição deles. 

Narrador: Rindo a bom rir, saltaram pela janela e ocuparam os lugares dos 4 ladrões.  

Burro: Começo pelo feição. 

Cão: Eu antes quero Leitão. 

Galo: Comer lá um estofado. 

Burro: Eu prefiro pato Assado, 

Galo: Mas que canja saborosa. 

Gato: Pescada apetitosa. 

Cão: A presumo e mortadela. 

Burro: Arroz doce com canela  

Burro: Ananás ao natural. 

Cão: Passa a água mineral. 

Galo: Água. 

Gato: Eu bebo espumoso. 

Galo: E este tinto é famoso. 

Burro: Trouxas de ovos e queijadas. 

Cão: Peras e maçãs assadas. 

Galo: Há café e aguardente. 

Burro: Vive bem aquela gente. 

Cão: Já comi até mais, não? 

Gato: Ter uma indigestão. 

Narrador: Acabada aquela esplêndida refeição, os 4 cantores cansados como estavam da longa caminhada, o que queriam era dormir, apagaram as luzes e aninharam se confortavelmente, cada um no canto que tinha escolhido. 

Narrador: Mas mal iam começar a pegar no sono, ouviram um ruído que os pôs de novo alerta. 

Narrador: Era um barulho de vozes e passos cautelosos. 

Narrador: Eram os 4 ladrões que não se conformando com a interrupção do seu rico jantar e com o abandono da sua casa e sem ter conseguido explicar uns aos outros aquela horrível a algazarra que os lançar em pânico tinham resolvido voltar e ver o que se estava a passar. 

Narrador: Meteram a chave na fechadura, abriram a porta cuidadosamente. 

Narrador: E avançaram a medo. 

1ºLadrão: Está tudo escuro como Breu. 

Outro ladrões: Não se vê um palmo adiante? 

1ºLadrão: Do nariz sim silêncio. 

1ºLadrão: Não se ouve nada. 

Outro ladrões: Está tudo calado, tudo quieto. 

1ºLadrão: E risca o fósforo para chegarmos às velas e fazermos luz. 

Outro ladrões: Embora. 

Narrador: Ouvir falar em luz e fósforos sem perder mais tempo. 

Narrador: O gato cujos olhos embora, já cansados, eram capazes de ver às escuras como os de todos os gatos e que, portanto, sabiam onde eles estavam, saltou-lhes ao nariz e arranhou os ferozmente um depois do um. 

Narrador: Imediatamente, localizando os pelos gritos, o burro atacou aos coisos, o cão à dentada e o Galo às bicadas, assim, arranhados, escanceados, mordidos e picados, sem conseguir ver de onde lhes vinha aquele ataque, os ladrões mal conseguiram atinar com a porta. Saíram ainda aos gritos mais assustados do que nunca. 

Galo: Oh meus amigos agora foi de vez, ninguém cá torna de certo a pôr os pés. 

Cão: A casa vai ser nossa vamos aqui morar, temos um abrigo, por fim, para descansar. 

Gato: Poderemos envelhecer aqui tranquilamente. 

Gato: E sem saudades de nada e sem medo de gente. 

Galo: Amigos, uns dos outros sempre bons camaradas. 

Galo: Vamos por fim viver vidinhas regaladas. 

Galo: Temos a cantoria para nos distrair com mais alguns ensaios. A coisa já deve ir, verão de ver que até temos talento e nem sempre o concerto será tão barulhento. 

Galo: Muito bom. 

Burro: Que bom que é não ter medo do amanhã. 

Burro: Para comer e dormir sossegado. 

Cão: Que bem que bem saber um velho cão, roer o seu osso e dormir ao sol. 

Galo: Ter de fugir de um dono que é mau e não caçar mais ratos. 

Galo: E ter 3 bons amigos nunca mais ficar só já não querer saber de galinhas. 

Narrador: Emissora nacional acaba transmitir para os seus pequenos ouvintes uma história de Maria de Melo, adaptada do conto tradicional de Brahman os 4 músicos, produção de Maria Madalena Patacho. 

Outros Contos

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História

Sinopse da história

A história acompanha a jovem Rosabela, uma princesa que foi expulsa do palácio pelo seu pai e decidiu fazer um trabalho nunca antes feito por uma verdadeira princesa.

Imagem criada por: David Pinto

Era uma vez um velho rei, pai de 3 filhas, certo dia resolveu saber qual das princesas o estimava mais, para saber assim qual a herdeira do trono convocou-as a todas.

“Diz-me filha primeira como tu gostas de mim” – disse o rei

“Senhor rei, pai, amigo juro-lhe em nome de Deus que lhe quero como quero ao olhar dos olhos meus” – cantou a primeira

“Muito bem às de querer-me nesse caso e do coração te agradeço e tu filha segunda diz-me como é que tu gostas de mim” – respondeu o rei

“Senhor rei, pai, amigo a fim de a quem sou-lhe jus que lhe quero como quero ao tempo do meu futuro” – cantou a segunda

“Muito bem às de querer-me nesse caso e do coração te digo obrigado e agora filha terceira diz-me como tu gostas de mim” – disse o rei

1- Castelo

“Senhor rei, pai, amigo meu amor não tem igual eu lhe quero como quero às pedras brancas do sal” – cantou a terceira filha

Foram grandes o pasmo e a ira do velho rei que achou de péssimo gosto a resposta da mais nova das princesinhas e sem aceitar qualquer das explicações declarou:

“Esta filha ingrata e má nunca mais a quero ver, o meu reino dividido por suas irmãs vai ser, ponham a princesa fora sem ordem de voltar que me queira como o sal não lhe posso perdoar”

“Não chores Rosabela, não chores”

“Mas ó fada madrinha o meu pai não me entendeu “

“Não faz mal um dia o teu pai vai compreender como é grande a tua amizade Rosabela”

“E agora que ei de fazer?”

“Tens de obedecer às suas ordens como filha respeitadora que és sem te importares que o reino seja das tuas irmãs.”

“Não lamento de não ser eu a herdeira do trono.”

“Bem eu sei Rosabela, custa-te sim ter perdido a afeição do teu pai, seja como for nada fica por aqui. Ouve Rosabela, abandona os teus vestidos ricos cobre-te de farrapos despenteia-te e suja os teus cabelos dourados e farrusca o teu lindo rosto de forma a te tornares irreconhecível e vai-te daqui para muito longe e só paras quando te oferecerem uma ocupação que nenhuma princesa tenha tido nunca. Aí ficarás a trabalhar.”

“Está bem, fada madrinha, eu vou.”

“Agora toma este anel”

“Ai… tão lindo e tão pequenino.”

2 - Patos

“Guarda-o bem guardado dentro de uma bolsinha junto ao peito, não o uses a não ser quando precisares de realizar um desejo muito grande e tal suceder enfia-o no dedo mindinho e chama por mim.”

Pôs se a princesinha Rosabela a caminho, atravessou terras e terras e de muitos sítios pessoas condoídas uma pobrezinha miserável as pessoas ofereceram-lhe trabalho, mas nenhum que não pudera ser feito por qualquer princesa, mas um dia numa cidade uma velhota que lhe dera almoço, perguntou se queria que guardasse os patos do palácio real.

“Guardar pato foi coisa que nenhuma princesa fez com certeza, os símbolos mulher aceito com muito gosto.”

3- Fada

E assim ficou a princesa disfarçada de mendiga a guardar patos e muitas vezes admirada com o seu próprio destino, ela repetia a si própria.

“Pata aqui, pata ali, filha de rei a guardar patos, foi coisa que eu nunca vi foi coisa que nunca vi”

E os patinhos de tanto a ouvirem já sabiam aquela cançoneta.

“Pata aqui, pata ali, filha de rei a guardar patos, foi coisa que eu nunca vi foi coisa que nunca vi”

Tantas vezes isto sucedeu a princesa Rosabela a cantar e os patinhos a dançarem de roda dela que um dia o príncipe herdeiro ao voltar para cas se surpreendeu com estranha cena, ficou intrigadíssimo.

“Pata aqui, pata ali, filha de rei a guardar patos, foi coisa que eu nunca vi foi coisa que nunca vi, tenho de saber se isto encobre algum mistério ou se não que dizer nada” – disse o príncipe intrigado.

Hora acontecia todas as noites quando se fechava no quartinho onde dormia, Rosabela se arranjava de certo modo que ficava tão bonita como sempre fora e quando naquela madrugada o príncipe espreitava naquela fechadura à espera de descobrir quem era a guardadora dos patos avistou a dormir a mais linda rapariga que os seus olhos tinham visto tão maravilhado ficou que foi logo a correr ao palácio.

4- Sal

“Senhora minha mãe rainha quero me casar com a guardadora de patos que é com certeza uma princesa disfarçada!”

“Não estás em ti meu filho príncipe, mesmo que assim seja tens de te casar com uma princesa rica e não com uma princesa pobre, sabes que vamos dar um grande baile para escolher a tua noiva”

“Nada disso me importa senhora minha mãe rainha é com a guardadora de patos que eu desejo casar”

Andava a Rosabela no seu entretimento favorito no dia seguinte quando foram buscá-la para levá-la á rainha.

“Quero saber a verdade entendes. És ou não uma princesa disfarçada. Vamos fala, responde-me aqui diante o meu filho príncipe”

“Mas majestade não compreendo como me faz tão estranha pergunta”

“Meu filho viu-te a dormir, diz que és uma linda princesa e que quer casar contigo”

“Mas majestade isso deve ter sido um sonho que o príncipe teve”

“Confessas por tanto que não és linda nem princesa”

“Vossa majestade bem vê que não passo de uma feia e humilde guardadora de patos”

Ficou o príncipe desolado e assustado com o ar feio da rainha sabendo que não podia provar de forma nenhuma a sua verdadeira identidade, voltou a pobre princesinha guardar os seus patos, agora triste como nunca.

Chegou por fim a noite do baile durante o qual o príncipe deveria escolher a sua noiva. Fechada no seu quarto suspirava Rosabela quanto se lembrou do anel que a fada madrinha lhe dera, logo enfiou no dedo.

“Que deseja Rosabela?”

“Gostava tanto, tanto de ir ao baile do príncipe”

“Pois Rosabela irás, mas quem és a ninguém o dirás.”

No mesmo instante a princesinha viu ao lado um vestido feito de ouro recoberto com pedras preciosas e tinha sapatos e luvas e carteira e joias, tudo a condizer era maravilhoso e ficou tão bela que não havia no mundo princesa que se comparasse.

No palácio, no meio da esplendorosa festa o príncipe notou a sua recém-chegada reconhecendo imediatamente esse cujo rosto ele estava certo de o ter visto sem ser em sonhos, nunca mais dançou com outro par nem soube pedir-lhe.

“Por favor, por favor não me digas não! Te dou o meu amor não me digas não. Por tudo te imploro diz-me quem tu és, sabes que te adoro tens meu reino aos pés, às de ser rainha deste meu país, doce princesinha torna-me feliz” – cantou o príncipe.

Rosabela, porém, lembrava-se da recomendação da sua fada madrinha e quando compreendeu que acabaria de ser descoberta, embora o seu desejo fosse ficar, decidiu fugir ao príncipe o quanto antes e escapou-se dos braços tão rapidamente embora lhe segurar as mãos não lhe pôde reter e já a princesinha ia longe quando desolado percebeu que ficara um pequeno objeto um anel minúsculo.

“E digo-lhe minha mãe rainha que só me casarei com a dona deste anel.”

Por ordem da rainha não houve princesa nem fidalga que não tentasse enfiar em qualquer dos dedos o anelzinho, este, porém não servia a nenhuma e depois das princesas e fidalgas vieram experimentar o anel todas as raparigas do reino e entre as mais por ordem do príncipe a guardadora de patos, que enfiou sem nenhuma dificuldade num dos dedos mindinhos assim descoberta, Rosabela não tinha outro remédio senão contar o que consigo lhe acontecera.

No meio do entusiasmo geral decretou o príncipe grandes festejos, para no dia do casamento a assistir ao banquete foram convidados o pai e as irmãs de Rosabela que de nada sabiam claro, quando estavam todos à mesa o príncipe sorrindo dirigiu-se ao rei seu sogro que repelia todos os acepipes que lhe punham na frente.

“Majestade não comeis”

“Não tenho apetite alteza”

“Não tendes apetite ou não vos sabe a nada o que lhe é servido”

“A verdade majestade é foi cozinhado todos os vossos alimentos sem sal”

“Sem sal? Mas porquê alteza?”

“A princesa minha mulher que vos vou apresentar agora vos explicará a razão majestade”

“Rosabela vem”

“Senhor rei, pai, amigo, meu amor não tem igual eu lhe quero como quero às pedras brancas do sal” – cantou-lhe ela.

Assim compreendeu o rei o muito amor que a sua filha mais nova lhe dedicava, logo abraçou Rosabela a pedir-lhe desculpa da injustiça que lhe praticara e a princesinha no meio da alegria geral garantiu ao soberano que não lhe guardava nenhum ressentimento pois na verdade quando lhe sucedera permitira descobrir a sua própria felicidade.

E tudo acabou em bem e nas horas de descanso o príncipe e a princesa divertiam-se imenso no meio dos patinhos recordando tempos antigos, cantando:

“Pata aqui, pata ali, filha de rei a guardar patos, foi coisa que eu nunca vi foi coisa que nunca vi”

——

Daniel Sabino

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Odette de Saint-Maurice

Data de Transmissão: 

Tramistido por: Emissora Nacional

 

Data de Gravação: Março de 1960

Gravação realizada por: Jaime Filipe, Matos Ferreira e Alberto Nunes

Local da Gravação: Estúdio A da Rua do Quelhas, e no Estúdio de São Marçal

 

Música de fundo: Maestros Jorge Machado ou Tavares Belo

Canções de: Jaime Filipe

Capa do Áudio: Bruno Leal

Rosabela: Maria Armanda

Patos: Rui Luís

Rei: Joaquim Rosa

Fada Madrinha: Maria Lalande

Principe: Osvaldo André

Narrador: Era uma vez um velho rei, Pai de 3 filhas.  

Certo dia, resolveu saber qual das Princesas o estimava mais para escolher a ciência do trono, convocou as a todas.  

Rei: Diz-me filha, a primeira, como é que tu gostas de mim?  

Primeira princesa: Senhora Rei e pai amigo juro em nome de Deus que lhe quero Ao olhar dos olhos meus.  

Rei: Muito bem, sabes querer nesse caso e decoração do agradeço e tu filha segunda diz me como é Que tu gostas de mim?  

Segunda princesa: Senhora Rei e pai amigo, aí filho quem Sonhos nenhum O mal tempo do meu.  

Rei: Muito bem, sabes querer nesse caso e do Coração de fico. Obrigado.  

E agora tinha a terceira dize-me.  

Como é que tu gostas de mim?  

Terceira princesa: Senhor Rai pai amigo, Meu Amor, não em igual, eu lhe quero como quero às pedras brancas do sal.  

Narrador: Foram grandes o Pasmo e a ira do Rei, que achou de péssimo gosto de resposta da mais nova das princesinhas e sem aceitar quaisquer explicações, logo, declarou.  

Rei: Esta filha ingrata e má nunca mais a quero ver e o meu reino dividido pelas suas irmãs vai ser ponham a princesa daqui para fora sem ordem daqui voltar que me queira como o sal não lhe posso perdoar.  

Vários: ponham a princesa daqui para fora sem ordem daqui voltar que me queira como o sal não lhe posso perdoar.  

Fada madrinha: Não chores rosabela, não chores.  

Rosabela: Mas Fada Madrinha o meu pai não me entendeu muito.  

Fada madrinha: Um dia compreenderá como é grande a tua amizade, rosabela.  

Rosabela: E agora? O que é que ei de fazer?  

 Fada madrinha: Tens de obedecer às suas ordens como filha respeitadora, que és sem te importares que o Reino seja das tuas irmãs.  

Rosabela: Não lamento não ter sítio herdeira do trono.  

Fada madrinha: Bem, eu sei rosabela.  

Custa te sim ter perdido a afeição do teu pai.  

Seja como for, nada remedeia ficar por aqui.  

Ou rosabela, Abandono aos teus vestidos ricos, Cobre-te de barracos, despenteia e suja os teus lindos cabelos doirados infarrusca o teu Belo rosto de modo é tornaste irreconhecível. E vai tudo aqui para muito longe, só deves parar quanto a oferecer em uma ocupação que nenhuma princesa tenha tido nunca aí ficarás a trabalhar.  

Rosabela: Está bem fada Madrinha, eu vou.  

Fada madrinha: E agora toma este anel.  

Rosabela: Tu e tão pequenino.  

Fada madrinha: Guarda o bem guardado, dentro de uma boa Rocinha junto ao peito, não luzes não quando precisares de satisfazer algum desejo muito grande, Quando tal suceder enfia-o no dedo mindininho e chama o meu nome.  

Narrador: Por ser princesinha, rosa dela caminho, atravessou terras e terras. Tem muitos sítios pessoas conduzidas no meu pobrezinho tão miserável ofereceram de trabalho, mas nunca nenhum parecia nunca ter sido feito por qualquer princesa. Até que por fim, numa grande cidade certa, melhor tá ganhando por um almoço e lhe perguntou se queria guardar os pratos do Palácio real.  

Rosabela: Guardar Patos foi coisa que eu numa princesa fiz com certeza. Os símbolos ler aceito como tu gosto.  

Narrador: E assim ficou uma princesa disfarçada de mentira, acordar Patos e muitas vezes admirada com o Seu próprio destino ela Repetia a si própria, pata aqui, pata ali, filha de Rea guardar patos, foi coisa que eu nunca vi. Foi coisa que não vi e espetinhos de tanto ouvirem já sabiam aquela cançoneta aqui. .  

Narrador: Tantas vezes te sucedeu com A Princesa Rosa Bela cantar os patinhos a dançar em roda dela Que certo dia, o príncipe herdeiro a voltar da casa, surpreendeu a estranha sim, ficou intrigadíssimo.  

Príncipe: Filho dos reis, a guardar pato.  

Foi coisa que nunca vi como seria? Tenho que ver se isto é algum mistério ou se não quer dizer nada.  

Narrador: Ora acontecia aqui todas as noites, quando se fechava no quartinho, onde dormia, Rosabela se arranjava e vende água de moto que ficava tão bonita como Sempre fora E quando, naquela madrugada, o príncipe foi espreitar pela fechadura à espera do poder descobrir carreira. Na verdade, a curadora dos Patos a dormir era a mais linda rapariga que os seus olhos jamais tinham visto. Tão maravilhado ficou, que correu para o Real Palácio.  

Príncipe: Senhor e Mãe Rainha.  

Quero casar-me com a guardadora de Patos.  

Que é com certeza uma princesa disfarçada.  

Rainha: Não está em ti meu filho, príncipe?  

Mesmo que assim seja, está interessado no Princesa Rica e não como a princesa pobre, sabes perfeitamente que vamos dar um grande baile para não excluir da tua Noiva.  

Príncipe: Nada disso, não importa a Senhora, minha Mãe Rainha.  

É com a guardadora de Patos que desejo casara-me.  

Narrador: Andava rosa dela no seu entretenimento favorito. No dia seguinte, quando foram buscá-la para a levarem à Rainha.  

Rainha: Quero saber a verdade, entendes?  

És ou não uma princesa disfarçada?  

Responda aqui vendo meu filho, príncipe.  

Rosabela: Mas majestade não compreendo por que me faz esta pergunta.  

Rainha: O meu filho, príncipe, viu que ia dormir e diz que és uma linda princesa e que quer casar contigo.  

Rosabela: Majestade, isso foi um sonho que o príncipe teve, sem dúvida.  

Príncipe: Um sonho.  

Rainha: Há confessas, portanto, que não és linda nem princesa.  

Rosabela: Vossa majestade, vê que não passo de uma feia e humilde guardadora de Patos.  

Narrador: Ficou o príncipe do seu lado enquanto assustada com o ar zangado da Rainha Sabendo que não podia aprovar de forma nenhuma a sua verdadeira identidade, voltou a pobre princesinha guardar os seus Patos agora triste como nunca.  

Chegou por fim a noite do grande baile durante o Paulo Príncipe devia de escolher noiva.  

Fechada no seu quarto suspirava rosa dela quando se lembrou do anel que a fada madrinha lhe dera logo o enfiou no dedo  

Fada madrinha: Que deseja Rosabela  

Rosabela: Fada madrinha gostava tanto, tanto tira o baile do príncipe.  

Fada madrinha: Pois Rosabela, irás, mas quem és a ninguém dirás  

Narrador: No mesmo instante, A Princesinha viu a seu lado um vestido feito índice do Douro recoberto com pedras preciosas e tenha sapatos e luvas e carteiras jóias. Tudo a condizer, era maravilhoso, então rapidamente preparou-se e ficou tão Bela que por certo não havia no mundo princesa que se comparasse.  

No palácio real, no meio da esplendorosa festa. O principe logo notou a recem chegada reconhecendo imediatamente também testa com o rosto, estava certo de ter visto Sem serem Sonhos. Nunca mais dançou com outro par Nem solto pedir-se.  

Príncipe: Eu porem favor, não me digas não. Vou-te o Meu Amor da me O Coração, por tudo imploro diz-me quem tu és.  

Sabes que te adoro tens meu Reino aos teus.  

hás de ser rainha deste meu país, Doce princesinha torna-me feliz.  

Narrador: Rosa dela, porém, lembrava-se da recomendação da sua Fada Madrinha e quando compreendeu que eu poderia por ser descoberta, embora o seu desejo fosse ficar se fugir ao princípio quanto antes e escapou-se dos braços tão rapidamente que eu embora tentasse lhe segurar minhas mãos não pode reter. E já a princesinha ia Longe Quando o lado mais seguro, pelo que ficar Entre os dedos, um pequeno objeto, um anel minúsculo.  

Príncipe: E digo minha mãe Rainha que só não casarei com a dona deste anel.  

Narrador: Por ordem da Rainha, não houve nem princesa nem fidalga que não tentasse enfiar em qualquer dos dedos do anelzinho. Este, porém, não servia a nenhum.  

E depois das Princesas e Fidalgas vieram experimentar, uniam todas as raparigas do Reino. E entre as mais por ordem do príncipe, a guardadora de Patos que sem nenhuma dificuldade, enviou o anel, um dos dedos mindinhos, assim descoberta, não teve rosabela outro remédio se não contar com o que acontecera.  

No meio do entusiasmo geral decretou o príncipe grandes festejos.   

no dia do casamento, para Assistir ao banquete. Foram convidados o pai e as irmãs da rosabela que de nada sabiam, Claro. Quando estavam todos a Mesa, o Príncipe sorrindo dirigiu-se ao Rei, seu sogro, que amplia todos os picos que lhe arrepiam todos os assopipos que lhe punham na frente.  

Príncipe: Majestade, Não comeis?  

Pai: Não tenho apetite, vossa alteza.  

Príncipe: Não tendes apetite ou não vos sabe a nada o que lhes é servido?  

A verdade, majestade é quando a cozinhar todos os vossos alimentos sem sal sem.  

Pai: Sem sal mas porquê sua alteza?  

Príncipe: A princesa, minha mulher que vou apresentar José agora do explicará A razão sua majestade.  

Rosabela: Senhor rei e pai amigo meu Amor não tenho igual eu lhe quero como quero as pedras brancas do sal.  

Narrador: Assim, compreendeu o velho rei, muito amor que a filha mais nova lhe dedicava. Logo abraçou rosabela e pedia Desculpa da injustiça que praticara e o princesinho no meio da alegria geral, garantiu ao soberano que não engordava nenhum outro sentimento. Pois, afinal, quanto suceder a permitir aquela encontra-se a própria Felicidade.  

Tudo acabou em bar e nas horas de descanso o príncipe e a Princesa divertiram-se imenso no meio dos Patinhos, recordando tempos antigos.

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É tão especial padrinho Pascoal, não é? Mora naquela quinta zona, nunca sai e quando chega a Páscoa é que se lembra de escrever a mandar nos ir almoçar com ele.

A Missa da Meia-Noite

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Mesmo aqueles que como tu no ano passado, por uma ou por outra razão, não se aproximaram da eucaristia, o que, é claro, é um verdadeiro gesto de amor, mas mesmo assim prestam a sua homenagem.