Aventuras do Cuby

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Tesouros ..

queres ver?

Vem jogar!

casal de crianças
Aventuras do Cuby

Aventuras do Cuby

Vamos procurar os tesouros escondidos, nas profundezas neste jogo.

Vamos jogar?

INSTRUÇÕES

Neste jogo usa as setas horizontais de direção para andares e a barra de espaços para saltar.

Mas tem Cuidado! Fica sempre atento aos Espinhos, aos Peixes e aos Piratas Malvados!

comandos  diferenças

NÃO TE ESQUEÇAS DOS COMANDOS!

Agora é só experimentar…

Jogo indisponível nesta plataforma!

Criado por: Bruno Heleno

Jogo da Cobra

A Cobra

A cobra mais querida

Chegou….

Vem jogar!

a cobra 1
A cobra

Jogo da Cobra

Uma cobra que cada vez que apanha fruta cresce!  laughing

Apanha a fruta até não conseguir mais e mostra aos seus amigos o quanto conseguiste apanhar.

Vamos jogar?

INSTRUÇÕES

Este jogo consiste em apanhar o máximo de fruta possível.

Cada vez que come uma peça de fruta, a sua cobra aumenta de tamanho e torna-se mais difícil de não lhe morder a si próprio.

O jogo termina até não conseguir comer mais frutas, se chocar contra uma das paredes ou se for contra a sua própria cauda..

comandos  diferenças

NÃO TE ESQUEÇAS DOS COMANDOS!

Agora é só experimentar…

Jogo indisponível nesta plataforma!

Criado por: Pedro Vinhas & Sara Sanches

História da Carochinha

História da Carochinha

Carochinha

 

História

Sinopse da história

O famoso conta da Carochinha é conhecido por tudo o mundo, conta a história de uma carochinha que depois de se tornar muito rica decide irá à busca de um parceiro perfeito para casar.

Imagem criada por: David Pinto

Era uma vez uma carochinha que andava a varrer a casa e achou cinco reis e foi logo ter com uma vizinha e perguntou-lhe:

«Compra doces.» — «Nada, nada, que é lambarice.»

Foi ter com outra vizinha e ela disse-lhe o mesmo; depois foi ainda ter com outra que lhe disse:

«Compra fitas, flores, braceletes e brincos e vai-te pôr à janela e diz:

Quem quer casar com a carochinha.

Que é bonita e perfeitinha?»

Foi a carochinha comprar muitas fitas, rendas, flores, braceletes d’ouro e brincos; enfeitou-se muito enfeitada e foi-se pôr à janela, dizendo:

«Quem quer casar com a carochinha

Que é bonita e perfeitinha?»

Passou um boi e disse:
«Quero eu.»
«Como é a tua fala?»

«Ú, ú…»
«Nada, nada não me serves que me acordas os meninos de noite.»

Depois tornou outra vez a dizer:

«Quem quer casar com a carochinha

Que é bonita e perfeitinha?»

Passou um burro e disse:
«Quero eu.»

«Como é a tua fala?»

«Eu ó… eu ó…»

«Nada, nada não me serves, que me acordas os meninos de noite.»

Depois passou um porco e a carochinha disse-lhe:
«Deixa-me ouvir a tua fala.»

«On, on, on.»

«Nada, nada não me serves, que me acordas os meninos de noite.»

Passou um cão e a carochinha disse-lhe:
«Deixa-me ouvir a tua fala.»

«Béu, béu.»

«Nada, nada não me serves, que me acordas os meninos de noite.»

Passou um gato.
«Como é a tua fala?»

«Miau, miau.»

Nada, nada, não me serves, que me acordas os meninos de noite.»

Passou um ratinho e disse:

«Quero eu.»

«Como é a tua fala?»

«Chi, chi, chi.»

«Tu sim, tu sim; quero casar contigo.» disse a carochinha.

Então o ratinho casou com a carochinha e ficou a chamar-se João Ratão.

Viveram alguns dias muito felizes, mas tendo chegado o domingo, a carochinha disse ao João Ratão que ficasse ele a tomar conta na panela que estava ao lume a cozer uns feijões para o jantar.

O João Ratão foi para junto do lume e para ver se os feijões já estavam cozidos meteu a mão na panela e a mão ficou-lhe lá; meteu a outra; também lá ficou; meteu-lhe um pé; sucedeu-lhe o mesmo, e assim em seguida foi caindo todo na panela e cozeu-se com os feijões.

Voltou a carochinha da missa e como não visse o João Ratão, procurou-o por todos os buracos e não o encontrou e disse para consigo.
«Ele virá quando quiser e deixa-me ir comer os meus feijões.»

Mas ao deitar os feijões no prato encontrou o João Ratão morto e cozido com eles.

Então a carochinha começou a chorar em altos gritos e uma tripeça que ela tinha em casa perguntou-lhe:

«Que tens, carochinha, Que estás aí a chorar?»
«Morreu o João Ratão, e por isso estou a chorar»

«E eu que sou tripeça, ponho-me a dançar.»

Diz d’ali uma porta:
«Que tens tu, tripeça, Que estás a dançar?»

«Morreu o João Ratão, Carochinha está a chorar, e eu que sou tripeça, pus-me a dançar.»

«E eu que sou porta, ponho-me a abrir e a fechar.»

Diz d’ali uma trave:
«Que tens tu, porta, Que estás a abrir e a fechar?»

«Morreu o João Ratão, Carochinha está a chorar, a tripeça está a dançar, e eu que sou porta pus-me a abrir e a fechar.»

«E eu que sou travo quebro-me.»

Diz d’ali um pinheiro:
«Que tens, trave, Que te quebraste?»

«Morreu o João Ratão, Carochinha está a chorar, a tripeça está a dançar, a porta a abrir e a fechar, e eu quebrei-me.»

«E eu que sou pinheiro, arranco-me.»

Vieram os passarinhos para descançar no pinheiro e viram-no arrancado e disseram:
«Que tens, pinheiro, que estás no chão?»

«Morreu o João Ratão, Carochinha está a chorar, a tripeça está a dançar, a porta a abrir e a fechar, a trave quebrou-se, e eu arranquei-me.»

«E nós que somos passarinhos vamos tirar os nossos olhinhos.»

Os passarinhos tiraram os olhinhos, e depois foram á fonte beber água.
E diz-lhe a fonte:

«Porque foi passarinhos, que tirastes os olhinhos?»

«Morreu o João Ratão, a Carochinha está a chorar, a tripeça está a dançar, a porta a abrir e a fechar, a trave quebrou-se, o pinheiro arrancou-se, e nós, passarinhos, tirámos os olhinhos»

«E eu que sou fonte, seco-me.»

Vieram os meninos do rei com os seus cantarinhos para levarem água da fonte e acharam-na seca e disseram:
«Que tens, fonte, que secaste?»

«Morreu o João Ratão, a carochinha está a chorar, a tripeça a dançar, a porta a abrir e a fechar, a trave quebrou-se, o pinheiro arrancou-se, os passarinhos tiraram os olhinhos, e eu sequei-me.»

«E nós quebramos os cantarinhos.»

Foram os meninos para palácio e a rainha perguntou-lhe:

«Que tendes, meninos, que quebrastes os cantarinhos?»

«Morreu o João Ratão, a carochinha está a chorar, a tripeça a dançar, a porta a abrir e a fechar, a trave quebrou-se, o pinheiro arrancou-se, os passarinhos tiraram os olhinhos, a fonte secou-se, e nós quebrámos os cantarinhos.»

«Pois eu que sou rainha, andarei em fralda pela cozinha.»

Diz d’ali o rei:

«E eu vou arrastar o c… Pelas brasas.»

——

Daniel Sabino

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: Odette de Saint-Maurice

Data de Transmissão: 

Transmitido por: Emissora Nacional

 

Data de Gravação: 1958

Gravação realizada por: Jaime Filipe, Matos Ferreira e Alberto Nunes

Local da Gravação: Estúdio A da Rua do Quelhas, e no Estúdio de São Marçal

 

Música de fundo: Maestros Jorge Machado ou Tavares Belo

Canções de: Jaime Filipe

Capa do Áudio: Mariana Saraiva

João Ratão: João Perry

Carochinha: Maria Armanda

boi, burro, porco, cão, gato: Rui Luís

Narrador: Certo dia aconteceu. 

Aconteceu que uma linda carochinha pobre, mas trabalhadora como ninguém e que vivia feliz, sem desejar mais do que tinha. 

Ao varrer a casa numa Bela manhã? 

Reparou que, em um canto da sala de jantar no chão, brilhava qualquer coisa.  

Carochinha: Aí, parece uma moeda. 

Carochinha: Uma moeda de ouro. 

Narrador: Era uma moeda de oiro, então radiante, com o achado a Formosa carochinha decidiu imediatamente Mudar de Vida. 

Carochinha: Aí que bom, que bom, que bom. 

Carochinha: Agora chama caixinha rica e confortável para ceder. Vou comprar vestidos, casacos, chapéus, sapatos, luvas, carteiras, meias, joias, mobília.  

Carochinha: E depois casa me com pretendente que seja bem a meu gosto. 

Narrador: E não pensou 2 vezes dona carochinha ajanotou-se alindou-se até foi ao cabeleireiro das carochinhas elegantes. Empurrou se e toda enfeitada pôs-se à janela. 

Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha. 

Boi: Quero eu. 

Boi: Quero eu. 

Boi: Quero eu. 

Carochinha: Sim quer? E que nome tem o meu pretendente. 

Boi: Eu? Chamo-me boi. 

Carochinha: E qual é a sua ocupação? 

Boi: Trabalho nos Campos e puxo Carroça. 

Carochinha: E nas horas vagas, é capaz de cantar para me distrair. 

Boi: Sou sim. 

Carochinha: Então canta um pouco para eu saber se gosto da sua voz. 

Boi: (Barulhos de boi) 

Boi: Aí que voz tão feia. 

Carochinha: Não me serve, não me serve. 

Boi: Então adeus Carochinha, boa sorte. 

Carochinha: Deus passe bem o livra. Espero arranjar um novo, com melhor apresentação.  

Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha. 

Cão: Quero eu, quero eu.  

Carochinha: E qual é o seu nome? 

Cão: O meu nome é cão. 

Carochinha: E em que se ocupa? 

Cão: Largo tudo o que me mandam. 

Carochinha: Será capaz de cantar para me distrair? 

Cão: Então não vai de ser, quero ouvir? 

(barulhos de cão) 

Carochinha: Aí que maneira de cantar tão desagradável não me serve, não me serve bem, é um bom. 

Cão: Então adeus Carochinha e boa sorte. 

Carochinha: Adeus adeus passe bem. 

Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha. 

Gato: Quero eu quero eu. 

Carochinha: Sim, e o seu nome qual é? 

Gato: Gato, sou gato 

Carochinha: E a sua ocupação se faz favor? 

Gato: Caço pardais quando não durmo 

Carochinha: E é capaz de cantar para me distrair? 

Gato: Já se sabe que sim. 

Carochinha: Então cante para apreciar a apreciar a sua voz? 

Gato: (Brulhos de gato) 

Carochinha: Aí não, não é muito irritante essa maneira de cantar. Não me serve, não me serve. 

Gato: Então adeus Carochinha e boa sorte. 

Carochinha: Não se preocupe, que não me faltam pretendentes. 

Carochinha: Ei de arranjar um a meu gosto. 

Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha. 

Galo: Quero eu, quero eu, quero eu. 

Carochinha: Então diga como é que se chama. 

Galo: Chamo-me galo. 

Carochinha: É a sua ocupação? 

Galo: Que cantar à meia-noite para dizer que chegou o dia seguinte. 

Carochinha: Aí que bom, então, deve saber cantar para me distrair. 

Galo: Claro que sei e tenho boa voz ora oiça. 

Galo: (barulhos de galo) 

Carochinha: Quero um marido que saiba cantar para mim e não para entreter toda a vizinhança. 

Galo: Então adues Carochinha e boa sorte. 

Carochinha: Adeus, adeus siga o seu caminho. 

Carochinha: Quem quer quem quer desposar a carochinha que é muito rica alem de ser bonitinha. 

João Ratão: Quero se tu quiseres linda Carochinha. 

Carochinha: E quem és tu? 

João Ratão: Eu sou João Ratão da família dos ratinhos que nunca chegam a ratazanas. 

Carochinha: E que fazes? 

Carochinha: E que te ocupas? 

João Ratão: Coisas que não tem importância. 

Porque se me queres dar contigo, só me preocuparei com o que for do teu agrado. 

Juro-te que havemos de ser felizes. 

Carochinha: E serás tu capaz de cantar para me distrair? 

João Ratão: A minha voz é fraquinha, mas posso tentar. 

João Ratão: Sou um rato pequenino que bem dirá o destino se puder migar a vida à Carochinha querida. 

Carochinha: Que bem que tu cantas João Ratão. 

Carochinha: Contigo vou casar mais nenhum quero escutar. 

Narrador: E casaram a carochinha e o João Ratão foi linda a festa da boda e o casal viveu sempre felicíssimo. 

Narrador: O boi o cão, o gato e o Galo despeitado arranjaram uma intriga. Fizeram constar que o João Ratão era um guloso e que um dia às escondidas da carochinha, tinha ido à panela da sopa a fim de comer um pedaço de toucinho e que tombara dentro dela, estando quase a morrer cozido e assado no caldeirão coisas que se inventam. A verdade é só esta. 

Quem quer casar com a carochinha.

Que é bonita e perfeitinha?»

Outros Contos

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Uma menina desastrada de 13 anos cuja o único objetivo é ganhar responsabilidade e para isso terá que trabalhar.

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A Formiga Ambiciosa

A Formiga Ambiciosa

 A Formiga Ambiciosa

 

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por:

Produção: Maria Madalena Patacho

Narração:

Data de Transmissão: 01/06/1973

Transmitido por: Emissora Nacional

Programa: Meia Hora de Recreio

 

Registo de som:  Moreira de Carvalho

Montagem: João Silvestre

Dona Formiga: Maria Schultz

A Rabiga: Milucha

As Manas Formiguinhas: Maria Antónia, Maria  de Brito  Malta

Senhor Grilo: Rui Ferrão

Coelho Pata Comprida: Alexandre Vieira

Mosquito: António Sarmento

Pardal: José Baptista

 

 

Locutora

Meia hora de Recreio, um programa que a emissora nacional oferece todas as semanas aos seus pequenos ouvintes.

Hoje irão escutar uma história da autoria de Maria Amália Vale,« A formiga ambiciosa.»

Locutora

Personagens: Dona formiga Maria Shultz, A Rabiga Milucha, As Manas Formiguinhas Maria Antónia e Maria de Brito Malta, O Senhor Grilo  Rui Ferrão, O Coelho pata cumprida Alexandre Vieira.O Mosquito António Sarmento, O Pardal José Baptista.

Locutora

Registo de som de Moreira de Carvalho, montagem de João Silvestre.

Produção de Maria Madalena Patacho.

Narrador:

No formigueiro vivia a mãe, dona formiga, com as filhas. Uma delas chamava-se Rabiga e passava todo o dia a varrer a casa.

Mal parecia-lhe ver cair no chão leve cisco pegava na vassoura e zumba que zumba, varria tudo até ficar num brinquinho.

Narrador:

Mãe, dizia: Rabega que pensar é o teu para não fazeres outra coisa, senão varrer a cozinha, então o resto do serviço? fico à espera não?

Mãe:

Toma sentido no que lhe digo, não é só de vassoura em punho que se trata da vida caseira, precisas de ter juízo.

Mãe:

Ouviste bem Rabiga?

Narrador:

Mas bem podia a mãe, dona formiga, ralhar e tornar a ralhar com amiga. Ela continuava sempre na mesma.

Queria lá saber do que a mãe dizia constantemente. Continuava na mesma, não liga nenhuma, só lhe merecia cuidados, varrer a cozinha e mais nada.

Rabiga:

A minha mãe está sempre a ralhar comigo.

Rabiga:

Mas se quer ela que eu faça, uma prima nossa é carochinha ao varrer a cozinha, não achou cinco reis?

Rabiga:

E se eu for capaz de deixar alguma moeda?

Rabiga:

Ah não faria como ela, isso não, não me iria pôr à janela a ver quem queria casar comigo. Eu sou uma formiga mais atualizada, muito mais finória. Além disso, os tempos correm são outros.

Rabiga:

Que se eu fosse capaz de achar alguma moeda, então é que saberiam que esta rabiga não seria uma formiga vulgar?

Narrador:

E com estes pensamentos, levava a rabiga dias inteirinhos a varrer a casa, ouvindo os raios da mãe e a tossa das irmãs.

Irmã 1:

Olha olha. A nossa irmã Rabiga de vassoura em punho.

Irmã 2:

Então não vês minha maluca que é quase noite. Ah pobre de si.

Rabiga:

Não preciso de ouvir sermões de quem passa todo o Dia fora de casa

Rabiga:

Não passam de umas grandes figuronas, só trazem para casa uns mil linhos de pão nem sequer chegam para encher a minha barriguinha.

Rabiga:

Sabem que mais, a palavras loucas, orelhas moucas.

Mãe:

Então Rabiga, não lhe  envergonha de dizer e mostraste tanta ingratidão para com as suas irmãs que são umas pobres moras de trabalho.

Mãe:

Só varre a cozinha, mais nada, e não há maneira de fazer ter juízo.

Rabiga:

pois sim valem se ralem se, sei muito bem qual a razão porque ando sempre a varrer a cozinha que a minha entende que a entende-me.

Mãe:

Ai pobre da minha filha Rabiga, que é mesmo tonta mais que tonta doida varrida.

Mãe:

Doidinha doidinha isso é que será mais certo.

Narrador:

E a mãe que se ralasse, assim como as irmãs, depois meter a se na cabeça. A tela ideia deixar uma moeda, tal como a sua prima carochinha, que ao varrer a cozinha achara 5 reis.

Narrador:

E a Rabiga ia sempre varrendo sem fazer caso dos raios da dona formiga e da troça das irmãs.

Narrador:

E assim, o tempo ia a passar.

Rabiga:

Não sei que hoje sinto.

Rabiga:

Não me apetece mesmo nada levantar da minha caminha.

Rabiga:

Deve ser preguiça de certeza.

Rabiga:

Ai que bem que me sinto aqui deitada.

Rabiga:

Parece-me que vejo qualquer coisa além. Mas o que será?

Rabiga:

E brilha mesmo.

Narrador:

Rabiga não se levantou da cama senão tarde, más horas, porque se deixou ficar deitada muito séria e quietinha a olhar para o canto da casa onde brilhava a tal coisa.

Narrador:

Mas a mãe é que ficou em cuidado quando se levantou e não a viu a varrer a cozinha, como era seu costume.

Mãe:

O que terá acontecido a minha filha Rabiga para estas horas estar ainda na cama.

Mãe:

Deixe-me ir espreita-la para ficar mais descansada.

Narrador:

E com pezinhos de lã, como quem diz a cautela, lá foi ver o que teria acontecido a Rabiga.

Mãe:

Há ainda bem que não está doente, mas ,mas para aonde olhas Rabiga que ainda não deste pela minha presença.

Mãe:

Nem mesmo a minha tosse a faz olhar para mim.

Mãe:

Ora esta. Não há dúvida que a minha filha endoideceu que lhe hei de fazer.

Narrador:

Já era tarde quando a Rabiga começou a varrer a cozinha nesse dia.

Narrador:

Varreu, varreu, mas ocasionalmente ia espreitar ao fundo da casa para ver se a tal coisa que brilhava ainda lá se encontra.

Narrador:

E era aquilo que roubava o sossego?

Rabiga:

Para me tirar dúvidas, vou ver se consigo a vassoura mover aquela coisa que está alem no chão.

Rabiga:

Pilhar tanto e como intriga de Veras?

Narrador:

E a Rabiga resolveu baixar-se para melhor examinar o que lhe prendia tanto a atenção.

Narrador:

Mas, como desse um suspiro ou talvez lhe parecesse que eu tivesse dado?

Narrador:

Aquela coisa assobiou.

Narrador:

Calculem como uma rabiga teria ficado ,até quase lhe dando um desmaio.

Narrador:

Depois jamais sossegada, pensou.

Rabiga:

É certo que não achei nenhuma moeda.

Rabiga:

Mas valeu uma pena ter sido teimosa.

Rabiga:

Se não fosse, não agora este assobio tão lindo, tão pequenino.

Rabiga:

Talvez que uma das minhas passeadas formigas também tivesse custado música.

Rabiga:

Agora quem quiser cuide da casa terei de me aperfeiçoar a tocar neste assobio e também aperfeiçoar me na dança.

Rabiga:

Há isso, apercebi-me alguém que me quisesse acompanhar, cantando.

Rabiga:

Isso é que seria bom.

Rabiga:

Enquanto o outro cantava, eu tocava e bailava, Eu não falei com a minha prima que ela tinha que se foi por a janela.

Rabiga:

A ver quem queria casar com ela, não nessa não caiu eu.

Rabiga:

Vou pôr, mas é a porta?

Rabiga:

Ver que se passa alguém que na minha companhia querer correr mundo.

Narrador:

E pronto se bem o disse, a rabiga melhor o fez, foi pôr-se à porta na esperança de apanhar quem quisesse e na sua companhia correr por esse mundo fora.

Narrador:

Teve sorte a rabiga por calhar passar por ali o Pata Comprida, um Coelho que andava à procura de pasto.

Rabiga:

Olá, tu por aqui para ti Pata Comprida.

Pata comprida:

Ando a ver se encontro ervas tenrinhas para matar a fome que está a roer a minha barriguinha.

Rabiga:

Olha lá, Pata Comprida, tu sabes cantar?

Pata comprida:

Cantar?  Eu? essa é muito boa.

Senhor Grilo:

Olha que pergunta tão ratona?

Pata comprida:

Mas o que havia de ir aos miolos?

Rabiga:

Sabes é que penso ir correr mundo a tocar neste assobio.

Rabiga:

E quer ir a dançar.

Rabiga:

Mas preciso de alguém que saiba cantar, entendes? Para poder ir comigo, enquanto eu desse toco, outro canta, estás a perceber?

Pata comprida:

Coitadinha. Tu o que tens são os miolos desafinados, desafinados e bem desafinados. Olha Lá ó Rabiga.

Pata comprida:

Tu já ouviste porventura um coelho a cantar?

Rabiga:

Deixa. Escusas de abanar tanto as tuas orelhas, como sinal de o.

Rabiga:

Cá me arranjarei conforme poder, paciência, paciência é que me é preciso.

Narrador:

Rabiga estava resolvida esperar todo o tempo que lhe fosse preciso.

Narrador:

Não verá ela levar dias, meses até, para achar aquele lindo assobio.

Narrador:

Ora, passados uns dias, quando o Sol deitava carradas de lume a rabiga por ouvido ao escutar um lindo canto.

Rabiga:

Quem cantará assim tão bem?

Rabiga:

Se a minha mãe não estivesse a dormir a sesta, talvez ela pudesse satisfazer a minha curiosidade.

Rabiga:

Mas assim?

Narrador:

Mas quem espera sempre alcança.

Narrador:

Rabiga ficou radiante ao ouvir o canto aproximar se, a correr foi lá por si a porta.

Rabiga:

Ora vejam quem ai vem. Nada menos que o senhor Grilo.

Rabiga:

Olá senhor Grilo que faz por estas paragens?

Pata comprida:

Ando por aqui a espairecer, isto de quem vive sozinho também tem os seus inconvenientes.

Rabiga:

Oiça lá Senhor Grilo queria ir correr o mundo na minha companhia?

Pata comprida:

Julgas que sirvo para risada vai mas é brincar com quem esteja disposto a aturar-te.

Rabiga:

Não estou a brincar, Senhor Grilo, nem troçar de sim.

Senhor Grilo:

Ah não?

Rabiga:

Deus me livre de tal. Se me quiser ouvir com um pouco de atenção. Tenho a certeza que no final ainda à de agradecer a minha ideia.

Narrador:

É e a rabiga contou tudo Tim Tim por Tim Tim ao senhor Grilo o que se tinha passado que até já tocava na perfeição no assobio e também já vai bailava que era um gosto velo. Que só lhe faltava quem soubesse cantar para acompanhar.

Rabiga:

Não estará o senhor Grilo nas condições, se canta maravilhosamente, vai ver, vai ver que o dinheiro depois começa a correr para as nossas algibeiras, que serão nunca acabar assim.

Narrador:

O senhor Grilo tinha se na conta muito esperto, por isso, disse logo a Rabiga que sim, sim, Senhor, mas com a mira de a enganar já se vê. Então ele que se pelava por dinheiro.

Senhor Grilo:

Bom, está bom, está bem. Será como diz a Rabiga, mas à só uma condição,  uma condição, serei eu a guardar todo o dinheiro que ganhamos com os nossos espetáculos estás a perceber?

Senhor Grilo:

Valeu assim? Concordas?

Rabiga:

Combinado. Agora senhor Grill repare como eu toco bem.

Senhor Grilo:

Bravo,bravosim senhor bravo isso é que é bailar e tocar danças que é um gosto ver te Rabiga.

Rabiga:

Gosto mesmo de verdade, ver me dançar Senhor Grilo?

Senhor Grilo:

Ai, arte como a tua nunca vi. És uma grande artista.

Rabiga:

Agora é a sua vez, cante Senhor Grilo?

Senhor Grilo:

Eu, eu, a, bom de acordo, com licensa .

Rabiga:

Cante um pouco mais depressa que dá muito melhor efeito.

Rabiga:

Olha assim cri Cri Cri cri cri cri cri cri cri cri.

Senhor Grilo:

Bom está, está bem, está bem, eu eu cantarei, então como dizes.

Senhor Grilo:

Bem eu já sei o que é que tu pretendes? Eu vou para minha casa treinar sozinho, porque assim a tua vista sinto-me nervoso. Não

Senhor Grilo:

Não sou capaz. Bom, olha, vais ver Rabiga que quando voltar até eu decantar uma linda moda que traga há muito tempo dentro da minha cabeça.

Senhor Grilo:

Olha é, é, é uma moda que cá sei.

Irmã 1:

Aja lá que assim seja cá os espero com essa moda muito a finadinha, mas tenha cuidado com a humidade à noite. Não vai enrouquecer ouviu.

Mãe:

Não à dúvida que a minha filha rabiga perdeu o juízo todo, leva todo o dia a dançar e tocar, naquele malfadado assobio que até já tenho os ouvidos de historiados de o ouvir.

Mãe:

Mas que remédio dar a esta filha para trazer ao bom caminho?

Rabiga:

Deixe disso mãe.

Rabiga:

Tanto a Rabiga tocar e dançar que se há de aborrecer. Não lhe diga nada. Finja que não vê ou ouve, que é o melhor. Deixará vontade deixe-a.

Narrador:

Rabiga quando pareceu ter tudo apostos conforme combinado com o senhor Grilo e achando que já estavam bem ensaiados e afinados, principiaram a correr mundo.

Por onde passavam, a rabiga tocava e bailava.

Narrador:

E o grilo.

Rabiga:

Então senhor Grilo só canta esses enfadonhos cri Cris?

Senhor Grilo:

Ai olha desculpa,Rabiga, mas é assim que chega a minha vez de cantar é o é. Comece a tremelicar, tremelicar cheio do nervoso e as modas que tinhanhos ensaiado. Olha esqueci-me de todas.

Senhor Grilo:

Só me vem à lembrança, os meus Cri Cristu queres que eu faça com este meu maldito nervoso é superior ás minhas forças, Eu Não posso, não posso, mas eu.

Rabiga:

Pois é tem razão

Rabiga:

Mas o pior é que a desafinação é completa.

Senhor Grilo:

E o mais me custa é o ouvir sempre para piada.

Narrador:

Quem os ouvia uma vez, não queria tornar a pôr-lhes a vista em cima. Quanto mais ouvi-los de novo. E assim, algibeira do senhor Grilo continuava cheia de cotão, porque nem um tostão lá ia parar.

Senhor Grilo:

Quem que mandou a mim acompanhar esta maluca da Rabiga? Olha que ISTO .Nem um mísero estão ainda parar há minha pobre algibeira. Estou aqui. Olha, deixei um tostão.

Senhor Grilo:

Também á de me pagar, mas esta aventura em que meteu, era lá ver. É assim que a apanhar a dormir a sesta ala que se faz tarde volto para o meu depois depois.

Senhor Grilo:

Quem me dera dela chegar?

Senhor Grilo:

E quem é que me mandou a mim ser palerma, olha esta.

Narrador:

E o senhor Grilo fez, como pensou, estava farto de andar de um lado para o outro sem parar e no final dos espectáculos só havia patear .dinheiro onde estava ele? nem com um óculo de ver ao longe, ouvia.

Narrador:

Assim que acabou de dormir?

Narrador:

rabiga foi à sua procura?

Rabiga:

Senhor Grilo.

Rabiga:

Senhor Grilo.

Rabiga:

Não o vejo. Onde se teria metido ele.

Rabiga:

Querem ver como deixou e foi para a sua antiga morada?

Rabiga:

Nem lhe vejo saco das suas coisas.

Rabiga:

Partiu, grande manhoso.

Rabiga:

Também não me faz falta nenhuma, cá me arranjarei sozinha sem a sua companhia. Fez muito bem em desandar daqui, só desafinava e por isso sapateava que nunca mais acabava.

Narrador:

Rabiga agora sozinha tocava e bailava sem parar.

Tanto e tanto bailo que entusiasmada com a dança caiu e partiu uma das pernas.

Como sentisse desamparada, começou a chorar aflitivamente.

Rabiga:

E agora, agora o que vai ser de mim, se ninguém pode valer o que me irá acontecer.

Mosquito:

Porque choras assim tanto Rabiga?

Mosquito:

Parecesses mesmo a Madalena. Mas conta lá, o que foi que te aconteceu, fazes uma berraria danada.

Rabiga:

Não, não, não minha que lamentar.

Rabiga:

Parti uma das minhas pernas como poderei andar e quem poderá valer, não me dizes mosquito.

Rabiga:

Fico para aqui sozinha.

Mosquito:

Então não tem família. Ela pode tomar conta de si, se for preciso e quiser, eu vou a sua casa prevenir a sua mãe, quer?

Pardal:

Olá, amigos, ouvi o que disseram.

Pardal:

Não sejam Aflitos, eu posso muito bem levar a Rabiga nas minhas costas até a casa dela.

Pardal:

Pesa tão pouco que não será nenhum sacrifício para.

Pardal:

Mim até me sinto muito feliz.

Pardal:

Por poder ajudar um pardal nunca se nega a fazer bem.

Mosquito:

Então eu vou adiante para prevenir a dona formiga da chegada da Rabiga.

Pardal:

Mas logo clã chegue no assusta dona formiga ouviste mosquito. Olha quem pode dar algum desmaio ao pensar que a filha estará quase morta? Tem cuidado diga-lhe tudo, sim, mas com jeito com cautela.

Mosquito:

Fica descansado, perdão, trampo, esquecerei das suas recomendações.

Marrador:

E o Mosquito lá foi a voar muito mais adiantado que o pardal a fim dar conta do seu recado.

Mosquito:

Dona formiga. Dona formiga.

Mãe:

Quem me chama? àÉs tu mosquito?

Mãe:

Que me quer?

Mosquito:

Dona formiga eu venho dizer lhe que a sua filha Rabiga vem aí.

Mosquito:

Mas não lhe ralhe, nem a censure, não ela vem assim um pouco adoentada.

Mãe:

Aconteceu algum mal,á minha querida rabiga, ela diz assim, vai depressa, então tchau, conta, conta o que sabe, mosquito que eu estou com meu.

Mosquito:

Bem descanse não é coisa de cuidado, não se aflija.

Mãe:

Coração aos pulos. Ai Ai.

Pardal:

Não se assuste ó lhe partiu uma perna a claro que podia ser pior, podia ser pior, foi enquanto dançava, que tal lhe aconteceu como vê não é mau de morte.

Mãe:

Ai Ai ai a minha querida filha.

Mãe:

Quem Me Dera já abraçá-la deve sofrer muito. Coitadinha.

Pardal:

Olha dona formiga, aí vem o pardal que traz sua filha às costas.

Mãe:

Aí minha rica filha que torna a ver.

Mãe:

Deixe-me Abraçar-lhe e beijar-lhe?

Irmã 1:

Ainda Bem que voltou, Rabiga, já tínhamos muitas saudades suas.

Irmã 6

Olha que todos nós, as suas irmãs, querem tão bem.

Mãe:

Foste muito má, nem a adeus disseste quando saiu da nossa casa, não pensas que não foi bonito? O que fizeste, rabiga?

Mosquito:

Então, então, dona formiga deixe de Sermões.

Mosquito:

O que lá vai lá vai.

Irmã 2:

viva viva, rabiga viva por ter voltado pra casa?

Rabiga:

Aí festa que me estou a fazer?

Rabiga:

E eu sei cuidar de as prevenir da minha ausência.

Rabiga:

E tudo pela minha louca ambição.

Rabiga:

Foi muito bem feito, o que me aconteceu, pois por dinheiro deixei quem me queria bem.

Rabiga:

E só encontrei ingratidões por essas terras por onde andei.

Pardal:

Que lhe sirva de lição os trabalhos, porque passaste minha linda Rabiga que lhe sirva de lição.

Mosquito:

Bem, bem, bem, bem, está?

Mosquito:

A família toda reunida e pelo que vejo e oiço.

Mosquito:

Estão todos contentes .Ah.

Mosquito:

Já que está junto de todos os seus que mais deseja agora rabiga.

Rabiga:

Olha amigo pardal.

Rabiga:

Sabe o que eu mais desejaria agora?

Rabiga:

Neste mesmo momento.

Rabiga:

Era poder voltar a tocar no meu assobio e bailar para poder mostrar aos meus o contentamento.

Rabiga:

Que sinto por já.

Rabiga:

Estar na minha rica casinha?

Rabiga:

Que Felicidade poder voltar a viver junto de quem nos quer bem.

Pardal:

Pois assim mesmo é que é falar Rabiga. Vê-se bem que tem agora muito e muito juízo.

Mãe:

E não terei eu razão de me sentir uma mãe feliz.

Mãe:

Ainda bem, ainda bem que a minha filha Rabiga viu que andava por mau caminho.

Irmã 2:

Eu viva Rabiga que é nossa amiga.

Locutora:

Emissora nacional acaba de transmitir para os seus pequenos ouvintes uma história da autoria de Maria Amália Val a formiga ambiciosa produção de Maria Madalena Patacho.

 

 

 

 

 

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As Amêndoas do Padrinho Pascoal

 

As Amêndoas do Padrinho Pascoal

by Meia Hora de Recreio | Emissora Nacional

Áudio

Ficha Técnica

Adaptação realizada por: 

Produção: Maria Madalena Patacho

Narração: –

 

Data de Transmissão: 20/04/1973

Tramistido por: Emissora Nacional

Programa: Meia Hora de Recreio

 

Registo de Som: Manuel Marques

Montagem: Horácio Gonzaga

Capa do Áudio: Bruno Leal

 

Link de Referência: Meia Hora de Recreio – RTP Arquivos

Manuela: Maria Antónia

Maria: Milucha

Xico: Armando Pinto

Luís: José Manuel

Pai: António Sarmento

Mãe: Maria Schultz

Padrinho Pascoal: Alexandre Vieira

Uma criada: Maria Brito Malta

Um homem: Fernando Cohen

Narrador: Meia hora de Recreio.  

Narrador: Amiguinhos antes de começar o vosso programa de hoje, queremos desejar a todos os nossos pequenos e grandes ouvintes, uma Páscoa Santa e feliz a todas muito boas festas.  

Narrador: Hoje vão escutar um conto de autoria de Maria Isabel de Mendonça Soares, as amêndoas do padrinho Pascoal.  

Narrador: Personagens Manuela, Maria Antónia, Maria, Milucha, Chico, Armando Pinto, Luiz, José Manuel, o Pai, António Sarmento, a mãe, Maria Schultz, o padrinho Pascoal, Alexandre Vieira, uma criada, Maria de Brito Malta, um homem, Fernando Cohen, registe som de Manuel Marques, montagem de Horácio Gonzaga.  

Narrador: Produção de Maria Madalena Patacho.  

Mãe: Meninos não se demorem.  

Mãe: Veste o casaco, Manuela, o dia está bonito, mas ainda não é verão.  

Mãe: E tu aí os dois é tão, Chico e Maria.  

Chico: Foi ela que.  

Maria: Eu não fiz nada.  

Maria: Ele é que.  

Chico: Escusas falar mais comigo.  

Mãe: Não impliquem mais um com outro, pronto.  

Mãe: E vão arranjar se depressa Luisinho guarda os carros na gaveta. Estamos atrasadíssimos e o padrinho Pascoal não gosta de esperar.  

Maria: Ó mãe, porque é que nós tem que por força ir à casa do padrinho Pascoal todos os anos pela Páscoa.  

Luiz: Antes, queria ficar a brincar com os meus automóveis.  

Mãe: Hoje não pode ser o padrinho Pascoal convidou-nos.  

Mãe: Oiçam, é o pai já está com o carro.  

Luiz: É tão especial padrinho Pascoal, não é? Mora naquela quinta zona, nunca sai e quando chega a Páscoa é que se lembra de escrever a mandar nos ir almoçar com ele.  

Mãe: Ele não manda, convida.  

Luiz: Ora A irrelevância é subjetiva Convida, mas nós não pode dizer que não, então isso é mandar.  

Pai: O padrinho Pascoal é uma pessoa de idade.  

Maria: É velhíssimo, com certeza, já era padrinho do avô tem mais de 100 anos.  

Mãe: Dispara-lhe Maria. O Pedrinho Pascoal tem 80 anos.  

Luiz: Eu cá tenho 8.  

Maria: Para dizer a verdade, eu até gosto do Padrinho Pascoal.  

Maria: Mas sinto assustada em frente dele.  

Maria: Aquela sala tão grande, cheia de livros e retratos.  

Chico: E depois a mania que ele tem.  

Pai: Não se diz manias, Chico é falta de respeito.  

Chico: Bom não será mania, mas como lhe hei de chamar? A ideia que ele tem, está bem assim?  

Pai: Sim, pode ser.  

Chico: E daí que eu tenho que dizer as coisas pão, queijo, nunca se sabe que fala, o que tem lá na cabeça.  

Pai: Concordo que o padrinho Pascoal tenha as suas originalidades, mas é um verdadeiro sábio.  

Luiz: Ele inventou algo?  

Pai: Os sábios nem sempre são inventores, têm a sabedoria da vida, o que é igualmente importante.  

Pai: O padrinho Pascoal, aprendeu muito a observar as pessoas e os acontecimentos.  

Chico: Pudera durante 80 anos a olhar e a pensar.  

Maria: Que ira ele inventar hoje para nos dar ao almoço.  

Manuela: Seja lá o que for desde que se coma.  

Manuela: Já vou cheia de fome.  

Mãe: É do ar do campo respirem fundo que este ar puro da mais saúde do que 10 frascos de vitaminas.  

Chico: Já se vê daqui à casa do padrinho Pascoal entre as árvores.  

Pai: Pronto chegámos tocar sineta.  

Padrinho Pascoal: Olha sendo muito bem vindos, meus afilhados.  

Pai: Então como passou padrinho Pascoal.  

Mãe: Muito as festas padrinho Pascoal.  

Chico, Maria, Luiz, Manuela: Muito boas festas, padrinho Pascoal.  

Padrinho Pascoal: Muito obrigado afilhados e boas festas igualmente para todos os boas e santas festas.  

Mãe, Chico, Maria, Luiz, Manuel, Pai: Obrigado!  

Padrinho Pascoal: Olha lá pequenos, naturalmente preferis, ficar pelo jardim a pular como cabritos novos á solta, enquanto o almoço não vai para a mesa, não é assim?  

Padrinho Pascoal: Está bem, correrei por aí em liberdade que para gaiola já basta morar num sexto andar. Se eu tivesse a vossa idade e as vossas pernas fariam mesmo e infelizmente eu já não tenho por isso foi lá para dentro sentar-me à conversa com os vossos pais.  

Chico: O melhor da visita ao padrinho Pascoal é este grande Jardim.  

Chico: Eu do que mais gosto é do lago se tivesse trazido os meus calções de banho, até dava já um mergulho, que raiva não me ter lembrado.  

Luiz: O que eu queria aqui era a minha bicicleta.  

Maria: Talvez o padrinho Pascoal tenha uma.  

Chico: O quê uma bicicleta sonhas, só se for um daqueles triciclos antigos.  

Chico: Velocípedes ou lá como se chamam com uma roda muito grande na frente e duas muito pequenas atrás, nunca viste em desenho num livro?  

Maria: Já sei como as de equilibristas do circo.  

Chico: Pois o padrinho Pascoal é tão antigo como essas maquinetas.  

Maria: Sabem o que me parecia há bocado, padrinho Pascoal, quando olhei para ele assim, muito alto e magro, careca e com o nariz comprido.  

Chico: Diz lá.  

Maria: Parecia mesmo uma cegonha.  

Chico: Eu.  

Chico: É mal feito nós rir-se do padrinho Pascoal, ele é bom e gosta muito de nós.  

Chico: Bem a gente da teu rir devido ao que a Maria disse, mas não era para fazer troça, acho eu.  

Maria: Eu também não pensei naquilo por mal.  

Maria: Vem má ideia sem querer.  

Mãe: Meninos, meninos venham almoçar o senhor Doutor Pascoal já está à espera.  

Chico: Vamos agora não comesse a rir Maria nem fazer rir também com as suas macaquices do costume.  

Maria: Não olhe para mim.  

Chico: Os senhores não riem como dois malucos, estão à bulha.  

Luiz: Ó Manuela, tu pensas que o padrinho Pascoal nos vai dar amêndoas a sobremesa?  

Chico: Então não havia dar porquê?  

Chico: Onde é que já se viu, almoço de Páscoa sem amêndoas?  

Luiz: Eu cá gosto de amêndoas.  

Chico: Também bem eu.  

Luiz: Ó Chico onde estão as amêndoas?  

Chico: Sei lá. Em cima da mesa é que eu não vejo nenhuma.  

Chico: Se calhar ainda estou na loja.  

Maria: Cala-lhe Maria, daqui a pouco padrinho Pascoal ouve-lhe.  

Chico: Talvez seja um bocadinho surdo.  

Chico: Parece que não vai haver amêndoas.  

Maria: Como o padrinho Pascoal nunca se sabe, tem sempre surpreendidas na manga do casaco, como os ilusionistas do circo.  

Padrinho Pascoal: Então vozes aí meninos, vocês não querem repetir o assado?  

Maria: Não, obrigada padrinho Pascoal.  

Chico: Já repeti padrinho Pascoal. Muito obrigado.  

Luiz: Não quero mais obrigado.  

Chico: Eu também não.  

Padrinho Pascoal: Já vos entendo, guardas os para a sobremesa, pois aí a tendes. É um dos deliciosos, uma velha receita, muitos anos na posse da família leva açúcar, ovos canela.  

Luiz: E amêndoas?  

Padrinho Pascoal: Não, não. Amêndoas não leva, as amêndoas, são comidas no fim, esperar aí tudo a seu tempo.  

Padrinho Pascoal: Primeiro o doce, depois uma gota de vinho fino para fazer as saúdes.  

Luiz: E a seguir é as amêndoas, é?  

Padrinho Pascoal: Para quem as merecer, para quem as souber ganhar?  

Padrinho Pascoal: Saboreei o doce e depois direis-me se não é famoso.  

Padrinho Pascoal: E agora.  

Chico, Pai, Maria, Luiz, Manuela:

 As amêndoas.  

Padrinho Pascoal: Não ainda não, agora é a vez de beber á a vossa saúde e vós á a minha. Este é um vinho precioso. Tem 40 anos.  

Chico, Pai, Maria, Luiz, Manuela: Aí tão velho. Se calhar não presta.  

Padrinho Pascoal: Á vossa saúde por muitos anos e bons, Páscoa feliz, meus afilhados.  

Chico, Pai, Maria, Luiz, Manuela: Páscoa feliz. Pascoal.  

Padrinho Pascoal: E finalmente.  

Maria: Agora que é certo agora é que vamos comer as amêndoas.  

Padrinho Pascoal: É gulosa e impaciente Maria, terá muito que aprender ainda.  

Maria: Aprender o quê?  

Chico: O que maçador é. Não percebe que estamos todos à espera do que o padrinho Pascoal vai dizer.  

Padrinho Pascoal: Bom, bom, bom.Então escutei lá?  

Padrinho Pascoal: Ô ô, ou melhor.  

Padrinho Pascoal: Deixei que eu tire aqui da minha carteira.  

Padrinho Pascoal: Ora, aqui estão.  

Padrinho Pascoal: 1234

Luiz: Oh, são 4 cartas,  

Maria: 4 subscrito.  

Chico: É dinheiro para comprar amendoins, adivinhei, não adivinhei?  

Padrinho Pascoal: Não, não, não, Senhor. Não adivinhaste, vá pegai lá meninos um subscrito para cada um de vós para si Chico, para a Maria, este é para Manuela e agora por fim, este para o Luís.  

Padrinho Pascoal: Não, não, não podeis abri-lo.  

Padrinho Pascoal: Aí não, não, por enquanto,  

Chico: Então para que servem?  

Chico: Quando é que se abrem?  

Maria: Mas o que é padrinho Pascoal?  

Luiz: Mas aqui dentro não cabem as amêndoas.  

Padrinho Pascoal: Pois, não, pois não? As amêndoas tereis vós das encontrar, das descobri.  

Maria:  Mas onde?  

Padrinho Pascoal: Sabe-se lá, ora bem.  

Padrinho Pascoal: Ouvi com atenção, cada um levará consigo o seu subscrito.  

Maria: Fechado?  

Padrinho Pascoal: Sim, sim, sim, sim. Fechado  

Padrinho Pascoal: Saireis para o jardim e só então podereis abrir, dentro encontrareis.  

Maria: O que eu quê, o quê?  

Padrinho Pascoal: Logo sabereis. A ida e da procura.  

Chico: Até parece um romance policial. O mistério das amêndoas desaparecidas.  

Maria: Deixa de conversa e levanta-te que o padrinho Pascoal já deu licença.  

Chico, Maria, Manuela: Vamos.  

Chico: E esta  

Chico: Eu não dizia que o padrinho Pascoal tinha ideias especiais.  

Chico: Oiçam lá o que está escrito aqui neste papel.  

Chico: Segue o caminho do Sol e traz a luz que é seu farol. Mas que esquisito, não se percebe nada.  

Chico: No meu também é um papel, diz assim, o que foi lá vai sempre em frente procurai que quererá dizer isto? Como é o teu Maria?  

Maria: Diz o vento norte só para forte, será o seu passaporte.  

Chico: Não adianta nada, fico na mesma.  

Manuela: Se fica na mesma é porque é estúpido, eu cá, percebi muito bem.  

Chico: Não me chame estúpida malcriada.  

Manuela: Mas não és estúpido, é burro que vai dar no mesmo.  

Chico: Nunca mais te falo.  

Chico: Vá-lá calem-se, vocês não se podem aturar. Ó Luís, foste capaz de ler o teu papel. O queres que te ajude?  

Luiz: Eu sei.  

Luiz: O carro está a cantar.  

Luiz: É perto.  

Luiz: Não tens que errar.  

Maria: Bem, não podemos perder mais tempo a olhar para as letras sem fazer nada. Eu cá vou à procura das minhas amêndoas.  

Padrinho Pascoal: Um momento meus pequenos.  

Chico: O que foi padrinho Pascoal?  

Padrinho Pascoal: Eu esqueci-me de vos fazer uma recomendação.  

Padrinho Pascoal: Quando encontrares as amêndoas, voltai aqui trazendo o que mais perto estiver delas compreendeste.  

Chico, Manuela, Luiz, Maria:  Está bem.  

Padrinho Pascoal: Podeis ir. Podeis ir.  

Padrinho Pascoal: Não todos para o mesmo lado, não? Cada qual recebeu uma mensagem. Diferentes são os caminhos.  

Maria: Segue o caminho do Sol. Traz a luz que é teu farol.  

Maria: Mas como é que eu vou fazer?  

Maria: O caminho do sol.  

Maria: Será ir por esta rua fora.  

Maria: Naturalmente é. O sol dá nesta parede.  

Homeno: Boas tardes menina.  

Maria: Olá muito boa tarde, o senhor sabe me dizer faz favor. Qual é o caminho do Sol?  

Homeno: O caminho do sol?  

Maria: Sim, o meu padrinho Pascoal foi assim que disse.  

HomenoAh a menina é afilhada do sr. doutor Pascoal, então eu disse que isso é brincar com certeza.  

Maria: Pois é, é uma espécie de jogo. Os meus irmãos e eu temos de procurar as amêndoas da Páscoa.  

Maria: E a mim calhou-me seguir o caminho do sol e trazer de volta uma luz, mas deus candeeiros estão apagados a luz do sol não se agarra.  

Maria: À por aqui perto alguma luz que não seja a do sol?  

Homeno: Bem a dizer a verdade, luz, só se for é do nicho da santinha acolá ao virar da esquina.  

Maria: Será essa?  

Homeno: A menina experimente e já ali adiante.  

Maria: Aí obrigada.  

Maria: Lá está uma lamparininha acesa é aqui. E um cartucho atado com laço azul a, mas são as amêndoas são.  

Maria: Então e o farol.  

Maria: E a luz que eu hei de levar ao padrinho?  

Maria: Aí uma vela escondida atrás do cartucho deve ser isso que o padrinho Pascoal quer, acendo na luz da lamparina e vou levá-la devagarinho sem a deixar apagar.  

Luiz: O cão está a cantar  

Luiz: É assim que diz o meu papel?  

Luiz: É muito fácil. O cão canta na capoeira, é lá que estão as amêndoas, viva já descobri.  

Luiz: Ó galinhas, onde é que guardas as amêndoas, diz lá.  

Luiz: Se calhar escondeste as na palha.  

Luiz: Olha, olha foi, cá está cartucho cheio de amêndoas mesmo ao pé de um ovo. Ganhei, ganhei, viva Manuela, Manuela, estão aqui, as minhas amêndoas já encontraste as tuas?  

Maria: Cuidado Luizinho olha que apagas a vela e tenho que levar a acesa ao padrinho Pascoal.  

Luiz: Aí que me esqueci.  

Maria: De quê?  

Luiz: Do que disse o padrinho Pascoal, trazendo uma coisa que estivesse ao pé das amêndoas.  

Luiz: Mas o que é que estava ao pé das amêndoas?  

Luiz: Era um ovo.  

Maria: Aí, então devias tê-lo trazido.  

Luiz: Vou buscá-lo. Espera aqui por mim que eu não demoro nadinha.  

Maria: Mas ó Luizinho não venhas a correr.  

Maria: Se não faz ovo em gemada.  

Chico: O que foi lá vai lá vai sempre em frente procurai, de toda esta charada só por ser uma coisa.  

Chico: Que é preciso procurar em frente, vamos a isto e veremos o que encontra em frente do nariz.  

Chico: Afinal, parece-me, estou cheio de sorte, pus-me a mandar a direito pela rua que leva à horta e dei logo o meu cartucho de amêndoas na borda do poço.  

Chico: Bem bomapetece-me trincar já uma, se calhar o padrinho Pascoal não gosta que se abra cartuchos por enquanto.  

Chico: Temos que levar, não sei o que é ao mesmo temposei lá o que há de ser, aquilo que estiver mais perto das amêndoas, disse ele. Ora, o que está mais perto é o parapeito do poço no meio de arrancar um bocado cimento.  

Chico: Levar o que?  

Chico: Poço, muro.  

Chico: Água é isso mesmo, descobri, água, levo lhe água.  

Chico: Mas dentro do quê?  

Chico: Só se for na concha da mão, deito a correr e na lei de chegar com uma pinguinha, pelo menos.  

Chico: E esta agora.  

Chico: Só para forte vento norte, este é o teu passaporte, que giro o vento norte até se parece comigo. A mãe diz que eu armo cada pé de vento a discutir.  

Chico: Por isso é que o Chico ficou zangado.  

Chico: Vento Norte.  

Chico: Que já dizer que devo seguir em direção ao norte, se calhar é, eu sei lá para onde fica o norte.  

Chico: A estrela polar indica o Norte.  

Chico: Mas de dia não se vê estrelas.  

Chico: A bússola aponta para o norte, que é dela. Não tenho que a bússola nenhuma.  

Chico: Espera lá.  

Chico: O catavento do telhado da casa lá está ele pronto, o norte fica para aquele lado.  

Chico: Livra que já não sinto os pés farinha de andar e nada que se pareça com cartucho de amêndoas ou menos.  

Chico: Oliveiras, Oliveiras.  

Chico: Olha, olha finalmente penduradas no ramo que giro é caso para vir nos jornais como um fenómeno, uma oliveira que dá amêndoas em vez de azeitonas.  

Chico: Mas o pior é chegar-lhes.  

Chico: O ramo é alto.  

Chico: Com ei de apanhar o cartucho.  

Chico: Só se só se puxar.  

Chico: O ramo com um pau.  

Chico: Assim.  

Chico: Ótimo deu resultado, caiu cartucho no chão.  

Chico: Aí lá vão os meus irmãos, Manuela.  

Maria: Chico. Luiz. Esperem por mim.  

Chico: Ó Maria sempre és uma cabeça no ar, então só trouxeste o cartucho das amêndoas.  

Chico: Então é quanto basta.  

Maria: Mas não é o padrinho Pascoal disse trouxéssemos aquilo que estivesse mais perto das amêndoas, não foi?  

Chico: Oh pois foi. Lembrei-me agora aí que parvoíce.  

Chico: Mas o que estaria perto das minhas amêndoas. Elas estavam penduradas num ramo. Aí está era isso um ramo de Oliveira.  

Chico: Aí! Meu Deus, não chego lá.  

Chico: O ramo estava tão alto, o embrulho ainda o fiz cair atirando lhe com um pau, mas cortar um ramo de Oliveira tão alto não é coisa assim tão fácil.  

Luiz: A gente ajuda.  

Chico: Tu és um ninguém de gente. Como é que podias lá chegar?  

Maria: Eu sou mais alta do que tu.  

Chico: Mesmo assim não chegavas, não tens força.  

Maria: Pede ao chico, ele zangou-se comigo  

Maria: Disse que nunca mais me falava.  

Chico: A culpa foi tua, não foi?  

Chico: Queres que te ajude a cortar o ramo?  

Chico: Eu queria, mas…  

Chico: Talvez todos juntos lá cheguemos. Qual é Oliveira?  

Chico: É aquela.  

Chico: Vamos lá ao pé Luiz trepa as minhas costas vocês duas seguram no.  

Chico: E ele apanhou um raminho.  

Maria: Tiveste uma ótima ideia Chico, anda Luís monta às cavalitas.  

Maria: Não tenhas medo que não cais.  

Luiz: Eu medo, não tenho medo nenhum.  

Luiz: Viste Maria julgavas que eu era pequeno, não chegava lá, toma o teu ramo de oliveira para dares ao padrinho Pascoal  

Chico: Obrigada, Luisinho, obrigada Manuela, ó Chico muito obrigada tu és muito melhor que eu desculpa.  

Chico: Deixa lá não se pensa mais nisso.  

Luiz:  vamos depressa mostrar as amêndoas ao padrinho Pascoal.  

Chico: Vamos. Vamos.  

Chico, Manuela, Maria, Luiz:  Ganhei, ganhamos!  

Padrinho Pascoal: Quero ver se as mereceis.  

Padrinho Pascoal: Hora mostrai-me as vossas descobertas.  

Luiz: Eu encontrei um ovo.

Padrinho Pascoal: Muito bem, Luizinho, encontraste o que era preciso.  

Maria: E eu trouxe uma vela acesa era isso?  

Padrinho Pascoal:  está certo, está certo, e vocês os dois tu aí, Chico.  

Chico: Eu, eu trazia água na concha da mão.  

Chico: Até vinha a correr muito depressa para não a perder, mas afinal.  

Padrinho Pascoal: Chegaste de mãos vazia?  

Chico: Ele não teve a culpa padrinho Pascoal foi ajudar-me a apanhar o ramo e  

Chico: Esqueci-me de água que trazia com tanto cuidado e lá se foi toda.  

Padrinho Pascoal: O que foi lá vai lá vai.  

Padrinho Pascoal: E era mesmo assim que devia ser.  

Padrinho Pascoal: E tu Maria.  

Padrinho Pascoal: Apanhaste o teu ramo de Oliveira pelo que vejo  

Chico: Eu não sozinha, não fui capaz se não fosse a ajuda deles todos.  

Padrinho Pascoal: Louvado seja Deus é esta a Páscoa verdadeira.  

Luiz: Já podemos comer as amêndoas padrinho Pascoal.  

Padrinho Pascoal: Podes sim, Luís, mas escuta uma coisa muito importe.  

Padrinho Pascoal: A Páscoa é muito mais do que amêndoas cobertas de açúcar muito mais o ovo que encontraste, representa a vida. A Páscoa é vida porque Jesus ressuscitou e vive connosco para sempre.  

Padrinho Pascoal: É Páscoa é luz, por isso trouxe-te a vela acesa Manuela?  

Padrinho Pascoal: A Páscoa é o perdão, água que todo lava e tudo leva.  

Padrinho Pascoal: Tu Chico esqueceste a zanga com a Maria, perdoaste o que foi lá vai lá vai, dizia, a tua mensagem não era?  

Padrinho Pascoal: E com a vida, a luz e o perdão alcançaram a paz representada pelo ramo de Oliveira trazido pela Maria.  

Padrinho Pascoal: Lembrai-vos filhos, a paz só é possível se todos se ajudarem uns aos outros, como vós.  

Padrinho Pascoal: Boas Festas pequenos, Santa Páscoa na paz de Cristo.  

Chico, Maria, Manuela, Luiz: Páscoa feliz, padrinho Pascoal.  

Narrador: A Emissora nacional acaba de transmitir para os seus pequenos ouvintes um conto de Maria Isabel de Mendonça Soares. As amêndoas do padrinho Pascoal, produção de Maria Madalena Patacho.

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