A Missa da Meia-Noite

A Missa da Meia-Noite

A Missa da Meia-Noite

 

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por:

Produção: Maria Madalena Patacho

Narração:

 

Data de Transmissão: 17/11/1972

Transmitido por: Emissora Nacional

Programa: Meia Hora de Recreio

 

Registo de Som: Silva Alves

Montagem: José Ribeiro

Capa do Áudio: Bruno Leal

 

Link de Referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos

Avó: Maria Schultz

Mãe: Maria Brito Malta

Pai: Rui Ferrão

Marinha: Milucha

Teresa: Francisca Maria

João: Manuel Inácio

Narrador: Meia hora de Recreio. Amiguinhos na vossa emissão de hoje vão escutaram conto de Natal da autoria de Maria de Melo.  

Narrador: A missa da meia-noite.  

Narrador: Personagens a avó Maria Schultz, a mãe, Maria de Brito Mal, o Pai, Rui Ferrão.  

Narrador: Clarinha Milucha,  Teresa, Francisca Maria, João, Manoel Inácio.  

Narrador: Registo de som de Silva Alves, montagem de José Ribeiro, produção de Maria Madalena Patacho.  

Mãe: Estão todos prontos, é quase meia-noite.  

Pai: São horas, vamos embora.  

Mãe: Meninos agasalhem se bem. Abotoem os casacos, enfiem os gorros, calcem as luvas.  

Pai: Agora parece que não chove.  

Pai: Olha, já ouço os Sinos a tocar.  

Teresa: Vamos depressa.  

Avó: Então adeus até já.  

Pai: Cá estamos depois para a ceia.  

Teresa: Já está tudo preparado.  

Avó: Então adeus.  

Mãe: E saíram todos para a missa da meia-noite. Todos.  

Narrador: Ficaram só a avó e aquela neta no aconchego da salinha confortável, onde um fogo de lenha crepitava alegremente no fogão.  

Narrador: E um dos enfeites de Natal dispersos por todos os lados, a árvore toda ornamentada.  

Narrador: E o bonito presépio armado sobre a cómoda antiga, contribuíam para criar um ambiente festivo  

Narrador: Ficaram só a avó e aquela neta a avó, porque era já muito velhinha e as noites de Inverno, as noites de Dezembro são frias, são más, são perigosas para os velhinhos saírem à rua.  

Narrador: A neta Clarinha porque estava ali com aquele trambolho de gesso na perna esquerda e não podia deixar da ter estendida.  

Narrador: A neta estava triste, estava quase amuada.  

Narrador: Bem, sabia que o que lhe tinha acontecido não era culpa de ninguém, nem dela própria e da sua imprudência.  

Narrador: Mas não se podia conformar, tinha partido a perna de uma maneira muito estúpida no último dia de aulas, numa daquelas quedas que ninguém é capaz de explicar como e porque aconteceram.  

Narrador: Estava amuada e não se conformava com a pouca sorte com o azar, com a fatalidade, com o destino lá o que lhe quisessem chamar que o obrigava a ficar quieta imóvel ali naquele sofá, uma época do ano tão alegre, tão divertida, tão movimentada como é o Natal e as férias do Natal, era realmente desolador.  

Narrador: Avó viu-lhe a carita desconsolada e empurrou a sua poltrona para junto do canapé, onde ela estava estendida.  

Narrador: Pegou lhe na mão com meiguice e falou.  

Avó: Lá se foram todos.  

Avó: Ficamos as 2.  

Avó: A avó e, e a neta.  

Avó: Hã então?  

Avó: A minha neta ficou muito triste por não ir à missa da meia-noite com os outros, não ficou?  

Clarinha: Fiquei sim a minha avó.  

Clarinha: E a avó?  

Clarinha: Não ficou triste também? Não tem pena?  

Avó: Oh Sim, tenho pena, muita pena.  

Avó: Com certeza tenho ainda mais pena do que tu e queres saber porquê, Clarinha?  

 Clarinha: Queres sim avó, porquê?  

 Avó: Porque tu vais ficar boa.  

Avó: Não está nas mesmo a ficar boa, para o ano, podes ir à missa da meia-noite e eu.  

Avó: O mal que me prende em casa, a velhice é um mal sem remédio que só se agrava de ano para ano.  

Avó: E nunca mais na minha vida, vou à missa do Natal.  

Clarinha: Isso é verdade. Coitada da avó.  

Avó: Não, não me digas coitada da avó.  

Avó: Fui a muitas missas da meia-noite durante esta vida tão longa.  

Avó: Tão longa que tem sido a minha, e por isso sei tão bem como tudo, como tudo se passa, que olha ligo o rádio.  

Avó: Vês. E fecho os olhos.  

Avó: É como se estivesse lá.  

Avó: Na Igreja dentro de mim, na minha memória.  

Avó: Pois tudo tão bem, tão claro.  

Avó: Como te vês a ti e tu me vês a mim.  

Clarinha: Escuta , parece que a missa já vai começar.  

Avó: Acendem se todas as luzes do altar.  

Avó: Os fiéis, ocupam os seus lugares.  

Avó: Repicam se sinos. Ouves?  

Avó: E o corpo canta numa grande alegria.  

Avó: Lembras-te do ano passado?  

Avó: Da missa da meia-noite a que assististe Clarinha?  

Avó: O que é que cantam ao começar a missa minha neta?  

Clarinha: Não sei bem, não me estou a lembrar, devia estar distraída.  

Clarinha: Olha Teresa, tanta gente que vem atrasada, que só agora chega.  

Clarinha: Até a Senhora estou na Júlia, a minha catequista que está agora a entrar.  

Clarinha: Não é bonito. Uma catequista vir atrasada para a missa da meia-noite, não achas? Olha.  

Clarinha: A Manuela com a família toda, até o irmão mais pequenino.  

Clarinha: Vez a Luísa com casaco novo encarnado, todo bonito.  

Clarinha: É a senhora dona Claudina pelo braço do gorducho do marido.  

Clarinha: Que penteado do ratão que ela traz?  

Clarinha: Como a popa maior que ela.  

Clarinha: Aí que vale que fica.  

Clarinha: Devia estar distraída a ver as pessoas que chegavam atrasadas.  

Avó: O coro canta.  

Avó: Glória a Deus nas alturas e paz na Terra, aos homens de boa vontade.  

Avó: Um grito de triunfo, glória a Deus nas alturas, uma súplica dos homens e das mulheres e até dos meninos na sua agitada luta terreno.  

Avó: Paz na Terra aos homens de boa vontade.  

Clarinha: É bonito e sua avó se explicar por si falo mais.  

Avó: E o que disse o padre, o celebrante? Lembras-te?  

ClarinhaOh avô. Não reparei.  

Clarinha: Não ouvi, devia estar a pensar nos presentes que gostava de ter.  

Clarinha: Que irá encontrar no meu sapato?  

Clarinha: Terei tudo o que pedi, queria tantas coisas, livros, chocolates, umas luvas novas,aquele lenço de cabeça, muito bonito que vi numa montra.  

João: Eu pedi um jogo de construções.  

 Teresa: E eu queria discos novos.  

João: Eu gostava de um rádio portátil?  

Clarinha: Eu preciso de um par de patins?  

Clarinha: Devia estar a pensar nos presentes que eu e os manos íamos encontrar nos nossos sapatos.  

Avó: O celebrante anuncia assim.  

Avó: Um filho nos nasceu, um menino nos foi dado, nos foi dado. Repara bem a nós, a mim e a ti.  

Avó: Um menino pequenino que espera de nós, amor.  

Avó: Muito amor, como todos os meninos pequeninos que precisam do amor das pessoas mais crescidas.  

Avó: Ele também.  

Clarinha: Nunca tinha pensado nisso, avó?  

Avó: Pois é.  

Avó: Todos nós pensamos pouco nessas coisas, e é pena.  

Avó: Sexo depois, várias leituras sobre a vinda de Jesus.  

ClarinhaEstou a ouvir em palavras simples e bonitas, conta-se o que todos nós mais ou menos já sabemos.  

Avó: E a missa vai continuando?  

Avó: Tal como a sineta.  

Avó: Ouves?  

Avó: É para chamar as pessoas ao recolhimento do momento mais solene.  

ClarinhaPois é, disso, lembro-me, lembro-me até que dei um pulinho no meu lugar de sobressalto, quando ela tocou de repente.  

Avó: Estavas distraída Clarinha?  

Clarinha: Estava e até pensei nessa altura que fazia mal e não prestar mais atenção.  

Avó: E então todos dizem em voz alta, o que é que dizem? serás capaz de repetir?  

Clarinha: Não sou avó.  

Clarinha: Que vergonha.  

Clarinha: Em vez de ouvir, devia estar a pensar nos preparativos que tinham sido feitos para a ceia, com certeza.  

Mãe: Quem vai bater os ovos para a Rabanada?  

João: Peru já está a ficar Dourado.  

João: Já cheira bem.  

João: Até já estou a lamber os beiços.  

Pai: Já puseram sal na canja?  

Clarinha: Ou limão, onde é que está o limão?  

Pai: Está ali naquele canto da mesa.  

Mãe: É a canela, quem é que tem a canela?  

Clarinha: Foi a Teresa que lhe pegou para enfeitar o arroz doce.  

João: Que habilidade que ela tem, olhem para a travessa. Desenhou as letras com a canela.  

João: Boas Festas.  

Pai: Aqui está o papel de prata para enfeitar as pernas do peru, já franjado e tudo.  

Clarinha: Já preparei os rabanetes até parecem flores.  

Mãe: E que isto é uma extensiva, as com figos, passas  ,nozes.  

Mãe: Pinhões e avelãs.  

Clarinha: Eu arrumo fruta, laranjas e maçãs em pirâmide e um raminho de azevinho com muitas bolinhas vermelhas no alto a enfeitar.  

Clarinha: Não fica bonito?  

João: Está tudo tão bom, tão bonito.  

Clarinha: Tão apetitoso.  

Clarinha: Com certeza estava distraída outra vez.  

Clarinha: Mas era sem querer. Avó.  

Avó: Todos disseram Bem dito que vem em nome do senhor.  

Avó: Agora é a elevação.  

Avó: Depois o pai nosso.  

Avó: Tu sabes rezar o Pai-Nosso, é claro.  

Avó: Rezaste o Pai-Nosso nessa missa?  

Clarinha: É claro que sei. É claro que rezei.  

Avó: Então quando rezaste, disseste assim?  

Avó: Perdoai as nossas ofensas, como nós perdoamos aos que nos ofenderam.  

Avó: Como tu Clarinha, perdoavas aos que te tinham ofendido, não foi?  

Clarinha: Devia ter sido avó mas, mas pensando bem, eu creio que disse essas palavras um pouco no ar. Estava zangada com um dos manos e.  

João: Clarinha, emprestas-me o teu livro novo.  

Clarinha: Eu? Era o que faltava.  

Avó: Já não te lembras que estiveste a troçar de mim que levaste a manhã a fazer pouco de mim, e agora queres que te empreste o meu livro novo? Já é topete, não, meu amigo não empresto.  

João: Mas era a brincar Clarinha.  

João: Eu já te pedi desculpa.  

Clarinha: Mas Eu Não desculpo, não desculpe, já disse se foi brincadeira. Foi uma brincadeira parva. Eu detesto brincadeiras parvas, por isso não desculpo.  

João: Tu és má Clarinhaestás a ser mesmo má.  

Clarinha:  Quero lá saber.  

Clarinha: Não empresto meu livro novo, nem presto mesmo pronto.  

Clarinha: Estava zangada com os manos e continuei zangada. Não lhe emprestei o meu Livro Novo. Eu sei que fiz mal.  

Avó: Pois fiz este.  

Avó: Ouvem agora ou a desta Fidélis?  

Avó: Aproximai vos fiéis 20 e adoremos.  

Avó: Todos Unidos a adorar, todos, como só um.  

Avó: Era assim, não é?  

Clarinha: Devia ser.  

Clarinha: Mas eu estava a pensar que achava o Jingle Bells, sabe quando é avó, não sabe Jingle BellsJingle Bells,Jingle all the wayestava a pensar que achava o Jingle Bells uma música mais engraçada.  

ClarinhaE ao mesmo tempo, estava com vontade de rir.  

Clarinha: Repara, neste senhor que está à minha frente.  

Teresa: Que gordo que gordo parece uma baleia.  

Clarinha: O que ele sopra até dá vontade de rir.  

Clarinha: Ai ai, não empurre.  

Avó: Magoei? Desculpe menina foi sem querer.  

Clarinha: Pois magoou. Sou pequena, mas não tanto que não me possam ver e há tanto espaço. A Igreja é tão grande.  

Clarinha: Irritei me.  

 Clarinha: Foi pena, mas foi assim.  

Avó: Foi pena, foi porque afinal não fizeste um com essas pessoas, não te uniste ao senhor gordo de que fizeste troça não uniste, a Senhora desastrada, que te empurrou, que te magoou sem querer.  

Avó: É a comunhão agora.  

Avó: Do comungaste na missa da meia-noite do ano passado comungaste Clarinha?  

Clarinha: Imagino que não, avó e tive tanta pena, mas mesmo quando ia sair para a Igreja.  

Clarinha: O que será que está aqui nesta tacinha?  

ClarinhaAh são chocolates que bons, são daqueles que eu gosto mais com nozes.  

Clarinha: Que delícia.  

Mãe: Clarinha Clarinha, estamos todos à tua espera, não vens?  

Clarinha: Vou já.  

Clarinha: Vão descendo  

Mãe: Mas estás a comer o que tens na boca?  

Clarinha: É eu é é é um chocolate, estava ali naquela tacinha ou Clarinha.  

Mãe: Então tu não vais comungar?  

Clarinha: É verdade, não me lembrei.  

Mãe: Agora já não pode perdeste a tua comunhão do Natal  

ClarinhaOh mãe mas foi só um tão pequenino  

Pai: Pequenino ou grande tanto faz, não podes comungar.  

Clarinha: Tenho tanta pena mãe.  

Mãe: Também Clarinha, tenho muita pena.  

Mãe: Por ti, quem te mandou ser gulosa?  

Mãe: Agora já não há remédio.  

Clarinha: Tentei me, esqueci me e comi um chocolate, por isso não pude comungar.  

Avó: Cabecinha no ar. Cabecinha no ar.  

Avó: Não estavas a pensar no que era mais sério, afinal vês tu.  

Avó: Agora celebrante dá a bênção final. Depois, diz ide em paz e o senhor vos acompanhe.  

Avó: Agora e sempre a toda a hora.  

Avó: No dia de Natal e em todos os dias por toda a vida.  

Avó: Em seguida, as pessoas não saem logo, ficam ainda.  

Avó: Segue-se a cerimónia dar o menino Jesus a beijar a todos os fiéis.  

Clarinha: Eu não gosto muito disso, eu vou, sabe?  

Avó: Faz por compreender Clarinha é um símbolo, um símbolo bonito, um ato de amor que é acessível a todos.  

Avó: Mesmo aqueles que como tu no ano passado, por uma ou por outra razão, não se aproximaram da eucaristia, o que, é claro, é um verdadeiro gesto de amor, mas mesmo assim prestam a sua homenagem.  

Avó: E pronto a missa da meia-noite acabou.  

Avó: Acabou a Transmissão.  

Avó: Daqui a pouco, estão todos a chegar.  

Avó: É preciso pôr mais uma acha no lume.  

Avó: Pronto assim assim.  

Clarinha: Tenho pena de não poder ajudar, avô.  

Avó: Não faz mal.  

Avó: Vão chegar todos não tarda nada.  

Teresa: A Igreja é perto.  

Avó: Já não estarás sozinha com a velha avó  

Clarinha: Minha avó sabe.  

Clarinha: Esta missa da meia-noite esta missa da meia-noite a que não fui, foi a melhor de todas as missas de Natal que eu tenho ouvido.  

Clarinha: Foi a primeira vez em que vivi o Natal a valer.  

Clarinha: E foi a avó que me ensinou.  

Clarinha: Que bom, nunca mais me esquecer dela. Obrigada avó por me terem ensinado a missa da meia-noite.  

Narrador: E a neta pegou na mão enrugada na mão encarquilhada da avó velhinha e beijou a com carinho com respeito.  

João: Boas Festas e.  

 Pai,Teresa,João  

Feliz Natal.  

Feliz Natal, Coleirinha.  

João: Está frio lá fora.  

Mãe: Não, mas aqui está bom, tão quentinho.  

Pai: Que rico lume.  

Clarinha: Foi a avó que esteve a arranjar antes de vocês chegarem.  

Clarinha: Que rica avó.  

Teresa: Foi bonita a missa da meia-noite.  

Pai: A Igreja estava cheia de gente.  

Mãe: Agora vamos à ceia.  

Teresa: Então está tudo pronto?  

Mãe: Está é só passar para a sala de jantar.  

João: Avó entendo o seu braço. Venha comigo.  

Teresa: Bom, nós vamos levar a Clarinha e o seu sofá. Oh João pega por esse lado, faz favor, eu pego deste, vá lá, vá o pá. Assim transportamos assim com todo o cuidado, a nossa inválida, vá lá.  

Teresa: Aqui pronto já está instalada,  aqui na cabeceira da mesa, com todas as honras ao lado da avó.  

Avó: Oh que lindo que está o centro que bonita mesa.  

João: Eu estou cheio de apetite.  

Clarinha: E eu.  

Avó: Ponham um disco, um disco a dizer com a festa de Hoje.  

Narrador: A emissora nacional acaba de transmitir para os seus pequenos ouvintes um conto de Natal da autoria de Maria de Melo.  

Narrador: A missa da meia-noite, produção de Maria Madalena para todos.

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Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Maria Isabel Mendonça Soares

Produção: Maria Madalena Patacho

Narração:

Data de Transmissão: 16/02/1973

Transmitido por: Emissora Nacional

Programa: Meia Hora de Recreio

Locução: Francisca Maria

Registo de Som: Manuel Marques

Montagem: João Silvestre

Capa Áudio: Bruno Leal

Link de Referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos

Mãe: Maria Schultz

Maria Rosa: Milucha 

Garoto: José Manuel

Vizinha Teresa: Maria Brito Malta

Pai: Alexandre Vieira

Tio Isidrio da Mata: Rui Ferrão

Mãe: Maria Rosa. Ó Maria Rosa, onde estás tu metida rapariga!  

Maria: Estou aqui, minha mãe.  

Mãe: Anda cá.  

Maria: Pronto aqui estou que me quer.  

Mãe: pega neste jarro vai lá baixa adega e traz vinho, mas não te demores.  

Maria:  Esteja descansada mãe, vou tirar.  

Maria: Quando eu era pequena, não gostava de vir cá abaixo a adega porque tinha medo.  

Maria: A adega é escura quanto é dos baixos arcos de pedra que servem de paredes e separam as divisões umas das outras. Muitas sombras pelos cantos.  

Maria: Mas agora já não me importo nada quanto às patetices, acho até que é divulgar misterioso. Que eu gosto de mistérios é uma espécie de lugar encantado, como só há NOS livros de histórias.  

Maria: Bom, mas a mãe está à espera do vinho, tem que encher o jarro.  

Maria: É engraçado ver o vinho a correr, fazendo bolhas cor-de-rosa quando cai.  

Maria: Muito mais efetivo imaginar coisas do que trabalhar, pelo menos é assim que eu Penso agora, por exemplo, porque de eu ficar parado olhar para o jarro quando posso aproveitar O Tempo e dar uma volta pela adega a imaginar, imaginar.  

Maria: Já sei!   

Maria: Que estou no castelo, no subterrâneo de um castelo.  

Maria: Se esta casa fosse um castelo, eu era uma Princesa Encantada neste subterrâneo.  

Maria: Mas para eu ser uma Princesa Encantada, era preciso haver uma bruxa que me tivesse encantado. Com certeza pode haver encantamentos sem bruxas.  

Maria:  Olha, ali está naquele canto uma vassoura faz de conta que é a vassoura da bruxa. Arrume óleo o canto como se costuma arrumar os automóveis à beira dos passeios.  

Maria: A Vassoura-De-Bruxa é o seu automóvel.  

Maria: Mas Como Seria que ela me encantou?  

Maria: Ah espera já sei.  

Maria: Espalhou um pó no ar e o cheiro foi tão forte que me fez andar a cabeça roda e certamente como eu sim, todas as vezes que desço à adega.  

Maria: Transformou um em uma aranha. Como aquela.  

Maria: Mas um dia passava diante do Castelo, um príncipe muito Valente, como ouviu cantar assim sou A Princesa Encantada numa aranha, muito feia e 1000 anos, condenada a tecer a minha teia e milanos condenados a tecer a minha teia, acho que um príncipe viesse tirar-me desta prisão, talvez o meu pai lhe desse como prémio a minha mão.  

Maria: Talvez o meu pai lhe desse como prémio a minha mão.  

Maria:  Vem depressa, vem depressa, cavaleiro, não de.  

Maria: Aí, valha-me Deus, o vinho todo entornado pelo chão, olha minha vida.  

Mãe: Ó Maria Rosa, quando acabará estudo encher o jarro. 

Maria: Ó mãe, deixe-me cá e entornou-se tudo.  

Mãe: Sempre quero ver o que fizeste.  

Mãe: Sempre quero ver o que fizeste aí o que para aqui vai desastrada, não tomas tento em coisa nenhuma. Deixa ver uns pregam que ISTO tem de ser limpo.  

Mãe: Ó meu Deus que rapariga é esta, sempre distraída 20 vezes no dia acontecem desastres por causa da tua falta de atenção.  

Mãe: Nem os anos te dão juízo a minha cabeça de vento. Olha que já estás crescida com 13 anos.  

Maria: Ainda não os fiz, mãe, só daqui a 8 dias.  

Mãe: Ora a grande diferença uma semana a menos.  

Maria: Hoje, hoje é que é o dia dos meus anos, que bom.  

Maria: Ó minha mãe A gente então pode comer doces ao jantar?  

Mãe: Pode, o que é que tu Queres falar? Anda tente.  

Maria: Fosse coscorões sim, gosto tanto de cuscuz muito Ourinhos embrulhados em canela.   

Mãe: Está bem, pronto, faça tua vontade, eu vou tender a massa.  

Mãe: Ora, muito bem, os coscorões estão prontos.  

Mãe: Vai fritá-los enquanto eu vou a loja, fazer umas compras usando está ao lume. Agora está uma atenção. Maria Rosa não queime se não faças nenhum disparate.  

Maria: Ó mãe, eu tenho juízo, faz 13 anos, não sou nenhuma menina pequena.  

Mãe: Já não é sem tempo até logo.  

Maria: até logo minha mãe.  

Maria: Vou fritar os coscorões.  

Maria: Que engraçados São os pecadinhos, tão delgadinho de massa e daqui a minutos é chão como balões.  

Maria: Aí aquele e o outro ali A nadar e no aceite, parecem barquinhos exatamente barquinhos, com as velas enfunadas pelo vento E o azeite tão Dourado, tão brilhante e um Lago durante os barquinhos navegam. Vou deitar uns poucos de coscorões para dentro da frigideira ao mesmo tempo ela é tão grande E assim eu vejo muitos barquinhos a nadar no Lago douro.  

Maria: Querido os Barquinhos, eu vejo focar neste Lago d’Ouro quilos faz brilhar. Eu sei que existam Rio entre os rios de Portugal é que todos saem mundo e é feito da água. Afinal, é por isso que eu afirmo se é muito mais acertado chamar Douro, ei, esta site que ao menos sempre é Dourado  

Maria: À! Parece que está alguém a bater á porta.  

Maria: Quem é?  

Mãe: Até que enfim estou aqui, vai tirar a porta um ror de tempo.  

Maria: No ouvi minha mãe.  

Maria: Estava a fritar os croissants e com o barulho do Azeite.  

Mãe: Diz antes com o barulho que tu fazias a cantar.  

Maria: Oh!  

Mãe: O que foi?   

Maria: O coscorão, veja mãe, que pena, mal-empregados.  

Mãe: É esta rapariga e os meus pecados deixar queimar coscorões todos. Eu logo vi a cantiga alguma asneira havia de dar dinheiro estragado, tempo perdido. Olhem para ISTO, parecem-me bocados de carvão.  

Mãe: Aí, mas que pouca sorte a minha me valha Deus, tenho uma filha que não me ajuda em coisa alguma e que em vez de trabalhar canta és mesmo uma cigarra tonta.  

Maria: Hihihi Cigarra tonta.  

Mãe: Ainda por cima ainda te ris, rapariga.  

Menino: adeus, cigarra tonta, adeus.  

Maria: Adeus, se julgam que eu me ralo com alcunhas, estão muito enganados, até gosto que me chamem assim.  

Maria: As cigarras são os bichinhos tão simpáticos, tão alegres.  

Maria: Cantam sempre contente que haja sol não me importo nada que me comparem uma cigarra.  

Vizinha: Nenhum te importas tu, mas importa se a tua mãe.  

Maria: Foi a primeira que me chamou assim, está bem, chamou de cigarra toda naquele dia.  

Vizinha: Mas esperava que tu mudasses, afinal continuas na mesma. Não há meio de ser como as outras raparigas da tua idade.  

Vizinha: Ainda ontem na fonte, a tua mãe esteve a falar comigo, bem desconsolada.  

Vizinha: Adeus ó Rita, em que é que tu estás a pensar que nem dás pela gente mulher  

Mãe: Aí é você vizinha passou bem, estava tão distraída que não tinha visto.  

Vizinha: olha lá que a distração pega, se calhar daqui a pouco estás com uma tudo cigarra tonta, aí desculpa a gente acostumou ser chamar assim a tua Maria Rosa aí.  

Mãe: Não tem mal, deixe, afinal fui eu a primeira que lhe pôs o nome de cigarra tonta.  

Mãe: A moça não faz coisa que jeito tenha. Já desesperei de a ver diferente.  

Vizinha: Sabes do que ela precisava? Rita não de trabalhar a sério por obrigação, mas só porque não apoiem vocês em qualquer emprego  

Mãe: Emprego vizinha, ela ainda não acabou a escola e sabe Deus se consegue passar sempre a pensar em coisas tão diferentes daquilo que está a fazer. 

Vizinha: Arranjava lhe trabalho durante as férias?   

Mãe: Não sei, custa-me, nem sei o que me parece pôr a filha a trabalhar para contar.  

Vizinha: Era para bem dela, toda a Gente sabe que vocês vivem desafogados. E que não é por serem gananciosos que vão me ter apequenam caseiras, mas é assim como se dessem um remédio Tomar a amarga, mas faz bem, tenha certeza.  

Mãe: Talvez tenha razão vizinha.  

Mãe: É de falar nisto ao meu homem, fala, fala ao menos por um tempo, já chegava para ela Tomar sentido no que tem para fazer.  

Mãe: Adeus, vizinha e obrigada. Obrigada pelos seus conselhos. Tens que agradecer. Boa tarde, Rita e queira Deus que o remédio dê resultado.  

Maria: Estava um bom jantar, não?   

Pai: Tem gosto.  

Pai: Por que me perguntas isso? Não me digas que foste tu quem fez?  

Mãe: Já tinha boa idade para isso já, mas Deus me livre de confiar alguma vez, havia de ser bom e bonito ficávamos em jejum e a comida ia parar ao caldeirão dos porcos. 

Maria: Ó mãe.  

Maria: Disse alguma mentira? Estou a exagerar, não és capaz de fazer coisa que preste já era juiz.  

Pai: Se não ajuda tua mãe em casa, nem aproveitas no estúdio o que há de ser de ti um dia.  

Maria: Não é por mal pai mas …  

Mãe: Olha, vai, mas é estudar, anda vai, vai, vai.  

Maria: Não quer que Lava-loiça.  

Mãe: Para quê? Para fazer estudo em cacos, vai estudar para o teu quarto anda vai estudar vai anda.  

Maria: Então boas noites, boa noite.  

Mãe e Pai: Boas noites.  

Pai: Escusavas de a tratar assim?  

Mãe: Desculpa, é que eu queria falar contigo sem ela aqui estar, não percebeste?  

Pai: Então o que é?  

Mãe: É, estive a conversar, vizinha teresa e sabe o que ela me disse, que devíamos pôr a Maria Rosa trabalhar num emprego. 

Pai:  E o estudo?  

Mãe: O emprego é durante as férias para aprender a sua custa a governar-se um parece-me que a vizinha teresa a tem certa razão, É Ela é uma pessoa com muita experiência da vida.  

Mãe: O que é que dizes? 

Pai:  Realmente é capaz de ser bom para a moça, pois é.  

Pai: Eu lembrei agora de uma coisa a as férias estão aí não tarde EEO tio Isidro da mata ainda no outro dia me disse que precisava de uma rapariga, para guardar as vacas e as cabras com ele e a mulher vindo para velhos, mas são boas criaturas, tá? Talvez queiram a nossa Maria Rosa por uns tempos, é o pior é se ela começa por lá fazer disparates  

Mãe: Talvez ela se acostuma a ter mais cuidado, uma vez que está com pessoas de fora isso é útil.  

Pai: E se o Isidro, não a quiser por saber que ela é uma cigarra tonta.  

Mãe: Não saberá. Eles moram arredados daqui vêm poucas vezes à aldeia.  

Pai: É de falar com ele e vermos.  

Pai: Ora, então como passou você, tio Isidro?  

Isidro: Vai-se indo obrigado vai-se indo, antes assim pior ou aí antes melhor que assim é.  

Isidro: Bem, eu já não tenho 20 anos já muito tempo.  

Isidro: E quando se vai para velho trabalho, custa mais sério, precisava.  

Pai: De quem o ajudasse que o Isidro?  

Isidro: Aí é isso, é isso, é o isso, é isso é verdade, disse bem. Mas desde que falei no assunto, lembra de trazer?  

Isidro: Ainda não descobri nenhum cachorro com viesse ajudar a guardar o gado.  

Isidro: Isso, queria eu.  

Pai: Um cachopo ou uma cachopita.  

Pai: Era, até é por isso que aqui estou    

Isidro: sabes de alguém aí?  

Pai: Eu lembrei da minha Maria Rosa, tá?   

Pai: Talvez ela desse conta do recado.  

Isidro: Ela não está acostumada?  

Pai: Lá, isso não está, mas acostuma-se a entra nas férias daqui a pouco e até acha Graça variar.  

Pai: Ela gosta da vida ao ar livre tem boa saúde.  

Isidro: Bom se tu achas que a tua filha é capaz de tomar conta do banana que venha.  

Pai: Anda cá Maria Rosa.  

Pai: Senta-te aqui ao pé de mim, temos que conversar.  

Maria: Diga lá pai, que é?  

Pai: Olha lá, tu gostavas de ter dinheiro teu para gastar naquilo que quisesse?  

Maria: Isso, não é? Se pergunta Se Eu ganhasse haveria de comprar tanta coisa, já tenho pensado muitas vezes em que eu gostava de comprar com meu Dinheiro.   

Pai: Pois talvez Seja Agora a ocasião de veres acontecer uma dessas coisas que tu gostas de imaginar.  

Pai: Queres ir tomar conta das ovelhas e das cabras do tio Isidro da mata?  

Pai: Nas férias, ele precisa de uma pastora e paga bem.  

Maria: Eu, A guardar cabras não julgava que fosse dessa maneira que eu podia ganhar dinheiro, ah isso dá muito trabalho.  

Pai: Pois como querias tu ganhar dinheiro sem trabalho. Há vais ver que até gostas. todos os dias a sair para o campo é Bom, e então com os dias bonitos, é muito melhor do que estão entre 4 paredes de uma casa.  

Pai: Sentas-te à sombra, enquanto as ovelhas pastam e pronto á tardinha voltas com elas para a quinta da mata,   

Maria: Se é só isso, não me importo, não é difícil.  

Pai: Para mais, não é trabalho Para Sempre, só durante uns meses, naturalmente olha que vale a pena.  

Maria: Pois está bem, meu pai, parece-me que gostar desse trabalho, diga o teu isidro que sim.  

Maria: Que eu vou.  

Pai: Espera, espera, mas é que ainda uma coisa que me parece o mais difícil para ti, é que tu sabes quando se toma conta daquilo que não nos pertence, é preciso muito cuidado, muita atenção e eu tenho medo de que tu não sejas capaz   

Maria: Sou então não sou?  

Maria: Acredito pai em Tomar conta de tudo muito bem, tal qual como se fosse a dona.  

Pai: Não sei, parece-me que tu nem daquilo que é teu sabes tomar conta. 

Maria: Ter confiança em mim, pai?  

Pai: Vê lá bem, e isso perdes alguma cabeça de gado.  

Pai: É que é coisa muito séria.  

Maria: Não hei de perder, com certeza, prometo que vou ter muito cuidado.  

Pai: Estás pronta, Maria Rosa?  

Maria: Sim Senhor meu pai.  

Pai: Oh, então, vamos. Vá, espera pela tua mãe.   

Maria: adeus, minha mãe.  

Mãe: Dá cá um beijo, minha filha.  

Mãe: E vê lá o que é que fazes   

Maria: Tudo há de correr bem, não se aflija minha mãe.   

Pai: Ora, cá estamos nós senhor Isidro.  

Isidro: Olha lá, então tu é que és a Maria Rosa.  

Maria: Sim Senhor Isidro.  

Isidro: Olha, ficas a experiência, mas se não viste.  

Isidro: Ao fim desse tempo se verá, ou quase.  

Isidro: Amanhã de manhãzinha, levas o rebanho ao pasto, está bem?  

Maria: Sim Senhor.  

Maria: Tão cedo  

Maria: O que vale é que não sou das mais preguiçosas.  

Maria: O dia nasceu limpo. Vamos a ver que tal me dou eu com o trabalho de pastora.  

Isidro: Maria Rosa, Ó Maria Rosa.  

Isidro: Toma bem cuidado, rebanho.  

Maria: Fique descansado.  

Maria: Comam á vontade ovelhinhas latem e pulem com liberdade, cabras e cabritos, o sol brilha e as cigarras cantam como eu.  

Maria: Sou pastor e guardo cado, mas não é o meu ofício, é um tempo bem passado e não faço sacrifício.  

Maria: Ó cão vê lá aquela ficas de Sentinela, o cão vi lá e que tu ficas de sentinela é do meu gosto, é de minha opinião cantar como uma cigarra à luz do Sol, no verão.  

Maria: É no meu gosto, é da minha simpatia cantar como uma cigarra.  

Isidro: Sempre quero ver, sempre quero ver como é que ela vai dando conta do serviço.  

Isidro: Esta, olha, parece satisfeita.  

Isidro: As ovelhas estão a pastar sossegadas.  

Isidro: E as cabras?  

Isidro: Não estou a ver nenhuma.  

Isidro: Nem a sombra delas.  

Isidro: Mau, mau, mau, mau, mau, Deus queira.  

Isidro: Onde é que estão as cabras do rebanho? Eu só vejo aqui as ovelhas, o credo rapariga parece que estavas a dormir e acordaste de repente.  

Isidro: A ficaste a olhar para mim com um ar de espantado.  

Isidro: Pergunto onde é que estão as cabras que não as vejo?  

Maria: Não sei se calhar andam ali pelo monte, eu vi as á bocado a saltarem por introdutores, mas agora eu não sei onde se meteram.  

Isidro: É, é, é.  

Isidro: Boa guardadora me saíste, não haja dúvida, então deixa-me fugir as cabras ainda, mesmo quando elas foram.  

Isidro: Ficaram as ovelhas porque se não mais mansas.  

Isidro: No largo de estava, não querem ouvir?  

Maria: O Patrão, desculpe, eu vou à procura deles.  

Maria: Má sorte a minha. Estou cansada de andar por Montes e vales e as velhacas não aparecem   

Maria: É lá? Acolá vai uma aos saltos.  

Maria: Espera, espera aí.  

Maria: Sinto-me moída, que nem uma salada, nem sei onde pôr os pés que tanto me doem?  

Isidro: Então encontraste e?  

Maria: Encontrei sim Senhor.  

Isidro: Olha que ISTO não torna a acontecer nunca mais, ouviste?  

Maria: Não, Senhor, juro que não volto a distrair-me teu exigido juro por tudo quanto lá.  

Isidro: Quer e nem são catar. Preciso ajudas nem para nada.  

Isidro: Bem vai jantar e deita cedo.  

Isidro: Parece que nem te aguentas de pé rapariga.  

Maria: Muito obrigada, tio Isidro e faça o favor de desculpar  

Isidro: Está bem, está bem, está bem, está bem, amanhã mais cuidadinho.  

Maria: Está bem.  

Maria: Há. Hoje é que tenho sido uma pastora como deve ser.  

Maria: Ainda não tirei os olhos de cima do rebanho.  

Maria: É o que o Isidro desta vez, não há de ter razão de queixa.  

Maria: Aí que borboleta mais linda tem asas azuis naturalmente subiu muito alto, muito alto e pegou se calhar estavas um bocadinho de céu. Eu gostava de ser como as borboletas. É muito melhor ser borboleta do que ser pastora de rebanho. As borboletas não guardam rebanhos.  

Maria: Bom e daí talvez guarda, talvez as nuvens de mosquitos sejam os rebentos das borboletas.  

Maria: Talvez a borboleta azul ande a procura de seu rebanho de mosquitos.  

Maria: Aí, o que terá acontecido?  

Maria: O meu cão está a ladrar furiosamente.  

Maria: Aí Deus queira que não seja nada com o rebanho.  

Maria: Ora, não Há de Ser, com certeza, o gato estava tão sossegado a pastar e o cão é tão Valente que não deixa ninguém lhes fazer mal.  

Maria: Aí outra vez capaz de ser coisa séria, vou correr.  

Maria: Ali uma raposa a correr levando um cordeirinho na boca, leão corre atrás dela não fugir.  

Maria: Aí meu Deus por aqueles bloqueios e um cão não conseguiu agarrá-la e gora vou poder utilizar vidro a minha má cabeça.  

Maria: Quem me mandou ir atrás da borboleta azul?  

Maria: Aí tio Isidro, não sei como lhe dizer. Olha, aconteceu uma desgraça.  

Isidro: Ora rapariga fala que foi? 

Maria: Uma Raposa leva, levou um cordeirinho nos dentes.  

Isidro: E tu deixaste minha parva, não pode é que tu Estavas a olhar, não ouviste?   

Maria: Eu, eu estava um bocadinho mais longe, tinha ido atrás de uma borboleta.  

Isidro: Uma borboleta? então eu dei-te o meu serviço para guardar urbana para caçar borboletas   

Maria: Eu Não ia caçar.  

Isidro: A Cala-te Cala-te, não pode ser perder a cabeça.  

Isidro: Para chau, ainda só estás aqui há 2 dias a fizeste 2 disparates a fazer uma põe minha. A culpa foi minha.  

Isidro: Quem mandou Tomar para pastora uma cigarra? Conta, sim, porque eu já sabia que se chamava assim, mas pensei que não fosse tanto tu como se dizia lá, afinal, mesmo quando tenho outro remédio, senão mandar para casa do teu pai, vai.  

Maria: Acredito que eu tenho muita pena do que sucedeu, tio.  

Maria: Pois é, Eu Não sei, não sei como é que, por mais que queira, olhe começo a pensar em tanta coisa, apetece-me cantar e pronto. Esqueço-me de tudo o resto.  

Isidro: És muito boa rapariga é desculpa, é boa rapariga, mas não tem juízo, todo é o quê?  

Isidro: E enquanto não aprenderes a tua custa com alguma coisa que te pertença, não tens emenda e financiamento que lhe pagam que tinha combinado com o teu pai.  

Isidro: Estiveste cá só 2 dias, mas fizeste tanto estrago que não merece o dinheiro.  

Isidro: Olha toma lá este já rodei, te levam, é o teu ganho.  

Isidro: Para que não se diga que um velho avarento.  

Isidro: Leva lá o leite.  

Maria: ó tio Isidro muito agradecida a Deus e faça o favor de desculpar.  

Isidro: Adeus, adeus e toma juízo a rapariga.  

Maria: Não faz mal que me tivesse dado sobre este jarro de leite e de vender o leite.  

Isidro: Disseste alguma coisa?  

Maria: Ia falar comigo mesmo o teu Isidro e acaba pensar alto sabe vou daqui de caminho pela Feira e vendo o leite.  

Isidro: Aí era.  

Maria: Já regulei para vender a com certeza encontro quem me combo a encontro. Posso bem vender o jarro mais o leite aí por uns 20 escudos.  

Maria: Não me parece grande negócio, mas vai ver que no fim da rende muito.  

Isidro: A rende como?  

Isidro: Mas tu não tens cabeça rapariga.  

Maria: Vez então este 25 escute, posso comprar 2 dúzias de ovos, daí depois nascem 2 dúzias de pintainhos muito lindos, já estou a vê-los, alguns a ser pretos outros todos amarelinhos e alguns brancos também e os pintos crescem num instante, fazem isso uns lindos frangos, os frangos vendem-se muito bem agora como sabe?  

Maria: Olha 24 francos para aí 50 escudos. Cada um não são, é mais de um conto, com esse dinheiro já posso comprar tanta coisa, posso comprar uma blusa às flores, posso comprar uma saia de moda, posso comprar uns sapatos e depois peço ao meu pai que ainda cheira o baile e vou deixar, sempre lá.  

Maria: Olha o meu recuo leite.  

Maria: Partiu do jarro e entornou leite no chão.  

Isidro: Olha, agora é que eu digo e não podiam ter para já dura alcunha, tu és uma verdadeira, ficava tonta.  

Isidro: O que tu és rapariga?  

Isidro: Posto desses no bar que ainda se não fez com a blusa a saia e os sapatos que ainda se comprar com os meus frangos que ainda não mexeram dos ovos que nem sequer fosse comprar, porque no final de contas não chegaste a vender o leite.  

Isidro: A rapariga, rapariga.  

Isidro: Talvez aprendas agora de vez a Tomar teto no que estás a fazer.  

Isidro: Mas, então eu hei de deixar de cantar tio Isidro.  

Isidro: Canta, canta, canta a tua vontade, canta pequena, canta que lá saber disso maneiras cantigas que está o mar, não é nas cantigas cantar até ajuda a trabalhar, mas ao menos pra atenção no que estás a fazer com as mãos e com a decanta rapariga, não deixa a cabeça sozinha a imaginar.  

Maria: Eu nunca mais posso imaginar coisas nem inventar histórias que me vem a ideia eu gostava tanto.  

Isidro: Bem ISTO lá dessa coisa das histórias, não entendeu que não tive sorte de andar na escola como vocês.  

Isidro: Mas quem para seca inventar histórias também não é proibida ninguém acho eu tu se calhar até terás jeito para as escrever, olha experimenta.  

Isidro: Mas com papel e tinta, em vez de ser só aqui no pensamento aqui estás a compreender.  

Isidro: Bom, vai te lá embora a cigarra tonta.  

Isidro: Se demoras aqui mais tempo arruína mesmo e fica a pedir esmola. Estás a ouvir?  

Isidro: Adeus, ó cigarra tontinha aí!  

Maria: Adeus, tio Isidro, mas por favor, não me chame cigarra tonta, todos chame-me cigarra, é assim que eu gosto de me.  

Maria: Continuarem a chamar toda a vida até velha, uma cigarra alegre e feliz.  

Maria: Tonta e que nunca mais.

Outros Contos

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A Menina Sem Nome

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Não é justo. Os rapazes têm todos os direitos, falar alto, correr e saltar, andar na escola e ainda por cima ter uma festa só para eles, como a de manhã.

Os Quatro Músicos de Bremen

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Quando terminaram de comer, os quatro músicos apagaram as luzes e procuraram um lugar confortável para dormir, cada qual de acordo com a própria natureza.

A Princesa que Guardava Patos

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Pata aqui, pata ali, filha de rei a guardar patos, foi coisa que eu nunca vi foi coisa que nunca vi, tenho de saber se isto encobre algum mistério ou se não que dizer nada.

O Macaco do Rabo Cortado

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História

Sinopse da história

Era uma vez, um macaco que nunca pensava duas vezes a mesma coisa, ao longo da história foi contradizendo-se até o dia em que realizou uma boa ação.

Imagem criada por: David Pinto

Era uma vez um macaco que nunca pensava duas vezes a mesma coisa que vivia em frente à loja do barbeiro, e passava o dia a zombar os clientes, indignado com a situação, o barbeiro decidiu vingar-se.

“Macaco, macaquinho. Andas-me lindo, está boa a saúde?”

“Que amável está, hoje o meu vizinho barbeiro. E o mestre barbeiro como vai?”

“Agradecido, sem mal que me chegue e bem-disposto ainda por cima”

“Sim”- diz o macaco

“É que me agrada tê-lo como vizinho tão gracioso tão elegante”

“Sim? Eu sou elegante e gracioso?”

“Ah muito, muito até lhe digo mais se não fosse o seu rabo tão comprido como o seu que o desfeia até parecia tão homem quanto eu”

“Asserio?”

“Seríssimo quer experimentar?”

“Como?”

“Corto-lhe o rabo quer exprimentar?”

“Quero pois!”

E mestre barbeiro cortou o rabo ao macaco, este, porém ao ver que toda a gente o troçava na rua percebeu que fizera grossa asneira arrependeu-se e voltou ao barbeiro.

“Amigo barbeiro. Não me agrada nada ter ficado sem o meu rabinho de macaco, faça favor de o pô-lo no seu lugar”

“Impossível”

“Anh? Impossível? Pois levo-lhe daqui uma navalha”

E levou mesmo. E para não continuar a suportar a troça da vizinhança decidiu correr mundo, não ia ainda muito distante, quando topou com um padeiro que estava sentado no chão junto do cesto cheio, a comer um enorme pão que ia partindo com os dedos o macaco parou a olhá-lo.

“Ei! Homenzinho! Não se sabe que não se corta a comida com os dedos, isso é muito feio”

“Eu sei que é feio, mas eu esqueci-me de trazer como cortar o pão”

“Pegue lá a minha navalha, que está muito bem afiada”

Poucos passos andados, logo se arrependeu o macaco de ter dado a navalha.

“É padeiro dê lá a navalha que eu ainda posso precisar dela”

“Ah tenho muita pena senhor macaco, mas é que eu a entreguei ao meu filho mais novo, não fosse eu perdê-la”

“Ah, pois, vais pagá-la bem paga, levo-te daqui um pão”

Logo depois viu uma peixeira a assar as sardinhas na brasa comendo-as logo a seguir

“Sardinhas sem pão é comida do glutão”

“Ah eu sei, mas hoje a venda foi má e eu não tive dinheiro para comprar pão”

“Toma lá o meu pão”

E o macaco seguiu avante, mas pouco depois…

“Peixeira! Oh! Peixeira! Afinal pensei melhor e quero o meu pão”

“Mas agora é impossível já o comi”

“Pois levo-te daqui uma sardinha”

E fugiu com a sardinha, e foi ter a um riacho, onde estava uma lavadeira a lavar roupa e a lastimar-se

“Pobrezinha de mim pobrezinha de mim que vou ficar sem almoço, esqueci-me do farnel em casa”

“Ah e se eu te desse uma sardinha para comer, ficavas satisfeita?”

“Muito senhor macaco muito”

“Então pega-a lá”

Mal, porém, a lavadeira acabara de engolir a sardinha

“Entrega-me a sardinha, não ouves, quero a minha sardinha”

“Senhor macaco. Comia-a logo que me a deu”

“Quero a sardinha e se não me a dás levo-te da roupa uma camisa”

Distante do riacho havia um moinho e aí foi parar o mestre macaco. O moleiro lastimava-se à moleira porque não tinha uma camisa para vestir e precisava de ir à cidade vender farinha. Logo o macaco interveio.

“Toma lá uma camisa”

Amigo o macaco claro não tardou a arrepender-se e voltou para trás.

“Faça favor de entregar a camisa, fiz uma grande tolice em tê-la dado”

“Mas senhor macaco eu não posso restituir-lha porque o meu marido foi à cidade vender farinha e só volta à noite”

“Então levo-lhe um saco de farinha”

Assim foi ter a um colégio de meninas onde se afligia, pois tinha uma festa e não havia farinha para os bolos.

“Não se apoquente senhora mestra tome este saco de farinha que eu lhe dou”

Horas depois o macaco amigo voltou ao colégio a reclamar.

“Quero a farinha! Quero a farinha! Quero a farinha!”

“Mas eu já fiz os bolos”

“Pois então pago-o bem pago e levo-lhe daqui uma menina”

Logo nisto o macaco viu um ceguinho a tocar viola e a cantar:

“Ai pobrezinho de mim, que não vejo o meu caminho que tristeza ser assim que amargura ser ceguinho”

Logo o mestre macaco não hesitou e deu-lhe a menina para o acompanhar então pediu a menina ao pobre muito baixinho:

“Se me levares ao meu colégio muito depressa peço aos meus pais por ti e nunca mais tens de pedir esmola”

“Macaquinho aceito a menina, mas em troca às de levar a minha viola”

Amigo macaco e o ceguinho fizeram a troca e enquanto a menina e o pobre faziam a troca o macaco trepou para um telhado e pôs se a tocar e a cantar.

“Eu do rabo fiz navalha e da navalha fiz pão do pão depois fiz sardinha e da sardinha fiz camisa, da camisa fiz menina e depois fiz boa ação. Da boa ação fiz viola e vou agora para Angola”

E dando um salto desapareceu para nunca mais ser visto.

 

 

——

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Odette de Saint-Maurice

Data de Transmissão: 12 de Março de 1960

Tramistido por: Emissora Nacional

Data de Gravação:  6 de Março de 1960

Gravação realizada por: Jaime Filipe, Matos Ferreira e Alberto Nunes

Local da Gravação: Estúdio A da Rua do Quelhas, e no Estúdio de São Marçal

Música de fundo: Maestro Jorge Machado

Canções de: Jaime Filipe

Capa do Áudio: Bruno Leal

Macaco: João Perry

Menina: Maria Armanda Estêves

Lavadeira: Odette André

Moleira: Odette André

Mestra: Odette André

Barbeiro: Rui Luís

Padeiro: Rui Luís

Mendigo: Rui Luís

Narrador: Houve uma vez um macaco que nunca pensava 2 vezes a mesma coisa. Amigo macaco vivia defronta da loja do barbeiro e passava O Tempo a troçar dos fregueses que lá iam o Barbeiro arreliado, jurou vingar-se.  

Barbeiro: Macaco! Macaquinho adeus meu lindo, estás de boa saúde?  

Macaco: Que lindo está hoje o meu vizinho era bem esta barbeiro como vai?  

Barbeiro: Agradecido sem mal que me chegue e bem-disposto ainda por cima. O sabe é que me agrada tê-lo por vizinho assim, amigo macaco tão elegante, tão gracioso era…  

Macaco: Há sim.  

Macaco: Sim eu sou elegante e gracioso? 

Barbeiro: Há muito, muito até lhe digo mais, se não fosse o rabo comprido que tanto os feia parecia tão homem como eu!  

Macaco: Eu? sério?  

Barbeiro: Seríssimo  

Barbeiro: Quer experimentar?  

Macaco: Como?  

Barbeiro: Corto-lhe o rabo, quer?  

Macaco: Quero pois.  

Narrador: I mestre barbeiro cortou o rabo ao macaco. Este, porém, ao ver que toda a gente o troçava na rua, percebeu que fizera grossa asneira arrependeu-se e voltou ao barbeiro.  

Macaco: Amigo barbeiro, não me está a agradar nada que lhe ficassem meu rabinho de macaco, faça favor de tornar a pô-lo no seu lugar.  

Barbeiro: impossível  

Macaco: Impossível? Aí é, pois levo daqui uma navalha.  

Narrador: E Levou mesmo e para não continuar a suportar a troça da vizinhança, decidiu correr, não ia ainda muito distante quando topou com um padeiro que estava sentado no chão junto do cesto cheio a comer um enorme pão que ia partindo com os dedos, o macaco parou a olhá-lo.  

Macaco: É homenzinho não sabe que não se corta a comida com os dedos e isso é muito feio.  

Padeiro: Sim, eu sei que é feio, eu esqueci me trazer como cortar o pão.  

Macaco: Pegue lá na minha navalha então está muito bem afiada  

Padeiro: Obrigado.  

Narrador: Poucos passos andados logo se arrependeu o macaco de ter dado a navalha.  

Macaco: Eh Pá, dá-me cá navalha, afinal, ainda posso precisar dela.  

Padeiro: Tenho muita pena, senhor macaco, mas entreguei o meu filho mais novo para guardar em casa, não fosse eu perdê-la.  

Macaco: Sim pois então vais pagar-ma bem paga.  

Macaco: Levo-te daqui um pão.  

Narrador: Pouco depois viu uma peixeira que estava a passar umas sardinhas na brasa comendo as a seguir.  

Macaco: Sardinhas tem pão e comida de glutão.  

Peixeira: Eu sei, mas a venda hoje foi má e não tive dinheiro para comprar pão.  

Macaco: Toma lá o meu pão.  

Narrador: E o macaco seguiu avante, mas pouco depois.  

Macaco: Peixeira ó peixeira, afinal, e pensei melhor e quero o meu pão?  

Peixeira: Oh, mas agora é impossível, já o comi.  

Macaco: Pois, levo-te daqui uma Sardinha?  

Narrador: E fugiu com a sardinha e foi ter a um riacho onde estava uma lavadeira, lavar roupa e a lastimar-se pobrezinha de mim.  

Lavadeira: Pobrezinha de mim que Vou Ficar sem almoço esqueci-me do farnel em casa.  

Macaco: E eu te desse uma sardinha para comer ficavas satisfeita?  

Lavadeira: Muito, senhor macaco.  

Macaco: É e diz, então pega lá ó?  

Narrador: Mal, porém, a lavadeira acabava de engolir a sardinha.  

Macaco: Quero a minha sardinha, não ouves? Quero a minha sardinha.  

Lavadeira: Senhor macaco comi-a logo que me a deu.  

Narrador: não importa, não importa quero a sardinha e se não me dás, levo-te da roupa uma camisa.  

Narrador: Distante do riacho, havia um moinho e aí foi parar O Mestre macaco no moinho, o moleiro lastimava se a moleira, porque não tinha uma camisa para vestir e precisava de ir à cidade vender farinha. Logo o macaco interveio.  

Macaco: Toma lá uma camisa.  

Narrador: Amigo macaco, claro, não tardou a arrepender-se e voltou para trás.  

Macaco: Faça favor de me entregar a camisa?  

Macaco: É porque me parece que fiz uma grande tolice em tê-la dado.  

Moleira: Mas ao senhor macaco, Eu Não posso restituir-lhe porque o meu marido foi para a cidade vender a farinha só volta à noite.  

Macaco: Pois então levo-te um saco de farinha.  

Narrador: Assim foi ter um colégio de meninas onde a diretora se afligia porque tinha uma festa e não havia farinha para os bolos.  

Macaco: Não se preocupe, Senhora, Mestre, tome este saco de farinha que eu lhe dou.  

Narrador: Horas depois, eis amigo macaco de volta ao colégio a reclamar.  

Macaco: Quero a farinha, quero a farinha e quero a farinha já disse.  

Diretora: mas eu já fiz os bolos.  

Macaco: Sim, pois então pago me bem pago e levo lhe daqui uma menina.  

Narrador: Nisto um macaco viu um ceguinho a tocar viola e a cantar.  

Cego: Aí, pobrezinho de mim que não vejo o meu caminho, que tristeza ser assim, que amargura ser o ceguinho.  

Narrador: Mestre macaco não hesitou e logo ofereceu ao Ceguinho a menina para o acompanhar, então, pediu a pequenita ao pobre muito baixinho.  

Menina: Se me levares ao meu colégio depressa peço aos meus pais por ti, nunca mais precisas de pedir esmola.  

Cego: Macaquinho aceito a menina, mas em troca hás de levar a minha viola.  

Narrador: Amigo macaco e o ceguinho fizeram a troca e enquanto a menina e o pobre se foram embora, o macaco trepou para um telhado e pôs-se tocar e a cantar.  

Macaco: Eu o do rabo fiz navalha e da navalha fiz pão. Do pão depois fiz sardinhas, da sardinha fiz camisa, da camisa fiz menina, depois uma boa ação, da boa ação fiz viola e agora turutumtum Vou-me embora para Angola, turutumtum vou-me embora pra Angola.  

Narrador: E dando um salto desapareceu para nunca mais ser visto. 

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A Menina Sem Nome

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Não é justo. Os rapazes têm todos os direitos, falar alto, correr e saltar, andar na escola e ainda por cima ter uma festa só para eles, como a de manhã.

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Quando terminaram de comer, os quatro músicos apagaram as luzes e procuraram um lugar confortável para dormir, cada qual de acordo com a própria natureza.

A Princesa que Guardava Patos

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Pata aqui, pata ali, filha de rei a guardar patos, foi coisa que eu nunca vi foi coisa que nunca vi, tenho de saber se isto encobre algum mistério ou se não que dizer nada.

João Espertalhão

João Espertalhão

João Espertalhão

 

História

Sinopse da história

A história de um rapaz com uma coragem louvável que com uma inteligência e perspicácia gigante consegue trazer felicidade e riqueza há sua familia.

Imagem criada por: David Pinto

Em tempos que já lá vão, vivia em certa localidade à beira-mar, um casal de pescadores a quem tudo corria sempre mal até o seu único filho, que devia ser o seu amparo, era um rapaz franzino que não tinha forças nem sequer para deitar umas redes ao mar. Em contrapartida, João, assim se chamava o moço, dispunha de espírito de iniciativa e de uma coragem louvável.

Certo dia, compreendendo a triste situação dos pais, João, decidiu correr o mundo com a promessa de não voltar sem meios para os acudir!

Juraram os pescadores, receosos por tudo o que pudesse acontecer-lhe, mas nada houve que demovesse o rapazinho.

João partiu e durante largo tempo por toda a parte, ia pedindo trabalho, para que ninguém lhe pudesse confiar vendo-o tão fraco, tão magro, cansado, mas sem desanimar, chegou João por fim a um castelo que ficava no topo de uma rocha à beira-mar. O conjunto da rocha e do castelo todo metia medo.

João porém não se impressionou e apressou-se a escalar os penhascos até à porta de ferro com  o jaldrabo deixou cair pesadamente:

joao chegou ao castelo

 

« Quem está aí? – perguntaram»

João respondeu:

«Um rapaz que procura trabalho.»

« O rapaz que procura trabalho és tu? – perguntou o gigante»

« Sou sim senhor. – respondeu João»

« Não passas de uma amostra de gente. – respondeu o gigante»

« Isso mesmo! Como pouco e não faço questão de ordenado. – respondeu João»

« Para o trabalho que é talvez sirvas preciso de um rapaz que me guarde os carneiros – disse o gigante.»

« De um pastor, então eu dou conta! – disse João»

«Mas não julgues que ocupação é muito fácil aqui na região há muitos lobos – disse o gigante.»

« E o que é que eu tenho com isso.»

« Pois se deixares algum lobo comer os meus carneiros pagá-lo-ás com a vida. Entendes?  – disse o gigante»

« Descanse que não pago nada – respondeu João.»

« Pois sabeis que alguns mais fortes do que tu, tiveram que pagar as consequências do seu desleixo.»

«Pois sim, mas comigo não há perigo – disse João.»

« Não há perigo? – questionou o gigante.»

« Não sabe é que os lobos têm muito medo de mim tanto medo, que não se chegam a onde eu estiver – respondeu João.»

Ficou o gigante pasmado, mas admitiu o rapazinho, logo na manhã seguinte João foi tomar conta dos carneiros e o dia correu sem novidade. À noite, porém, quando recolhia, os lobos saltaram-lhe ao caminho e devoraram-lhe 3 animais.

« 3 carneiros, faltam-me 3 carneiros no rebanho deixaste que os lobos me comessem 3 carneiros, ao que me respondes com a tua vida! – afirmou o gigante.»

« Alto aí senhor gigante, alto aí para que me está a ralhar sem razão, os carneiros pediram-me licença para sair e só regressam ao domingo – falou o rapaz.»

«Dizes-me tu que os carneiros não foram comidos pelos lobos – disse então o gigante.»

« Então eu já lhe disse que os lobos não se atrevem a se aproximar de mim – disse João.»

O terrível gigante foi contar à mulher que era uma gigantona do tamanho dele o atrevimento do rapaz.

« Sabes o que te digo mulher não me sinto seguro ao pé deste novo criado, por das duas ou uma é um grande espertalhão ou um grande valentão.»

joao e o gigante

 

Na manhã seguinte o gigante e a gigantona foram para o areal com uma bola de ouro como era o seu hábito e divertiam-se muito os dois. Nisto…

« Ouve lá! Ó maroto! De que estás a rir-te – falou o gigante»

« Da força que o gigante e a gigantona têm de fazer para atirar uma bola tão perto – respondeu João.»

« Por acaso tu és capaz de lançar mais longe do que nós – falou assim o gigante.»

« Claro que sou! – respondeu-lhe João»

« Então vais experimentar, quero ver essa tua habilidade ahah – disse o gigante rindo.»

« Olha dê cá a bola dê cá – respondeu-lhe o rapaz.»

«Por que está aí a gritar e a fazer sinais de que nem um maluquinho? – perguntou o gigante»

« Estou a gritar e a fazer sinais para aqueles barcos que estão ali no mar para que se afastem não vá eu lhes acertar – respondeu João.»

« Mas tu vais atirar a minha bola para o mar? – perguntou o gigante»

« Claro que vou! – respondeu João»

«Então, mas tu vais atirar a bola para o mar? Não quero que atires a minha bola de ouro para o mar! – disse o gigante.»

Os gigantes ficaram tão assustados com a força do criadito que nem discutiram quando ele lhes explicou que os carneiros com saudades dos que andam perdidos se tinham recusado a ir para o campo. Na manhã seguinte muito cedo João saiu e foi ao pombal buscar uma pombinha que escondeu na algibeira do casaco os gigantes como de costume ficaram a jogar à bola apareceu-lhes como na véspera.

« Estás a fazer troça com te escusas a presumir-te mais forte e hoje vamos medir forças – disse o gigante»

« Porquê? Já não se importa de ficar sem a bola de ouro.»

« Não, não, não, vamos experimentar com uma pedra – sugeriu o gigante.»

 

bola de ouro

 

«Aceito! Atirem vocês primeiro que eu atiro depois e lembrem-se que são mais altos do que eu e isso dá-lhes vantagens.»

O gigante pegou num pedragulho e atirou muito longe e a gigantona imitou-o. Enquanto isso o rapaz pegou na pomba encheu-a de areia e gritou para os anos

« Olhem, olhem bem lá para cima olhem lá! – gritou João.»

Os gigantes obedeceram a pomba levantou voo e mesmo por cima da cabeça deles deixou cair sobre os olhos toda a areia de que estava coberta.

« Aí o quê a pedra levantou-se com tanta força que até levantou areia e é que já nem a vejo – falou o gigante.»

« E eu tenho terra nos olhos não consigo ver nada – disse a gigantona.»

« Aí que rapaz, onde caiu a pedra? – perguntou o gigante indignado.»

« Está tão longe que nem sou capaz de saber. – disse o João.»

« Vai te embora daqui vai, vai, não quero mais jogos contigo põe-te a andar. – falou o gigante.»

« Não se aborreçam, os carneiros estão quase a chegar do passeio e eu quero perguntar em casa se se divertiram.»

« Precisamos de nos desfazer do nosso criado. – disse o gigante para a gigantona.»

« Mas como ele tem mais força do que nós mesmo sendo tão magro – respondeu-lhe ela»

« Não faz mal, queres saber qual é o meu plano? – falou o gigante»

« Quero sim! – disse-lhe a gigantona»

 

gigantes com a pomba

 

« O nosso criado dorme debaixo do alçapão. Mesmo quando ele tiver a dormir abro o alçapão e deixo-lhe cair em cima dois pedregulhos, eu garanto que ficamos livres dele sem correr perigo nenhum. – respondeu o gigante.»

« Sem dúvida e o pior é que eles se esquecem que eu cabo em toda a parte e como não sou surdo ouvi tudo aquilo que me disseram, muito eu me ei de rir da cara deles. – disse o João se rindo.»

«Olá, bom dia patrão! – disse João»

«Bom dia? Tu aqui? Mas então não te aconteceu nada? – disse o gigante atrapalhado»

«Nada de quê? – disse o João»

« Ah, eu esta noite julguei ouvir uns estrondos no teu quarto. – falou o gigante»

« Ah um engraçado qualquer lembrou-se de deixar cair duas pedrinhas em cima da minha cama, apanhei-as no ar e fiz uma espécie de cabana agora já não cai em cima o pó do teto que se está a desfazer de podre.»

«Aí julga tu de que o rapaz fez dos pedragulhos um abrigo para se defender do pó no teto. -disse o gigante»

« Tu que dizes? – respondeu-lhe a gigantona»

« Digo-te que o rapaz deve ser algum mágico. Já não sei o que ei de fazer para me livrar dele tou com medo mulher – respondeu o gigante ofegante.»

« O melhor é despedi-lo experimenta pagar-lhe bem, talvez com dinheiro ele nos deixe em paz. – sugeriu a gigantona»

alcapao

 

O gigante encheu-se de coragem e despediu o criado perguntando quanto queria ele pelo seu trabalho de dias, como condição o João pediu um cavalo carregado com três sacos de ouro. Para se ver livre dele o gigante aceitou a exigência quando o viu a desparecer ao longo de caminho arrependeu-se da sua fraqueza.

«Aí mulher como eu confiei três sacos de ouro, um chegava-lhe muito bem. – disse o gigante»

« Pois chegava, contudo, se ele te pedisse 6 em vez de 3 tu davas-lhes. – disse-lhe a gigantona»

« Vou atrás dele e obrigo-o a restituir 2 sacos – falou o gigante»

«Ai marido, marido vê no que tu te metes lembra-te dos pedregulhos que ele fez uma cabana? – lembrou-lhe a gigantona.»

« Não quero que se ria de mim vou apanhá-lo! – disse o gigante certo do que dizia.»

joao_os_sacos de ouro

E a correr com umas passadas enormes foi atrás do João e o rapaz ainda foi a tempo daquela perseguição por sorte ia mesmo a passar por um bosque muito espesso, então parou e escondeu o cavalo e os sacos de ouro entre as árvores mais densas, depois pôs se no meio da estrada de braços cruzados a olhar para o céu. O gigante ao vê-lo naquela posição deteve-se intimidado e disse:

« Que estás tu aí parado a olhar para o céu rapaz?»

« Estou à espera do cavalo que o senhor me deu, o animal não andava nada e eu zangado dei-lhe um pontapé e ele foi parar lá acima e não arranjei forma de o ver. Olhe, olhe, ali parece que vem mesmo ali além não vê é aquele potinho negro lá muito no alto, ora veja.»

O gigante tratou de voltar atrás com toda a pressa, fechou-se no castelo e durante muitos dias nem a gigantona pôde convencê-lo a sair de casa e desde que conheceu esse criado o gigante a partir desse dia nunca mais voltou a fazer mal a ninguém.

Quanto ao João espertalhão, provou que o seu corpo abrigava uma grande inteligência e uma coragem verdadeira, regressou são e salvo com todo o ouro a casa dos seus pais onde de aí em diante só houve felicidade e riqueza.

 

——

Daniel Sabino

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Odette de Saint-Maurice

Data de Transmissão: 

Tramistido por: Emissora Nacional

 

Data de Gravação: Março de 1960

Gravação realizada por: Jaime Filipe, Matos Ferreira e Alberto Nunes

Local da Gravação: Estúdio A da Rua do Quelhas, e no Estúdio de São Marçal

 

Música de fundo: Maestros Jorge Machado ou Tavares Belo

Canções de: Jaime Filipe

Capa do Áudio: 

João espertalhão: João Perry

Gigantona: Odette André

Mãe do João: Maria Olguim

Gigante: Tomás de Macedo


 Narrador –  Em tempos que já lá vão, vivia em certa localizada à beira-mar, um casal de pescadores a quem tudo corria sempre mal até o seu único filho, que devia ser o seu amparo, era um rapaz franzino que não tinha forças nem sequer para deitar umas redes ao mar.

Em contrapartida, João, assim se chamava um moço, dispunha de espírito de iniciativa e de uma coragem, louvável.

Certo dia, compreendendo a triste situação dos Pais, João, antes de correr o mundo com a promessa de não voltar sem meios para ele os acudir!

Juraram os pescadores receosos por tudo quanto pudesse acontecer.

Mas nada. Houve que demovesse o rapazinho, João partiu e durante largo tempo por toda a parte, ia pedindo trabalho sem que ninguém quisesse confiar-lhe ao vê-lo tão fraco, tão magro, cansado, mas sem desanimar, chegou João, por fim, um castelo que ficava no topo de uma Rocha à beira do mar.

O conjunto da Rocha e do castelo, todo negro metia medo. João, porém, não se impressionou.

E apressou-se em escalar os pinheiros até a porta de ferro cuja aldraba deixou cair pesadamente.

 

Gigante – Quem está aí

João – Um rapaz que procura trabalho.

Gigante – Gosto procura trabalho és tu?

João – Sou assim, Senhor.

Gigante –  Não passas de uma amostra de gente.

João – Isso mesmo, como pouco é não faço questão de pedir ordenado.

Gigante –  Bom para o trabalho que é talvez sirva preciso de um rapaz se me guarde os Carneiro.

João – De um pastor então estou na conta.

Gigante –  Mas não julgues que a ocupação é muito fácil aqui na região há muitos lobos.

João –  E o que é que eu tenho com isso?

Gigante – Pois que se deixares lobos comer algum dos meus carneiros. Paga-lo com a vida, entendes?

João – Descanse que não pago nada.

Gigante – Pois fica sabendo que outros mais fortes do que tu, tiveram de suportar as consequências do seu desleixo.

João – Ora, pois sim, mas, mas comigo não há perigo.

Gigante – Não o perigo?

João – É que os lobos têm muito medo de mim.

Muito medo que nunca se chega onde eu estiver.

Gigante – Ficou gigante, pasmado, mas admitiu o rapazinho.

Logo na manhã seguinte, João foi Tomar conta dos carneiros e o dia correu sem novidade.

À noite, porém, quando recolhia os lobos, saltaram lhe ao caminho e devoraram lhe 3 animais.

Gigante – 3 carneiros.

Faltam-me 3 carneiros no rebanho.

Deixaste que os lobos comecem 3 carneiros, mas respondes com a tua vida.

João – A tua e senhor gigante alta.

E, para que é que me está a ralhar sem razão sem razão.

Claro, os carneiros foram dar um passeio com minha licença e voltam no domingo.

Gigante – Que diz estou então, não, não, não foram comidos pelos lobos?

João –  Ai Patrão, Patrão que maçador que é, pois eu já lhe disse que os lobos não se atrevem a aproximar-se de mim.

 

 Narrador –  O terrível gigante foi contar à mulher que era uma gigantona do tamanho dele, o atrevimento do rapaz.

 

Gigante – E só restou o que te digo, mulher.

Nome sinto muito seguro ao pé deste nosso criado.

Porque das 2 1, Ou é um grande espertalhão ou um grande valentão.

 

 Narrador –  Na manhã seguinte, o gigante e a gigantona foram para arial jogar com uma bola de ouro. Como era seu hábito e divertiam se muito os 2 nisto.

 

João –  Ai olha olha olha.

Gigante – Maluco, do que te estás a rir?

João –  a força que os senhores gigante, e gigantona têm de fazer para atirar uma bola tão Perto

Gigantona –  Perto? Até parece que tu és capaz de atirar mais Longe do que nós.

João –  claro que sou.

Gigante – Sim? Pois então vais experimentar sempre quero ver essa tua habilidade.

João –  É lá, lá é já lá

Gigantona – Para que estás tu aí a fazer sinais e a gritar como um Maluquinho.

João – Ora essa, estou a fazer sinais e gritará aqueles barcos no mar se afastem, não vá eu acertar lhes.

Gigante – Mas tu vais atirar A Bola para o mar?

João – pois vou, o areal não me chega

Gigante – não, não, não, isso não.

Gigantona – Não, não, não quero a minha linda bola douro, perdida no mar, nunca.

 

Narrador – Os gigantes ficaram tão assustados com espantosa força do criadito que, nem discutiram quando ele se explicou que os carneiros com saudades dos que andavam a passear se tinham recusado a ir para o campo. na manhã seguinte.

Muito cedo, João saiu e fui ao Pombal buscar uma Pombinha que escondeu numa algibeira do casaco.

Quando os gigantes como de costume Principiaram ao jogar A Bola, aparecer-lhes como na véspera.

 

Gigante –  Estás a fazer troça pois escusas de presumir te mais forte. E Hoje vamos medir força.

João – O quê? Já não se importa de ficar sem a bola de ouro?

Gigante –  Não, não, não, não, não.

Não, não, hoje vamos experimentar com uma pedra.

João -Pois aceito, atirem vocês primeiro que eu atiro depois.

E lembrem se de que são mais altos do que eu e isso dá-lhes vantagens.

Gigante – Vamos ao desafio.

 

Narrador – O gigante agarrou num enorme pedregulho e atirou muito longe.

A Gigantona imitou.

Enquanto isto, o rapaz pegou na pomba, cobriu a da areia e gritou, depois gritou:

 

João -Olhem, olhem, olhem bem lá pra cima, olhem lá.

 

Narrador – O gigante sob serão a pomba levantou voo mesmo por cima das.

Cabeças deles e ao ajeitar as asas deixou descair sobre os olhos, toda a areia em que estava coberta.

 

Gigante –  A pedra foi com tanta força que até levantou areia.

E é que já nem a vejo.

Gigantona –Nem eu tenho Terra nos olhos, não consigo ver nada nada.

Gigante – Ei, rapaz, onde caiu a pedra

João – tão longe que eu já nem sou capaz de saber.

Gigante –  Vai-te embora daqui, vai-te embora daqui, vai.

Gigante – Vai-te embora daqui, vai, vai, vai.

Não quero mais jogar Jogos contigo.

João – pois está bem, está bem.

Não se aborreça eu vou, eu tenho que fazer.

Os meus carneiros devem estar quase a chegar do passeio e eu quero estar em casa para lhe perguntar se divertiram muito hora.

Gigante – Temos que nos defazer do nosso criado

Gigantona – Criado, mas como ele tem mais força do que nós, apesar de ser assim tão mau.

Gigante – Vamos faz mal, eu tenho um plano.

Queres saber qual é o meu plano?

Gigantona – Quero sim.

Gigante –  O nosso criado dorme na cá por baixo do alçapão da cozinha.

Gigantona – Não é, é?

Gigante –  Pois logo a noite, quando eu estiver a dormir levanto-lhe o alçapão e deixe que em cima os pedregulhos.

Garantimos que ficamos livres dele sem corrermos perigo nenhum.

João – E pronto, bastante simples, não haja dúvida.

O pior é que se esquecem de que o cabo em toda a parte e como não sou surdo, ouvi perfeitamente e ouvi tudo o que disseram.

Olá, bom dia Patrão.

Gigante –  Tu aqui? mas então não te aconteceu nada?

Gigante –  Nada, é que esta noite pareceu me ouvir uns estrondos do teu quadro.

João – Pá sim um engraçado qualquer lembrou-se de deixar cair 2 Pedrinhas em cima da Minha Cama.

Apanhei-as no ar e fiz com elas uma espécie de cabana, um ótimo abrigo, sabe? Agora já não me cai em cima o pó do teto que está te fazendo podre.

Gigante – Aí mulher, uma mulher, mulher.

Gigantona – Que é marido

Gigante –  Que o rapaz fez das pedras, um abrigo para se proteger do Pó no teto.

Gigantona – Tu que dizes?

Gigante –  Digo-te que o rapaz deve de ser algum mágico

Já Não Sei o que fazer para me livrar dele.

O eu tenho medo dele mulher.

Gigantona – Sabes, o melhor é despedi-lo.

Gigante –  Mas e se ele não quiser ir embora um.

Gigantona – Mas experimenta, talvez se lhe pagasse bem com dinheiro, pode ser que ele nos deixa em paz.

 

Narrador – O gigante encheu-se de coragem e despediu o criado perguntando, quando cria ele pelo seu trabalho de dias.

O João pôs como condição receber um cavalo carregado com 3 sacos de moedas de ouro.

Para se ver livre dele, o gigante aceitou a exigência.

Quando, porém, o viu desaparecer à luz numa volta do caminho, arrependeu-se da sua fraqueza.

 

Gigante –  Ó mulher.

 Gigantona – que é.

Gigante –  Juro que fiz mal em dar um tamanho tesouro àquele maroto.

um saco só chegava muito bem, não, não me parece.

Gigantona –Não chegava, contudo, se ele pedisse 6 em vez de 3 tu, davas-lhe.

Gigante – Pois, olha sabes, vou atrás dele pedir-lhe que devolva 2 sacos.

Gigantona – Marido, marido vê lá no que te metes, lembra-te dos pedregulhos do que ele fez uma cabana.

Gigante – Não quero que se ria de mim ou apanhá-lo.

 

Narrador – E a correr com umas passadas enormes foi atrás do João. O rapaz dera fé a tempo daquela perseguição.

Por sorte estava a passar mesmo ao lado de um bosque muito espesso.

A então parou escondeu o cavalo e os sacos de ouro entre as arvores mais densas, depois pôs-se no meio da estrada de braços cruzados, a olhar para o céu. O gigante ao avistá-lo naquela posição de ter se intimidado.

 

Gigante – Olha ó rapaz.

João -Diga senhor gigante.

Gigante –  Que estás a fazer aí parado a olhar para o céu.

João – Estou à espera do cavalo que o senhor me deu. O animal não andava nada, é buscemi e vai de Sangalo. Tem um pontapé, olha foi lá parar tão acima que Eu Estou Aqui há tempos e não há forma de nem sequer o ver.

Olha, olha agora repare só.

Aquele pontinho negro lá muito no alto. Olha veja.

 

Narrador – o pobre do gigante, claro, nem levantou a cabeça, tratou de voltar para trás a toda a presa, fechou-se no castelo e durante muitos dias, nem a gigantona pode convencê-lo a sair de casa. E é verdade que sempre contratou criado o gigante a partir desse dia não voltou a fazer mal a ninguém.

Quanto ao João, depois de provar que o seu pequeno corpo abrigava uma grande inteligência e uma coragem verdadeira, regressou são e salvo com todos. Eu ia casa dos pais, onde daí em diante só houve Felicidade e riqueza.

Outros Contos

Histórias para ler e ouvir

A Menina Sem Nome

A Menina Sem Nome

Não é justo. Os rapazes têm todos os direitos, falar alto, correr e saltar, andar na escola e ainda por cima ter uma festa só para eles, como a de manhã.

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Quando terminaram de comer, os quatro músicos apagaram as luzes e procuraram um lugar confortável para dormir, cada qual de acordo com a própria natureza.

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Pata aqui, pata ali, filha de rei a guardar patos, foi coisa que eu nunca vi foi coisa que nunca vi, tenho de saber se isto encobre algum mistério ou se não que dizer nada.

A Menina Sem Nome

A Menina Sem Nome

A Menina Sem Nome

 

Áudio 1

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Maria Isabel Mendonça Soares

Produção: Maria Madalena Patacho

Narração: Maria Madalena Patacho

 

Data de Transmissão: 20/10/1972

Transmitido por: Emissora Nacional

Programa: Meia Hora de Recreio

 

Registo de Som: Manuel Sanches

Montagem: João Silvestre

Capa do Áudio: Bruno Leal

 

Link de referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos

Yuki: Francisca Maria

Mãe: Maria de Brito Malta

1 Irmão: Mário Manuel

2 Irmão: Manuel Inácio

3 Irmão: Armando Pinto

4 Irmão: Carlos Fernando

Senhor Jackson: Rui Ferrão

Senhora Jackson: Maria Schultz

Suzaninha: José Manuel

Narrador: Meia hora de recreio, um programa que a emissora nacional oferece todas as semanas aos seus pequenos ouvintes. 

Narrador:Hoje vou escutar o primeiro episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome. 

Narrador: Personagens e o quê? Francisca Maria, a Mãe, Maria de Brito Malta, o primeiro irmão, Mário Manoel, o segundo irmão, Manoel Inácio, o Terceiro Irmão Armando Pinto, o Quarto Irmão Carlos Fern. 

Narrador: O senhor Jackson Rui Ferrão, a Senhora Jackson Maria Schultz, Suzaninha, José Manuel registe, som de Manuel Sanches, montagem de João Silvestre, produção, Maria Madalena Patacho. 

Narrador: Esta é uma história passada no Japão, quando não era costume as meninas andarem na escola. 

Narrador: Explico-lhes isto para vocês não ficarem a pensar que hoje ainda acontece a mesma coisa. 

Narrador: Exatamente como na nossa Terra e em todos os países civilizados, as meninas hoje aprendem a ler, a escrever e a contar vão à escola, ao liceu e à universidade. 

Narrador: As meninas hoje aprendem a ler a escrever e a contar vão à escola, ao liceu e a universidade. 

Narrador: Mas certas festas e certos usos no Japão continuam iguais ao que eram antigamente. Como vão ouvir nesta história que principia assim? 

Mãe: Yuki? 

Yuki: Chamou por mim, minha mãe? 

Mãe: Chamei, vem cá, sabes a quantos estamos? Que dia é amanhã? 

Yuki: Sim mãe é o dia da festa dos rapazes. Mito meu irmão mais velho e os outros 3, há quanto tempo não falam noutra coisa? 

Mãe: E com razão. 

Mãe: Este dia foi escolhido desde há muitos séculos para festejar os jovens do nosso país. 

Mãe: E por isso, todas as famílias japonesas onde há filhos quer sejam abastadas ou pobres, cumprem com a tradição. À entrada de cada Jardim ergue-se amanhã, o mastro e nele ficarão a flutuar ao vento tantas carpas recortadas em papel colorido. Quantos rapazes dessa família? 

Yuki: No nosso mastro haverá 4 Carpas. 

Mãe:4 belas carpas a anunciarem que nesta Casa moram 4 moços cheios de saúde e vigor. 

Mãe: Tu Yuki essa menina de família? 

Mãe: E nas mãos da mulher entregaram os deuses, a felicidade e a beleza da casa. 

Mãe: Aqui tens tudo quanto precisas, 4 grandes folhas de papel de seda, cada qual da sua cor, uma tesoura e nível de fio. 

Yuki:4 folhas de Papel de Seda. 

Yuki: Azul, Pavão vermelho, dragão amarelo, Açafrão verde, melão. 

Mãe: Um riso que se veja não que se oiça. 

Mãe: Uma, menina para educada, deve ser silenciosa. 

Yuki: Sim a mãe. 

Mãe: Agora Yuki podes ficar a trabalhar em sossego. 

Mãe: Deixo-te a porta aberta para o Jardim. 

Yuki: Sim, mãe. 

Mãe: Até logo. 

Yuki: Por que viam ter posto a minha mãe? O nome dela Oshizo san, a Senhora tranquila e porque ela queria que eu me pareça com ela, que tem a voz Mansa como água do recato e leve com barragem de tardinha. 

Yuki: Eu gostava de me chamar rouxinol ou gorrião e cantar de dia e noite como eles cantam. 

Yuki: E o final é que estou a recortar peixes de papel e tão silenciosa como eles? 

Irmão 1: Yuki! Onde estás, onde te escondeste? 

Yuki: Que tontos são os rapazes, cuidado. 

Yuki: Olhem que rasga o papel, eles ficam sem carpas. 

Irmão 2: Sempre disse só a nossa irmãzinha Yuki seria capaz de fazer maravilhas destas? 

Irmão 3: Não haverá na cidade, quatro capas estão magnificas, como as nossas. 

Irmão 2: Yuki és a Pérola das irmãs. 

Yuki: E os meus 4 irmãozinhos, os 4 rapazes mais tontos do Japão. 

Irmão 2: Deixa-me escolher a minha carpa. Eu quero a vermelha. 

Irmão 4: A minha é a azul. 

Irmão 3: Não azul é para mim, tu ficas com amarelo. 

Irmão 4: Não quero essa gosto da azul. 

Irmão 4: Escolhe tua, verde. 

Irmão 2: Pronto fico eu com a amarela. 

Irmão 2: Onde está nossa mãe Yuki? 

Yuki: Naturalmente, é combinar um jantar da manhã. 

Irmão 3: Bem-bom jantar de festa, o que será Yuki tu sabes diz. 

Yuki: Guloso, parece-me que eu vi a mãe falarem sopa de algas. 

Irmão 3: Eu gosto e depois? 

Yuki: Depois raízes tenras de lótus em geleia, lagostins grelhados. 

Irmão 4: E que mais? 

Yuki: Disse que os meus irmãos eram os 4 rapazes mais tantos do Japão agora, de que são os 4 maiores guloso, vão ficar gordos, gordos, gordos, como os lutadores que mais que mais que o mais, talvez por ser um dia grande festa. 

Yuki: O nosso pai dê licença beber uma gota uma. 

Yuki: Gotinha só de vinho de arroz? 

Irmão 4: E porque é dia de festa. 

Irmão 4: Não precisamos de ir à escola. 

Yuki: Como pode estar contente a dizer uma coisa dessas? 

Yuki: Aí se eu estivesse no teu lugar? 

Irmão 3: Falas assim porque não vais lá. Fazes ideia do que seja aprender a desenhar mais de 3000 caracteres do alfabeto. 

Irmão 4: E desenhamos a perfeito. 

Irmão 2: Sem deixar que o pincel e tinta de mais, nem de menos. 

Irmão 2: Um verdadeiro suplício irmãzinha. 

Yuki: Mesmo assim, quem me dera andar na escola com vocês? 

Irmão 4: As raparigas não precisam de aprender essas coisas. 

Yuki: É porque não? 

Irmão 4: Porque são raparigas está claro. 

Yuki: Não é justo. Os rapazes têm todos os direitos, falar alto, correr e saltar, andar na escola e ainda por cima ter uma festa só para eles, como a de manhã. 

Yuki: Fui eu quem recortou as carpas e afinal, nenhuma delas me pertence. Porquê? 

Irmão 4: As carpas são o nosso modelo, porque são peixes muito corajosos, fortes e ágeis capazes de nadar contra a corrente do Rio e de vencer todos os obstáculos. É com elas que nós, os rapazes, nos devemos parecer. 

Yuki: E eu também sei vencer dificuldades. 

Irmão 4: Deixa disso, irmãzinha, as Meninas são bem mais bonitas do que as carpas. 

Irmão 4: Contenta-te ser expressiva com um peixinho dourado como estes que nada na água do Lago. 

Irmão 4: Além disso, há no Japão à muitas outras festas próprias para as raparigas? 

Irmão 4: É festa das bonecas, por exemplo. 

Irmão 4: E a das ameixoeiras em Flor. 

Irmão 4: Em todas elas, pode estrear um quimono pintado ou bordado.  

Irmão 4: Para mim a festa mais divertida é o meu memamaki, Sim aquela em que a gente atira como mãos cheias de ervilhas para casa e grita 

Irmão 1,2,3,4:  A riqueza que entre e o diabo que saia. 

Yuki: Pois sim, mas eu acho. 

Yuki: Que também devia ter direito a uma carpa. 

Yuki: Uma linda carpa recortada em papel macio como cetim. 

Yuki: E muito branco. 

Yuki: Porque Yuki quer dizer neve. 

Irmão 4: É assim, as nossas carpas nunca mais ficam prontas. R amanhã chega depressa. 

Irmão 3: amanhã chega depressa. 

Yuki: Pois então vão-se todos já embora daqui e deixa-me trabalhar sozinha a minha vontade. 

Narrador: No dia seguinte, ao entardecer ser e o que foi sentar-se no Jardim? 

Yuki: Pronto acabou a festa, os meus irmãos brincaram, comeram coisas boas e fizeram subir ali no mastro as suas carpas de papel. 

Yuki: Que baloiçam ao vento, como se nadasse no Rio. 

Yuki: Uma, duas, três, quatro. 

Yuki: Só não entendo o que que não pode haver outra, a minha carpa. 

Yuki: A carpa de Yuki. 

Yuki: Mas ninguém me sabe responder. 

Yuki: O pai que é bom e amigo pensa aquilo mesmo que o meu irmão mais velho disse. 

Yuki: Que as meninas devem ficar em casa enquanto os rapazes vão à escola, a mamãe, que é meiga e silenciosa, essa não diz nada, foi educada assim, acha que assim é que está certo que sempre assim foi sempre assim, será? 

Yuki: Ninguém poderá responder às minhas perguntas, nem o vento. 

Yuki: Quem sabe, talvez uu não desse a resposta. 

Yuki: Vento, vento ligeiro que embalas as cerejeiras em flor e baloiças as carpas de papel, diz me tu se Yuki poderá ir algum dia mais longe do que este jardinzinho de bonecas. 

Yuki: Estás zangado vento? 

Yuki: Porque principiante de repente a superar com tanta força. 

Yuki: Responde vento, mas porque sobras assim tão forte, não rasgues as carpas de papel que eu recortei para os meus irmãos. 

Yuki: Arrancaste a carpa amarela, vento mau porque fizeste isso? 

Yuki: Pois, não serás mais teimoso do que eu, não deixarei que leves contigo, ei de apanhá-la, ei de apanhar a carpa amarela. 

Yuki:Ei de agarrá-la. 

Senhora Jackson: Que dia terrível, pobre gente, como em poucos minutos o Tufão lhes devastou sementeiras, lhes destruiu as habitações. 

Susaninha: Ai é horrível pensar quantas pessoas perderam tudo quanto possuíam. 

Senhor Jackson: E até mesmo quantas perderam a vida. 

Senhora Jackson: No hospital os feridos entravam às centenas. 

Senhora Jackson: Mas dou graças a Deus pelo meu diploma de enfermeira. 

Senhora Jackson: Pude assim ajudar um pouco os que sofrem. 

Senhor Jackson: E louvado seja Deus também, porque não deixou apagar no coração dos homens o amor pelos seus irmãos? 

Senhor Jackson: Visto como logo acudiram voluntários para socorrer as vítimas. 

Senhor Jackson: E trazendo arroz e mantimentos. 

Senhor Jackson: Os piores momentos estão passados assim. 

Senhora Jackson: Para, Victor está ali uma pessoa caída na estrada. 

Senhor Jackson: É uma criança japonesa. 

Senhora Jackson: Estará viva? 

Senhor Jackson: Sim, eu acho que sim, acho. 

Senhor Jackson: Resta saber se terá ferimentos graves. 

Senhora Jackson: O Tufão deve tê-la apanhado no caminho. Coitadinha foi atirada ao chão e perdeu os sentidos. 

Senhor Jackson: Voltamos para o hospital? 

Senhora Jackson: Não creio que seja necessário, de resto, feridos já lá de sobra e nós agora estamos mais perto da nossa casa do que da cidade. Levamo-la connosco. 

Senhor Jackson: Chegamos, como está pequena? 

Senhora Jackson: Sempre sem dar acordo de si, mas o pulso bate um pouquinho mais forte, enquanto eu vou deitá-la, por favor, arranja-me algumas botijas de água quente. Sim, é muito tarde para acordar. Saitou, o cozinheiro? 

Senhor Jackson: Então como está ela? 

Senhora Jackson: Dorme, mas deve ter febre? 

Senhora Jackson: Vou colocar sobre a testa umas compressas frias. 

Senhor Jackson: Estás Cansadíssima Sara devias ir deitar-te. 

Senhor Jackson: Vá eu fico junto dela. 

Senhora Jackson: Não, deixa-me ficar a mim quando penso que a nossa Suzaninha podia ter acontecido o mesmo. 

Senhor Jackson: Felizmente, a nossa casa é sólida e não como tantas dessas casinhas japonesas feitas de bambu e de papel que um sopro arrasta. 

Senhor Jackson: E a nossa filha dorme tranquilamente no quarto ao lado. 

Senhor Jackson: Mas tens razão, Sara. 

Senhor Jackson: Cuidemos desta criança como fosse ela. 

Senhor Jackson: Quem sabe o que será feito dos pais a esta hora? 

Senhora Jackson: Estás melhorzinha? 

Senhor Jackson: Não a canses Sara. 

Senhora Jackson: Naturalmente, nem sequer nos compreendes, só deve falar japonês. 

Senhora Jackson: Língua que eu ainda não aprendi, felizmente que tu na tua qualidade de consumo do nosso país, sabe o suficiente para entenderes. 

Senhor Jackson: É cedo ainda para isso? 

Senhor Jackson: Quando ela se sentir um pouco mais forte, veremos então se é possível saber qualquer coisa a seu respeito. 

Suzaninha: Minha mãe. 

Senhora Jackson: Xiu, não faças barulho Suzaninha, a menina está a dormir. 

Suzaninha: Está fazendo o o? 

Senhora Jackson: Está, vamos lá para fora devagarinho nas pontinhas dos pés. 

Senhora Jackson: Vítor, a pequena acordou e já fala, eu é que não percebo, vai na tua ao pé dela sim. 

Senhor Jackson: Está bem, eu vou lá já. 

Senhora Jackson: Então o que, disse ela? 

Senhor Jackson: Pouca coisa. 

Senhora Jackson: Não sabe como se chama, não se lembra onde mora, nem quem são os pais. 

Senhor Jackson: Deve ter sofrido uma comoção muito forte ao bater com a cabeça. 

Senhor Jackson: Esperemos que melhoram com o tempo eu, entretanto, procurar informações junto às autoridades, tentar saber se haverá notícia de qualquer criança desaparecida. 

Senhor Jackson: Mas receio bem que não seja fácil. 

Senhor Jackson: Boa noite de sono. 

Senhora Jackson: Boa noite, já soubeste alguma coisa acerca da pequena? 

Senhor Jackson: Nada, infelizmente, grande parte da cidade e muitas aldeias dos arredores ficaram destruídas. 

Senhor Jackson: E os habitantes ou morreram na catástrofe ou partiram para outros pontos do país? 

Senhora Jackson: Valha-nos Deus. 

Senhor Jackson: Não me foi possível encontrar o rasto da família a quem a garota pertence. 

Senhora Jackson: Nesse caso, ficaremos com ela, ensinamos a falar a nossa língua e seja o que Deus quiser. 

Senhor Jackson: Saitou o nosso cozinheiro servirá de intérprete quando eu não estiver em casa. 

Senhor Jackson: E a pouco e pouco, ela aprenderá os nossos costumes e será educada com uma Suzaninha. 

Senhora Jackson: Nem sequer sabemos o seu nome. 

Senhora Jackson: Olha chamemos lhe Rosa Chá ela é tão delicada como uma flor e tem um tom de pele que é semelhante à cor do chá. 

Senhor Jackson: Pois fica então Rosa Chá. 

Suzaninha: Rosa Chá, Rosa Chá. 

Rosa Chá(Yuki): Que foi menina bonita. 

Suzaninha: A Suzaninha gosta muito de rosa chá, é bonita, é amiga. 

Rosa Chá(Yuki): É amiga, é assim. 

Senhora Jackson: É um amor, esta pequena tão meiga, tão ajuizada, tão cuidadosa. 

Senhor Jackson: E a nossa filha segue lhe os espaços por toda a casa. 

Senhora Jackson: Podemos entregar-lhe com toda a confiança? 

Senhora Jackson: Que pena nunca mais ter recuperado a memória. 

Senhor Jackson: Apesar disso, é muito inteligente. 

Senhor Jackson: Aprendeu com a melhor pessoa, irá na nossa língua e já fala melhor do que o cozinheiro que está a vários meses connosco. 

Senhora Jackson: É muito novinha habituou se logo. 

Senhora Jackson: Suzaninha vem lanchar, Rosa chá traz a Suzaninha sim. 

Suzaninha: A Suzaninha quer papar, quer leitinho. 

Senhora Jackson: Sim leitinho muito bom. 

Senhora Jackson: Beba tudo até o fim e tu Rosa Chá queres um copo de leite gelado. 

Senhor Jackson: Talvez ela prefira provar laranjada? 

Senhor Jackson: Queres disto Rosa Chá? 

Rosa Chá(Yuki): Sim Senhor me dá eu quero. 

Rosa Chá(Yuki): É engraçado. 

Rosa Chá(Yuki): Salta a Tampinha, cor prata e faz assim. 

Rosa Chá(Yuki): E depois água cor de mel salta no copo como peixe vivo. 

Senhor Jackson: Sim Senhor, Bela comparação. 

Senhor Jackson: Bebe rosa chá é muito bom, sabe? 

Senhora Jackson: Não gostaste?  

Rosa Chá(Yuki): Sim, mas faz comichão na ponta da língua e dentro do nariz. 

Senhora Jackson: É do gasoso vais ver que depereça costumas. 

Suzaninha: Dá Rosa Chá a Suzaninha quer. 

Rosa Chá(Yuki): Agora não é menina, cor-de-rosa, azul e dourada, tem de beber o seu leitinho todo. 

Senhora Jackson: Como é que tu chamas a Suzaninha? A menina Cor-de-rosa, azul e dourada? 

Rosa Chá(Yuki): Sim, porque ela é cor-de-rosa, como um pêssego maduro duro. 

Rosa Chá(Yuki): Tem os olhos azuis. 

Rosa Chá(Yuki): E os cabelos Dourados? 

Senhora Jackson: Loiros menina Cor-de-rosa, azul e dourada ou Rosa Chá. 

Senhora Jackson: Como tu foste capaz de descobrir um nome tão lindo para a minha filha? Muito obrigada, dá cá um beijo. 

Senhora Jackson: Sabes Victor? Cada vez gosto mais da nossa Rosa Chá, estímulo tanto como se ela fosse a nossa filha mais velha. 

Senhora Jackson: Mas, apesar de tudo bem, gostaria de ver outra vez junto da família. 

Senhor Jackson: Que ainda existir. 

Senhora Jackson: Dizes bem se ainda existir? 

Senhora Jackson: Será possível recebê-lo alguma vez, voltará a própria pequena recuperar a, memoria que perdeu. 

Senhor Jackson: Um médico que observou diz que tudo é possível, mas nada pode garantir. 

Senhora Jackson: Visto que não podemos ter uma certeza tenhamos pelo menos uma esperança. 

Narrador: O que irá acontecer a Yuki a menina que não sabe quem é? 

Narrador: Se o querem saber oiçam na próxima semana, o segundo episódio desta história. 

Narrador: Emissora nacional acaba transmitir para os seus pequenos ouvintes primeiro episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares é menina sem nome, produção de Maria Madalena Patacho. 

Áudio 2

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Maria Isabel Mendonça Soares

Produção: Maria Madalena Patacho

Narração: Maria Madalena Patacho

 

Data de Transmissão: 20/10/1972

Transmitido por: Emissora Nacional

Programa: Meia Hora de Recreio

 

Registo de Som: Manuel Marques

Montagem: João Silvestre

Capa do Áudio: Bruno Leal

 

Link de referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos

Yuki: Francisca Maria

Senhora Jackson: Maria Schultz

Senhor Jackson: Rui Ferrão

Suzaninha: José Manuel

Senhora: Maria de Brito Malta

Criança: Milusha

Primeira convidada: Maria Antónia

Segunda convidada: Maria Amélia

Saito (cozinheiro): Alexandre Vieira

Guarda do Parque: Mário Manuel

Narrador: Meia hora de Recreio para os pequenos ouvintes da emissora nacional. Hoje vão escutar o segundo episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome. 

Narrador: Personagens: Yuki, Francisca Maria, a Senhora Jackson, Maria Schultz, o Senhor Jackson, Rui Ferrão, Suzaninha, José Manuel, uma Senhora, Maria de Brito Malta, uma criança, Milusha. 

Narrador: A primeira convidada, Maria Antónia, a segunda convidada, Maria Amélia. 

Narrador: Saito, o cozinheiro, Alexandre Vieira, o guarda do Parque, Mário Manuel. 

Narrador: Registo de som de Manuel Marques, montagem de João Silvestre, produção de Maria Madalena Patacho. 

Narrador: Vamos dar o resumo do episódio anterior. 

Narrador: Yuki era uma menina japonesa que sonhava andar na escola com os seus 4 irmãos. 

Narrador: Porém, naqueles tempos antigos isso não era costume. 

Narrador: No dia da Festa dos rapazes, um Tufão destruiu grande parte da pequena cidade onde Yuki morava e a menina que fora correr atrás de uma carpa amarela recortada em papel que o vento levava foi surpreendida pelo temporal e caiu batendo com a cabeça. 

Narrador: Um casal de estrangeiros encontrou-a e levou para a sua casa. Mas Yuki, em consequência da pancada perdeu a memória, esqueceu-se até mesmo do seu próprio. 

Narrador: Deste modo, e apesar de todos os esforços, o senhor e a Senhora Jackson não conseguindo encontrar. 

Narrador: A família da pequena, resolveram tomar conta dela e puseram-lhe o nome de Rosa Chá. 

Senhora Jackson: Rosa Chá. Queres ajudar-me a apanhar flores?   

Yuki: Quero, sim. 

Senhora Jackson: Olha, então, por favor, pega me no cesto enquanto eu vou cortando, crisântemos para pôr nas jarras. 

Senhora Jackson: Amanhã faz anos a Suzaninha e havemos de ter a casa muito linda para a festa. 

Yuki: Senhora. Deixa-me sozinha enfeitar a casa. As flores trazem felicidade e eu quero dar muita felicidade a menina cor-de-rosa, azul e dourada. 

Senhora Jackson: Está bem, Rosa Chá, dou-te licença para enfeitar ao teu gosto a jarrinha de seu quarto. 

Senhora Jackson: Podes apanhar as flores que quiseres, olha, talvez destas que são miúdas e leves. A Suzaninha também é pequenina. 

Senhora Jackson: A quanto tempo estava pequena armar flores. Então tão Rosa Chá, já acabaste? 

Yuki: Quase. Sim, agora está enfeitada a jarra da menina, cor-de-rosa, azul e dourada. 

Senhora Jackson: Oh que linda, que ficou Rosa Chá és uma fada. Quem te ensinou a fazer maravilhas destas? 

Yuki: Não me lembro. 

Yuki: Só sei dizer que aprendi todas as maneiras de arranjar as flores. são muitas, muitas. 

Yuki: E todas elas diferentes, umas das outras. 

Senhora Jackson: Meu deus, como estes japoneses e de quão bem as raparigas, escuta Rosa Chá queres enfeitar também as jarras da sala? 

Yuki: Aí sim. 

Yuki: Deste modo a felicidade, vai descer sobre toda casa. 

Senhor Jackson: Mas o que faz a Rosa Chá ajoelhada no tapete da sala? 

Senhora Jackson: Está a enfeitar as jarras para a festa de amanhã. 

Senhora Jackson: A pequena é uma verdadeira artista, mas leva horas e horas até que tudo fique pronto. 

Senhora Jackson: E Deus sabe se os primeiros convidados ao chegarem amanhã para o chá não irão encontrá-la ainda ajoelhada no chão a escolher flores. 

Senhora Jackson: Olha, mas seja como for, valerá bem a pena. 

Senhora: Muitos parabéns Suzaninha. 

Senhora Jackson: Vamos Suzaninha, diga muito obrigada a esta Senhora. 

Suzaninha: Obrigada. 

Senhora: Toma, isto é para ti. 

Suzaninha: Um presente? 

Senhora: Sim desembrulho e vê se gostas. 

Senhora Jackson: Ah, uma boneca Suzaninha que bonita. 

Suzaninha: Olha tá dormir. Agora abre os olhos. 

Criança: Parabéns, Suzaninha. Toma. 

Suzaninha: Outro presente? Uma bola. 

Senhora Jackson: Bem vai brincar com os teus amiguinhos. 

Senhora Jackson: Suzana sim. 

Senhora: Oh, mas que beleza estão as suas jarras, minha amiga, quem dera ter a sua habilidade para arranjar a flores. 

Senhora Jackson: Eu não. Tudo visto, é obra da Rosa Chá possui mãos de fada, aquela pequena. 

Senhora: Realmente é uma verdadeira artista. 

Senhora Jackson: É um encanto de doçura e simplicidade. 

Senhora: Nunca souberam nada acerca da família. 

Senhora Jackson: Infelizmente nada e a pobre criança continua completamente esquecida do seu verdadeiro nome. 

Senhora: Foi uma grande generosidade sua e do seu marido terem tomado conta dela. 

Senhora: Qualquer outra pessoa telaria internado no orfanato. 

Senhora Jackson: Oh não, de maneira nenhuma, só se todo em todo não pudéssemos fazer outra coisa, mas enquanto for possível Rosa Chá ficará connosco. 

Senhor Jackson: Bravo Suzaninha e tantos presentes. 

Suzaninha: Olha papá um carrinho para a boneca. 

Senhor Jackson: Há muito bonito. Sim, senhor, é muito bonito. Já podes levar a boneca a passear ao jardim. 

Suzaninha: E pratinhos para ela papar a sopa. Olha. 

Senhor Jackson: Bem vejo, bem vejo e mais um arco maior do que tu. 

Senhor Jackson: Ah, é um triciclo de ferro. 

Senhora Jackson: Até parece uma aranha. 

Suzaninha: E Livros. Muitos, mamã, lê aqui. 

Senhora Jackson: Uma história, ah, mas já é muito tarde minha filha, agora são horas de dormir. 

Senhor Jackson: Claro. 

Suzaninha: A boneca está a dormir, mas a Suzaninha não quer. 

Suzaninha: Uma história, mama sim? 

Senhora Jackson: Bem, só uma, depois a Suzaninha vai para cama. 

Suzaninha: Sim senta Rosa Chá a mamã lê a história num livro. 

Senhora Jackson: Senta te aqui nesta almofada Rosa Chá, então vamos lá a história. 

Senhora Jackson: Qual a de ser? 

Senhora Jackson: Esta é dos 3 ursinhos.  

Suzaninha: Sim esta. 

Senhora Jackson: Era uma vez uma menina que andava a passear na floresta, mas perdeu-se e já não sabia o caminho. 

Senhora Jackson: Quando encontrou uma casinha, empurrou a porta e entrou. Lá dentro havia uma mesa e 3 cadeiras, uma cadeira muito grande, uma cadeira assim, assim e uma cadeira muito pequenina. 

Senhora Jackson: E o pai Urso perguntou com uma voz muito grossa, quem se deitou na minha cama? E a mãe Ursa perguntou com uma voz assim, assim. 

Senhora Jackson: Quem se deitou na minha cama? 

Senhora Jackson: E Ursinho porque nem no perguntou com a sua vozinha fininha, quem se deitou na minha cama e ainda lá está? 

Senhora Jackson: Então a menina que estava a dormir na cama pequenina do Ursinho pequenino, acordou e deitou a fugir. 

Senhora Jackson: Pronto acabou-se a história. 

Suzaninha: E depois? 

Senhora Jackson: Depois da menina, fugiu e os 3 ursinhos foram dormir. 

Senhora Jackson: Como a Suzaninha, vai dormir também. 

Suzaninha: Não, outra história mamã. 

Senhora Jackson: Não senhor, vão todos dormir os 3 ursinhos, a Suzaninha e a Rosa CHá. Vens Rocha Chá? 

Yuki: Senhora aqui no livro são letras? 

Senhor Jackson: Pois são, as histórias escrevem se com letras. 

Yuki: E a Senhora, sabe ler? 

Senhora Jackson: Então não me ouviste? 

Yuki: Na sua terra, as senhoras vão à escola? 

Senhora Jackson: Claro que sim, isto é, foram quando eram meninas. 

Yuki: Ah e a menina cor do rosa, azul e dourada também vai? 

Senhor Jackson: Suzaninha é muito pequenina por enquanto, mas daqui a 3 ou 4 anos há de ir para a escola como toda a gente. 

Yuki: Como toda a gente. 

Suzaninha: Anda, anda Rosa Chá a mamã diz que vamos dormir também, como os ursinhos. 

Yuki: Como toda a gente. 

Senhor Jackson: Ah és tu Sara. 

Senhor Jackson: Tão cedo e já andaste a fazer compras, vens carregada de embrulhos. 

Senhora Jackson: Imagina onde fui, não adivinhas? 

Senhor Jackson: Eu Não. 

Senhora Jackson: Ao caminho das chaleiras. 

Senhor Jackson: Onde? 

Senhora Jackson: Aquela rua cheia de lojas onde se vendem as mais variadas peças de louça de cobre e de bronze destinadas à cerimônia do chá. 

Senhora Jackson: Vê. 

Senhora Jackson: O bule. 

Senhora Jackson: A chaleira, uma espécie de fogueiro pequenino, chavezinhas sem asa de porcelana quase transparentes. 

Senhor Jackson: Vais então brincar aos jantarinhos, não é? 

Senhora Jackson: Não sejas trocista Vítor, comprei tudo isto para oferecer às minhas amigas um chá à moda do Japão. 

Senhor Jackson: E quem faz esse chá especial. 

Senhora Jackson: O Saito o nosso cozinheiro. Vou chamá-lo, Saito. Saito. 

Saito: Senhora chamou Saito? 

Senhora Jackson: Chamei. Vais fazer-me um chá à moda japonesa para oferecer às senhoras estrangeiras Chá no Yu. 

Senhora Jackson: A cerimônia do chá não é como se diz? 

Saito: Não, Senhora, não. 

Senhora Jackson: Não? 

Saito: Chá no Yu é a cerimónia muito delicada para as feias mãos de Saito. Não, não. Só mãos de flor, só mãos de ceda podem ser dignas de Chá no Yu. 

Senhora Jackson: Saito com á de ser agora, os convites estão feitos, as senhoras vão chegar e final não haverá Chá no Yu. 

Yuki: Senhora, senhora. 

Senhora Jackson: O que é que é que tu queres Rocha Chá? 

Yuki: Eu sei como é, Senhora. 

Senhora Jackson: Tu? Sabes realmente? 

Yuki: Sim, tenho as mãos pequeninas e leves. 

Yuki: Parece-me que posso fazer bem o Chá no Yu. 

Senhora Jackson: És um amor Rosa Chá. Se tu não existisses, seria preciso inventar-te, sabes tudo na perfeição. 

Segunda Convidada: Como está minha querida Sara? 

Senhora Jackson: Bem, muito obrigada. Faça favor de entrar. 

Segunda Convidada: Oh, não me digam que sou a última a chegar, desculpem me. 

Primeira Convidada: A Sara teve a ideia original de nos oferecer um verdadeiro chá japonês. 

Segunda Convidada: Mas que interessante, mas como aprendeu a fazê-lo, dizem que é complicadíssimo. 

Senhora Jackson: Parece que sim, mas ficaremos a sabê-lo dentro em pouco. 

Senhora Jackson: A Rosa Chá vai prepará-lo para nós. 

Senhora Jackson: Com todo o rigor. 

Narrador1: A Rosa Chá? A vossa pequena protegida. 

Senhora Jackson: A nossa amiga em Rosa Chá, ou melhor, a nossa filha japonesa queres principiar Rosa Chá? 

Yuki: Sim Senhora. 

Senhora Jackson: Parece que esta cerimónia exige muito silêncio, é curioso. 

Senhora Jackson: Creio que é preciso escutar 75 gestos diferentes com a maior delicadeza e lentidão. 

Senhora Jackson: As mãos da pequena. 

Senhora Jackson: Movem-se com a suavidade entrançadora. 

Primeira Convidada: Olhem, creio que terminou. 

Primeira Convidada: Rosa Chá deite o chá numa das chávenas. 

Primeira Convidada: E levanta-se para o vir oferecer? 

Suzaninha: Mamã olha a minha bola, Rosa Chá, anda brincar, apanha a Bola. 

Senhora Jackson: Tem cuidado minha filha. 

Senhora Jackson: Ó meu Deus, meu Deus, Aí meu Deus.  

Primeira Convidada: Se não é a pequena japonesa, a Suzaninha caia sobre o fogareiro que horror. 

Senhora Jackson: Minha pobre Rosa Chá, salvaste a minha filha, mas em que estado ficaram as tuas mãos. 

Segunda Convidada: Ora todas queimadas com chá a ferver  

Senhora Jackson: Deixam me tratá-las. 

Senhora Jackson: Doem te muito, com certeza. 

Yuki: Um bocadinho. 

Segunda Convidada: As tuas mãozinhas de flor as tuas, mãozinhas douradas tão inchadas, tão empoladas e vermelhas. 

Senhor Jackson: Então filha, como estão as tuas mãos Rosa Chá? 

Senhor Jackson: Tens ainda muitas dores? 

Yuki: Agora já doem menos muito agradecido. 

Senhora Jackson: Queridinha, nós não temos palavras para te agradecer o que fizeste pela nossa filha, o senhor Jackson e eu queremos dar-te uma prova da nossa gratidão. Diz nos aquilo que mais gostavas de ter e nós faremos de tudo para realizar o teu desejo. 

Yuki: A primeira coisa. A maior. Aquela que eu mais gostava. 

Yuki: Era encontrar a minha família, mas já sei que não é fácil. E por isso, não a peço. 

Yuki: A segunda coisa era. 

Senhora Jackson: O quê? Diz, filha diz 

Yuki: Era aprender a ler o que dizem livro. Pode ser? 

Senhora Jackson: Ó minha querida. 

Senhor Jackson: Muito bem. 

Senhor Jackson: Uma vez que assim o queres aprenderás a ler. 

Senhor Jackson: Mas só há uma dificuldade. 

Senhor Jackson: Só há uma dificuldade. 

Senhor Jackson: Nas escolas japonesas não aceitam raparigas bem sabes. 

Senhor Jackson: Mas como tu vives connosco e és nossa amiga, enfim, talvez não te importas de aprender a ler e a escrever a nossa língua, queres? 

Yuki: Ah sim. Quero. Quero. 

Senhora Jackson: Eu mesma te darei lições todos os dias. 

Yuki: Pode ser agora, já? 

Senhora Jackson: Mas não está cansada? 

Yuki: Não. Eu agora já estou quase boa outra vez. 

Senhora Jackson: Tá bem. 

Senhora Jackson: Vou buscar um livro de histórias da Suzaninha. 

Yuki: Ca-Sa. Me-Ni-Na. Bo-neca. Flor 

 Yuki: Viste Saito, eu já sei ler. 

Saito: Nunca se viu. Nunca se viu. 

Senhor Jackson: Bravo Rosa Chá. 

Senhor Jackson: Aprendeste a ler muito depressa? 

Yuki: A escrever é pior, leva mais tempo. 

Senhora Jackson: Não hás de aprender tão bem como a leitura simplesmente não pudeste começar a aprender a escrever ao mesmo tempo, porque ainda tinhas as mãos doentes, agora que já tiraram as ligaduras, podes movê-las bem, verás como fazes progressos. 

Senhor Jackson: Quem quer vir hoje dar um passeio de automóvel. 

Suzaninha: Eu. Eu. A Rosa Chá também. 

Senhora Jackson: Pois claro, queres vir, não queres? 

Yuki: Eu quero sim. Muito obrigada. 

Senhora Jackson:E onde eu passeio pode saber se ou é surpresa. 

Senhor Jackson: Ora, vamos visitar o parque de Nara, que foi a mais antiga capital do Japão. 

Senhor Jackson: É um lugar maravilhoso, como dizem. 

Senhor Jackson: Possui árvores com muitos séculos de existência, belos templos majestosos e tu Suzaninha vais gostar muito de dar de comer aos veados e as corças manssinhas. 

Suzaninha: Onde estão os veadinhos eu dou de comer aos veadinhos. 

Senhora Jackson: Já vais vê-los mais logo agora espera, anda pôr o chapéu. 

Senhor Jackson: Ainda uma outra surpresa? 

Senhor Jackson: Mas esta é só para Rosa Chá. 

Senhor Jackson: Vá. Aqui tens, desembrulha e diz me se gosta. 

Yuki: Um lápis de prata, como do senhor Jackson. 

Senhora Jackson: Não é exatamente um lápis, nem é prata, é uma lapiseira prateada. 

Yuki: Muito linda, muito obrigada. 

Senhor Jackson: Como agora já sabe escrever muito bem, pensei que devias precisar de uma lapiseira que fosse do mesmo tamanho. 

Yuki: Aí que bom, para mim será sempre o meu lápis de prata. 

Senhora Jackson: Nas histórias dos livros que já és capaz de ler aparecem fadas com uma varinha de prata na mão. 

Senhora Jackson: Quem sabe lá se esta lapiseira não será a tua varinha mágica. 

Senhor Jackson: Bom, nós estamos prontas. Vá, então vamos. 

Senhor Jackson: Ora cá estamos. 

Senhora Jackson: É maravilhoso que árvores tão altas e tão bonitas com o tronco forrado de musgo devem ser vítimas, com certeza. 

Senhor Jackson: Chamam-se criptomérias e têm muitos séculos. 

Suzaninha: Eu quero dar de comer aos veadinhos. Onde estão os veadinhos? 

Senhor Jackson: Olha lá vamos espera. Espera. 

Senhor Jackson: Diz me uma coisa Rosa Chá? 

Senhor Jackson: Lembras te por acaso e que ter vindo passear alguma vez? 

Yuki: Não. Tenho a certeza de que não nunca vi estas árvores, nem aqueles templos. 

Yuki: Ao mesmo tempo, não sei, é esquisito, parece-me. 

Yuki: Que vai acontecer, qualquer coisa muito boa. 

Senhora Jackson: Não estejas agora a pensar mais nisso. 

Senhora Jackson: Olha que coisa tão engraçada já viram aquele arbusto ali ao pé do templo? Tem os ramos cheios de laçarotes de papel. Muito gostava de saber o que quererá aquilo dizer? 

Senhor Jackson: Bom, mas não fiques sem resposta, porque aí temos um guarda do parque. Podemos perguntar. 

Senhor Jackson: Muita boa tarde. 

Guarda do Parque: Boa tarde 

Senhor Jackson: É, é muito bonito este parque. 

Guarda do Parque: Com sim senhor, muito bonito e muito antigo. 

Senhora Jackson: Olhe, mas digam-me, por favor, eu estou cheia de curiosidade de saber para que servem todos aqueles lacinhos de papel. Atados aos ramos daquela planta. 

Guarda do Parque: É um costume antigo, tão antigo como parque, certo? 

Guarda do Parque: As raparigas desta Terra para quem os pais não conseguiam encontrar um noivo, mandam escrever o seu nome a sua morada num papel dobram muitas vezes até ficar da largura de uma fita e enfeitam com ele, as árvores próximas do templo? 

Guarda do Parque: Os deuses bons ao de fazê-las felizes. 

Senhora Jackson: Muito interessante. 

Senhor Jackson: Um costume bastante curioso. 

Suzaninha: Olha pai, um veadinho. 

Yuki: Tão manssinho. 

Yuki: Está a lamber-me as mãos. 

Senhora Jackson: Julga que trazes comida. 

Suzaninha: Eu quero dar comida ao um veadinho. 

Senhora Jackson: Podemos realmente ter trazido qualquer bolo. 

Senhora Jackson: Ah, esquecemo-nos disso. Agora quem irá calar a Suzaninha. 

Guarda do Parque: Além vendem-se bolachas, minha senhora, posso ir comprar se os senhores desejam. 

Senhor Jackson: Muito obrigado, muito obrigado. Me ensinaram também nós próprios vamos até lá e serve de passeio sabe. 

Guarda do Parque: É muito perto daqui.  

Senhor Jackson: Obrigado. 

Yuki: Não quer achar um noivo. 

Yuki: Eu quero achar o meu pai e minha mãe. 

Yuki: Eles mandam escrever o seu nome no papel, porque não sabem escrevê-lo. 

Yuki: Mas eu sei. 

Yuki: Eu tenho um lápis de prata. 

Yuki: Só não tenho papel. 

Yuki: Julguei que fosse uma folha trazida pelo vento, e que me bateu na cara. 

Yuki: É um bocado de papel. Amarelo. O vento. 

Yuki: O papel voar. 

Yuki: Onde é que eu vi uma coisa assim parecida? 

Yuki: Não sei, não tenho agora tempo para pensar. 

Yuki: O mais importante escrever tu pressa depressa antes que você não senhor e a senhora Jackson voltem. 

Yuki: Haviam de rir se de mim, diziam que era patetice acreditar em histórias destas. 

Senhora Jackson: Ora aqui tens as bolachas de Suzaninha, contanto que o veadinho ficasse ainda a nossa espera. 

Suzaninha: Ficou ficou. 

Suzaninha: Convidaste a ocasião e não deixa fugir. 

Senhor Jackson: Isso é verdade. 

Senhor Jackson: Não tinha reparado que ela não veio connosco. 

Senhora Jackson: Creio que a pequena se sente impressionada com qualquer coisa relacionada com este lugar. 

Senhora Jackson: Recordar-lhe á o passado? 

Senhor Jackson: Acho melhor, não insistimos mais no assunto. 

Senhor Jackson: Demos Tempo Ao Tempo. 

Senhor Jackson: Se sofreu qualquer choque à vista deste lugar já conhecido. 

Senhor Jackson: As consequências ao de manifestar-se. 

Senhor Jackson: Então Suzaninha, a Rosa Chá, soube tomar conta do teu veadinho. 

Suzaninha: Soube muito bem, ele não fugiu. Vês papá. 

Senhor Jackson: São quase 5 horas e daqui a pouco também nós temos de lanchar. 

Senhora Jackson: Aí está tão agradável neste parque tão calmo, tão silencioso. 

Senhora Jackson: Que te faz pena irmos embora ter dentro do teu barulhento automóvel. 

Senhor Jackson: Mas olhe para chegarmos aqui, foi preciso utilizar o meu barulhento automóvel, não foi? 

Suzaninha: Só mais tempo para o veadinho lanchar, sim? 

Senhor Jackson: Está bem, está bem, filha, mas depois não peças outro bocadinho de tempo para o veadinho jantar. 

Senhora Jackson: Que lindo passeio que demos esta tarde. 

Senhora Jackson: Devíamos repeti-lo mais vezes, fazia tudo bem. 

Senhor Jackson: Acredito. Assim pudéssemos fazê-lo sem preocupações, mas. 

Senhora Jackson: Mas o quê? Sucedeu alguma coisa grave? 

Senhor Jackson:Se não sucedeu já. 

Senhor Jackson: O sucederá em breve, receio bem. 

Senhor Jackson: Agora que as penas não estão aqui, o posso desabafar contigo. 

Senhora Jackson: A fala pelo amor de Deus, Victor. 

Senhor Jackson: Há nuvens negras a ameaçarem a vida serena do país do Sol nascente. 

Senhora Jackson: Uma guerra. 

Senhor Jackson: Sim infelizmente. 

Senhor Jackson: E só Deus pode saber o que os dias do futuro trazem consigo. 

Senhora Jackson: Ele nos valha a todos. 

Narrador: Como irá acabar a história de Yuki, a Rosa Chá a menina que esqueceu do seu nome. 

Narrador: Sabê-lo-ão na próxima semana, se ouvirem a Meia Hora de Recreio da emissora nacional, á hora habitual. 

Narrador: Amiguinhos. Acabaram de escutar o segundo episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome. Produção de Maria Madalena Patar. 

Áudio 3

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Maria Isabel Mendonça Soares

Produção: Maria Madalena Patacho

Narração: Maria Madalena Patacho

 

Data de Transmissão: 27/10/1972

Transmitido por: Emissora Nacional

Programa: Meia Hora de Recreio

 

Registo de Som: Moreira de Carvalho

Montagem: João Silvestre

Capa do Áudio: Bruno Leal

 

Link de referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos

Carteiro: Fernando Cohen

Soldado: Carlos Fernando

Senhor Jackson: Rui Ferrão

Koraby: Manuel Inácio

Mãe: Maria Brito Malta

Suzaninha: José Manuel

Mito: Mário Manuel

Yuki: Francisca Maria

Oficial: António Sarmento

Senhora Jackson: Maria Schultz

Pai: Alexandre Vieira

Locutora: Meia hora de Recreio. 

Locutora:  Um programa que a emissora nacional oferece todas as semanas aos seus pequenos ouvintes, hoje vão escutar o terceiro e último episódio de uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome. 

Locutora: Personagens: Yuki, Francisca Maria; o senhor Jakson, Rui Ferrão? 

Locutora: A Senhora Jackson, Mariah Schultz; Suzaninha, José Manuel; um oficial, António Sarmento; um soldado, Carlos Fernando; Mito, Mário Manuel; o carteiro, Fernando Cohen; o Pai, Alexandre Vieira; a Mãe, Maria de Brito Malta; Koraby, Manuel Inácio; Registo de Som de Moreira de Carvalho; montagem de João Silvestre; produção, Maria Madalena Patáz. 

Locutora: Resumo dos episódios anteriores. 

Locutora: Lembram-se da Rosa chá, quer dizer da Yuki? 

Locutora: Era aquela menina japonesa que tanto gostava de poder ir à escola com os seus 4 irmãos. 

Locutora: Mas nesse tempo, só os rapazes é que aprendiam a ler e estudavam. 

Locutora: Yuki tinha muita pena de que os costumes da sua Terra não autorizassem a aprender como eles. 

Locutora: Num dia de festa a festa dos rapazes para a qual e o que desenhara e recortar a 4 carpas de papel, emblemas da força e da coragem. O vento arrancou do mastro a carpa amarelo. 

Locutora: A menina correu para apanhar, mas o vento transformou-se em Tufão que destruiu a cidade e matou muitas pessoas. 

Locutora: Yuki não morreu, mas caiu, bateu com a cabeça e desmaiou. 

Locutora: Quando foi encontrada por um casal estrangeiro, tinha perdido a Memória e já não se lembrava do seu nome. 

Locutora: Foi então que os senhores estrangeiros lhe puseram o nome de Rosa Chá. 

Locutora:  Um dia Yuki, Rosa Chá, livrou-se os a minha filha dos seus novos amigos de cair em cima de um fogareiro aceso e quando a Senhora Jackson, muito agradecida e o marido lhe quiseram oferecer a prenda de que ela mais gostasse, a menina pediu que lhe ensinassem a ler e a escrever e aprendeu. Mas na língua estrangeira da Suzaninha dos pais. 

Locutora: Até que certa vez foram dar um passeio ao parque de Nara, a antiga capital do Japão e Yuki, às escondidas, escreveu algumas palavras num pedacinho de papel e… 

 Oficial: Alto! Soldados, vamos entrar no parque sagrado de Nara. 

Oficial: Deixemos junto do pártico as armas da morte e vamos suplicar aos deuses que nos deem a vida em termos. 

Soldado: Repara Mito, aquela árvore dos laços de casamento. 

Mito: Bem vejo. 

Mito: E se estivéssemos em tempo de paz, talvez colhesse um deles. 

Mito: Mas agora quem pode pensar em Felicidade? 

Soldado: Olha os deuses estão do teu lado Mito. 

Soldado: Não vês? 

Mito: O quê!? 

Soldado: Esse não será o amarelo em que o teu braço tocou sem querer e que se desprendeu do ramo. 

Soldado: Apanha-o! 

Mito: Pois seja, já agora, tenho curiosidade em saber o que dirá. 

Mito: Ó, está escrito na língua dos estrangeiros 

Soldado: Então ficamos sem saber. 

Mito: Conheço alguma coisa o suficiente para compreender, talvez. 

Mito: Não sei o meu nome verdadeiro. 

Mito: Não sei onde está a minha família. 

Mito: Chamo-me Rosa Chá. 

Mito: E moro em casa do senhor Jackson. 

Mito:  É ela! É eu tenho a certeza! 

Soldado: Ela quem? 

Mito: Yuki a minha irmãzinha Yuki? 

Mito: Em todo o Japão, é ela a única rapariga capaz de ter escrito estas palavras. 

Soldado:  Como sabes que é a tua irmã? 

Soldado: Uma rapariga a escrever? E ainda por cima em língua dos estrangeiros?  

Mito: O maior desejo dela era aprender a ler e a escrever como nós. 

Mito: Ela desapareceu misteriosamente no dia do grande tufão, que destruiu a cidade onde vivíamos. 

Mito: Por algum estranho motivo? 

Mito: Terá esquecido o seu nome e o nosso. 

Mito: Mas pode ter aprendido com os estrangeiros em casa de quem mora.  

Soldado: Mas não diz onde está. 

Mito: Não. 

Mito: Quem sabe se escreveu à pressa e não teve tempo para acabar? 

Soldado: Que vais fazer mito?  

Mito: Não sei. 

Mito: Ainda se, ao menos pudesse procurar esse tal estrangeiro em casa de quem se encontra a menina Rosa Chá. 

Mito: Mas o nosso Regimento vai partir dentro de poucas horas. 

Soldado: Podes escrever ao teu pai? 

Soldado: E pedir-lhe que procure em teu lugar? 

Mito: Tens razão, é isso mesmo que eu vou fazer antes de partir. 

Mãe: Bom dia. 

Carteiro: Bom dia, uma carta para o senhor a cudo mora aqui.  

Mãe: Sim, Senhor.  

Carteiro: Então aqui está a Carta. 

Mãe: Muito obrigada. Bom dia. 

Carteiro: Bom dia. 

Pai: Quem bateu? 

Mãe: O carteiro trouxe esta Carta para ti. 

Pai: Os que têm as tuas mãos? 

Pai: Estão a tremer como 2 borboletas ou 2 passarinhos assustados. 

Mãe: Não sei. 

Mãe: Não sei. 

Mãe: Diz-me o Coração que nesta Carta se fala da nossa Yuki. 

Pai: Não alimentes mais esperanças. 

Pai: Bem, sabes que procurámos até onde pudemos e a única coisa que foi possível saber. 

Pai: Foi que não deram entrada em nenhum hospital. 

Mãe: Sim, mas fomos obrigados a vir morar para Longe da nossa cidade. 

Mãe: E se Yuki foi encontrada? 

Mãe: Mas abre a carta por favor, sim? 

Pai: O Teu Nome Oxizo San quer dizer a Senhora tranquila, mas não parece. 

Pai: A carta é do nosso filho, Mito. 

Pai: Escuta Oxizo San. 

Pai: Mito diz que a nossa filhinha pode estar viva. 

Mãe: Como sabe ele?  

Pai: Não sabe ainda, é tudo muito confuso. 

Pai: Uma Mensagem escrita na língua dos estrangeiros no parque sagrado de Nara. 

Pai: Vou procurar Yuki. 

Mãe: Onde? 

Pai: Em casa de um senhor chamado Jackson. 

Mãe: Á, mas quem é? 

Pai: Ei de descobri! 

Mãe: Havemos de descobrir. Eu vou contigo. 

Senhor Jackson: Sara, preciso de falar contigo, é muito importante. 

Senhora Jackson: Assustas-me Victor. O que aconteceu? 

Senhora Jackson: Aí, Sara acaba de ser chamado ao nosso país. 

Senhor Jackson: O navio parte depois de amanhã. 

Senhora Jackson: E nós? 

Senhor Jackson: Vireis comigo, evidentemente. 

Senhor Jackson: Não sei o lugar que me destino, nem sequer se terei de voltar aqui. 

Senhor Jackson: Esse de qualquer forma, a situação é grave. 

Senhor Jackson: E não será prudente que tu e a nossa filha fiquem sozinhas neste país. 

Senhora Jackson:  E a Rosa chá. O que fazemos dela? 

Senhor Jackson: Há um problema. 

Senhor Jackson: A pequena japonesa, não tem família, que reconheça pelo menos. 

Senhor Jackson: Eu creio que terá de ser recebida em qualquer instituição de assistência. Eu vou tratar da casa. 

Senhora Jackson: Aí pobrezinha, como lhe havemos de dizer, é tão afeiçoada a Susana. 

Senhor Jackson: Não consegui arranjar lugar para a pequena em parte alguma. 

Senhor Jackson: Nenhuma obra de assistência pode aceitar neste momento, a única solução será levá-la connosco. 

Senhora Jackson: Deus seja louvado, custava-me tanto deixá-la. Ainda bem que as coisas se combinaram de forma a não nos depararmos dela. 

Yuki: Posso entrar, Senhora? 

Senhora Jackson: A estavas aí Rosa Chá entre a minha filha, entra. O senhor Jackson acaba de me dar uma notícia. 

Yuki: Uma notícia boa. 

Senhora Jackson: Sim, quer dizer, boa e má ao mesmo tempo, é uma notícia má, porque vai estalar uma guerra. 

Senhora Jackson: E, por isso, teremos de deixar o teu país. 

Senhora Jackson: Mas é uma notícia boa, porque tu irás connosco Rosa Chá. 

Yuki: Vão levar-me? Para sempre?  

Senhora Jackson: Vamos, não gosta de ficar connosco e com a Suzaninha, ela é muito tua amiga Rosa Chá e nós também serás a nossa filha mais crescida. 

Senhora Jackson: Mas… estás a chorar Rosa Chá, não queres ir? 

Yuki: Quero senhora. Estou a chorar, só porque sou pateta. 

Senhora Jackson: És patetinha. Dá cá um beijo e vem ajudar-me a fazer as malas. O navio parte depois da manhã. 

Yuki: Depois de amanhã. 

Yuki: Tão depressa. 

Senhor Jackson: Então, Sara, estás pronta? E as pequenas também? 

Senhora Jackson: Sim, estamos as malas grandes já seguiram, só levamos estes sacos e maletas pequenas. 

Senhor Jackson: Então vamos. 

Senhor Jackson: Agora podemos partir caminho. De caminho passamos pelo consulado, para entregar as Chaves. 

Senhora Jackson: E atrás de nós fica a nossa casa vazia, silenciosa, com as persianas corridas. 

Yuki: O meu livro. 

Senhora Jackson: O que foi Rosa Chá? 

Yuki: Ficou ao pé do Lago, no Jardim. 

Yuki: Deixa-me ir buscá-lo, deixa. 

Senhor Jackson: Tem paciência, mas não nos podemos demorar quando chegarmos eu compro-te outro livro Rosa Chá. 

Senhora Jackson: Bem vês, minha querida, agora não podemos voltar para trás. 

Yuki: Eu ia a correr. 

Senhora Jackson: Achas que não haverá realmente tempo? Victor, creio que esse livro representa muito para ela Foi o primeiro que leu. 

Senhor Jackson: Bom… se fores num pé e vieres noutro. 

Yuki: Posso? 

Senhor Jackson: Sim, mas olha depressa, muito depressa. Nós esperamos por ti aqui á esquina da rua. 

Yuki: Cá está o meu livro. 

Yuki: Eu bem se via que houve de encontrar. 

Yuki: Mas também sabia. 

Yuki: Também julgava que minha mãe e meu pai iam aparecer. 

Yuki: Como apareceu o livro e afinal. 

Yuki: Tocaram á porta? 

Yuki: É o senhor Jackson a chamar por mim, naturalmente. 

Yuki: Demorei-me, vou já a correr. 

Yuki: Os senhores querem alguma coisa? 

Mãe: Yuki. 

Pai: És realmente tu Yuki. A nossa filhinha desaparecida. 

Mãe: Filha, minha Yuki. 

Yuki: São, são os meus pais. 

Pai: Sim minha pequenina. 

Pai: Somos nós finalmente. 

Yuki: O meu pai, a minha mãe. 

Senhor Jackson: Então Rosa Chá? Então estamos à tua espera. 

Senhor Jackson: Ah! Os senhores, são. 

Senhor Jackson: Eu creio que compreendo. 

Pai: Os pais daí Yuki. 

Pai: É o senhor Jackson calculou eu. 

Senhor Jackson: Exatamente. Minha mulher e eu encontrámo-nos Rosa Chá, perdão Yuki, não é? 

Senhor Jackson: Há 6 meses, no dia do grande Tufão. 

Senhor Jackson: Estava desmaiada caída no caminho. 

Senhora Jackson Graças a Deus, melhorou do grande choque sofreu, mas… 

Senhora Jackson Estava um pouco confusa e não se lembrava do que tinha acontecido. Felizmente, agora tudo acabou em bem a nossa Rosa Chá chamamos-lhe assim á, á vossa Yuki. 

Senhora Jackson Encontrou-os e… 

Senhor Jackson: Não imagina. 

Senhor Jackson: Como nos sentimos felizes com a vossa felicidade e com a felicidade de Yuki, mas acontece que estamos de regresso ao nosso país. O navio parte dentro de poucas horas. 

Senhor Jackson: Entregamos confiadamente a vossa filha. 

Senhor Jackson: Embora já estimásse-mos muito e estivéssemos dispostos a levá-la connosco. 

Senhor Jackson: Adeus Senhor. 

Pai: Hakudo. 

Pai: É o meu nome. 

Senhor Jackson: Um grande beijo, minha pequena. 

Senhora Jackson: Havemos de nos tornar a ver, se Deus quiser. 

Senhora Jackson: Os teus pais vão dar-me a vossa direção. 

Senhora Jackson: Enquanto não voltarmos ei de descrever muitas vezes muitas cartas, sim, porque tu já sabes ler e escrever e vais responder-me, pois não vais? 

Susaninha: Rosa Chá, porque é que estás a chorar? Já não queres vir no barco? 

Senhora Jackson: A Rosa Chá está muito contente. Suzaninha, sabes? Ela encontrou o Papá e a Mamã. 

Senhor Jackson: Adeus, adeus Yuki! 

Senhora Jackson: Adeus Yuki! 

Yuki: Adeus senhor Jackson adeus? 

Pai: Boa viagem, senhor Jackson. 

Pai: Obrigado, fico vos eternamente agradecido por tudo que fizeram a nossa Yuki. 

Yuki: Boa viagem. 

Mãe: Yuki em que estás a pensar, filha? 

Yuki: Em nada minha mãe. 

Mãe: Vejo-te sempre tão triste. 

Mãe: Parece que não gostas de estar outra vez ao pé de nós. 

Yuki: Oh não, mãe, que ideia a sua? 

Yuki: Eu gosto muito de os ter encontrado.  

Koraby: Yuki podes deitar-me o chá? 

Yuki: Sim Mazuda. 

Koraby: Mas eu não sou Mazuda. Sou Koraby. 

Koraby: Que distraída és irmãzinha. 

Yuki: Desculpa. 

Mãe: Não sei o que acho, a nossa filha, sempre silenciosa, sempre triste. 

Mãe: Confunde até os nomes dos irmãos. 

Pai: Terá saudades da família Jackson e é natural. 

Pai: Foram tão amigos dela. 

Mãe: Será isso apenas? 

Mãe: Diz-me o coração que Yuki não está completamente curada. 

Mãe: Receio que não nos tenha reconhecido. 

Pai: Não é possível.  

Mãe: Sim, sim, infelizmente. 

Mãe: Podes crer a nossa filha, a nossa Yuki, aceitou-nos como seus pais, mas continua a ver em nós uns estranhos. 

Pai: Isso há de passar. 

Pai: Com O Tempo e se habituando à sua nova família. 

Mãe: A sua verdadeira família, queres tu dizer? 

Mãe: E habituar-se-á ela. 

Pai: Aí vem. 

Pai: Então Yuki foste ao Jardim, traz um lindo ramo de flores. 

Yuki: Trago sim meu pai. 

Pai: Anda cá. 

Pai: Eu gostava de ver de sorrir como dantes sorrias minha filha. 

Pai: Com 2 covinhas na face. O que tens? 

Yuki: Eu não tenho nada meu pai. 

Pai: Tens sim, mas não o queres dizer? 

Yuki: Gostava de ter livros. 

Pai: Livros? Para quê?  

Yuki: Sim, meu pai em casa do senhor Jackson, como lhes disse já, aprendi a ler na língua estrangeira, mas a história do meu livro já li tantas vezes que sei dizê-la toda com os olhos fechados. 

Yuki: E aqui, não há livros com as letras estrangeiras que eu sei ler. 

Yuki: Ó pai. 

Yuki: Deixe-me ir à escola com os meus irmãos à escola. 

Pai: Á escola!? Não Yuki! 

Pai: Perde de uma vez para sempre essas ideias disparatadas, que te meterão na cabeça. 

Pai: O lugar de uma menina como tu é em sua casa. 

Yuki: Mas foi exatamente por eu saber ler e escrever que Mito recebeu a minha mensagem e foi ainda por causa de um livro que os meus pais me encontram no Jardim do senhor Gerson. 

Yuki: Se eu não gostasse tanto de ler, não tinha voltado atrás à procura dele e esta hora estava já muito longe daqui e nunca mais me veriam. 

Mãe: Acalma-te minha filha. 

Mãe: O teu pai vai pensar no que dizes? 

Pai: Eu? 

Mãe: Sim, eu própria pensei, já que talvez os costumes antigos não estejam tão certos como nos pareciam. 

Mãe: Afinal, a ciência é nova, não fez perder aí Yuki nenhuma das boas virtudes antigas, continua a saber, enfeitar as jarras na perfeição, a fazer o chá com o maior cuidado e delicadeza. 

Mãe: A cantar e a tocar as melodiosas canções que lhe ensinei e que minha mãe me ensinou a mim. 

Mãe: Tal como a minha avó, lhe ensinara a ela também. 

Mãe: Em tudo, um modelo da menina japonesa bem-educada. 

Mãe: Porque não poderás ensinar a escrever e a ler como ela deseje. 

Pai: Ouvi tocar à porta. 

Koraby: Yuki! Irmãzinha, o carteiro veio trazer este embrulho para ti. 

Koraby: Um grande embrulho de papel grosso e castanho. 

Koraby: Lê o que diz por fora. 

Koraby: Não está escrito na nossa língua. 

Yuki: Para miss Yuki Hakudo e agora deste lado, diz? 

Yuki: Contém livros. 

Pai: Podes abrir minha filha 

Yuki: Posso? São livros ,3 livros e tão bonito. 

Mãe: Mostra Yuki! Ah! Que lindos desenhos. 

Mãe: Repara, caiu um bilhete de dentro de um dos livros é dos teus amigos, com certeza. 

Yuki: É do senhor, Jackson diz assim. 

Senhora Jackson: Minha querida Yuki, Rosa Chá. 

Senhora Jackson: Em nome da Suzaninha que ainda não aprendeu a escrever, mando-te estes livros, dos quais certamente gostarás. 

Senhora Jackson: Num deles conta-se a história muito engraçada de uma menina que se chamava Alice outro e a cerca de 4 irmãos, muito amigos e simpáticos. 

Senhora Jackson: O terceiro fala de bichos pássaros por boletas, animais, ferozes, peixes. 

Senhora Jackson: Um beijo da Suzaninha e do senhor Jackson e outro meu, Sara 

Yuki: Ah livros, estou tão contente. 

Koraby: Hás de ensinar-nos o que dizem os teus livros. 

Koraby: Não a história dessa tal Alicia e das outras raparigas. 

Koraby: Mas este sim que tem desenhos tão bonitos de animais. 

Koraby: Olha borboletas mostra. 

Koraby: E nesta folha os peixes? 

Koraby: Este grande. 

Koraby: Quem me dera pescar um assim? 

Yuki: Um peixe. 

Yuki: Um peixe pintado de amarelo. 

Mãe: Yuki que tens tu, minha filha? O que foi? Parece que ela vai desmaiar. 

Yuki: Senti a cabeça, andar à roda. 

Yuki: Uma impressão muito esquisita. 

Yuki: Lembro-me. Lembro-me! Lembro-me agora de tudo! 

Yuki: A carpa, a tua carpa amarela, Koraby, com o ventou soltou-se do mastro no dia da vossa festa, levou pelo ar e eu corri atrás dela, corri muito, muito depois caí no chão e não sabia dizer mais nada, nem explicar como tudo tinha sido, mas agora sim, agora lembro-me de tudo, da nossa casinha que não era esta. 

Koraby: Da outra caida. 

Yuki: Do meu pai da minha mãe, do mito. 

Yuki: Do Mazuda, do Korabi, do Chezo. 

Yuki: Dos meus 4 irmãos! Agora já me lembro dos vossos olhos e dos vossos sorrisos. 

Yuki: Estou muito feliz. 

Mãe: Foi mais uma vez um livro que nos trouxe agora a nossa verdadeira Yuki. 

Pai: Tem razão. 

Pai: Escuta minha filha. 

Pai: A partir de amanhã 

Pai: Eu próprio começarei as tuas lições. 

Yuki: Ó pai, agora não pode haver no mundo uma menina tão feliz como eu! 

Mãe: O riso que se veja. 

Mãe: Não que se oiça Yuki. 

Pai: Oh, mãezinha, hoje a alegria não pode guardar-se em silêncio, pois não? 

Locutora: Tão bom, bom? 

Locutora: E a História acaba exatamente como principiou. 

Locutora: Esta é uma história passada no Japão, no tempo em que ainda não era costume as meninas andarem na escola. 

Locutora: Mas hoje, tal como na nossa Terra e em todos os países civilizados, as meninas japonesas sabem ler e escrever tanto na sua língua como noutras línguas estrangeiras. 

Locutora: Vão para a escola, para o liceu e para a universidade. 

Locutora: Mas nem por isso perderam os seus bonitos modos, nem a delicadeza das suas mãos de seda e de flor como a Yuki, Rosa Chá. 

Locutora: A emissora nacional acaba de transmitir para os seus pequenos ouvintes. 

Locutora: Uma história de Maria Isabel de Mendonça Soares, a menina sem nome, produção de Maria Madalena Patacho. 

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