Narrador: Meia hora de Recreio.
Narrador: Amiguinhos antes de começar o vosso programa de hoje, queremos desejar a todos os nossos pequenos e grandes ouvintes, uma Páscoa Santa e feliz a todas muito boas festas.
Narrador: Hoje vão escutar um conto de autoria de Maria Isabel de Mendonça Soares, as amêndoas do padrinho Pascoal.
Narrador: Personagens Manuela, Maria Antónia, Maria, Milucha, Chico, Armando Pinto, Luiz, José Manuel, o Pai, António Sarmento, a mãe, Maria Schultz, o padrinho Pascoal, Alexandre Vieira, uma criada, Maria de Brito Malta, um homem, Fernando Cohen, registe som de Manuel Marques, montagem de Horácio Gonzaga.
Narrador: Produção de Maria Madalena Patacho.
Mãe: Meninos não se demorem.
Mãe: Veste o casaco, Manuela, o dia está bonito, mas ainda não é verão.
Mãe: E tu aí os dois é tão, Chico e Maria.
Chico: Foi ela que.
Maria: Eu não fiz nada.
Maria: Ele é que.
Chico: Escusas falar mais comigo.
Mãe: Não impliquem mais um com outro, pronto.
Mãe: E vão arranjar se depressa Luisinho guarda os carros na gaveta. Estamos atrasadíssimos e o padrinho Pascoal não gosta de esperar.
Maria: Ó mãe, porque é que nós tem que por força ir à casa do padrinho Pascoal todos os anos pela Páscoa.
Luiz: Antes, queria ficar a brincar com os meus automóveis.
Mãe: Hoje não pode ser o padrinho Pascoal convidou-nos.
Mãe: Oiçam, é o pai já está com o carro.
Luiz: É tão especial padrinho Pascoal, não é? Mora naquela quinta zona, nunca sai e quando chega a Páscoa é que se lembra de escrever a mandar nos ir almoçar com ele.
Mãe: Ele não manda, convida.
Luiz: Ora A irrelevância é subjetiva Convida, mas nós não pode dizer que não, então isso é mandar.
Pai: O padrinho Pascoal é uma pessoa de idade.
Maria: É velhíssimo, com certeza, já era padrinho do avô tem mais de 100 anos.
Mãe: Dispara-lhe Maria. O Pedrinho Pascoal tem 80 anos.
Luiz: Eu cá tenho 8.
Maria: Para dizer a verdade, eu até gosto do Padrinho Pascoal.
Maria: Mas sinto assustada em frente dele.
Maria: Aquela sala tão grande, cheia de livros e retratos.
Chico: E depois a mania que ele tem.
Pai: Não se diz manias, Chico é falta de respeito.
Chico: Bom não será mania, mas como lhe hei de chamar? A ideia que ele tem, está bem assim?
Pai: Sim, pode ser.
Chico: E daí que eu tenho que dizer as coisas pão, queijo, nunca se sabe que fala, o que tem lá na cabeça.
Pai: Concordo que o padrinho Pascoal tenha as suas originalidades, mas é um verdadeiro sábio.
Luiz: Ele inventou algo?
Pai: Os sábios nem sempre são inventores, têm a sabedoria da vida, o que é igualmente importante.
Pai: O padrinho Pascoal, aprendeu muito a observar as pessoas e os acontecimentos.
Chico: Pudera durante 80 anos a olhar e a pensar.
Maria: Que ira ele inventar hoje para nos dar ao almoço.
Manuela: Seja lá o que for desde que se coma.
Manuela: Já vou cheia de fome.
Mãe: É do ar do campo respirem fundo que este ar puro da mais saúde do que 10 frascos de vitaminas.
Chico: Já se vê daqui à casa do padrinho Pascoal entre as árvores.
Pai: Pronto chegámos tocar sineta.
Padrinho Pascoal: Olha sendo muito bem vindos, meus afilhados.
Pai: Então como passou padrinho Pascoal.
Mãe: Muito as festas padrinho Pascoal.
Chico, Maria, Luiz, Manuela: Muito boas festas, padrinho Pascoal.
Padrinho Pascoal: Muito obrigado afilhados e boas festas igualmente para todos os boas e santas festas.
Mãe, Chico, Maria, Luiz, Manuel, Pai: Obrigado!
Padrinho Pascoal: Olha lá pequenos, naturalmente preferis, ficar pelo jardim a pular como cabritos novos á solta, enquanto o almoço não vai para a mesa, não é assim?
Padrinho Pascoal: Está bem, correrei por aí em liberdade que para gaiola já basta morar num sexto andar. Se eu tivesse a vossa idade e as vossas pernas fariam mesmo e infelizmente eu já não tenho por isso foi lá para dentro sentar-me à conversa com os vossos pais.
Chico: O melhor da visita ao padrinho Pascoal é este grande Jardim.
Chico: Eu do que mais gosto é do lago se tivesse trazido os meus calções de banho, até dava já um mergulho, que raiva não me ter lembrado.
Luiz: O que eu queria aqui era a minha bicicleta.
Maria: Talvez o padrinho Pascoal tenha uma.
Chico: O quê uma bicicleta sonhas, só se for um daqueles triciclos antigos.
Chico: Velocípedes ou lá como se chamam com uma roda muito grande na frente e duas muito pequenas atrás, nunca viste em desenho num livro?
Maria: Já sei como as de equilibristas do circo.
Chico: Pois o padrinho Pascoal é tão antigo como essas maquinetas.
Maria: Sabem o que me parecia há bocado, padrinho Pascoal, quando olhei para ele assim, muito alto e magro, careca e com o nariz comprido.
Chico: Diz lá.
Maria: Parecia mesmo uma cegonha.
Chico: Eu.
Chico: É mal feito nós rir-se do padrinho Pascoal, ele é bom e gosta muito de nós.
Chico: Bem a gente da teu rir devido ao que a Maria disse, mas não era para fazer troça, acho eu.
Maria: Eu também não pensei naquilo por mal.
Maria: Vem má ideia sem querer.
Mãe: Meninos, meninos venham almoçar o senhor Doutor Pascoal já está à espera.
Chico: Vamos agora não comesse a rir Maria nem fazer rir também com as suas macaquices do costume.
Maria: Não olhe para mim.
Chico: Os senhores não riem como dois malucos, estão à bulha.
Luiz: Ó Manuela, tu pensas que o padrinho Pascoal nos vai dar amêndoas a sobremesa?
Chico: Então não havia dar porquê?
Chico: Onde é que já se viu, almoço de Páscoa sem amêndoas?
Luiz: Eu cá gosto de amêndoas.
Chico: Também bem eu.
Luiz: Ó Chico onde estão as amêndoas?
Chico: Sei lá. Em cima da mesa é que eu não vejo nenhuma.
Chico: Se calhar ainda estou na loja.
Maria: Cala-lhe Maria, daqui a pouco padrinho Pascoal ouve-lhe.
Chico: Talvez seja um bocadinho surdo.
Chico: Parece que não vai haver amêndoas.
Maria: Como o padrinho Pascoal nunca se sabe, tem sempre surpreendidas na manga do casaco, como os ilusionistas do circo.
Padrinho Pascoal: Então vozes aí meninos, vocês não querem repetir o assado?
Maria: Não, obrigada padrinho Pascoal.
Chico: Já repeti padrinho Pascoal. Muito obrigado.
Luiz: Não quero mais obrigado.
Chico: Eu também não.
Padrinho Pascoal: Já vos entendo, guardas os para a sobremesa, pois aí a tendes. É um dos deliciosos, uma velha receita, muitos anos na posse da família leva açúcar, ovos canela.
Luiz: E amêndoas?
Padrinho Pascoal: Não, não. Amêndoas não leva, as amêndoas, são comidas no fim, esperar aí tudo a seu tempo.
Padrinho Pascoal: Primeiro o doce, depois uma gota de vinho fino para fazer as saúdes.
Luiz: E a seguir é as amêndoas, é?
Padrinho Pascoal: Para quem as merecer, para quem as souber ganhar?
Padrinho Pascoal: Saboreei o doce e depois direis-me se não é famoso.
Padrinho Pascoal: E agora.
Chico, Pai, Maria, Luiz, Manuela:
As amêndoas.
Padrinho Pascoal: Não ainda não, agora é a vez de beber á a vossa saúde e vós á a minha. Este é um vinho precioso. Tem 40 anos.
Chico, Pai, Maria, Luiz, Manuela: Aí tão velho. Se calhar não presta.
Padrinho Pascoal: Á vossa saúde por muitos anos e bons, Páscoa feliz, meus afilhados.
Chico, Pai, Maria, Luiz, Manuela: Páscoa feliz. Pascoal.
Padrinho Pascoal: E finalmente.
Maria: Agora que é certo agora é que vamos comer as amêndoas.
Padrinho Pascoal: É gulosa e impaciente Maria, terá muito que aprender ainda.
Maria: Aprender o quê?
Chico: O que maçador é. Não percebe que estamos todos à espera do que o padrinho Pascoal vai dizer.
Padrinho Pascoal: Bom, bom, bom.Então escutei lá?
Padrinho Pascoal: Ô ô, ou melhor.
Padrinho Pascoal: Deixei que eu tire aqui da minha carteira.
Padrinho Pascoal: Ora, aqui estão.
Padrinho Pascoal: 1234
Luiz: Oh, são 4 cartas,
Maria: 4 subscrito.
Chico: É dinheiro para comprar amendoins, adivinhei, não adivinhei?
Padrinho Pascoal: Não, não, não, Senhor. Não adivinhaste, vá pegai lá meninos um subscrito para cada um de vós para si Chico, para a Maria, este é para Manuela e agora por fim, este para o Luís.
Padrinho Pascoal: Não, não, não podeis abri-lo.
Padrinho Pascoal: Aí não, não, por enquanto,
Chico: Então para que servem?
Chico: Quando é que se abrem?
Maria: Mas o que é padrinho Pascoal?
Luiz: Mas aqui dentro não cabem as amêndoas.
Padrinho Pascoal: Pois, não, pois não? As amêndoas tereis vós das encontrar, das descobri.
Maria: Mas onde?
Padrinho Pascoal: Sabe-se lá, ora bem.
Padrinho Pascoal: Ouvi com atenção, cada um levará consigo o seu subscrito.
Maria: Fechado?
Padrinho Pascoal: Sim, sim, sim, sim. Fechado
Padrinho Pascoal: Saireis para o jardim e só então podereis abrir, dentro encontrareis.
Maria: O que eu quê, o quê?
Padrinho Pascoal: Logo sabereis. A ida e da procura.
Chico: Até parece um romance policial. O mistério das amêndoas desaparecidas.
Maria: Deixa de conversa e levanta-te que o padrinho Pascoal já deu licença.
Chico, Maria, Manuela: Vamos.
Chico: E esta
Chico: Eu não dizia que o padrinho Pascoal tinha ideias especiais.
Chico: Oiçam lá o que está escrito aqui neste papel.
Chico: Segue o caminho do Sol e traz a luz que é seu farol. Mas que esquisito, não se percebe nada.
Chico: No meu também é um papel, diz assim, o que foi lá vai sempre em frente procurai que quererá dizer isto? Como é o teu Maria?
Maria: Diz o vento norte só para forte, será o seu passaporte.
Chico: Não adianta nada, fico na mesma.
Manuela: Se fica na mesma é porque é estúpido, eu cá, percebi muito bem.
Chico: Não me chame estúpida malcriada.
Manuela: Mas não és estúpido, é burro que vai dar no mesmo.
Chico: Nunca mais te falo.
Chico: Vá-lá calem-se, vocês não se podem aturar. Ó Luís, foste capaz de ler o teu papel. O queres que te ajude?
Luiz: Eu sei.
Luiz: O carro está a cantar.
Luiz: É perto.
Luiz: Não tens que errar.
Maria: Bem, não podemos perder mais tempo a olhar para as letras sem fazer nada. Eu cá vou à procura das minhas amêndoas.
Padrinho Pascoal: Um momento meus pequenos.
Chico: O que foi padrinho Pascoal?
Padrinho Pascoal: Eu esqueci-me de vos fazer uma recomendação.
Padrinho Pascoal: Quando encontrares as amêndoas, voltai aqui trazendo o que mais perto estiver delas compreendeste.
Chico, Manuela, Luiz, Maria: Está bem.
Padrinho Pascoal: Podeis ir. Podeis ir.
Padrinho Pascoal: Não todos para o mesmo lado, não? Cada qual recebeu uma mensagem. Diferentes são os caminhos.
Maria: Segue o caminho do Sol. Traz a luz que é teu farol.
Maria: Mas como é que eu vou fazer?
Maria: O caminho do sol.
Maria: Será ir por esta rua fora.
Maria: Naturalmente é. O sol dá nesta parede.
Homeno: Boas tardes menina.
Maria: Olá muito boa tarde, o senhor sabe me dizer faz favor. Qual é o caminho do Sol?
Homeno: O caminho do sol?
Maria: Sim, o meu padrinho Pascoal foi assim que disse.
Homeno: Ah a menina é afilhada do sr. doutor Pascoal, então eu disse que isso é brincar com certeza.
Maria: Pois é, é uma espécie de jogo. Os meus irmãos e eu temos de procurar as amêndoas da Páscoa.
Maria: E a mim calhou-me seguir o caminho do sol e trazer de volta uma luz, mas deus candeeiros estão apagados a luz do sol não se agarra.
Maria: À por aqui perto alguma luz que não seja a do sol?
Homeno: Bem a dizer a verdade, luz, só se for é do nicho da santinha acolá ao virar da esquina.
Maria: Será essa?
Homeno: A menina experimente e já ali adiante.
Maria: Aí obrigada.
Maria: Lá está uma lamparininha acesa é aqui. E um cartucho atado com laço azul a, mas são as amêndoas são.
Maria: Então e o farol.
Maria: E a luz que eu hei de levar ao padrinho?
Maria: Aí uma vela escondida atrás do cartucho deve ser isso que o padrinho Pascoal quer, acendo na luz da lamparina e vou levá-la devagarinho sem a deixar apagar.
Luiz: O cão está a cantar
Luiz: É assim que diz o meu papel?
Luiz: É muito fácil. O cão canta na capoeira, é lá que estão as amêndoas, viva já descobri.
Luiz: Ó galinhas, onde é que guardas as amêndoas, diz lá.
Luiz: Se calhar escondes–te as na palha.
Luiz: Olha, olha foi, cá está cartucho cheio de amêndoas mesmo ao pé de um ovo. Ganhei, ganhei, viva Manuela, Manuela, estão aqui, as minhas amêndoas já encontraste as tuas?
Maria: Cuidado Luizinho olha que apagas a vela e tenho que levar a acesa ao padrinho Pascoal.
Luiz: Aí que me esqueci.
Maria: De quê?
Luiz: Do que disse o padrinho Pascoal, trazendo uma coisa que estivesse ao pé das amêndoas.
Luiz: Mas o que é que estava ao pé das amêndoas?
Luiz: Era um ovo.
Maria: Aí, então devias tê-lo trazido.
Luiz: Vou buscá-lo. Espera aqui por mim que eu não demoro nadinha.
Maria: Mas ó Luizinho não venhas a correr.
Maria: Se não faz ovo em gemada.
Chico: O que foi lá vai lá vai sempre em frente procurai, de toda esta charada só por ser uma coisa.
Chico: Que é preciso procurar em frente, vamos a isto e veremos o que encontra em frente do nariz.
Chico: Afinal, parece-me, estou cheio de sorte, pus-me a mandar a direito pela rua que leva à horta e dei logo o meu cartucho de amêndoas na borda do poço.
Chico: Bem bom, apetece-me trincar já uma, se calhar o padrinho Pascoal não gosta que se abra cartuchos por enquanto.
Chico: Temos que levar, não sei o que é ao mesmo tempo, sei lá o que há de ser, aquilo que estiver mais perto das amêndoas, disse ele. Ora, o que está mais perto é o parapeito do poço no meio de arrancar um bocado cimento.
Chico: Levar o que?
Chico: Poço, muro.
Chico: Água é isso mesmo, descobri, água, levo lhe água.
Chico: Mas dentro do quê?
Chico: Só se for na concha da mão, deito a correr e na lei de chegar com uma pinguinha, pelo menos.
Chico: E esta agora.
Chico: Só para forte vento norte, este é o teu passaporte, que giro o vento norte até se parece comigo. A mãe diz que eu armo cada pé de vento a discutir.
Chico: Por isso é que o Chico ficou zangado.
Chico: Vento Norte.
Chico: Que já dizer que devo seguir em direção ao norte, se calhar é, eu sei lá para onde fica o norte.
Chico: A estrela polar indica o Norte.
Chico: Mas de dia não se vê estrelas.
Chico: A bússola aponta para o norte, que é dela. Não tenho que a bússola nenhuma.
Chico: Espera lá.
Chico: O catavento do telhado da casa lá está ele pronto, o norte fica para aquele lado.
Chico: Livra que já não sinto os pés farinha de andar e nada que se pareça com cartucho de amêndoas ou menos.
Chico: Oliveiras, Oliveiras.
Chico: Olha, olha finalmente penduradas no ramo que giro é caso para vir nos jornais como um fenómeno, uma oliveira que dá amêndoas em vez de azeitonas.
Chico: Mas o pior é chegar-lhes.
Chico: O ramo é alto.
Chico: Com ei de apanhar o cartucho.
Chico: Só se só se puxar.
Chico: O ramo com um pau.
Chico: Assim.
Chico: Ótimo deu resultado, caiu cartucho no chão.
Chico: Aí lá vão os meus irmãos, Manuela.
Maria: Chico. Luiz. Esperem por mim.
Chico: Ó Maria sempre és uma cabeça no ar, então só trouxeste o cartucho das amêndoas.
Chico: Então é quanto basta.
Maria: Mas não é o padrinho Pascoal disse trouxéssemos aquilo que estivesse mais perto das amêndoas, não foi?
Chico: Oh pois foi. Lembrei-me agora aí que parvoíce.
Chico: Mas o que estaria perto das minhas amêndoas. Elas estavam penduradas num ramo. Aí está era isso um ramo de Oliveira.
Chico: Aí! Meu Deus, não chego lá.
Chico: O ramo estava tão alto, o embrulho ainda o fiz cair atirando lhe com um pau, mas cortar um ramo de Oliveira tão alto não é coisa assim tão fácil.
Luiz: A gente ajuda.
Chico: Tu és um ninguém de gente. Como é que podias lá chegar?
Maria: Eu sou mais alta do que tu.
Chico: Mesmo assim não chegavas, não tens força.
Maria: Pede ao chico, ele zangou-se comigo
Maria: Disse que nunca mais me falava.
Chico: A culpa foi tua, não foi?
Chico: Queres que te ajude a cortar o ramo?
Chico: Eu queria, mas…
Chico: Talvez todos juntos lá cheguemos. Qual é Oliveira?
Chico: É aquela.
Chico: Vamos lá ao pé Luiz trepa as minhas costas vocês duas seguram no.
Chico: E ele apanhou um raminho.
Maria: Tiveste uma ótima ideia Chico, anda Luís monta às cavalitas.
Maria: Não tenhas medo que não cais.
Luiz: Eu medo, não tenho medo nenhum.
Luiz: Viste Maria julgavas que eu era pequeno, não chegava lá, toma o teu ramo de oliveira para dares ao padrinho Pascoal
Chico: Obrigada, Luisinho, obrigada Manuela, ó Chico muito obrigada tu és muito melhor que eu desculpa.
Chico: Deixa lá não se pensa mais nisso.
Luiz: vamos depressa mostrar as amêndoas ao padrinho Pascoal.
Chico: Vamos. Vamos.
Chico, Manuela, Maria, Luiz: Ganhei, ganhamos!
Padrinho Pascoal: Quero ver se as mereceis.
Padrinho Pascoal: Hora mostrai-me as vossas descobertas.
Luiz: Eu encontrei um ovo.
Padrinho Pascoal: Muito bem, Luizinho, encontraste o que era preciso.
Maria: E eu trouxe uma vela acesa era isso?
Padrinho Pascoal: Hã está certo, está certo, e vocês os dois tu aí, Chico.
Chico: Eu, eu trazia água na concha da mão.
Chico: Até vinha a correr muito depressa para não a perder, mas afinal.
Padrinho Pascoal: Chegaste de mãos vazia?
Chico: Ele não teve a culpa padrinho Pascoal foi ajudar-me a apanhar o ramo e
Chico: Esqueci-me de água que trazia com tanto cuidado e lá se foi toda.
Padrinho Pascoal: O que foi lá vai lá vai.
Padrinho Pascoal: E era mesmo assim que devia ser.
Padrinho Pascoal: E tu Maria.
Padrinho Pascoal: Apanhaste o teu ramo de Oliveira pelo que vejo
Chico: Eu não sozinha, não fui capaz se não fosse a ajuda deles todos.
Padrinho Pascoal: Louvado seja Deus é esta a Páscoa verdadeira.
Luiz: Já podemos comer as amêndoas padrinho Pascoal.
Padrinho Pascoal: Podes sim, Luís, mas escuta uma coisa muito importe.
Padrinho Pascoal: A Páscoa é muito mais do que amêndoas cobertas de açúcar muito mais o ovo que encontraste, representa a vida. A Páscoa é vida porque Jesus ressuscitou e vive connosco para sempre.
Padrinho Pascoal: É Páscoa é luz, por isso trouxe-te a vela acesa Manuela?
Padrinho Pascoal: A Páscoa é o perdão, água que todo lava e tudo leva.
Padrinho Pascoal: Tu Chico esqueceste a zanga com a Maria, perdoaste o que foi lá vai lá vai, dizia, a tua mensagem não era?
Padrinho Pascoal: E com a vida, a luz e o perdão alcançaram a paz representada pelo ramo de Oliveira trazido pela Maria.
Padrinho Pascoal: Lembrai-vos filhos, a paz só é possível se todos se ajudarem uns aos outros, como vós.
Padrinho Pascoal: Boas Festas pequenos, Santa Páscoa na paz de Cristo.
Chico, Maria, Manuela, Luiz: Páscoa feliz, padrinho Pascoal.
Narrador: A Emissora nacional acaba de transmitir para os seus pequenos ouvintes um conto de Maria Isabel de Mendonça Soares. As amêndoas do padrinho Pascoal, produção de Maria Madalena Patacho.