O Cavalo Mágico

O Cavalo Mágico

O Cavalo Mágico

 

História

Sinopse da história

Esta é a história de Mariana que no seu aniversário encontrou um rapaz, acabando por se casar com ele, mas ele não era quem parecia.

Ela livra-se dele e vai para o exército aonde se torna num Sargento.

A Rainha que tenta seduzir o Sargento em vão, começa a inventar histórias sobre o sargento.

Imagem criada por: Maria Dias

 

Mariana era uma moça bonita e inteligente. Morava num lindo palacete com o seu pai, que era um rico negociante. No dia do seu aniversário, houve uma bela festa, na sua casa, à qual compareceram numerosos convidados.

Nessa festa, apareceu um rapaz simpático e muito bem-vestido, que se apaixonou por Mariana. Pediu a moça em casamento e foi aceite, pois nada havia contra ele. O casamento realizou-se, pouco depois, com grande pompa.

Depois da cerimónia, quando Mariana se preparava para acompanhar o marido, apareceu-lhe Nossa Senhora, sua madrinha, que lhe disse o seguinte:

« Minha filha, fique a saber que você se casou com o Diabo, metido na figura desse moço bonito. Depois da festa, quando ele quiser levá-la para casa, deverá você dizer a seu pai que prefere o cavalo mais magro e mais feio que houver na estrebaria; e, quando chegar ao lugar em que a estrada se encontra com outra, formando uma cruz, deixe o seu marido seguir pela esquerda; tomará a direita e mostrará ao Diabo o rosário, para que ele estoure e volte para o inferno.»

Pouco antes da meia-noite, o marido resolveu partir com a moça, mandando selar os cavalos. Veio para Mariana um lindo cavalo branco, muito gordo. Mas a moça recusou-o, dizendo preferir o cavalo mais feio e magro que estivesse na estrebaria. O seu pai estranhou o pedido, mas atendeu ao desejo da filha.

Os noivos partiram. Quando chegaram ao lugar em que a estrada formava uma cruz com outra, o Diabo quis que a moça tomasse a esquerda e passasse adiante. Então, Mariana disse:

« Não, vá à frente você, que sabe o caminho da sua casa. Eu nunca fui lá e jamais irei. Dizendo isso, Mariana tomou logo a direita e mostrou o rosário ao marido.»

 

Ouviu-se, então, um grande estouro. A terra abriu-se, deixando sair um forte cheiro de enxofre. E o Diabo sumiu nas profundezas do inferno.

Mariana disparou o cavalo e, quando estava bem longe, entrou na floresta e vestiu uma roupa de homem, de cor verde. Continuou a viagem e, chegando à capital do reino, foi servir no exército. Pouco depois, foi promovida ao posto de sargento e, devido à cor da sua roupa, ficou a ser conhecida por Sargento Verde.

O rei simpatizou com o garboso sargento e mandou-o servir na guarda do palácio. Quase todas as tardes, quando ia passear no jardim, o rei levava consigo o Sargento Verde e acabou a tomar-lhe grande amizade.

A rainha, quando viu o Sargento Verde, ficou logo apaixonada por ele. Tentou, por diversas vezes, seduzi-lo, dizendo que mataria o rei, se ele prometesse casar-se com ela. Mas o Sargento Verde respondia sempre:

«Deixe-me em paz. Nunca trairei o meu soberano.»

Desapontada com a recusa do Sargento, a rainha resolveu vingar-se. Procurou o marido e disse-lhe:

« Saiba Vossa Majestade que o Sargento Verde declarou ser capaz de subir e descer as escadas do palácio, montado no seu cavalo em disparada, dançando e atirando ao ar três ovos, que tornarão a cair dentro de um copo, sem se quebrarem.»

O rei, admirado, mandou chamar o Sargento Verde e perguntou-lhe se era verdade.

« Eu não disse tal coisa, real senhor, respondeu o Sargento. Mas como foi a rainha, minha senhora, que o afirmou, vou tentar fazê-lo.»

O Sargento Verde saiu dali muito triste. Sentou-se à porta da sua casa. Com grande espanto, viu o seu cavalo aproximar-se e dizer-lhe:

« Não tenha receio, meu senhor. No dia marcado, faça o que prometeu, e tudo sairá bem.»

 

 

 

Assim foi. O Sargento Verde fez tudo o que a rainha inventara. O povo, deu-lhe muitos vivas e o rei apertou-lhe a mão, admirado da sua habilidade.

A rainha não desistiu de se vingar. Alguns dias depois, procurou o rei e disse-lhe:

« Saiba Vossa Majestade que o Sargento Verde declarou ser capaz de plantar, na hora do almoço, uma laranjeira do tamanho de um palmo, e que, à hora do jantar, já estará carregada de laranjas.»

O rei chamou o Sargento e ordenou-lhe cumprir a sua palavra. Com o auxílio do seu cavalo mágico, ele conseguiu fazer tudo, como da primeira vez, sendo muito aplaudido pelo povo.

A rainha ficou furiosa, mas não desanimou. No fim de três dias, procurou o rei e pregou nova mentira:

« O Sargento Verde declarou ser capaz de ir buscar a irmã de Vossa Majestade, que está encantada no fundo do mar.»

O rei ficou muito satisfeito e deu ordem ao Sargento para que cumprisse a promessa. Mariana ficou aflita. Pensava que, desta vez, nada poderia fazer e seria enforcada. Mas o cavalo mágico tranquilizou-a:

« Não tenha receio. Arranje um garrafão de azeite, um punhado de cinza e uma carta de alfinetes. Monte em mim e, quando chegar à praia, corte as ondas em cruz com a sua espada. As águas abrir-se-ão. Entre pelo mar adentro até chegar à caverna onde se acha a princesa encantada. Rapte-a, ponha-a na garupa e corra, para trás, a todo o galope. O dragão que guarda a princesa sairá na nossa perseguição. Assim que ele estiver perto, derrame, primeiro, o azeite, depois a cinza e, por último, a carta de alfinetes.»

Mariana fez tudo como o cavalo havia ensinado. Raptou a princesa e voltou na disparada. O dragão perseguiu-a. Quando estava bem perto, ela derramou o garrafão de azeite. Formou-se uma grande lagoa, onde o dragão quase se afogou. O monstro conseguiu sair da lagoa e continuou a perseguir os fugitivos.

 

Quando estava quase a alcançá-los, Mariana atirou um punhado de cinzas. Formou-se um espesso nevoeiro. O dragão custou a atravessá-lo, mas não desanimou de perseguir os fugitivos. Continuou a correr no seu encalço. Quando estava quase agarrando-os, Mariana jogou para trás a carta de alfinetes. Formou-se, então, um bosque de espinhos no qual o dragão se debateu e acabou a morrer.

Quando chegaram ao palácio, foram recebidos com grande alegria. Mas o rei não ficou de todo satisfeito, porque a princesa, salva do monstro, nada dizia. Estava muda. Mariana consultou o cavalo e este disse-lhe:

« Apanhe as minhas rédeas e bata com as mesmas três vezes nas costas da princesa, e ela falará.»

O Sargento seguiu o conselho do cavalo. Então, a princesa desencantou-se e voltou a falar. As suas primeiras palavras foram estas:

«Se o Sargento Verde fosse homem, o rei, meu irmão, teria sido enganado pela rainha.»

Diante disso, Mariana despiu a farda e voltou a usar trajes de moça. O cavalo desencantou-se e virou um príncipe muito bonito que se casou com a princesa. E o rei, indignado com o procedimento da esposa, divorciou-se dela e condenou-a à prisão perpétua. Mais tarde, casou-se com Mariana que, assim, se tornou rainha.

 

——

Pedro Pereira

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História da Carochinha

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Foi a carochinha comprar muitas fitas, rendas, flores, braceletes d’ouro e brincos; enfeitou-se muito enfeitada e foi-se pôr à janela, dizendo:
«Quem quer casar com a carochinha
Que é bonita e perfeitinha?»

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História

Sinopse da história

Era uma vez um príncipe que andava à caça, acabou por ficar com sede, mas com sorte encontrou três cidras, mas cada uma destas cidras acabaria por se tornar numa rapariga com quem ele acabaria por casar.

Imagem criada por: Duarte Martins

 

Era uma vez um príncipe, que andava à caça: tinha muita sede, e encontrou três cidras, abriu uma, e logo ali lhe apareceu uma formosa menina, que disse:

« Dá-me água, senão morro.»

O príncipe não tinha água, e a menina expirou. O príncipe foi andando mais para diante, e como a sede o apertava partiu outra cidra. Desta vez apareceu-lhe outra menina ainda mais linda do que a primeira, e também disse:

«Dá-me água, senão morro.»

Não tinha ali água, e a menina morreu, o príncipe foi andando muito triste, e prometeu não abrir a outra cidra senão ao pé de uma fonte. Assim fez, partiu a última cidra, e desta vez tinha água e a menina viveu.

Tinha-se-lhe quebrado o encanto, e como era muito finda, o príncipe prometeu casar com ela, e partiu dali para o palácio para ir buscar roupas e levá-la para a corte, como sua desposada.

Enquanto o príncipe se demorou, a menina olhou dentre os ramos onde estava escondida, e viu vir uma preta para encher uma cantarinha na água, mas a preta, vendo figurada na água uma cara muito linda, julgou que era a sua própria pessoa, e quebrou a cantarinha dizendo:

 

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« Cara tão linda a acarretar água! Não deve ser.»

A menina não pôde conter o riso, a preta olhou, deu com ela, e enraivecida fingiu palavras meigas e chamou a menina para ao pé de si, e começou a catar-lhe na cabeça.

Quando a apanhou descuidada, meteu-lhe um alfinete num ouvido, e a menina tornou-se logo em pomba. Quando o príncipe chegou, em vez da menina achou uma preta feia e suja, e perguntou muito admirado:

« Que é da menina que eu aqui deixei?»

«Sou eu, disse a preta. O sol crestou-me enquanto o príncipe me deixou aqui.»

O príncipe deu-lhe os vestidos e levou-a para o palácio, onde todos ficaram pasmados da sua escolha.

Ele não queria faltar à sua palavra, mas roía calado a sua vergonha.

O hortelão, quando andava a regar as flores, viu passar pelo jardim uma pomba branca, que lhe perguntou:

« Hortelão da hortelaria, Como passou o rei E a sua preta Maria?»

Ele, admirado, respondeu:

« Comem e bebem, E levam boa vida.»

«E a pobre pombinha por aqui perdida!»

O hortelão foi dar parte ao príncipe, que ficou muito maravilhado, e disse-lhe:

«Arma-lhe um laço de fita.»

Ao outro dia passou a pomba pelo jardim e fez a mesma pergunta: o hortelão respondeu-lhe, e a pombinha voou sempre, dizendo:

« Pombinha real não cai em laço de fita.»

O hortelão foi dar conta de tudo ao príncipe, disse-lhe ele:

« Pois arma-lhe um laço de prata.»

Assim fez, mas a pombinha foi-se embora repetindo:

« Pombinha real não cai em laço de prata.»

Quando o hortelão lhe foi contar o sucedido, disse o príncipe:

«Arma-lhe agora um laço de ouro.»

 

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A pombinha deixou-se cair no laço, e quando o príncipe veio passear muito triste para o jardim, encontrou-a e começou a afagá-la, ao passar-lhe a mão pela cabeça, achou-lhe cravado num ouvido um alfinete.

Começou a puxá-lo, e assim que lho tirou, no mesmo instante reapareceu a menina, que ele tinha deixado ao pé da fonte.

Perguntou-lhe porque lhe tinha acontecido aquela desgraça e a menina contou-lhe como a preta Maria se vira na fonte, como quebrou a cantarinha, e lhe catou na cabeça, até que lhe enterrou o alfinete no ouvido.

O príncipe levou-a para o palácio, como sua mulher e diante de toda a corte perguntou-lhe o que queria que se fizesse à preta Maria.

« Quero que se faça da sua pele um tambor, para tocar quando eu for à rua, e dos seus ossos uma escada para quando eu descer ao jardim.»

Se ela assim o disse, o rei melhor o fez, e foram muito felizes toda a sua vida.

 

——

Artem Ivanchenko

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História da Carochinha

História da Carochinha

Foi a carochinha comprar muitas fitas, rendas, flores, braceletes d’ouro e brincos; enfeitou-se muito enfeitada e foi-se pôr à janela, dizendo:
«Quem quer casar com a carochinha
Que é bonita e perfeitinha?»

História da Carochinha

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Carochinha

 

História

Sinopse da história

O famoso conta da Carochinha é conhecido por tudo o mundo, conta a história de uma carochinha que depois de se tornar muito rica decide irá à busca de um parceiro perfeito para casar.

Imagem criada por: David Pinto

Era uma vez uma carochinha que andava a varrer a casa e achou cinco reis e foi logo ter com uma vizinha e perguntou-lhe:

«Compra doces.» — «Nada, nada, que é lambarice.»

Foi ter com outra vizinha e ela disse-lhe o mesmo; depois foi ainda ter com outra que lhe disse:

«Compra fitas, flores, braceletes e brincos e vai-te pôr à janela e diz:

Quem quer casar com a carochinha.

Que é bonita e perfeitinha?»

Foi a carochinha comprar muitas fitas, rendas, flores, braceletes d’ouro e brincos; enfeitou-se muito enfeitada e foi-se pôr à janela, dizendo:

«Quem quer casar com a carochinha

Que é bonita e perfeitinha?»

Passou um boi e disse:
«Quero eu.»
«Como é a tua fala?»

«Ú, ú…»
«Nada, nada não me serves que me acordas os meninos de noite.»

Depois tornou outra vez a dizer:

«Quem quer casar com a carochinha

Que é bonita e perfeitinha?»

Passou um burro e disse:
«Quero eu.»

«Como é a tua fala?»

«Eu ó… eu ó…»

«Nada, nada não me serves, que me acordas os meninos de noite.»

Depois passou um porco e a carochinha disse-lhe:
«Deixa-me ouvir a tua fala.»

«On, on, on.»

«Nada, nada não me serves, que me acordas os meninos de noite.»

Passou um cão e a carochinha disse-lhe:
«Deixa-me ouvir a tua fala.»

«Béu, béu.»

«Nada, nada não me serves, que me acordas os meninos de noite.»

Passou um gato.
«Como é a tua fala?»

«Miau, miau.»

Nada, nada, não me serves, que me acordas os meninos de noite.»

Passou um ratinho e disse:

«Quero eu.»

«Como é a tua fala?»

«Chi, chi, chi.»

«Tu sim, tu sim; quero casar contigo.» disse a carochinha.

Então o ratinho casou com a carochinha e ficou a chamar-se João Ratão.

Viveram alguns dias muito felizes, mas tendo chegado o domingo, a carochinha disse ao João Ratão que ficasse ele a tomar conta na panela que estava ao lume a cozer uns feijões para o jantar.

O João Ratão foi para junto do lume e para ver se os feijões já estavam cozidos meteu a mão na panela e a mão ficou-lhe lá; meteu a outra; também lá ficou; meteu-lhe um pé; sucedeu-lhe o mesmo, e assim em seguida foi caindo todo na panela e cozeu-se com os feijões.

Voltou a carochinha da missa e como não visse o João Ratão, procurou-o por todos os buracos e não o encontrou e disse para consigo.
«Ele virá quando quiser e deixa-me ir comer os meus feijões.»

Mas ao deitar os feijões no prato encontrou o João Ratão morto e cozido com eles.

Então a carochinha começou a chorar em altos gritos e uma tripeça que ela tinha em casa perguntou-lhe:

«Que tens, carochinha, Que estás aí a chorar?»
«Morreu o João Ratão, e por isso estou a chorar»

«E eu que sou tripeça, ponho-me a dançar.»

Diz d’ali uma porta:
«Que tens tu, tripeça, Que estás a dançar?»

«Morreu o João Ratão, Carochinha está a chorar, e eu que sou tripeça, pus-me a dançar.»

«E eu que sou porta, ponho-me a abrir e a fechar.»

Diz d’ali uma trave:
«Que tens tu, porta, Que estás a abrir e a fechar?»

«Morreu o João Ratão, Carochinha está a chorar, a tripeça está a dançar, e eu que sou porta pus-me a abrir e a fechar.»

«E eu que sou travo quebro-me.»

Diz d’ali um pinheiro:
«Que tens, trave, Que te quebraste?»

«Morreu o João Ratão, Carochinha está a chorar, a tripeça está a dançar, a porta a abrir e a fechar, e eu quebrei-me.»

«E eu que sou pinheiro, arranco-me.»

Vieram os passarinhos para descançar no pinheiro e viram-no arrancado e disseram:
«Que tens, pinheiro, que estás no chão?»

«Morreu o João Ratão, Carochinha está a chorar, a tripeça está a dançar, a porta a abrir e a fechar, a trave quebrou-se, e eu arranquei-me.»

«E nós que somos passarinhos vamos tirar os nossos olhinhos.»

Os passarinhos tiraram os olhinhos, e depois foram á fonte beber água.
E diz-lhe a fonte:

«Porque foi passarinhos, que tirastes os olhinhos?»

«Morreu o João Ratão, a Carochinha está a chorar, a tripeça está a dançar, a porta a abrir e a fechar, a trave quebrou-se, o pinheiro arrancou-se, e nós, passarinhos, tirámos os olhinhos»

«E eu que sou fonte, seco-me.»

Vieram os meninos do rei com os seus cantarinhos para levarem água da fonte e acharam-na seca e disseram:
«Que tens, fonte, que secaste?»

«Morreu o João Ratão, a carochinha está a chorar, a tripeça a dançar, a porta a abrir e a fechar, a trave quebrou-se, o pinheiro arrancou-se, os passarinhos tiraram os olhinhos, e eu sequei-me.»

«E nós quebramos os cantarinhos.»

Foram os meninos para palácio e a rainha perguntou-lhe:

«Que tendes, meninos, que quebrastes os cantarinhos?»

«Morreu o João Ratão, a carochinha está a chorar, a tripeça a dançar, a porta a abrir e a fechar, a trave quebrou-se, o pinheiro arrancou-se, os passarinhos tiraram os olhinhos, a fonte secou-se, e nós quebrámos os cantarinhos.»

«Pois eu que sou rainha, andarei em fralda pela cozinha.»

Diz d’ali o rei:

«E eu vou arrastar o c… Pelas brasas.»

——

Daniel Sabino

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Odette de Saint-Maurice

Data de Transmissão: 

Transmitido por: Emissora Nacional

 

Data de Gravação: 1958

Gravação realizada por: Jaime Filipe, Matos Ferreira e Alberto Nunes

Local da Gravação: Estúdio A da Rua do Quelhas, e no Estúdio de São Marçal

 

Música de fundo: Maestros Jorge Machado ou Tavares Belo

Canções de: Jaime Filipe

Capa do Áudio: Mariana Saraiva

João Ratão: João Perry

Carochinha: Maria Armanda

boi, burro, porco, cão, gato: Rui Luís

Narrador: Certo dia aconteceu. 

Aconteceu que uma linda carochinha pobre, mas trabalhadora como ninguém e que vivia feliz, sem desejar mais do que tinha. 

Ao varrer a casa numa Bela manhã? 

Reparou que, em um canto da sala de jantar no chão, brilhava qualquer coisa.  

Carochinha: Aí, parece uma moeda. 

Carochinha: Uma moeda de ouro. 

Narrador: Era uma moeda de oiro, então radiante, com o achado a Formosa carochinha decidiu imediatamente Mudar de Vida. 

Carochinha: Aí que bom, que bom, que bom. 

Carochinha: Agora chama caixinha rica e confortável para ceder. Vou comprar vestidos, casacos, chapéus, sapatos, luvas, carteiras, meias, joias, mobília.  

Carochinha: E depois casa me com pretendente que seja bem a meu gosto. 

Narrador: E não pensou 2 vezes dona carochinha ajanotou-se alindou-se até foi ao cabeleireiro das carochinhas elegantes. Empurrou se e toda enfeitada pôs-se à janela. 

Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha. 

Boi: Quero eu. 

Boi: Quero eu. 

Boi: Quero eu. 

Carochinha: Sim quer? E que nome tem o meu pretendente. 

Boi: Eu? Chamo-me boi. 

Carochinha: E qual é a sua ocupação? 

Boi: Trabalho nos Campos e puxo Carroça. 

Carochinha: E nas horas vagas, é capaz de cantar para me distrair. 

Boi: Sou sim. 

Carochinha: Então canta um pouco para eu saber se gosto da sua voz. 

Boi: (Barulhos de boi) 

Boi: Aí que voz tão feia. 

Carochinha: Não me serve, não me serve. 

Boi: Então adeus Carochinha, boa sorte. 

Carochinha: Deus passe bem o livra. Espero arranjar um novo, com melhor apresentação.  

Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha. 

Cão: Quero eu, quero eu.  

Carochinha: E qual é o seu nome? 

Cão: O meu nome é cão. 

Carochinha: E em que se ocupa? 

Cão: Largo tudo o que me mandam. 

Carochinha: Será capaz de cantar para me distrair? 

Cão: Então não vai de ser, quero ouvir? 

(barulhos de cão) 

Carochinha: Aí que maneira de cantar tão desagradável não me serve, não me serve bem, é um bom. 

Cão: Então adeus Carochinha e boa sorte. 

Carochinha: Adeus adeus passe bem. 

Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha. 

Gato: Quero eu quero eu. 

Carochinha: Sim, e o seu nome qual é? 

Gato: Gato, sou gato 

Carochinha: E a sua ocupação se faz favor? 

Gato: Caço pardais quando não durmo 

Carochinha: E é capaz de cantar para me distrair? 

Gato: Já se sabe que sim. 

Carochinha: Então cante para apreciar a apreciar a sua voz? 

Gato: (Brulhos de gato) 

Carochinha: Aí não, não é muito irritante essa maneira de cantar. Não me serve, não me serve. 

Gato: Então adeus Carochinha e boa sorte. 

Carochinha: Não se preocupe, que não me faltam pretendentes. 

Carochinha: Ei de arranjar um a meu gosto. 

Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha. 

Galo: Quero eu, quero eu, quero eu. 

Carochinha: Então diga como é que se chama. 

Galo: Chamo-me galo. 

Carochinha: É a sua ocupação? 

Galo: Que cantar à meia-noite para dizer que chegou o dia seguinte. 

Carochinha: Aí que bom, então, deve saber cantar para me distrair. 

Galo: Claro que sei e tenho boa voz ora oiça. 

Galo: (barulhos de galo) 

Carochinha: Quero um marido que saiba cantar para mim e não para entreter toda a vizinhança. 

Galo: Então adues Carochinha e boa sorte. 

Carochinha: Adeus, adeus siga o seu caminho. 

Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha. 

João Ratão: Quero se tu quiseres linda Carochinha. 

Carochinha: E quem és tu? 

João Ratão: Eu sou João Ratão da família dos ratinhos que nunca chegam a ratazanas. 

Carochinha: E que fazes? 

Carochinha: E que te ocupas? 

João Ratão: Coisas que não tem importância. 

Porque se me queres dar contigo, só me preocuparei com o que for do teu agrado. 

Juro-te que havemos de ser felizes. 

Carochinha: E serás tu capaz de cantar para me distrair? 

João Ratão: A minha voz é fraquinha, mas posso tentar. 

João Ratão: Sou um rato pequenino que bem dirá o destino se puder migar a vida à Carochinha querida. 

Carochinha: Que bem que tu cantas João Ratão. 

Carochinha: Contigo vou casar mais nenhum quero escutar. 

Narrador: E casaram a carochinha e o João Ratão foi linda a festa da boda e o casal viveu sempre felicíssimo. 

Narrador: O boi o cão, o gato e o Galo despeitado arranjaram uma intriga. Fizeram constar que o João Ratão era um guloso e que um dia às escondidas da carochinha, tinha ido à panela da sopa a fim de comer um pedaço de toucinho e que tombara dentro dela, estando quase a morrer cozido e assado no caldeirão coisas que se inventam. A verdade é só esta. 

Quem quer casar com a carochinha.

Que é bonita e perfeitinha?»

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O Macaco do Rabo Cortado

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História

Sinopse da história

Era uma vez, um macaco que nunca pensava duas vezes a mesma coisa, ao longo da história foi contradizendo-se até o dia em que realizou uma boa ação.

Imagem criada por: David Pinto

Era uma vez um macaco que nunca pensava duas vezes a mesma coisa que vivia em frente à loja do barbeiro, e passava o dia a zombar os clientes, indignado com a situação, o barbeiro decidiu vingar-se.

“Macaco, macaquinho. Andas-me lindo, está boa a saúde?”

“Que amável está, hoje o meu vizinho barbeiro. E o mestre barbeiro como vai?”

“Agradecido, sem mal que me chegue e bem-disposto ainda por cima”

“Sim”- diz o macaco

“É que me agrada tê-lo como vizinho tão gracioso tão elegante”

“Sim? Eu sou elegante e gracioso?”

“Ah muito, muito até lhe digo mais se não fosse o seu rabo tão comprido como o seu que o desfeia até parecia tão homem quanto eu”

“Asserio?”

“Seríssimo quer experimentar?”

“Como?”

“Corto-lhe o rabo quer exprimentar?”

“Quero pois!”

E mestre barbeiro cortou o rabo ao macaco, este, porém ao ver que toda a gente o troçava na rua percebeu que fizera grossa asneira arrependeu-se e voltou ao barbeiro.

“Amigo barbeiro. Não me agrada nada ter ficado sem o meu rabinho de macaco, faça favor de o pô-lo no seu lugar”

“Impossível”

“Anh? Impossível? Pois levo-lhe daqui uma navalha”

E levou mesmo. E para não continuar a suportar a troça da vizinhança decidiu correr mundo, não ia ainda muito distante, quando topou com um padeiro que estava sentado no chão junto do cesto cheio, a comer um enorme pão que ia partindo com os dedos o macaco parou a olhá-lo.

“Ei! Homenzinho! Não se sabe que não se corta a comida com os dedos, isso é muito feio”

“Eu sei que é feio, mas eu esqueci-me de trazer como cortar o pão”

“Pegue lá a minha navalha, que está muito bem afiada”

Poucos passos andados, logo se arrependeu o macaco de ter dado a navalha.

“É padeiro dê lá a navalha que eu ainda posso precisar dela”

“Ah tenho muita pena senhor macaco, mas é que eu a entreguei ao meu filho mais novo, não fosse eu perdê-la”

“Ah, pois, vais pagá-la bem paga, levo-te daqui um pão”

Logo depois viu uma peixeira a assar as sardinhas na brasa comendo-as logo a seguir

“Sardinhas sem pão é comida do glutão”

“Ah eu sei, mas hoje a venda foi má e eu não tive dinheiro para comprar pão”

“Toma lá o meu pão”

E o macaco seguiu avante, mas pouco depois…

“Peixeira! Oh! Peixeira! Afinal pensei melhor e quero o meu pão”

“Mas agora é impossível já o comi”

“Pois levo-te daqui uma sardinha”

E fugiu com a sardinha, e foi ter a um riacho, onde estava uma lavadeira a lavar roupa e a lastimar-se

“Pobrezinha de mim pobrezinha de mim que vou ficar sem almoço, esqueci-me do farnel em casa”

“Ah e se eu te desse uma sardinha para comer, ficavas satisfeita?”

“Muito senhor macaco muito”

“Então pega-a lá”

Mal, porém, a lavadeira acabara de engolir a sardinha

“Entrega-me a sardinha, não ouves, quero a minha sardinha”

“Senhor macaco. Comia-a logo que me a deu”

“Quero a sardinha e se não me a dás levo-te da roupa uma camisa”

Distante do riacho havia um moinho e aí foi parar o mestre macaco. O moleiro lastimava-se à moleira porque não tinha uma camisa para vestir e precisava de ir à cidade vender farinha. Logo o macaco interveio.

“Toma lá uma camisa”

Amigo o macaco claro não tardou a arrepender-se e voltou para trás.

“Faça favor de entregar a camisa, fiz uma grande tolice em tê-la dado”

“Mas senhor macaco eu não posso restituir-lha porque o meu marido foi à cidade vender farinha e só volta à noite”

“Então levo-lhe um saco de farinha”

Assim foi ter a um colégio de meninas onde se afligia, pois tinha uma festa e não havia farinha para os bolos.

“Não se apoquente senhora mestra tome este saco de farinha que eu lhe dou”

Horas depois o macaco amigo voltou ao colégio a reclamar.

“Quero a farinha! Quero a farinha! Quero a farinha!”

“Mas eu já fiz os bolos”

“Pois então pago-o bem pago e levo-lhe daqui uma menina”

Logo nisto o macaco viu um ceguinho a tocar viola e a cantar:

“Ai pobrezinho de mim, que não vejo o meu caminho que tristeza ser assim que amargura ser ceguinho”

Logo o mestre macaco não hesitou e deu-lhe a menina para o acompanhar então pediu a menina ao pobre muito baixinho:

“Se me levares ao meu colégio muito depressa peço aos meus pais por ti e nunca mais tens de pedir esmola”

“Macaquinho aceito a menina, mas em troca às de levar a minha viola”

Amigo macaco e o ceguinho fizeram a troca e enquanto a menina e o pobre faziam a troca o macaco trepou para um telhado e pôs se a tocar e a cantar.

“Eu do rabo fiz navalha e da navalha fiz pão do pão depois fiz sardinha e da sardinha fiz camisa, da camisa fiz menina e depois fiz boa ação. Da boa ação fiz viola e vou agora para Angola”

E dando um salto desapareceu para nunca mais ser visto.

 

 

——

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Odette de Saint-Maurice

Data de Transmissão: 12 de Março de 1960

Tramistido por: Emissora Nacional

Data de Gravação:  6 de Março de 1960

Gravação realizada por: Jaime Filipe, Matos Ferreira e Alberto Nunes

Local da Gravação: Estúdio A da Rua do Quelhas, e no Estúdio de São Marçal

Música de fundo: Maestro Jorge Machado

Canções de: Jaime Filipe

Capa do Áudio: Bruno Leal

Macaco: João Perry

Menina: Maria Armanda Estêves

Lavadeira: Odette André

Moleira: Odette André

Mestra: Odette André

Barbeiro: Rui Luís

Padeiro: Rui Luís

Mendigo: Rui Luís

Narrador: Houve uma vez um macaco que nunca pensava 2 vezes a mesma coisa. Amigo macaco vivia defronta da loja do barbeiro e passava O Tempo a troçar dos fregueses que lá iam o Barbeiro arreliado, jurou vingar-se.  

Barbeiro: Macaco! Macaquinho adeus meu lindo, estás de boa saúde?  

Macaco: Que lindo está hoje o meu vizinho era bem esta barbeiro como vai?  

Barbeiro: Agradecido sem mal que me chegue e bem-disposto ainda por cima. O sabe é que me agrada tê-lo por vizinho assim, amigo macaco tão elegante, tão gracioso era…  

Macaco: Há sim.  

Macaco: Sim eu sou elegante e gracioso? 

Barbeiro: Há muito, muito até lhe digo mais, se não fosse o rabo comprido que tanto os feia parecia tão homem como eu!  

Macaco: Eu? sério?  

Barbeiro: Seríssimo  

Barbeiro: Quer experimentar?  

Macaco: Como?  

Barbeiro: Corto-lhe o rabo, quer?  

Macaco: Quero pois.  

Narrador: I mestre barbeiro cortou o rabo ao macaco. Este, porém, ao ver que toda a gente o troçava na rua, percebeu que fizera grossa asneira arrependeu-se e voltou ao barbeiro.  

Macaco: Amigo barbeiro, não me está a agradar nada que lhe ficassem meu rabinho de macaco, faça favor de tornar a pô-lo no seu lugar.  

Barbeiro: impossível  

Macaco: Impossível? Aí é, pois levo daqui uma navalha.  

Narrador: E Levou mesmo e para não continuar a suportar a troça da vizinhança, decidiu correr, não ia ainda muito distante quando topou com um padeiro que estava sentado no chão junto do cesto cheio a comer um enorme pão que ia partindo com os dedos, o macaco parou a olhá-lo.  

Macaco: É homenzinho não sabe que não se corta a comida com os dedos e isso é muito feio.  

Padeiro: Sim, eu sei que é feio, eu esqueci me trazer como cortar o pão.  

Macaco: Pegue lá na minha navalha então está muito bem afiada  

Padeiro: Obrigado.  

Narrador: Poucos passos andados logo se arrependeu o macaco de ter dado a navalha.  

Macaco: Eh Pá, dá-me cá navalha, afinal, ainda posso precisar dela.  

Padeiro: Tenho muita pena, senhor macaco, mas entreguei o meu filho mais novo para guardar em casa, não fosse eu perdê-la.  

Macaco: Sim pois então vais pagar-ma bem paga.  

Macaco: Levo-te daqui um pão.  

Narrador: Pouco depois viu uma peixeira que estava a passar umas sardinhas na brasa comendo as a seguir.  

Macaco: Sardinhas tem pão e comida de glutão.  

Peixeira: Eu sei, mas a venda hoje foi má e não tive dinheiro para comprar pão.  

Macaco: Toma lá o meu pão.  

Narrador: E o macaco seguiu avante, mas pouco depois.  

Macaco: Peixeira ó peixeira, afinal, e pensei melhor e quero o meu pão?  

Peixeira: Oh, mas agora é impossível, já o comi.  

Macaco: Pois, levo-te daqui uma Sardinha?  

Narrador: E fugiu com a sardinha e foi ter a um riacho onde estava uma lavadeira, lavar roupa e a lastimar-se pobrezinha de mim.  

Lavadeira: Pobrezinha de mim que Vou Ficar sem almoço esqueci-me do farnel em casa.  

Macaco: E eu te desse uma sardinha para comer ficavas satisfeita?  

Lavadeira: Muito, senhor macaco.  

Macaco: É e diz, então pega lá ó?  

Narrador: Mal, porém, a lavadeira acabava de engolir a sardinha.  

Macaco: Quero a minha sardinha, não ouves? Quero a minha sardinha.  

Lavadeira: Senhor macaco comi-a logo que me a deu.  

Narrador: não importa, não importa quero a sardinha e se não me dás, levo-te da roupa uma camisa.  

Narrador: Distante do riacho, havia um moinho e aí foi parar O Mestre macaco no moinho, o moleiro lastimava se a moleira, porque não tinha uma camisa para vestir e precisava de ir à cidade vender farinha. Logo o macaco interveio.  

Macaco: Toma lá uma camisa.  

Narrador: Amigo macaco, claro, não tardou a arrepender-se e voltou para trás.  

Macaco: Faça favor de me entregar a camisa?  

Macaco: É porque me parece que fiz uma grande tolice em tê-la dado.  

Moleira: Mas ao senhor macaco, Eu Não posso restituir-lhe porque o meu marido foi para a cidade vender a farinha só volta à noite.  

Macaco: Pois então levo-te um saco de farinha.  

Narrador: Assim foi ter um colégio de meninas onde a diretora se afligia porque tinha uma festa e não havia farinha para os bolos.  

Macaco: Não se preocupe, Senhora, Mestre, tome este saco de farinha que eu lhe dou.  

Narrador: Horas depois, eis amigo macaco de volta ao colégio a reclamar.  

Macaco: Quero a farinha, quero a farinha e quero a farinha já disse.  

Diretora: mas eu já fiz os bolos.  

Macaco: Sim, pois então pago me bem pago e levo lhe daqui uma menina.  

Narrador: Nisto um macaco viu um ceguinho a tocar viola e a cantar.  

Cego: Aí, pobrezinho de mim que não vejo o meu caminho, que tristeza ser assim, que amargura ser o ceguinho.  

Narrador: Mestre macaco não hesitou e logo ofereceu ao Ceguinho a menina para o acompanhar, então, pediu a pequenita ao pobre muito baixinho.  

Menina: Se me levares ao meu colégio depressa peço aos meus pais por ti, nunca mais precisas de pedir esmola.  

Cego: Macaquinho aceito a menina, mas em troca hás de levar a minha viola.  

Narrador: Amigo macaco e o ceguinho fizeram a troca e enquanto a menina e o pobre se foram embora, o macaco trepou para um telhado e pôs-se tocar e a cantar.  

Macaco: Eu o do rabo fiz navalha e da navalha fiz pão. Do pão depois fiz sardinhas, da sardinha fiz camisa, da camisa fiz menina, depois uma boa ação, da boa ação fiz viola e agora turutumtum Vou-me embora para Angola, turutumtum vou-me embora pra Angola.  

Narrador: E dando um salto desapareceu para nunca mais ser visto. 

Outros Contos

Histórias para ler e ouvir

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Era uma vez um menino que foi parar em um reino mágico. Assim que, lá, chegou, identificou seres mágicos. Enquanto seguia seu caminho, viu um cavalo que voava.

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Foi a carochinha comprar muitas fitas, rendas, flores, braceletes d’ouro e brincos; enfeitou-se muito enfeitada e foi-se pôr à janela, dizendo:
«Quem quer casar com a carochinha
Que é bonita e perfeitinha?»

João Espertalhão

João Espertalhão

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História

Sinopse da história

A história de um rapaz com uma coragem louvável que com uma inteligência e perspicácia gigante consegue trazer felicidade e riqueza há sua familia.

Imagem criada por: David Pinto

Em tempos que já lá vão, vivia em certa localidade à beira-mar, um casal de pescadores a quem tudo corria sempre mal até o seu único filho, que devia ser o seu amparo, era um rapaz franzino que não tinha forças nem sequer para deitar umas redes ao mar. Em contrapartida, João, assim se chamava o moço, dispunha de espírito de iniciativa e de uma coragem louvável.

Certo dia, compreendendo a triste situação dos pais, João, decidiu correr o mundo com a promessa de não voltar sem meios para os acudir!

Juraram os pescadores, receosos por tudo o que pudesse acontecer-lhe, mas nada houve que demovesse o rapazinho.

João partiu e durante largo tempo por toda a parte, ia pedindo trabalho, para que ninguém lhe pudesse confiar vendo-o tão fraco, tão magro, cansado, mas sem desanimar, chegou João por fim a um castelo que ficava no topo de uma rocha à beira-mar. O conjunto da rocha e do castelo todo metia medo.

João porém não se impressionou e apressou-se a escalar os penhascos até à porta de ferro com  o jaldrabo deixou cair pesadamente:

joao chegou ao castelo

 

« Quem está aí? – perguntaram»

João respondeu:

«Um rapaz que procura trabalho.»

« O rapaz que procura trabalho és tu? – perguntou o gigante»

« Sou sim senhor. – respondeu João»

« Não passas de uma amostra de gente. – respondeu o gigante»

« Isso mesmo! Como pouco e não faço questão de ordenado. – respondeu João»

« Para o trabalho que é talvez sirvas preciso de um rapaz que me guarde os carneiros – disse o gigante.»

« De um pastor, então eu dou conta! – disse João»

«Mas não julgues que ocupação é muito fácil aqui na região há muitos lobos – disse o gigante.»

« E o que é que eu tenho com isso.»

« Pois se deixares algum lobo comer os meus carneiros pagá-lo-ás com a vida. Entendes?  – disse o gigante»

« Descanse que não pago nada – respondeu João.»

« Pois sabeis que alguns mais fortes do que tu, tiveram que pagar as consequências do seu desleixo.»

«Pois sim, mas comigo não há perigo – disse João.»

« Não há perigo? – questionou o gigante.»

« Não sabe é que os lobos têm muito medo de mim tanto medo, que não se chegam a onde eu estiver – respondeu João.»

Ficou o gigante pasmado, mas admitiu o rapazinho, logo na manhã seguinte João foi tomar conta dos carneiros e o dia correu sem novidade. À noite, porém, quando recolhia, os lobos saltaram-lhe ao caminho e devoraram-lhe 3 animais.

« 3 carneiros, faltam-me 3 carneiros no rebanho deixaste que os lobos me comessem 3 carneiros, ao que me respondes com a tua vida! – afirmou o gigante.»

« Alto aí senhor gigante, alto aí para que me está a ralhar sem razão, os carneiros pediram-me licença para sair e só regressam ao domingo – falou o rapaz.»

«Dizes-me tu que os carneiros não foram comidos pelos lobos – disse então o gigante.»

« Então eu já lhe disse que os lobos não se atrevem a se aproximar de mim – disse João.»

O terrível gigante foi contar à mulher que era uma gigantona do tamanho dele o atrevimento do rapaz.

« Sabes o que te digo mulher não me sinto seguro ao pé deste novo criado, por das duas ou uma é um grande espertalhão ou um grande valentão.»

joao e o gigante

 

Na manhã seguinte o gigante e a gigantona foram para o areal com uma bola de ouro como era o seu hábito e divertiam-se muito os dois. Nisto…

« Ouve lá! Ó maroto! De que estás a rir-te – falou o gigante»

« Da força que o gigante e a gigantona têm de fazer para atirar uma bola tão perto – respondeu João.»

« Por acaso tu és capaz de lançar mais longe do que nós – falou assim o gigante.»

« Claro que sou! – respondeu-lhe João»

« Então vais experimentar, quero ver essa tua habilidade ahah – disse o gigante rindo.»

« Olha dê cá a bola dê cá – respondeu-lhe o rapaz.»

«Por que está aí a gritar e a fazer sinais de que nem um maluquinho? – perguntou o gigante»

« Estou a gritar e a fazer sinais para aqueles barcos que estão ali no mar para que se afastem não vá eu lhes acertar – respondeu João.»

« Mas tu vais atirar a minha bola para o mar? – perguntou o gigante»

« Claro que vou! – respondeu João»

«Então, mas tu vais atirar a bola para o mar? Não quero que atires a minha bola de ouro para o mar! – disse o gigante.»

Os gigantes ficaram tão assustados com a força do criadito que nem discutiram quando ele lhes explicou que os carneiros com saudades dos que andam perdidos se tinham recusado a ir para o campo. Na manhã seguinte muito cedo João saiu e foi ao pombal buscar uma pombinha que escondeu na algibeira do casaco os gigantes como de costume ficaram a jogar à bola apareceu-lhes como na véspera.

« Estás a fazer troça com te escusas a presumir-te mais forte e hoje vamos medir forças – disse o gigante»

« Porquê? Já não se importa de ficar sem a bola de ouro.»

« Não, não, não, vamos experimentar com uma pedra – sugeriu o gigante.»

 

bola de ouro

 

«Aceito! Atirem vocês primeiro que eu atiro depois e lembrem-se que são mais altos do que eu e isso dá-lhes vantagens.»

O gigante pegou num pedragulho e atirou muito longe e a gigantona imitou-o. Enquanto isso o rapaz pegou na pomba encheu-a de areia e gritou para os anos

« Olhem, olhem bem lá para cima olhem lá! – gritou João.»

Os gigantes obedeceram a pomba levantou voo e mesmo por cima da cabeça deles deixou cair sobre os olhos toda a areia de que estava coberta.

« Aí o quê a pedra levantou-se com tanta força que até levantou areia e é que já nem a vejo – falou o gigante.»

« E eu tenho terra nos olhos não consigo ver nada – disse a gigantona.»

« Aí que rapaz, onde caiu a pedra? – perguntou o gigante indignado.»

« Está tão longe que nem sou capaz de saber. – disse o João.»

« Vai te embora daqui vai, vai, não quero mais jogos contigo põe-te a andar. – falou o gigante.»

« Não se aborreçam, os carneiros estão quase a chegar do passeio e eu quero perguntar em casa se se divertiram.»

« Precisamos de nos desfazer do nosso criado. – disse o gigante para a gigantona.»

« Mas como ele tem mais força do que nós mesmo sendo tão magro – respondeu-lhe ela»

« Não faz mal, queres saber qual é o meu plano? – falou o gigante»

« Quero sim! – disse-lhe a gigantona»

 

gigantes com a pomba

 

« O nosso criado dorme debaixo do alçapão. Mesmo quando ele tiver a dormir abro o alçapão e deixo-lhe cair em cima dois pedregulhos, eu garanto que ficamos livres dele sem correr perigo nenhum. – respondeu o gigante.»

« Sem dúvida e o pior é que eles se esquecem que eu cabo em toda a parte e como não sou surdo ouvi tudo aquilo que me disseram, muito eu me ei de rir da cara deles. – disse o João se rindo.»

«Olá, bom dia patrão! – disse João»

«Bom dia? Tu aqui? Mas então não te aconteceu nada? – disse o gigante atrapalhado»

«Nada de quê? – disse o João»

« Ah, eu esta noite julguei ouvir uns estrondos no teu quarto. – falou o gigante»

« Ah um engraçado qualquer lembrou-se de deixar cair duas pedrinhas em cima da minha cama, apanhei-as no ar e fiz uma espécie de cabana agora já não cai em cima o pó do teto que se está a desfazer de podre.»

«Aí julga tu de que o rapaz fez dos pedragulhos um abrigo para se defender do pó no teto. -disse o gigante»

« Tu que dizes? – respondeu-lhe a gigantona»

« Digo-te que o rapaz deve ser algum mágico. Já não sei o que ei de fazer para me livrar dele tou com medo mulher – respondeu o gigante ofegante.»

« O melhor é despedi-lo experimenta pagar-lhe bem, talvez com dinheiro ele nos deixe em paz. – sugeriu a gigantona»

alcapao

 

O gigante encheu-se de coragem e despediu o criado perguntando quanto queria ele pelo seu trabalho de dias, como condição o João pediu um cavalo carregado com três sacos de ouro. Para se ver livre dele o gigante aceitou a exigência quando o viu a desparecer ao longo de caminho arrependeu-se da sua fraqueza.

«Aí mulher como eu confiei três sacos de ouro, um chegava-lhe muito bem. – disse o gigante»

« Pois chegava, contudo, se ele te pedisse 6 em vez de 3 tu davas-lhes. – disse-lhe a gigantona»

« Vou atrás dele e obrigo-o a restituir 2 sacos – falou o gigante»

«Ai marido, marido vê no que tu te metes lembra-te dos pedregulhos que ele fez uma cabana? – lembrou-lhe a gigantona.»

« Não quero que se ria de mim vou apanhá-lo! – disse o gigante certo do que dizia.»

joao_os_sacos de ouro

E a correr com umas passadas enormes foi atrás do João e o rapaz ainda foi a tempo daquela perseguição por sorte ia mesmo a passar por um bosque muito espesso, então parou e escondeu o cavalo e os sacos de ouro entre as árvores mais densas, depois pôs se no meio da estrada de braços cruzados a olhar para o céu. O gigante ao vê-lo naquela posição deteve-se intimidado e disse:

« Que estás tu aí parado a olhar para o céu rapaz?»

« Estou à espera do cavalo que o senhor me deu, o animal não andava nada e eu zangado dei-lhe um pontapé e ele foi parar lá acima e não arranjei forma de o ver. Olhe, olhe, ali parece que vem mesmo ali além não vê é aquele potinho negro lá muito no alto, ora veja.»

O gigante tratou de voltar atrás com toda a pressa, fechou-se no castelo e durante muitos dias nem a gigantona pôde convencê-lo a sair de casa e desde que conheceu esse criado o gigante a partir desse dia nunca mais voltou a fazer mal a ninguém.

Quanto ao João espertalhão, provou que o seu corpo abrigava uma grande inteligência e uma coragem verdadeira, regressou são e salvo com todo o ouro a casa dos seus pais onde de aí em diante só houve felicidade e riqueza.

 

——

Daniel Sabino

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Odette de Saint-Maurice

Data de Transmissão: 

Tramistido por: Emissora Nacional

 

Data de Gravação: Março de 1960

Gravação realizada por: Jaime Filipe, Matos Ferreira e Alberto Nunes

Local da Gravação: Estúdio A da Rua do Quelhas, e no Estúdio de São Marçal

 

Música de fundo: Maestros Jorge Machado ou Tavares Belo

Canções de: Jaime Filipe

Capa do Áudio: 

João espertalhão: João Perry

Gigantona: Odette André

Mãe do João: Maria Olguim

Gigante: Tomás de Macedo


 Narrador –  Em tempos que já lá vão, vivia em certa localizada à beira-mar, um casal de pescadores a quem tudo corria sempre mal até o seu único filho, que devia ser o seu amparo, era um rapaz franzino que não tinha forças nem sequer para deitar umas redes ao mar.

Em contrapartida, João, assim se chamava um moço, dispunha de espírito de iniciativa e de uma coragem, louvável.

Certo dia, compreendendo a triste situação dos Pais, João, antes de correr o mundo com a promessa de não voltar sem meios para ele os acudir!

Juraram os pescadores receosos por tudo quanto pudesse acontecer.

Mas nada. Houve que demovesse o rapazinho, João partiu e durante largo tempo por toda a parte, ia pedindo trabalho sem que ninguém quisesse confiar-lhe ao vê-lo tão fraco, tão magro, cansado, mas sem desanimar, chegou João, por fim, um castelo que ficava no topo de uma Rocha à beira do mar.

O conjunto da Rocha e do castelo, todo negro metia medo. João, porém, não se impressionou.

E apressou-se em escalar os pinheiros até a porta de ferro cuja aldraba deixou cair pesadamente.

 

Gigante – Quem está aí

João – Um rapaz que procura trabalho.

Gigante – Gosto procura trabalho és tu?

João – Sou assim, Senhor.

Gigante –  Não passas de uma amostra de gente.

João – Isso mesmo, como pouco é não faço questão de pedir ordenado.

Gigante –  Bom para o trabalho que é talvez sirva preciso de um rapaz se me guarde os Carneiro.

João – De um pastor então estou na conta.

Gigante –  Mas não julgues que a ocupação é muito fácil aqui na região há muitos lobos.

João –  E o que é que eu tenho com isso?

Gigante – Pois que se deixares lobos comer algum dos meus carneiros. Paga-lo com a vida, entendes?

João – Descanse que não pago nada.

Gigante – Pois fica sabendo que outros mais fortes do que tu, tiveram de suportar as consequências do seu desleixo.

João – Ora, pois sim, mas, mas comigo não há perigo.

Gigante – Não o perigo?

João – É que os lobos têm muito medo de mim.

Muito medo que nunca se chega onde eu estiver.

Gigante – Ficou gigante, pasmado, mas admitiu o rapazinho.

Logo na manhã seguinte, João foi Tomar conta dos carneiros e o dia correu sem novidade.

À noite, porém, quando recolhia os lobos, saltaram lhe ao caminho e devoraram lhe 3 animais.

Gigante – 3 carneiros.

Faltam-me 3 carneiros no rebanho.

Deixaste que os lobos comecem 3 carneiros, mas respondes com a tua vida.

João – A tua e senhor gigante alta.

E, para que é que me está a ralhar sem razão sem razão.

Claro, os carneiros foram dar um passeio com minha licença e voltam no domingo.

Gigante – Que diz estou então, não, não, não foram comidos pelos lobos?

João –  Ai Patrão, Patrão que maçador que é, pois eu já lhe disse que os lobos não se atrevem a aproximar-se de mim.

 

 Narrador –  O terrível gigante foi contar à mulher que era uma gigantona do tamanho dele, o atrevimento do rapaz.

 

Gigante – E só restou o que te digo, mulher.

Nome sinto muito seguro ao pé deste nosso criado.

Porque das 2 1, Ou é um grande espertalhão ou um grande valentão.

 

 Narrador –  Na manhã seguinte, o gigante e a gigantona foram para arial jogar com uma bola de ouro. Como era seu hábito e divertiam se muito os 2 nisto.

 

João –  Ai olha olha olha.

Gigante – Maluco, do que te estás a rir?

João –  a força que os senhores gigante, e gigantona têm de fazer para atirar uma bola tão Perto

Gigantona –  Perto? Até parece que tu és capaz de atirar mais Longe do que nós.

João –  claro que sou.

Gigante – Sim? Pois então vais experimentar sempre quero ver essa tua habilidade.

João –  É lá, lá é já lá

Gigantona – Para que estás tu aí a fazer sinais e a gritar como um Maluquinho.

João – Ora essa, estou a fazer sinais e gritará aqueles barcos no mar se afastem, não vá eu acertar lhes.

Gigante – Mas tu vais atirar A Bola para o mar?

João – pois vou, o areal não me chega

Gigante – não, não, não, isso não.

Gigantona – Não, não, não quero a minha linda bola douro, perdida no mar, nunca.

 

Narrador – Os gigantes ficaram tão assustados com espantosa força do criadito que, nem discutiram quando ele se explicou que os carneiros com saudades dos que andavam a passear se tinham recusado a ir para o campo. na manhã seguinte.

Muito cedo, João saiu e fui ao Pombal buscar uma Pombinha que escondeu numa algibeira do casaco.

Quando os gigantes como de costume Principiaram ao jogar A Bola, aparecer-lhes como na véspera.

 

Gigante –  Estás a fazer troça pois escusas de presumir te mais forte. E Hoje vamos medir força.

João – O quê? Já não se importa de ficar sem a bola de ouro?

Gigante –  Não, não, não, não, não.

Não, não, hoje vamos experimentar com uma pedra.

João -Pois aceito, atirem vocês primeiro que eu atiro depois.

E lembrem se de que são mais altos do que eu e isso dá-lhes vantagens.

Gigante – Vamos ao desafio.

 

Narrador – O gigante agarrou num enorme pedregulho e atirou muito longe.

A Gigantona imitou.

Enquanto isto, o rapaz pegou na pomba, cobriu a da areia e gritou, depois gritou:

 

João -Olhem, olhem, olhem bem lá pra cima, olhem lá.

 

Narrador – O gigante sob serão a pomba levantou voo mesmo por cima das.

Cabeças deles e ao ajeitar as asas deixou descair sobre os olhos, toda a areia em que estava coberta.

 

Gigante –  A pedra foi com tanta força que até levantou areia.

E é que já nem a vejo.

Gigantona –Nem eu tenho Terra nos olhos, não consigo ver nada nada.

Gigante – Ei, rapaz, onde caiu a pedra

João – tão longe que eu já nem sou capaz de saber.

Gigante –  Vai-te embora daqui, vai-te embora daqui, vai.

Gigante – Vai-te embora daqui, vai, vai, vai.

Não quero mais jogar Jogos contigo.

João – pois está bem, está bem.

Não se aborreça eu vou, eu tenho que fazer.

Os meus carneiros devem estar quase a chegar do passeio e eu quero estar em casa para lhe perguntar se divertiram muito hora.

Gigante – Temos que nos defazer do nosso criado

Gigantona – Criado, mas como ele tem mais força do que nós, apesar de ser assim tão mau.

Gigante – Vamos faz mal, eu tenho um plano.

Queres saber qual é o meu plano?

Gigantona – Quero sim.

Gigante –  O nosso criado dorme na cá por baixo do alçapão da cozinha.

Gigantona – Não é, é?

Gigante –  Pois logo a noite, quando eu estiver a dormir levanto-lhe o alçapão e deixe que em cima os pedregulhos.

Garantimos que ficamos livres dele sem corrermos perigo nenhum.

João – E pronto, bastante simples, não haja dúvida.

O pior é que se esquecem de que o cabo em toda a parte e como não sou surdo, ouvi perfeitamente e ouvi tudo o que disseram.

Olá, bom dia Patrão.

Gigante –  Tu aqui? mas então não te aconteceu nada?

Gigante –  Nada, é que esta noite pareceu me ouvir uns estrondos do teu quadro.

João – Pá sim um engraçado qualquer lembrou-se de deixar cair 2 Pedrinhas em cima da Minha Cama.

Apanhei-as no ar e fiz com elas uma espécie de cabana, um ótimo abrigo, sabe? Agora já não me cai em cima o pó do teto que está te fazendo podre.

Gigante – Aí mulher, uma mulher, mulher.

Gigantona – Que é marido

Gigante –  Que o rapaz fez das pedras, um abrigo para se proteger do Pó no teto.

Gigantona – Tu que dizes?

Gigante –  Digo-te que o rapaz deve de ser algum mágico

Já Não Sei o que fazer para me livrar dele.

O eu tenho medo dele mulher.

Gigantona – Sabes, o melhor é despedi-lo.

Gigante –  Mas e se ele não quiser ir embora um.

Gigantona – Mas experimenta, talvez se lhe pagasse bem com dinheiro, pode ser que ele nos deixa em paz.

 

Narrador – O gigante encheu-se de coragem e despediu o criado perguntando, quando cria ele pelo seu trabalho de dias.

O João pôs como condição receber um cavalo carregado com 3 sacos de moedas de ouro.

Para se ver livre dele, o gigante aceitou a exigência.

Quando, porém, o viu desaparecer à luz numa volta do caminho, arrependeu-se da sua fraqueza.

 

Gigante –  Ó mulher.

 Gigantona – que é.

Gigante –  Juro que fiz mal em dar um tamanho tesouro àquele maroto.

um saco só chegava muito bem, não, não me parece.

Gigantona –Não chegava, contudo, se ele pedisse 6 em vez de 3 tu, davas-lhe.

Gigante – Pois, olha sabes, vou atrás dele pedir-lhe que devolva 2 sacos.

Gigantona – Marido, marido vê lá no que te metes, lembra-te dos pedregulhos do que ele fez uma cabana.

Gigante – Não quero que se ria de mim ou apanhá-lo.

 

Narrador – E a correr com umas passadas enormes foi atrás do João. O rapaz dera fé a tempo daquela perseguição.

Por sorte estava a passar mesmo ao lado de um bosque muito espesso.

A então parou escondeu o cavalo e os sacos de ouro entre as arvores mais densas, depois pôs-se no meio da estrada de braços cruzados, a olhar para o céu. O gigante ao avistá-lo naquela posição de ter se intimidado.

 

Gigante – Olha ó rapaz.

João -Diga senhor gigante.

Gigante –  Que estás a fazer aí parado a olhar para o céu.

João – Estou à espera do cavalo que o senhor me deu. O animal não andava nada, é buscemi e vai de Sangalo. Tem um pontapé, olha foi lá parar tão acima que Eu Estou Aqui há tempos e não há forma de nem sequer o ver.

Olha, olha agora repare só.

Aquele pontinho negro lá muito no alto. Olha veja.

 

Narrador – o pobre do gigante, claro, nem levantou a cabeça, tratou de voltar para trás a toda a presa, fechou-se no castelo e durante muitos dias, nem a gigantona pode convencê-lo a sair de casa. E é verdade que sempre contratou criado o gigante a partir desse dia não voltou a fazer mal a ninguém.

Quanto ao João, depois de provar que o seu pequeno corpo abrigava uma grande inteligência e uma coragem verdadeira, regressou são e salvo com todos. Eu ia casa dos pais, onde daí em diante só houve Felicidade e riqueza.

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Os Quatro Músicos de Bremen

Os Quatro Músicos de Bremen

Os Quatro Músicos de Bremen

 

História

Sinopse da história

Uma história de quatro animais domésticos que, depois de uma vida inteira de trabalho decidem fugir para a cidade de Bremen e lá se tornarem músicos.

Imagem criada por: David Pinto

Houve, uma vez, um homem que possuía um burro, o qual, durante longos anos, tinha carregado assiduamente os sacos de farinha ao moinho, mas, por fim, as forças o abandonaram e, de dia para dia, tornava-se menos apto para o trabalho.

O patrão, então, resolveu tirar-lhe a ração para que morresse; mas o burro percebeu em tempo as más intenções do dono e decidiu fugir, tomando a estrada de Bremen. Lá, pensava ele, teria possibilidade de entrar como músico na banda municipal.

Assim, pois, tendo caminhado um bom trecho, encontrou um cão de caça deitado na estrada, ofegando como se tivesse corrido muito.

– Porquê estás tão ofegante, Mastim? – perguntou-lhe o burro.

– Ah – respondeu tristemente o cão, – como já estou velho e cada dia mais fraco, custando-me ir à caça, o meu patrão decidiu matar-me. Então fugi, mas agora que farei para ganhar o pão de cada dia?

– Queres saber uma coisa? – disse o burro; – eu vou a Bremen, onde terei a profissão de músico. Vem tu também, e arranja-te para entrar na banda. Eu toco alaúde e tu bates os tímpanos.

A proposta agradou ao cão, então continuaram o caminho juntos.

Depois de andar um bom trecho, encontraram, à margem da estrada, um gato com a cara anuviada como em dia de chuva.

– Que é isso, algo te foi atravessado, velho Limpa-Barbas? – perguntou-lhe o burro.

– Como é possível estar alegre quando se está pelos colarinhos? – rosnou o gato – Como já estou velho e os meus dentes não estão mais afiados como antes, preferindo, além disso, ficar tranquilamente roncando junto do fogo em vez de correr atrás dos ratos, a minha patroa tentou afogar-me. Consegui escapulir-me, é verdade, mas agora surge a complicação: aonde irei?

– Vem connosco para Bremen; como és entendido em serenatas, poderás entrar na banda municipal!

O gato achou a ideia excelente e foi com eles. Pouco depois, os três fugitivos passaram diante de um terreiro e viram um galo, empoleirado no portão, a cantar desbragadamente.

– Gritas a ponto de fazer quebrar os tímpanos da gente, que te sucede? – perguntou-lhe o burro.

– Pois é – disse o galo – eu anunciei bom tempo, porque é dia de Nossa Senhora, lavar as camisinhas do Menino Jesus e precisa que enxuguem. Mas, como amanhã é domingo e teremos hóspedes, minha patroa, impiedosamente, disse à cozinheira que deseja fazer uma canja comigo. assim, hoje à noite, terei de deixar-me cortar o pescoço. Então berro até não poder mais,

– Deixa disso, Crista-Vermelha – disse o burro – fazes melhor vindo connosco, que vamos a Bremen. Qualquer coisa, melhor do que a morte, sempre hás de encontrar. Tens uma bela voz e, juntando-nos todos para fazer música, tudo irá maravilhosamente.

O galo interessou-se pela proposta e aceitou. Os quatro, então, puseram-se a caminho.

Mas não podiam chegar a Bremen num dia, portanto, quando já estava a escurecer, chegaram a uma floresta e aí resolveram pernoitar.

O burro e o cão deitaram-se debaixo de uma árvore muito alta, o gato e o galo treparam nos galhos. O galo voou até ao galho mais alto por lhe parecer mais seguro. Antes de adormecer, porém, correu os olhos em todas as direções e pareceu-lhe distinguir ao longe uma luzinha brilhando. Então gritou aos companheiros que, não muito longe, dali, devia encontrar-se alguma casa, pois estava vendo uma luz a brilhar.

– Então levantemo-nos e vamos até lá – disse o burro – porque o alojamento aqui é bastante mau.O cão, por seu lado, pensava que um osso com alguma carne presa, viria a calhar. Por conseguinte, tomaram o rumo em direção à luzinha, não demorou muito, viram-na brilhar mais claramente e cada vez mais perto, até que descobriram uma casa fartamente iluminada, mas que não passava de um covil de ladrões. O burro, que era o mais alto, aproximou-se da janela e espiou dentro.

– Que vês, Rabicâo? – perguntou o galo.

Que estou vendo? – respondeu o burro – uma
mesa posta, cheia das melhores iguarias e, sentados em volta dela, um bando de ladrões regalando-se!

– Ah! viria a calhar para nós – disse o galo.

– Ah, se estivéssemos lá dentro! – tornou o burro.

Então os quatro animais reuniram-se em conselho para estudar a maneira de enxotar os ladrões, finalmente, chegaram a uma conclusão. O burro teve de apoiar as patas dianteiras na berma da janela, o cão saltou em cima das costas do burro, o gato trepou no cão, e o galo, com um largo voo, foi pousar na cabeça do gato. Em seguida, dado o sinal, prorromperam todos juntos em concerto: o burro zurrava com toda a força de seus pulmões, o cão latia furiosamente, o gato miava de causar medo e o galo cocoricava sonoramente. Com essa algazarra toda, pularam para dentro da janela e foram cair em cheio no centro da sala, fazendo tinir os vidros.

Ante esse barulho ensurdecedor, os ladrões pularam das cadeiras; julgando que um fantasma vinha entrando e, cegos pelo terror, fugiram em carreira desabalada para a floresta. Os quatro companheiros, então refestelaram- se em volta da mesa e avançaram no que tinha sobrado, comendo tanto como se não tivessem comido há quatro semanas.

Quando terminaram de comer, os quatro músicos apagaram as luzes e procuraram um lugar confortável para dormir, cada qual de acordo com a própria natureza. O burro deitou-se na estrumeira, o cão deitou-se atrás da porta, o gato enrolou-se na cinza ainda quente do fogão e o galo empoleirou-se na trave-mestra. Sentindo- se muito cansados pela longa caminhada, adormeceram logo.

Passada a meia-noite, os ladrões viram de longe que na casa não brilhava mais luz alguma e tudo parecia mergulhado na calma e no silêncio. Então, o chefe da quadrilha disse:

– Fomos tolos, não deveríamos ter-nos deixado espantar.

Resolveu mandar um de seus homens explorar a casa.

O homem foi, encontrando tudo calmo, dirigiu-se à cozinha para acender uma luz, aí viu no fogão os olhos brilhantes do gato e, confundindo-se com brasas, pegou um pedaço de cavaco e enfiou-o neles para acender. Mas o gato não gostou da brincadeira e pulou-lhe na cara, cuspindo e arranhando-o todo. Assustadíssimo, o homem tratou de fugir pela porta do fundo, mas o cão, deitado na soleira, deu um salto e mordeu-lhe a perna, quis fugir pelo terreiro mas, ao passar correndo perto da estrumeira, o burro atirou-lhe uma séria pancada com a pata traseira, e o galo, que tinha acordado com todo esse tumulto, pôs-se a berrar freneticamente do alto da trave: Qui qui ri qui qui!

O ladrão, meio morto de susto, saiu a correr até perder o fôlego e foi contar ao chefe o que lhe acontecera.

– Lá na casa está uma bruxa medonha, que me soprou cinza em cima e me arranhou todo o rosto com as garras aduncas. Na soleira da porta está sentado um homem, que me feriu a perna com sua faca. No terreiro, então, há um monstro negro que me agrediu com uma tora de madeira, enquanto, em cima do telhado, estava o juiz a gritar: “Tragam-me esse bandido aqui!” Então tratei de me salvar e nem sei como consegui chegar até aqui!

Desde esse dia, os ladrões nunca mais se arriscaram a entrar na casa, o que foi ótimo para os quatro músicos de Bremen, que nela se instalaram, vivendo tão regaladamente que nunca mais quiseram sair.

E quem por último a contou, ainda a boca não lhe desanimou.

Maria de Melo

Os Quatros Músicos de Bremen

by Meia Hora de Recreio | Emissora Nacional

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Maria Melo

Produção: Maria Madalena Patacho

Narração: Maria Brito Malta

Data de Transmissão: 18/04/1973

Transmitido por: Emissora Nacional

Programa: Meia Hora de Recreio

 

Registo de Som: Manuel Sanches

Montagem: João Silvestre

Capa do Áudio: Bruno Leal

 

Link de Referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos

Narrador(a): Maria de Brito Malta

Burro: Alexandre Vieira

Cão: António Sarmento

Gato: Mário Manuel

Galo: João Manuel Mota Rodrigues

Dono do Burro: Fernando Collen

Dona do Burro: Maria Schultz

1ºLadrão: João Manuel Mota Rodrigues

Outro ladrões: Fernando Collen, Rui Ferrão, José Batista

Narrador: Meia hora de Recreio. 

Narrador: Para os pequenos ouvintes da emissora nacional. 

Narrador: Hoje vão escutar uma história de Maria de Melo, adaptada do conto tradicional de Braman, os 4 músicos. 

Narrador: Personagens narrador ,a Maria de Brito Malta, o Burro, Alexandre Vieira, o cão António Sarmento, o gato, Mário Manuel, o Galo, João Mota, o dono do burro, Fernando Collen, a dona do burro, Maria Schultz, o primeiro ladrão, João Mota, os outros ladrões, Fernando Collen, Rui Ferrão e José Batista. 

Narrador: Registo são de Manuel Sanches, montagem de João Silvestre, produção de Maria Madalena Patacho. 

Narrador: Coitado daquele burro, ele bem gostaria de continuar a trabalhar forçadamente e abnegadamente como dantes. 

Narrador: Como quando era novo, forte e ágil. 

Narrador: Mas os anos passam para todos e agora, em vez de novo, forte e ágil, sentia-se velho, fraco e tropo cada vez mais velho, mais fraco e mais tropo. 

Narrador: Bem fazia o possível por continuar a subir a colina com um saco de cereais ou um molho de feno às costas, mas tinha de parar por mais de uma vez derreado ofegante e com as articulações a doer. 

Narrador: Quando dantes saltitava alegremente que alguém me possa ajudar água, pedregulhos, agora arrastava se pesadamente, chapinhando nas posses e tropeçando nos pedregulhos. 

Burro: Ai, Ai que dores ai ai. 

Burro: Positivamente isto não vai, não aguento mais, não aguento, esta vida É o fim, a mocidade perdida. 

Burro: Só queria ficar ao sol deitado, não ter que trabalhar e ficar descansado. 

Burro: Piscar os olhos ver as moscas voar tasquinhar umas ervas dormitar. 

Burro: Mas os donos, que pena não pensam assim, espera oiço, estão a falar de mim. 

Dono do Burro: Sabidamente, já não presta para nada, já não vale o que come. 

Dono do Burro: O que dantes fazia em 10 minutos, faz agora 1 hora ou mais. 

Dono do Burro: Pá preciso arranjar outro burro. 

Dono do Burro: Estou de acordo com o que dizes homem, este coitado está velho já deu o que tinha a dar. 

Dono do Burro: Precisamos de um burro novo 

Dono do Burro: Mas como é que havemos de alimentar 2 burros? É uma despesa, um prejuízo. 

Dono do Burro: Dois burros que ideia, nem por sombras. 

Dono do Burro: Quando arranjar um burro novo e não há de tardar muito, não tenho outro remédio. Desfaço-me logo deste, não há 2 grupos em casa, não quero de maneira nenhuma. 

Dono do Burro: Isso não? 

Dono do Burro: Sim, mas o que é que tu vais fazer deste, nem que o leves a feira 20 vezes ninguém lhe pega. Vê-se logo que está velho e que não pode dar rendimento nenhum de trabalho. 

Dono do Burro: Mas claro, burro é ele, não são os outros. Não, não, não. 

Dono do Burro: Já não é possível vendê-lo nem trocá-lo. 

Dono do Burro: Tardei demais para isso, porque vez tu mulher ele foi um burro bom, um burro trabalhador e eu, é claro, o queria-lhe certa amizade. 

Dono do Burro: Fazia-me penas desfazer-me dele, mas agora no ar remédio, olha, tem que ser, vou levá-lo ao matadouro para abaterem. Sim, sim, até pode ser que me diga alguma coisa pela carne. 

Dona do Burro: Oh homem, quem é que come carne de burro? 

Dona do Burro:  Este homem está tonto. 

Dono do Burro: Bem as pessoas, não as pessoas não comem, mas comem as feras do Jardim zoológico da cidade. olha os leões, os tigres, as panteras gostam imenso de carne de burro. 

Narrador: A ouvir o que os donos diziam. O pobre burrinho até sentiu ou pelo seu pobre pelo grisalho, por se em pé, seria possível que fosse tal o seu fim lançado às feras. 

Narrador: Nem refletiu que depois de morto era indiferente o destino que dessem aos seus resto sentiu apenas um pavor, um pavor intenso, como se já estivesse de repente assim vivo rodeado por um bando de animais, ferozes de dentes arreganhados e a lamberem os beiços desejosos de devorar e saborear a sua carne. 

Burro: Não, não, não quero esse fim, não me conformem acabar assim. Apesar deste corpo estar velho e cansado. Ainda há de ser capaz de andar um bocado. 

Burro: E fujo, vou fugir. 

Burro: E a já, já ,vou-me embora. 

Burro: Vou me pôr a trotar por essa estrada fora. 

Burro: Ei de encontrar comida pelo caminho, para beber, sempre hei de achar um ribeirinho, para dormir qualquer bosque pode servir de abrigo 

Burro: Escondo-me e com certeza ninguém vai dar comigo. 

Narrador: Sem demora o burro passou das palavras à ação. 

Narrador: Como não queria dizer adeus a ninguém e não tinha bagagem a preparar, foi posto só a caminho. No mesmo instante, foi andando estrada fora, como a tarde caía e o sol já não queimava. Como sabia que ninguém o perseguia. Ia devagar não custava a caminhada, apesar do peso dos anos. 

Narrador: Foi andando, andando apenas um, cada um sido para estar sozinho e não ter com quem trocar impressões e dar 2 dedos de conversa. 

Narrador: Mas, a certa altura, pareceu lhe ver um vulto na berma da estrada, aproximou-se e viu que era um cão, um pobre velho cão deitado com a cabeça entre as patas e a língua de fora, e falou-lhe. 

Burro: Olá amigo. 

Burro: Que fazes por aqui, andaste passeio, por pouco não te vi. 

Cão: De passeio? não está mal o passeio, afinal, deixei minha casa fugir do meu quintal. 

Burro: Mas por que quiseste tornar-te um cão vadio? Não receias ter fome, não receias ter frio. 

Cão: Perfil fome e o frio a ser posto de lado a sentir-me, de resto, é sentir-me fechado. 

Burro: Não faça cerimonia, se queres desabafar, eu serei teu amigo e posso te escutar. 

Narrador: E o cão, o pobre cão, então desabafou, contou ao burro todas as suas mágoas, contou-lhe como depois de muitos anos de dedicação e de bom trabalho de guarda aos ladrões e vigilância às crianças. 

Narrador: Agora que estava velho e surdo, o seu ouvido duro não permitia que continuasse a prestar os mesmos serviços, se vira substituído ali debaixo do focinho por outro cão, para quem iam agora todos os afagos. 

Narrador: E todas as atenções. 

Burro: Um cão novo e bonito de pelo lustroso e olhar brilhante, de latidos vibrantes, cuja comparação o fazia parecer mais velho, mais feio, o pelo mais russo, olhar mais baço, a voz mais rouca. 

Cão: Era um vexame de cada momento nem fases ideia, amigo, jumento, o outro a correr, outro a saltar e eu quase sem forças para me arrastar o outro fano e vaidoso que julgas. 

Cão: E eu sem forças para caçar as pulgas ou trapacear, é ir sair com o dono e eu sem forças para ali como um mono. 

Burro: Oi, tá do coitado? É triste, bem sei. 

Burro: Ela é lei da vida, mas uma dura lei. Vem dai comigo, faz me companhia. 

Burro: Se queres que te diga nem sei para onde ia, minha história é a tua afinal estou velho tu estás velho. 

Burro: E temos sorte igual. 

Narrador:O burro e o cão continuaram, pois o caminho juntos e foram trocando as suas confidências, não tinham ainda andado muito tempo quando um roçar ligeiro nos arbustos que ladeavam o atalho por onde seguiam, lhe chamou a atenção, olharam melhor e viram um gato, um pobre gato pelado, escancelado, que os fitava com ar assustado nos olhos verdes e brilhante. Era natural esse receio porque via o cão e toda a vida pensou com razão ou sem ela, que o cão e o gato eram inimigos. 

Narrador: Mas os 2 animais viajantes estavam animados das melhores intenções e falaram-lhe. 

Burro: O que estás tu a fazer? Não te queremos mal, escusas te esconder. 

Cão: Pareces ter medo que eu te vá morder, escusas, ter receio já não posso correr. 

Gato: Silêncio está calado. 

Gato: Não digas que me viste ao meu dono malvado. Se ele dá comigo, dá-me cabo da vida, nem sei como pode pregar esta partida, esgravatar no saco, rompeu e então fugir. 

Gato: E ele lá se foi a falar e rir sem parar que o saco estava menos pesado e que já lá não ia o próprio condenado. 

Cão: Condenado, tu estavas condenado? Então conta-nos lá qual foi o teu pecado. 

Narrador: E o gato contou. 

Narrador: Eu conto contrapôs de uma vida de grande atividade em que tinha passado dezenas centenas de ratos e a até ratazanas, começara com a idade a perder agudeza de vista e a rapidez dos movimentos. 

Narrador: Ele que dantes avistava um ratinho à distância por muito pequenino que fosse, agora só dava por eles quando quase lhe estavam mesmo debaixo do nariz. E é claro que não havia rato tão estúpido que se lhe fosse meter debaixo do nariz. 

Narrador: Ele que dantes saltava e corria e trocava as voltas e brincava com os ratos antes dos apanhar, deixava-os agora distanciar facilmente e os seus movimentos pesadões davam tempo a que eles se escondessem nas suas tocas e até mesmo que se virassem para trás e lhe deitassem língua de fora, mal criada mente num desafio. 

Narrador: Por isso, como já não servia para o seu ofício de caçar ratos, o dono, um homem mau que dizia que não estava para sustentar bocas inúteis, decidira desfazer-se dele e vá de o meter num saco e abalar a caminho do rio. 

Burro: Mais um com uma história parecida. 

Burro: Vítima da ingratidão também no fim da vida. 

Cão: Vem connosco amigo, nós vamos procurar um sítio, um que sirva para nos abrigar. 

Burro: Para podermos envelhecer comodamente. 

Cão: E acabar os dias sem ter medo da gente. 

Gato: Obrigado por me crerem, vou, está bem, onde vocês ficarem, ficarei eu também. 

Narrador: E agora já eram 3,3 amigos, 3 companheiros a caminhar pela estrada fora, prontos a ajudarem se e a ampararem se uns aos outros. 

Narrador: Ao passarem pela cancela de uma herdade, viram empoleirado um galo, mas era um galo que já não tinha aquele aspecto altivo triunfante que, em geral, têm todos os galos. 

Narrador: Parecia o contrário, muito triste e abatido, sempre movido pelo seu bom coração. O burro dirigiu-se. 

Burro: Há boas tardes meu amigo. 

Burro: Precisas de alguma coisa? Podes contar comigo. 

Cão: Estás com cara que até faz pena à gente? O que tinha aconteceu. Sentes-te doente? 

Gato: Que tens, não queiras disfarçar, nós somos teus amigos e queremos te ajudar. 

Galo: Cocoroco obrigado amigos, obrigado é verdade, estou triste, estou desanimado. 

Burro: Todos temos problemas e alguns sem solução. 

Burro: Que esse caso seja o teu ,irmão. 

Narrador: Encorajado pela afabilidade dos 3 viajantes, o galo acedeu à tentação de fazer as suas confidências. 

Narrador:Estava velho, ele que dantes era o rei da capoeira que tinha todos à sua volta, desejosos de lhe agradar, visse agora se plantado por um franganote a quem mal começava a crescer a crista, mas que se pavoneava todo o senhor de si dos seus encantos, arrebatando por completo o entusiasmo do elemento feminino da capoeira. 

Narrador: E ele não aguentava aquela afronta, preferia voltar as costas e ir-se embora. 

Burro: Anda daí connosco segue o nosso caminho. 

Cão: Serás mais um pro grupo anda. 

Gato: Miau miau faremos companhia uns aos outros deixá-lo. 

Galo: Eu vou belo grupo burro, cão gato, igual o cocoroco. 

Burro: Cantas bem galo tens uma bela voz és tu que cantas melhor de todos nós. 

Burro: A não não está mal, não está mal. 

Burro: O efeito não é feio. 

Burro: Sabem que ideia foi que me feio? 

Cão: Como ei de adivinhar? 

Burro: Se nós ganhássemos a nossa vida a cantar. 

Gato: A cantar. 

Galo: Um coral. Formando um orfeio. 

Burro: Tudo Galo que és cantora que davas o tolo querem experimentar, vamos lá ensaiar vá Galo dá o tom. 

Galo: Coco, talvez fique melhor sustenido ou bemol 123. 

Galo: Mais baixo, cantar, não é gritar a final, mas vá lá, vá lá para a primeira vez. Não foi assim tão mau. 

Narrador: E os 4 amigos, o burro, o cão, o gato e o Galo foram continuando o seu caminho. Muito animados com a ideia de chegarem à cidade vizinha, cujos habitantes tinham a fama de serem grandes amadores de música e onde, por isso contavam que o concerto que projetavam teria muito sucesso. 

Narrador: Por isso, não deixavam de ir ensaiando pelo caminho. 

Narrador: Mas como já sabemos, nenhum deles era já muito novo, de maneira que a certa altura começaram a sentir-se cansados. 

Narrador: Além disso, tinham fome e perguntavam a si próprios, sem quererem confessar uns aos outros, se teriam forças de alcançar a cidade, tanto mais que já era noite e de Inverno, as noites são frias. No entanto, a sorte parecia querer ajudá-los. 

Burro: Olhem ali na curva da estrada. 

Cão: Uma luz. 

Gato: É uma casa iluminada. 

Galo: Vamos ver. 

Burro:Vamos lá. 

Cão: É perto é bem pertinho. 

Galo: A casa fica a mesma beira do caminho, vamos espreitar a ver quem está lá. 

Galo: Será gente boa ou será gente má? 

Cão: Ou, ela está janela, não se pode ver nada. 

Gato: Que é preciso trepar nem sequer está fechada. 

Burro: Não há nenhuma pedra. 

Galo: Também não é precisa. Tive uma ideia, uma ideia colossal, uma ideia que nem parece de animal.

Narrador: Era na realidade uma boa ideia do galo, já que não havia num sítio onde trepar eles próprios trepariam uns sobre os outros até chegar à janela. 

Narrador: E o que ficasse por cima contaria aos outros visse, assim o cão trepou para cima do burro com a ajuda dos outros, o gato que sempre era gato e que por isso, apesar de velho, conservava uma certa agilidade, tipo para cima do cão e o Galo ser vindos das asas. 

Narrador: Que sempre eram asas, embora pesadonas empoleirou-se em cima do gato e pude descrever o que viu. 

Narrador: E o que viu era bom e era mau. Era bom o que estava sobre a mesa um farto, jantar com travessas, cheias de comida fina e abundante. 

Narrador: Vimos rubros e dourados e mil gulodices que fizeram que ser água na boca  aos esfomeados companheiros. 

Narrador: Era mau que viu aí redor da mesa 4 homens de mau aspeto armados de facas e de pistolas com todo o aspeto daquele que eram realmente e que conversa que os animais ouviram, denunciou. 

Narrador: Temíveis ladrões. 

1ºLadrão: Viva a vila de ladrão. 

1ºLadrão: Vem com tudo vem á mão, sem termos de trabalhar. 

1ºLadrão: É só fazer um assalto,  atacar alguém de um salto e ser rico até fartar. 

1ºLadrão: Meter medo a toda a gente em vós e fazer –se de valente , com a fama que já temos. 

1ºLadrão: É uma fita engraçada, sem nada de complicada. 

1ºLadrão: É só isto, mais ou menos? 

Narrador: Os 4 amigos não podiam deixar de perceber de que gente se tratava, mas não se atemorizaram as coisas boas que havia sobre a mesa, davam-lhes coragem e despertavam lhe as faculdades imaginativas. 

Burro: Mas que jantar para comer até estoirar. 

Burro: Se déssemos um concerto? 

Cão: Para burro tu és esperto, sabes que a desafinação assusta até um ladrão. 

Cão: Toca a surrar e a ladrar. 

Cão:Cantar de Galo e miar . 

Gato: Um de cada vez. 

Burro: Todos juntos.  

Narrador: O estratagema dos 4 amigos de um resultado brilhante, os ladrões espavoridos fugiam um para cada lado para o mais longe que puderam, deixando a mesa posta à disposição deles. 

Narrador: Rindo a bom rir, saltaram pela janela e ocuparam os lugares dos 4 ladrões.  

Burro: Começo pelo feição. 

Cão: Eu antes quero Leitão. 

Galo: Comer lá um estofado. 

Burro: Eu prefiro pato Assado, 

Galo: Mas que canja saborosa. 

Gato: Pescada apetitosa. 

Cão: A presumo e mortadela. 

Burro: Arroz doce com canela  

Burro: Ananás ao natural. 

Cão: Passa a água mineral. 

Galo: Água. 

Gato: Eu bebo espumoso. 

Galo: E este tinto é famoso. 

Burro: Trouxas de ovos e queijadas. 

Cão: Peras e maçãs assadas. 

Galo: Há café e aguardente. 

Burro: Vive bem aquela gente. 

Cão: Já comi até mais, não? 

Gato: Ter uma indigestão. 

Narrador: Acabada aquela esplêndida refeição, os 4 cantores cansados como estavam da longa caminhada, o que queriam era dormir, apagaram as luzes e aninharam se confortavelmente, cada um no canto que tinha escolhido. 

Narrador: Mas mal iam começar a pegar no sono, ouviram um ruído que os pôs de novo alerta. 

Narrador: Era um barulho de vozes e passos cautelosos. 

Narrador: Eram os 4 ladrões que não se conformando com a interrupção do seu rico jantar e com o abandono da sua casa e sem ter conseguido explicar uns aos outros aquela horrível a algazarra que os lançar em pânico tinham resolvido voltar e ver o que se estava a passar. 

Narrador: Meteram a chave na fechadura, abriram a porta cuidadosamente. 

Narrador: E avançaram a medo. 

1ºLadrão: Está tudo escuro como Breu. 

Outro ladrões: Não se vê um palmo adiante? 

1ºLadrão: Do nariz sim silêncio. 

1ºLadrão: Não se ouve nada. 

Outro ladrões: Está tudo calado, tudo quieto. 

1ºLadrão: E risca o fósforo para chegarmos às velas e fazermos luz. 

Outro ladrões: Embora. 

Narrador: Ouvir falar em luz e fósforos sem perder mais tempo. 

Narrador: O gato cujos olhos embora, já cansados, eram capazes de ver às escuras como os de todos os gatos e que, portanto, sabiam onde eles estavam, saltou-lhes ao nariz e arranhou os ferozmente um depois do um. 

Narrador: Imediatamente, localizando os pelos gritos, o burro atacou aos coisos, o cão à dentada e o Galo às bicadas, assim, arranhados, escanceados, mordidos e picados, sem conseguir ver de onde lhes vinha aquele ataque, os ladrões mal conseguiram atinar com a porta. Saíram ainda aos gritos mais assustados do que nunca. 

Galo: Oh meus amigos agora foi de vez, ninguém cá torna de certo a pôr os pés. 

Cão: A casa vai ser nossa vamos aqui morar, temos um abrigo, por fim, para descansar. 

Gato: Poderemos envelhecer aqui tranquilamente. 

Gato: E sem saudades de nada e sem medo de gente. 

Galo: Amigos, uns dos outros sempre bons camaradas. 

Galo: Vamos por fim viver vidinhas regaladas. 

Galo: Temos a cantoria para nos distrair com mais alguns ensaios. A coisa já deve ir, verão de ver que até temos talento e nem sempre o concerto será tão barulhento. 

Galo: Muito bom. 

Burro: Que bom que é não ter medo do amanhã. 

Burro: Para comer e dormir sossegado. 

Cão: Que bem que bem saber um velho cão, roer o seu osso e dormir ao sol. 

Galo: Ter de fugir de um dono que é mau e não caçar mais ratos. 

Galo: E ter 3 bons amigos nunca mais ficar só já não querer saber de galinhas. 

Narrador: Emissora nacional acaba transmitir para os seus pequenos ouvintes uma história de Maria de Melo, adaptada do conto tradicional de Brahman os 4 músicos, produção de Maria Madalena Patacho. 

Outros Contos

Histórias para ler e ouvir

O Cavalo Mágico

O Cavalo Mágico

Era uma vez um menino que foi parar em um reino mágico. Assim que, lá, chegou, identificou seres mágicos. Enquanto seguia seu caminho, viu um cavalo que voava.

As Três Cidras do Amor

As Três Cidras do Amor

As três cidras do amor é uma bela história onde o bem triunfa sobre o mal. Fala sobre um Rei que procura, incessantemente, uma noiva para o seu único filho.

História da Carochinha

História da Carochinha

Foi a carochinha comprar muitas fitas, rendas, flores, braceletes d’ouro e brincos; enfeitou-se muito enfeitada e foi-se pôr à janela, dizendo:
«Quem quer casar com a carochinha
Que é bonita e perfeitinha?»